sábado, 31 de março de 2018

O PODER DOS PEQUENOS NÚMEROS
Régis Varão/¹

No final dos anos noventa, o consultor norte-americano especialista em finanças pessoais David Bach desenvolveu a teoria denominada Fator Café, publicada no livro O Milionário Automático, um best seller internacional. A teoria mostra basicamente que a chave para o progresso financeiro pessoal é ficar atento aos pequenos valores gastos no dia a dia.

A maioria das pessoas acredita que o segredo da prosperidade consiste unicamente em buscar novas fontes de receita, procurar alternativas de emprego com salários mais elevados, mudar de empresa, aumentar a renda, trocar de cidade, mudar de país e até mesmo de profissão, como se essas alternativas resolvessem os problemas da gestão financeira individual. Aproveito para registrar a citação atribuída ao físico Albert Einstein a respeito de hábitos: “A definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes.” Einstein estava correto, se não houver alteração nos hábitos de consumo e na postura do indivíduo frente ao dinheiro, com certeza os problemas financeiros continuarão e poderão ser agravados.

Estamos em um país que pratica os juros bancários mais elevados do mundo. Algumas linhas de crédito ultrapassam 330% a.a., enquanto a taxa Selic, juros básicos da economia, está em 6,5% a.a., podendo chegar em maio deste ano a 6% a.a. Segundo O Estado de SP, de 26.3.18, o juro médio total cobrado no rotativo de cartão de crédito subiu 5,9 p.p. de 328% a.a. em jan/18 para 333,9% a.a. no mês seguinte. Este incremento na taxa do rotativo foi observado sob as novas regras de migração da modalidade, que começaram em abr/17. Enquanto a taxa básica de juros vem caindo ao longo dos últimos meses, os bancos continuam a elevá-los. Assim, muita atenção ao utilizar o crédito ofertado pelo sistema bancário nacional.

As pessoas que mudam de trabalho, de cidade e até de país, continuam praticando os mesmos erros, pois não entendem o significado das palavras de Einstein. Grande parte dos brasileiros não tem educação financeira, desconhece os rudimentos de finanças pessoais, matemática financeira, planejamento financeiro e o impacto multiplicador dos juros compostos nas dívidas.

Existem comportamentos que marcam o modo de agir das pessoas que não fazem planejamento financeiro, basta perguntarmos a uma pessoa que teve aumento de receita em 2017, uma promoção, se houve elevação da reserva financeira após o aumento de receita. Com certeza a resposta é não para os que não praticam educação financeira.

Na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento de despesas costuma ser proporcionalmente superior ao aumento da receita. Por outro lado, quando perdemos ou temos redução de nossa receita não reduzimos as despesas com tanta agilidade. A grande maioria das pessoas que perdem receita continuam gastando como se mantivesse o mesmo padrão de renda.

Muitas vezes as pessoas têm aumento de receita e a gastam antes de recebê-la (antecipam consumo), e para piorar existem profissionais bem pagos criando campanhas publicitárias de estímulo ao consumo. Nos feriados, dia das crianças, das mães, dos namorados, semana santa, natal e outros, a publicidade trabalha para induzir o cidadão a consumir cada vez mais, pois são desenvolvidas campanhas sofisticadas que contribuem para tirar ou reduzir os recursos de pessoas que deveriam quitar dívidas ou formar reserva financeira. Muita gente cai nas armadilhas da publicidade em geral, no estímulo visual das decorações das lojas de departamento e dos shoppings. Por falta de planejamento financeiro, o endividamento familiar tem aumentado nos últimos anos.

Retornando ao Fator Café, Bach afirma que “As chamadas ninharias em que desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade”. Há um pouco de exagero na afirmação, mas não devemos desconsiderá-la, pois muitos consumidores não pensam nos gastos do dia a dia, e se preocupam apenas com valores mais elevados, prestação da casa própria, financiamento do carro, aluguel, condomínio, salário da empregada doméstica, previdência privada, colégio das crianças entre outros, sem considerar que as pequenas despesas também impactam negativamente o orçamento doméstico. Muitos esquecem o poder dos pequenos números, e não param para pensar que poderiam acumular reserva financeira se controlassem melhor essas despesas.

