CAI O ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS EM JANEIRO
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras endividadas em janeiro deste ano caiu quando comparado aos
meses de novembro e dez/17, mas ficou acima do observado em jan/17. O
percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também declinou entre
dez/17 e jan/18, bem como o percentual de famílias sem condições de pagar suas
contas. Na comparação anual, o percentual de famílias com dívidas em atraso
subiu, enquanto o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas caiu,
segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da
Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O percentual
de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque
especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu
61,3% em jan/18, um decréscimo em relação ao percentual observado em dez/17 quando
chegou a 62,2%.
Seguindo o
declínio do endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou
contas em atraso caiu em jan/18 para 25% ante 25,7% registrado em dez/17, e
apresenta elevação quando comparado a jan/17 quando chegou a 58,7%. Por outro
lado, houve elevação do nível de inadimplência em jan/18 quando atingiu 25%,
enquanto em jan/17 registrou 23,9% do total. O percentual de famílias sem
condições de pagar suas dívidas em atraso, assim, permanecem inadimplentes, caiu
de 9,7% em dez/17 para 9,5% em jan/18, registrando declínio frente aos 10,2% de
jan/17.
O número de
famílias endividadas, na comparação mensal, apresentou decréscimo em ambas as faixas
de renda pesquisadas - baixa renda (até 10 salários mínimos-SM) e maior renda (acima
de 10 SM). Na comparação anual, ambas as faixas de renda registraram elevação.
Para as famílias que ganham até 10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou
a 62,9% em jan/18, abaixo dos 63,7% de dez/17. Com relação às famílias
com renda acima de 10 SM, o endividamento caiu de 54,6% em dez/17 para 53,6% no
mês seguinte.
Com relação
ao percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso, houve redução do
indicador nas duas faixas de renda, na comparação mensal, enquanto cresceu na
comparação anual. Nas famílias com renda até 10 SM, o percentual de famílias
com dívidas em atraso decresceu de 29,1% em dez/17 para 28,2% em jan/18. Em
jan/17, 27% das famílias nessa faixa de renda estavam com as contas em atraso,
enquanto nas faixas acima de 10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 11%
em jan/18, ante 11,3% em dez/17 e 10,9% observado em jan/17.
Considerando
as faixas de renda pesquisadas, o percentual de famílias sem condições de pagar
contas em atraso apresentou comportamento distinto, na comparação mensal, entre
os grupos pesquisados. Na faixa de renda até 10 salários mínimos (SM), o
indicador alcançou 3,5% em jan/18, ante 3,2% de dez/17. Para o grupo com renda acima
de 10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar suas dívidas caiu de
11,6%, em dez/17, para 11% em jan/18.
O percentual
de famílias muito endividadas decresceu de 14,1% em dez/17 para 13,6% em jan/18. Entre jan/17 e jan/18, a
parcela mais ou menos endividada subiu de 21,2% para 23,4%, e a pouco
endividada passou de 23,1% para 24,4% do total de famílias, naquela base de
comparação.
Entre as
famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 65
dias em jan/18, enquanto em jan/17 atingiu 65,6 dias. O tempo médio de permanência
das famílias com dívidas foi 7 meses, com 25,2% comprometidas com dívidas até 90
dias, e 32,2%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a
parcela média da renda comprometida com dívidas manteve-se praticamente estável
ao passar de 29,8% em jan/17 para 29,9% em jan/18, enquanto 22,2% delas
afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de
dívidas.
As dívidas
com cartão de crédito continuam na preferência das famílias endividadas
atingindo 77,4% em jan/18. Segue o carnê de loja com 16,9%, financiamento de
carro com 11%, crédito pessoal com 9,9%, financiamento de casa com 8,4%, crédito
consignado 5,4%, cheque especial com 5% e cheque pré-datado 1%.
Nas famílias
com renda mais baixa (até 10 salários mínimos), o cartão de crédito chega a
78,3% e as famílias de maior renda (acima de 10 salários mínimos) atinge 73,8%.
O carnê de loja chega a 18,3% no primeiro caso e cai para 10,1% para as famílias
de maior renda. Duas grandes disparidades acontecem: financiamento de carro
chega a 8,8% para famílias de baixa renda e sobe para 21,4% para as de maior
renda; e financiamento de casa chega a 6,7% para famílias até 10 SM e sobe para
16,3% para as famílias de maior renda.
Portanto, a queda
da inflação, a redução dos juros, a elevação
do emprego e um consumidor mais confiante em 2018, tem contribuído para melhorar o comportamento
dos principais indicadores macroeconômicos, embora o endividamento das famílias
brasileiras continue elevado. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras
pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra desconhecimento de
educação financeira. Políticas governamentais de estímulo a hábitos financeiros
saudáveis entre a população, contribuiria fortemente para reduzir o endividamento
das famílias.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
finanças pessoais e desenvolvimento de pessoa. Educador e planejador financeiro
há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência
financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica.
Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário
durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o
site www.ravecofinancas.com.
Olá novamente Sr. Régis!
ResponderExcluirEstive com o Sr. pessoalmente ontem à noite... Lembra-se?
Aliás, obrigado pela indicação!
Sobre nossa muito rápida conversa, tive a oportunidade de experimentar os seguintes sistemas de gestão de finanças pessoais:
- Hábil pessoal;
- MS Money (3 versões diferentes);
- Minhas Economias;
- Meu Dinheiro Web;
- Guia Bolso;
- Organizze;
- YNAB;
- Quicken;
- Toshl.
A lista está em ordem cronológica bastante próxima da realidade. Este último é o que estou usando no momento. A opção de conexão bancária ainda é inexistente no Brasil. Estou gostando muito dele pois, apesar de ser muito simples, para uso familiar, não adianta ser bom só pra mim. Preciso envolver minha esposa no processo, e pra ela caiu como uma luva justamente devido à simplicidade. Foi a primeira vez que conseguimos isso! Pra completar, este aplicativo toma menos tempo de minha vida, talvez devido justamente à simplicidade, o que garante que eu consiga usa-lo sem acumular trabalho. Por este motivo fiz questão de mostrá-lo ontem. Enfim...
Quanto a seu excelente artigo, repleto de informações e boas notícias, fico apenas me perguntando de que maneira os interessados são capazes de se organizar tão profundamente a ponto de manter nossa população tanto tempo à margem de conhecimentos tão básicos.
Sei que estou sendo simplório diante de tanto que nos informou. Mas seria muita coisa pra um post apenas.
Muito obrigado pela oportunidade de conhecer seu importante trabalho!
Caso eu lhe possa ser útil devido a estas experiências que relatei, seria um prazer poder ajudar.
Grande abraço!
Leonardo Foggia