quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM FEV/18
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens-CNC, apresentou crescimento de 4,2% em fev/18, na comparação com o mês anterior, e subiu 13% na comparação anual, atingindo 87,1 pontos, o maior valor mensal desde jun/15  quando chegou a 91,7 pontos. Apesar do resultado, o índice se mantém abaixo da zona de indiferença (100 pontos), o que reflete uma percepção de insatisfação das famílias com a situação atual. Segundo o relatório da CNC, “o resultado abaixo dos 100 pontos ainda indica uma recuperação lenta do otimismo das famílias”.

O nível de confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 4,2% na comparação mensal, enquanto famílias com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM) registraram elevação de 4%. Em fev/18, o índice das famílias de maior renda se situa em 100,7 pontos e o das demais, em 84,4 pontos.

Cabe observar que o índice desagregado por faixa de renda das famílias mais pobres continua abaixo da zona de indiferença, enquanto o índice das famílias com maior renda ficou acima dos 100 pontos, fato que não acontecia desde abr/15 quando atingiu 100,6 pontos. Na comparação regional, todas apresentaram crescimento mensal, tendo o Sudeste registrado o maior incremento no índice geral com +5,7%.

De acordo com Bruno Fernandes, da CNC, “A desaceleração do número de demissões, aliada à trajetória favorável da inflação e queda, ainda que suave, das taxas de juros, impactou positivamente a confiança das famílias no início de 2018”.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 2,3% em fev/18 (112,3 pontos) ante o mês anterior, e subiu 5,6% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em fev/18 está em 33,8%, ante 33,4% observado em janeiro deste ano.

As regiões Centro-Oeste (140 pontos), Norte (131,7 pontos) e Sul (107,9 pontos) são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente -0,1%, +1% e +5,8%. Já as regiões Nordeste (104,8 pontos) e Sudeste (106,9 pontos) registraram os menores níveis de confiança. O indicador Emprego Atual é o maior observado entre os componentes do ICF.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou crescimento de 4,8% em fev/18 (62,7 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 19,9% na comparação anual. De acordo com o relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 54,1%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 62,7 pontos”. O índice registra o menor nível entre os componentes do ICF em fev/18, embora tenha registrado o maior valor desde jul/15 quando chegou a 67,2 pontos.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 3,6% em fev/18 (79 pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% em relação ao mesmo período de 2017. Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou a quarta maior variação positiva na variação anual. O valor registrado em fev/18 foi o maior desde ago/15 quando atingiu 80,9 pontos.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 5,8% em fev/18 ao chegar a 65,8 pontos, ante o mês anterior, e registrou alta de 23,5% na comparação anual. O indicador apresentou a maior variação mensal positiva e o segundo maior crescimento na comparação anual. O valor observado no segundo mês deste ano foi o maior verificado desde mai/15 quando chegou em 70,4 pontos. O indicador continua abaixo da zona de indiferença.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 5,1% em fev/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 7,3%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 84,8 pontos (Sul) a 51,2 pontos (Norte)”.

Ainda de acordo com o relatório do ICF, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de crédito, com o leve recuo no custo de aquisição de empréstimos, influenciaram na maior disposição ao consumo, em especial na compra de bens duráveis”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 4,8% em fev/18 (99,8 pontos) ante o mês anterior, e subiu 10,3% na comparação anual. O indicador ficou próximo da zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em fev/18 foi o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

O componente apresentou elevação de 3,6% em fev/18 (84,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 25,7% na comparação anual, tendo registrado a maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. As famílias com renda <10 SM registraram crescimento de 3,4% em fev/18, na comparação mensal, enquanto as famílias com renda >10 SM subiram 4,6%.

7. Perspectiva Profissional:

O indicador registrou incremento de 5,3% em fev/18 (105,1 pontos), na comparação mensal, e alta de 3,3% ante igual período de 2017. O valor do componente em fevereiro, foi o segundo maior entre os componentes do ICF em fev/18, e o maior desde jun/15 quando atingiu 107,6 pontos. A última vez que o indicador ficou acima da zona de indiferença foi em abr/17 ao chegar a 100,4 pontos. A melhora do cenário macroeconômico nos últimos meses tem contribuído para melhorar o desempenho do indicador.

Portanto, o desempenho positivo do índice em ambas as bases de comparação, deve-se em grande parte às expectativas de crescimento da renda e do comércio varejista nos próximos meses, ajudadas por menor pressão dos preços, recuperação do emprego e redução dos juros básicos da economia.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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