Todos têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. A seguir mostramos algumas estimativas cujos valores são corrigidos pela taxa de juros de 0,57% a.m., apenas como forma de exemplificar:

1. Um café expresso tomado após o almoço custa em média R$6,00: (a) ao final do mês totaliza R$180,00; (b) em 12 meses corrigido soma R$2.241,72; (c) em 10 anos sobe para R$31.058,48; e (d) em 20 anos chega a R$92.490,40;

2. Ida à manicure custa entre R$ 20,00 e R$40,00 por semana, sem considerar o deslocamento e em alguns casos o valor do estacionamento: (a) vamos trabalhar com o gasto de R$30,00 por semana, no final do mês soma R$ 120,00; (b) em um ano corrigido pela variação estimada da poupança fica em  R$1.494,48; (c) em 10 anos sobe para R$20.705,65; e (d) em 20 anos R$61.660,27;

3. Um simples pingado mais um pão na chapa custa em média R$7,31, segundo pesquisa realizada em 15 padarias da cidade de SP: (a) em trinta dias temos R$219,30; (b) no ano corrigido atinge R$2.731,17; (c) em 10 anos fica em R$37.839,58; e (d) em 20 anos alcança R$112.684,14;

4. Um filme entre 5ª e domingo fica entre R$27,00 a matinê e R$30,00 à noite, em cidades como Brasília, São Paulo etc. Vamos trabalhar com um ingresso de R$27,00, sem desconto: (a) uma vez por semana fica R$ 108,00 no mês; (b) no ano corrigido totaliza R$1.345,03; (c) em 10 anos soma R$18.635,09; e (d) em 20 anos alcança R$55.494,24;

O café expresso, a manicure, o lanche e o cinema, quando somados atingem R$627,30 em um mês, sobe para R$7.812.41 em doze meses. Em 10 anos chega a R$108.238,79 e finalmente em 20 anos alcança R$322.329,06. Se dividir o valor por 2, simples assim, a qualidade de vida ficaria basicamente inalterada, ganharia mais saúde e ainda teria uma significativa reserva financeira de R$161.164,53 para a aposentadoria. Esse valor poderia gerar uma renda passiva com rendimentos acima da caderneta de poupança. Até mesmo uma aplicação medíocre como a poupança renderia uma quantia satisfatória, aliás, qualquer quantia é melhor que nenhuma.

É o poder dos pequenos números se manifestando. Por esse motivo os pequenos números/valores são irrisórios quando isolados, mas somados a outros pequenos valores se transformam em grandes números, é o efeito dos juros compostos fazendo a diferença e podendo levar ao endividamento.

Cada indivíduo desenvolve o seu Fator Café, que pode ser barato ou caro. O hábito de tomar um ou mais expressos por dia, o jantar após o cinema, a manicure aos sábados, o café da manhã fora de casa, o lanche da tarde, as saídas com os amigos, os presentes dados sem motivo aparente, as assinaturas de revistas/jornais, dois ou mais pontos de TV a cabo, as gorjetas, o estacionamento, as refeições fora de casa são hábitos que ao longo dos anos se transformam em números elevados podem endividar as pessoas ou dificultam a formação de patrimônio (ativos).

Segundo Mauro Calil, “A partir do momento em que compromete a renda ao ponto de precisar cancelar um pacote de TV por assinatura, ou fazer empréstimo para quitar dívidas, o cidadão deve se reeducar”. Logo, reduzir gastos sem alterar a qualidade de vida é a maneira adequada para se atingir a prosperidade e se preparar para uma aposentadoria tranquila.

