MENOR
CONFIANÇA DO CONSUMIDOR EM DOIS ANOS
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela CNI, apresentou recuo na confiança do consumidor no
período mai-jun/18, tendo registrado em jun/18 o menor índice desde abr/16.
O índice registra declínio de 3,8% entre maio e jun/18,
quando atinge 98,3 pontos. No mês de junho é observado o menor indicador desde
abril de 2016, quando o INEC ficou em 97,5 pontos. O decréscimo do indicador é
explicado, principalmente, pelos componentes atrelados às expectativas dos
consumidores (inflação, desemprego, renda pessoal e compras de bens de maior
valor). O mês de junho quando comparado ao mês anterior registra elevação do
pessimismo quanto à preços, emprego e desempenho da renda pessoal.
(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta
decréscimo de 10,1% em jun/18 (98,3 pontos), ante o mês anterior, e queda de 9%
na comparação anual, quando chegou a 108 pontos. Na comparação mensal, em junho
deste ano aumenta o pessimismo com relação ao comportamento dos preços, isto é,
houve elevação do pessimismo quanto à inflação para os próximos meses;
(b) Expectativa de desemprego: o indicador
registra queda de 8,4% em junho deste ano (104,4 pontos), ante o mês anterior,
e cai 7,1% frente a igual período do ano anterior, que registrou 112,4 pontos. Com
relação a mai/18, o índice observado em jun/18 apresentou elevação do
pessimismo quanto às expectativas de emprego para os próximos meses;
(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse
componente do INEC
registra variação negativa de 4,4% em jun/18
(90,6 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 0,9% na comparação anual (91,4
pontos). Dos indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou o menor decréscimo
anual. A queda do índice de expectativas de renda pessoal, indica, em jun/18,
que uma maior proporção dos consumidores espera queda de seus rendimentos
pessoais;
(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior
Valor: é o único dos componentes do INEC a registrar variação positiva nas duas bases de comparação,
a mensal com +2% e a anual com +0,6%. O índice chegou a 112,3 pontos em jun/18,
o maior valor observado entre os componentes naquele mês;
(e) Endividamento: o índice apresenta
redução de 2,6% em jun/18 (93,5 pontos) na comparação mensal, e elevação de 0,6%
frente a igual período do ano anterior, quando chegou a 92,9 pontos. Cabe
observar que quanto menor esse índice, maior o número de endividados;
(f) Situação financeira: esse componente apresenta
decréscimo de 4,5% em jun/18 (86,9 pontos), ante o mês anterior, e queda de 1,1%,
na comparação anual, quando ficou em 87,9 pontos. Quanto menor o índice de situação
financeira pior a situação financeira dos consumidores.
Portanto,
cabe observar que houve piora das condições financeiras dos consumidores ao
comparar a situação atual com os três meses anteriores. O declínio do INEC em
jun/18, na comparação mensal e anual, deve-se em grande parte, aos decréscimos
observados nos componentes inflação, desemprego, renda pessoal e situação
financeira.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação
financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira
e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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