INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM FEV/18
Régis
Varão/¹
A pesquisa
de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens-CNC, apresentou crescimento de 4,2% em fev/18, na
comparação com o mês anterior, e subiu 13% na comparação anual, atingindo 87,1
pontos, o maior valor mensal desde jun/15
quando chegou a 91,7 pontos. Apesar do resultado, o índice se mantém abaixo
da zona de indiferença (100 pontos), o que reflete uma percepção de
insatisfação das famílias com a situação atual. Segundo o relatório da CNC, “o resultado abaixo dos 100 pontos ainda indica
uma recuperação lenta do otimismo das famílias”.
O nível de
confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM)
apresentou melhora de 4,2% na comparação mensal, enquanto famílias com renda superior
a dez salários mínimos (>10 SM) registraram elevação de 4%. Em fev/18, o
índice das famílias de maior renda se situa em 100,7 pontos e o das demais, em
84,4 pontos.
Cabe
observar que o índice desagregado por faixa de renda das famílias mais pobres continua
abaixo da zona de indiferença, enquanto o índice das famílias com maior renda
ficou acima dos 100 pontos, fato que não acontecia desde abr/15 quando atingiu 100,6
pontos. Na comparação regional, todas apresentaram crescimento mensal, tendo o
Sudeste registrado o maior incremento no índice geral com +5,7%.
De acordo
com Bruno Fernandes, da CNC, “A
desaceleração do número de demissões, aliada à trajetória favorável da inflação
e queda, ainda que suave, das taxas de juros, impactou positivamente a
confiança das famílias no início de 2018”.
1. Emprego Atual:
Com
relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 2,3% em fev/18
(112,3 pontos) ante o mês anterior, e subiu 5,6% na comparação anual. Por outro
lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego
Atual em fev/18 está em 33,8%, ante 33,4% observado em janeiro deste ano.
As
regiões Centro-Oeste (140 pontos), Norte (131,7 pontos) e Sul (107,9 pontos) são
as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de
respectivamente -0,1%, +1% e +5,8%. Já as regiões Nordeste (104,8 pontos) e Sudeste
(106,9 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O indicador Emprego
Atual é o maior observado entre os componentes do ICF.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
componente registrou crescimento de 4,8% em fev/18 (62,7 pontos) frente ao mês
anterior, e apresentou crescimento de 19,9% na comparação anual. De acordo com o
relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 54,1%, declarou
estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 62,7
pontos”. O índice registra o menor nível entre os componentes do ICF em fev/18, embora tenha registrado o maior valor
desde jul/15 quando chegou a 67,2 pontos.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O
componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 3,6% em fev/18 (79
pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% em relação ao mesmo período de 2017.
Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou a quarta maior variação
positiva na variação anual. O valor registrado em fev/18 foi o maior desde
ago/15 quando atingiu 80,9 pontos.
4.
Momento para Duráveis:
O
indicador apresentou elevação de 5,8% em fev/18 ao chegar a 65,8 pontos, ante o
mês anterior, e registrou alta de 23,5% na comparação anual. O indicador apresentou
a maior variação mensal positiva e o segundo maior crescimento na comparação
anual. O valor observado no segundo mês deste ano foi o maior verificado desde
mai/15 quando chegou em 70,4 pontos. O indicador continua abaixo da zona de
indiferença.
Considerando
por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 5,1%
em fev/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com
renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 7,3%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 84,8
pontos (Sul) a 51,2 pontos (Norte)”.
Ainda
de acordo com o relatório do ICF, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as
melhores condições de crédito, com o leve recuo no custo de aquisição de
empréstimos, influenciaram na maior disposição ao consumo, em especial na
compra de bens duráveis”.
5.
Renda Atual:
Com
relação a esse componente houve variação positiva de 4,8% em fev/18 (99,8
pontos) ante o mês anterior, e subiu 10,3% na comparação anual. O indicador ficou
próximo da zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em fev/18 foi
o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.
6.
Perspectiva de Consumo:
O
componente apresentou elevação de 3,6% em fev/18 (84,9 pontos) frente ao mês
anterior e registrou incremento de 25,7% na comparação anual, tendo registrado a
maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. As famílias com renda <10 SM registraram crescimento
de 3,4% em fev/18, na comparação mensal, enquanto as famílias com renda >10
SM subiram 4,6%.
7.
Perspectiva Profissional:
O
indicador registrou incremento de 5,3% em fev/18 (105,1 pontos), na comparação
mensal, e alta de 3,3% ante igual período de 2017. O valor do componente em fevereiro,
foi o segundo maior entre os componentes do ICF em fev/18, e o maior desde jun/15 quando atingiu
107,6 pontos. A última vez que o indicador ficou acima da zona de indiferença
foi em abr/17 ao chegar a 100,4 pontos. A melhora do cenário macroeconômico nos
últimos meses tem contribuído para melhorar o desempenho do indicador.
Portanto,
o desempenho positivo do índice em ambas as bases de comparação, deve-se em
grande parte às expectativas de crescimento da renda e do comércio varejista nos
próximos meses, ajudadas por menor pressão dos preços, recuperação do emprego e
redução dos juros básicos da economia.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador
financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira,
inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com
mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado
ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante
vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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