Para evitar problemas financeiros, estabeleça metas de gastos no dia a dia para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa gosta de um expresso após o almoço, tudo bem, mas evite um segundo à tarde ou após o jantar. O fumante ao reduzir o consumo de cigarros melhora a saúde e o bolso. O lanche próximo ao trabalho deve ser feito em casa. Alugar filmes custa menos que ir ao cinema, pois tem o combustível, a pipoca, o sorvete e até um jantar. As mulheres podem economizar indo uma vez por mês ao salão ou resolver fazer como uma grande amiga que faz as unhas em casa, e está feliz. Ao reduzir as noitadas com os amigos, além de economizar evita problemas com os órgãos do sistema nacional de trânsito.

Assim, existem pequenos gastos diários que não damos importância, mas no final do mês se transformam em grandes valores. Muitas vezes o desperdício pode estar nos detalhes, é o banho demorado, a torneira aberta ao escovar os dentes, luzes acesas em ambientes vazios, sobras do almoço que não são aproveitadas no dia seguinte, isso tudo leva a grandes desperdícios financeiros. Um chuveiro aberto durante 5 minutos consome entre 40 e 50 litros de água, enquanto uma torneira em igual período gasta entre 15 e 20 litros, sem contar a despesa de energia elétrica no primeiro caso.

Embora controles pareçam chatos, tomar cuidado com os pequenos valores podem fazer grande diferença ao longo dos anos. Não vamos perder qualidade de vida ou deixar de fazer o que gostamos, nem virar Tio Patinhas, apenas devemos prestar atenção às pequenas despesas que parecem inofensivas quando vistas isoladamente, mas se tornam perigosas ao longo dos anos.

Portanto, além de tentar reduzir os gastos com o café expresso, o cigarro, o lanche e outros, preste atenção às dicas: ao escovar os dentes feche a torneira, ao ensaboar-se ou usar shampoo feche o chuveiro, verifique periodicamente se existem vazamentos em sua residência, evite interurbano com celular, estabeleça dia específico para lavar e passar roupa, não abra a geladeira muitas vezes, e tudo isso contribui para economizar dinheiro. Bons hábitos refletem positivamente no meio ambiente e no bolso. Economizar no dia a dia é importante para atingir a prosperidade e ter boa saúde financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 8 de março de 2018

CARTÃO DE CRÉDITO O GRANDE VILÃO DO ENDIVIDAMENTO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas em fevereiro deste ano apresentou pequena queda quando comparado ao mês anterior, mas subiu na comparação anual. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou declínio entre jan/18 e fevereiro, enquanto o percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas subiu no período, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,2% em fev/18, um decréscimo de 0,10 p.p. em relação ao mês anterior, mas 2,5 p.p. acima do observado em fev/17.

Seguindo o declínio do endividamento das famílias, o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em fev/18 na comparação mensal, passando de 25% para 24,9% do total. Por outro lado, houve elevação do nível de inadimplência das famílias em relação a fev/17 (24,1%) do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de 9,5% em jan/18 para 9,7% no mês seguinte, registrando redução na comparação anual, ao atingir 10,2% em fev/17.

O número de famílias endividadas, na comparação mensal, apresentou decréscimo apenas na faixa de menor renda (<10 salários mínimos-SM). Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 62,7% em fev/18, abaixo dos 62,9% de jan/18 e acima dos 60,5% observados em fev/17. Com relação às famílias com renda >10 SM, o endividamento subiu de 53,6% em jan/18 para 53,8% no mês seguinte. Já em fev/17, o percentual de famílias endividadas nesse grupo de renda atingia 49,6%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas entre os dois grupos de renda analisados. Enquanto na comparação mensal, houve declínio do indicador apenas na faixa de renda <10 SM, na comparação anual, houve elevação em ambas as faixas de renda. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso caiu de 28,2% em jan/18 para 27,9% no mês seguinte. No segundo mês deste ano, 27,1% das famílias na faixa de renda <10 SM haviam declarado ter contas em atraso, enquanto as com renda >10 SM, o percentual de inadimplência atingiu 11,9% em fev/18, ante 11% observado em jan/18.

