domingo, 4 de fevereiro de 2018

CAI O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM JANEIRO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas em janeiro deste ano caiu quando comparado aos meses de novembro e dez/17, mas ficou acima do observado em jan/17. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também declinou entre dez/17 e jan/18, bem como o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas. Na comparação anual, o percentual de famílias com dívidas em atraso subiu, enquanto o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas caiu, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,3% em jan/18, um decréscimo em relação ao percentual observado em dez/17 quando chegou a 62,2%.

Seguindo o declínio do endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em jan/18 para 25% ante 25,7% registrado em dez/17, e apresenta elevação quando comparado a jan/17 quando chegou a 58,7%. Por outro lado, houve elevação do nível de inadimplência em jan/18 quando atingiu 25%, enquanto em jan/17 registrou 23,9% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em atraso, assim, permanecem inadimplentes, caiu de 9,7% em dez/17 para 9,5% em jan/18, registrando declínio frente aos 10,2% de jan/17.

O número de famílias endividadas, na comparação mensal, apresentou decréscimo em ambas as faixas de renda pesquisadas - baixa renda (até 10 salários mínimos-SM) e maior renda (acima de 10 SM). Na comparação anual, ambas as faixas de renda registraram elevação. Para as famílias que ganham até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 62,9% em jan/18, abaixo dos 63,7% de dez/17. Com relação às famílias com renda acima de 10 SM, o endividamento caiu de 54,6% em dez/17 para 53,6% no mês seguinte.

Com relação ao percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso, houve redução do indicador nas duas faixas de renda, na comparação mensal, enquanto cresceu na comparação anual. Nas famílias com renda até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso decresceu de 29,1% em dez/17 para 28,2% em jan/18. Em jan/17, 27% das famílias nessa faixa de renda estavam com as contas em atraso, enquanto nas faixas acima de 10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 11% em jan/18, ante 11,3% em dez/17 e 10,9% observado em jan/17.

Considerando as faixas de renda pesquisadas, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso apresentou comportamento distinto, na comparação mensal, entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda até 10 salários mínimos (SM), o indicador alcançou 3,5% em jan/18, ante 3,2% de dez/17. Para o grupo com renda acima de 10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas caiu de 11,6%, em dez/17, para 11% em jan/18.

O percentual de famílias muito endividadas decresceu de 14,1% em dez/17  para 13,6% em jan/18. Entre jan/17 e jan/18, a parcela mais ou menos endividada subiu de 21,2% para 23,4%, e a pouco endividada passou de 23,1% para 24,4% do total de famílias, naquela base de comparação.

Entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 65 dias em jan/18, enquanto em jan/17 atingiu 65,6 dias. O tempo médio de permanência das famílias com dívidas foi 7 meses, com 25,2% comprometidas com dívidas até 90 dias, e 32,2%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas manteve-se praticamente estável ao passar de 29,8% em jan/17 para 29,9% em jan/18, enquanto 22,2% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

As dívidas com cartão de crédito continuam na preferência das famílias endividadas atingindo 77,4% em jan/18. Segue o carnê de loja com 16,9%, financiamento de carro com 11%, crédito pessoal com 9,9%, financiamento de casa com 8,4%, crédito consignado 5,4%, cheque especial com 5% e cheque pré-datado 1%.

Nas famílias com renda mais baixa (até 10 salários mínimos), o cartão de crédito chega a 78,3% e as famílias de maior renda (acima de 10 salários mínimos) atinge 73,8%. O carnê de loja chega a 18,3% no primeiro caso e cai para 10,1% para as famílias de maior renda. Duas grandes disparidades acontecem: financiamento de carro chega a 8,8% para famílias de baixa renda e sobe para 21,4% para as de maior renda; e financiamento de casa chega a 6,7% para famílias até 10 SM e sobe para 16,3% para as famílias de maior renda.

Portanto, a queda da inflação, a redução dos juros, a elevação do emprego e um consumidor mais confiante em 2018, tem contribuído para melhorar o comportamento dos principais indicadores macroeconômicos, embora o endividamento das famílias brasileiras continue elevado. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra desconhecimento de educação financeira. Políticas governamentais de estímulo a hábitos financeiros saudáveis entre a população, contribuiria fortemente para reduzir o endividamento das famílias.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoa. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Um comentário:

  1. Olá novamente Sr. Régis!

    Estive com o Sr. pessoalmente ontem à noite... Lembra-se?
    Aliás, obrigado pela indicação!

    Sobre nossa muito rápida conversa, tive a oportunidade de experimentar os seguintes sistemas de gestão de finanças pessoais:
    - Hábil pessoal;
    - MS Money (3 versões diferentes);
    - Minhas Economias;
    - Meu Dinheiro Web;
    - Guia Bolso;
    - Organizze;
    - YNAB;
    - Quicken;
    - Toshl.

    A lista está em ordem cronológica bastante próxima da realidade. Este último é o que estou usando no momento. A opção de conexão bancária ainda é inexistente no Brasil. Estou gostando muito dele pois, apesar de ser muito simples, para uso familiar, não adianta ser bom só pra mim. Preciso envolver minha esposa no processo, e pra ela caiu como uma luva justamente devido à simplicidade. Foi a primeira vez que conseguimos isso! Pra completar, este aplicativo toma menos tempo de minha vida, talvez devido justamente à simplicidade, o que garante que eu consiga usa-lo sem acumular trabalho. Por este motivo fiz questão de mostrá-lo ontem. Enfim...

    Quanto a seu excelente artigo, repleto de informações e boas notícias, fico apenas me perguntando de que maneira os interessados são capazes de se organizar tão profundamente a ponto de manter nossa população tanto tempo à margem de conhecimentos tão básicos.

    Sei que estou sendo simplório diante de tanto que nos informou. Mas seria muita coisa pra um post apenas.

    Muito obrigado pela oportunidade de conhecer seu importante trabalho!

    Caso eu lhe possa ser útil devido a estas experiências que relatei, seria um prazer poder ajudar.

    Grande abraço!
    Leonardo Foggia

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