Considerando as duas faixas de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso apresentou comportamentos parecidos entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Segundo o relatório da CNC na faixa acima de 10 SM, o indicador alcançou 4% em fev/18, ante 3,5% registrado em jan/18 e 4,3% em fev/17. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos subiu de 11%, em jan/18, para 11,1% no mês seguinte, e decresceu 0,5 p.p. na comparação com fev/17.

As famílias que se declararam muito endividadas ficou estável no período jan-fev/18 em 13,6%, enquanto registrou 14,4% em fev/17. As que se declararam mais ou menos endividadas também permaneceu estável nos dois meses de 2018, com 23,4% contra 21,2% observado em fev/17. Já o percentual das que se declararam pouco endividadas passou de 23,1% em fev/17 para 23,4% em jan/18 e caindo para 24,2% no mês seguinte.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 64,9 dias em fev/18, enquanto em fev/17 atingiu 65,7 dias. O tempo médio de permanência das famílias com dívidas foi de 6,9 meses, com 25,8% comprometidas com dívidas até 90 dias, e 31,1%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas decresceu na comparação anual, caindo de 29,9% em fev/17 para 29,4% em fev/18.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, atingindo em fev/18 a expressiva marca de 77,1%. Segue o carnê de loja com 16,5%, financiamento de carro com 10,7%, crédito pessoal com 9,7%, financiamento de casa com 8,1%, crédito consignado (5,6%), cheque especial com 5% e cheque pré-datado com 1%.

Nas famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 78% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,3%. O carnê de loja chega a 17,7% no primeiro caso e cai para 10,9% no segundo. Duas disparidades chamam atenção: financiamento de carro chega a 8,6% para famílias de baixa renda e 20,9% para as de maior renda, e financiamento de casa atinge 6,4% para famílias com renda até 10 SM e sobe para 15,9% para as de maior renda.

Portanto, a queda da inflação, a redução dos juros básicos da economia, a redução do desemprego e a melhora das expectativas para o crescimento da atividade econômica em 2018, tem contribuído para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a inadimplência das famílias continuem elevados. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra ausência de educação financeira. Políticas governamentais voltadas a educação financeira das famílias brasileiras poderiam contribuir para reduzir fortemente o endividamento, com ganhos para toda a sociedade.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 4 de março de 2018


CONFIANÇA DO CONSUMIDOR PERMANECE BAIXA EM FEV/18
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta declínio de 0,2% em fev/18 (102,7 pontos) ante o mês anterior e queda de 1,6% na comparação anual, o que sugere que a recuperação da demanda para os próximos meses deverá continuar modesta. O índice continua abaixo da média histórica de 108 pontos.

Metade dos componentes que formam o INEC apresentaram variação negativa na comparação mensal, enquanto na comparação anual apenas o endividamento registrou variação positiva. A maior variação positiva mensal é a do índice de expectativa de inflação que apresenta alta de 2%, “revelando que os consumidores estão se preocupando menos com evolução dos preços”, segundo o relatório da CNI.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta crescimento de 2% em fev/18 com 110,7 pontos, ante o mês anterior, e registra queda de 2,9% na comparação anual. Segundo o relatório da CNI, entre os componentes do INEC, “A maior expansão é a do índice de expectativa de inflação que registra aumento de 2%, revelando que os consumidores estão se preocupando menos com evolução dos preços”.

(b) Expectativa de desemprego: o índice apresenta decréscimo de 1,3% em fev/18 (117,4 pontos) ante jan/18 e queda de 0,2% na comparação anual. Esse componente do INEC compõe o trio de indicadores que apresentou declínio nas duas bases de comparação, mostrando os consumidores um pouco menos otimista nas duas bases de comparação;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação positiva de 0,3% em fev/18 (94 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 3% na comparação anual. O indicador registra o maior decréscimo na comparação anual, enquanto apresenta o maior valor observado desde abr/17 quando chegou a 95,1 pontos;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o índice registra decréscimo de 1,7% em fev/18 (110,1 pontos) ante jan/18 e redução de 2% frente a fev/17, o que indica redução nas expectativas de compras desses bens;

(e) Endividamento: o índice apresenta elevação de 0,9% em fev/18 (96,7 pontos) na comparação mensal, e declínio de 0,3% frente ao mesmo período do ano anterior. De acordo com o relatório da CNI, “O índice de endividamento apresenta o segundo maior crescimento (0,9%), mostrando que os consumidores estão percebendo melhora na evolução de suas dívidas”.

(f) Situação financeira: esse componente apresenta declínio de 0,3% em fev/18 (90,7 pontos) ante jan/18, e queda de 1,9% com relação a igual período de 2017, o que indica redução no número de pessoas que esperam uma melhor situação financeira.

Portanto, cabe observar que o endividamento foi o único componente do INEC a apresentar variação positiva nas duas bases de comparação, o que mostra uma percepção melhor do consumidor quanto a melhora na evolução de suas dívidas.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 1 de março de 2018


COACHING, COUNSELING, CONSULTORIA, MENTORING e TERAPIA
Régis Varão/¹

Nas últimas semanas a rede globo vem apresentando em uma de suas novelas, um personagem. Uma advogada, que atua como Coach, o que tem gerado muita discussão na mídia nacional, pelos recursos que ela tem adotado. Muita gente não entende o significado de coaching, e a novela não esclarece como deve ser a atuação de um Coach. O profissional deve ter muito cuidado para não entrar em atividades desenvolvidas e praticadas, estabelecidas em normas legais, por profissionais da saúde.

Muitas pessoas constantemente confundem o trabalho do Coach com o do Terapeuta, caso explicitado na novela. Tendo em vista essas confusões resolvi apresentar, de maneira simples, as principais diferenças entre os diversos profissionais que atuam nos segmentos: coaching, counseling, terapia, mentoring e consultoria. Me alongarei um pouco a respeito do coaching e do profissional que o aplica, o Coach, tendo como objetivo é esclarecer a atuação desse profissional.

Apresento, a seguir, conceitos e alguns exemplos:

1. Coaching: segundo Myles Downey, “Coaching é a arte de facilitar o desempenho, aprendizado e desenvolvimento de outra pessoa”. Durante as sessões ou encontros, o profissional Coach, através de perguntas, possibilita que o cliente ou coachee desenvolva seu autodiagnostico, o leve a refletir e no fim, a tirar conclusões a respeito de si mesmo, de sua vida pessoal, de sua vida profissional, de sua empresa etc. O coaching foca no estado desejado e no estado atual. Após definidos objetivo e estratégia, como chegar ao estado desejado, o Coach irá acompanhar todo o processo de mudança ou aprendizado, apoiando e dando o suporte necessário para que o resultado realmente ocorra e que seja de forma mais fácil e consistente.

O Coach trabalha no desenvolvimento de competências de seu cliente, avaliando o desempenho, os desafios, as necessidades de novos ensinamentos, e contribuindo para mudanças específicas. Durante as sessões ou encontros, o Coach ajuda o Coachee a encontrar seus pontos fortes, melhorar seus pontos fracos e traçar objetivos adequados para a carreira, por exemplo. Atua como treinador altamente qualificado e capacitado para orientar, organizar e colocar foco e metas na vida de seus clientes. Vamos ilustrar com um exemplo da atuação do Coach financeiro considerando as necessidades de seu cliente:

(a) ESTADO ATUAL DO CLIENTE: a pessoa está endividada, a prestação do carro e outras prestações estão vencidas, o financiamento da casa própria e as prestações do colégio dos filhos estão atrasados, não tem controle sobre suas despesas, está devendo o cartão de crédito, entra sempre no cheque especial, não sabe o montante das dívidas e quanto paga de juros mensalmente pelos atrasos, gasta mais do que recebe etc;

(b) ESTADO DESEJADO DO CLIENTE: a pessoa faz planejamento financeiro, assim, está financeiramente saudável, paga suas prestações e o financiamento da casa própria em dia, a prestação do colégio dos filhos é paga antes do vencimento, gasta menos do que ganha, tem reserva financeira, tem recursos aplicados em banco e controla suas despesas no dia a dia. Utilizando ferramentas e técnicas adequadas do coaching e de finanças pessoais, o Coach vai atuar para que o cliente, com problemas financeiros no estado atual, chegue ao estado desejado com satisfatória saúde financeira.

O coaching é uma metodologia que reúne conhecimentos, ferramentas e técnicas de diversas áreas do conhecimento, focando no desenvolvimento do comportamento humano. Objetiva levar o cliente do Estado Atual ao Estado Desejado através de mudanças e transformações que provoquem aumento da performance e acelere os resultados;

2. Consultoria: o consultor, segundo Alan Weiss, “é alguém que melhora as condições dos clientes, transmitindo-lhes conhecimentos, competências, habilidades, comportamentos, conteúdos, conselhos, experiências e outros fatores singulares, em período predeterminado”. Durante um processo de consultoria, o consultor levanta o maior número de informações a respeito do cliente em relação à sua vocação, através de seu passado na escola, os cargos que ocupou ao longo de sua vida, as avaliações de performance que recebeu, discutirá com o cliente o resultado do levantamento, finalizando o processo com uma recomendação, normalmente escrita como um manual ou relatório, e o entrega ao cliente;

3. Counseling: nesse processo, o objetivo é ajudar pessoas a fazerem escolhas acertadas no âmbito pessoal ou profissional. No aconselhamento o objetivo é clarificar opções em estado de crise pessoal ou profissional do cliente, ajudando-o de forma rápida e pontual. É o modelo de interação com o cliente que fornece conselhos, metodologias, estruturas e soluções para que ele possa atingir seus próprios objetivos. Muitas vezes essa prática é confundida com o coaching e o mentoring;

4. Mentoring: é um método em que um profissional especializado, mais experiente e dono de maior vivência e conhecimento de mundo, dá conselhos e atua como modelo. Esse processo envolve discussões amplas/genéricas, que podem abordar temas fora do contexto do trabalho. Tanto o mentoring quanto o coaching relacionam-se principalmente com as realizações no presente e no futuro.

O mentor atua no desenvolvimento de seu cliente, por isso é essencial ser uma pessoa experiente que tem por objetivo passar adiante suas experiências e vivências em determinada área de atuação. O mentoring é modelo de interação com o cliente, e o orienta através da utilização de exemplos e práticas bem-sucedidas, geralmente decorrentes da experiência, do conhecimento e da vivência própria do mentor;

5. Terapia: tem o foco predominantemente no passado, diferente do coaching que foca no presente e no futuro. A terapia busca diagnosticar e tratar disfunções do cliente e tem a cura como seu objetivo principal. Ela trabalha com pessoas que buscam alívio de sintomas psicológicos ou físicos, e seu objetivo é a cura emocional e o alívio do sofrimento mental. A Terapia utiliza um conjunto de práticas psíquicas e corporais que objetivam a harmonia da saúde do cliente.

É uma ferramenta que contribui para a redução, em alguns casos na eliminação, de situações que causam sofrimento e que ocorrem com certa frequência nas diversas áreas da vida pessoal, emocional, profissional e nos relacionamento. A Terapia ajuda a melhorar a auto-aceitação, conduzindo a pessoa que se submete ao processo a obter mais felicidade e serenidade para trabalhar os desafios que o cotidiano apresenta. Ela lida com a saúde mental do cliente, enquanto o coaching lida com o seu crescimento mental. A terapia deve ser utilizada por profissionais da área de saúde, embora alguns Coaches tentam substituir o terapeuta.

Portanto, é importante compreender as principais diferenças entre esses processos, principalmente na atuação dos profissionais que trabalham com coaching e terapia, motivo de grandes confusões e oportunismos. Tem muita gente vendendo gato por lebre. Cada profissional deve ter a humildade e responsabilidade de atuar dentro de seu campo de conhecimento.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.