ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS RECUA EM JUNHO
Régis
Varão/¹
O total de
famílias brasileiras com dívidas apresentou declínio em junho deste ano ante o
mês anterior, na terceira queda consecutiva, e caiu também na comparação anual.
Cabe registrar que o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso
registrou redução em jun/18 nas duas comparações, mensal e anual. Com relação
ao total de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso houve decréscimo
nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional
do Comércio (CNC).
O total de
famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque
especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu
58,6% em jun/18, o que representa um declínio em relação ao nível verificado no
mês anterior. Houve queda em comparação com jun/17, quando o indicador alcançou
59,4% do total de famílias.
O percentual
de famílias com dívidas/contas em atraso também apresentou declínio em jun/18
na comparação mensal, recuando de 24,2% para 23,7% do total. As famílias
inadimplentes também apresentaram queda em relação a jun/17, que atingiu 25,6%
do total. O quantitativo de famílias sem condições de pagar suas contas em
atraso, e permanecem inadimplentes caiu de 9,9% em mai/18 para 9,4% em jun/18,
apresentando redução em relação a jun/17 (10,1%).
O endividamento
apresentou tendência distinta nas duas faixas de renda pesquisadas (<10
Salários Mínimos-SM e >10 SM), na comparação mensal e anual. Houve decréscimo
entre as famílias de renda <10 SM. As famílias que ganham <10 SM, o
percentual de endividamento atingiu 60% em jun/18, ante 60,7% observados em mai/18
e 61,9% em jun/17. As famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas
subiu de 51,5% em mai/18 para 52,1% em jun/18. Em jun/17, o percentual de endividadas
nessa faixa de renda atingia 47,1%.
Na faixa de
renda <10 SM, o total de famílias com contas em atraso decresceu de 27,3% em
mai/18 para 26,8% em jun/18. Em jun/17, 29,1% das famílias nessa faixa de renda
haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o
percentual de inadimplentes alcançou 11% em jun/18, ante 11,1% observados no
mês anterior e 11,2% em jun/17.
O resultado
por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas
em atraso também apresentou comportamentos semelhantes entre os grupos
pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o
indicador registrou 2,8% em jun/18, ante 3,3% observados no mês anterior e 3,6%
em jun/17. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem
condições de quitar seus débitos passou de 11,8% em mai/18 para 11,3% em jun/18.
Em relação a jun/17, houve queda de 0,5 p.p.
A proporção
das famílias que se declararam muito endividadas diminuiu no período
mai-jun/18, de 13,4% para 13% do total de famílias. Na comparação anual, houve
queda de 1,4 p.p. Entre jun/17 e jun/18, a parcela mais ou menos endividada
ficou estável em 22,4%, e a pouco endividada passou de 22,6% para 23,2% do
total de famílias.
Entre as
famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso atingiu 63,6 dias em jun/18,
acima dos 62,8 dias de jun/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas
entre as famílias endividadas foi 7,2 meses, sendo que 23,7% delas estão
comprometidas com dívidas até 90 dias, e 32,9%, por mais de doze meses. Já a parcela
média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,9% em mai/17 para 29,5% em mai/18.
O cartão de
crédito continua como principal destaque na preferência das famílias
endividadas, atingindo em jun/18 o valor de 76,3%, seguido por carnê de loja (15,2%),
financiamento de carro (11,2%), crédito pessoal (10,4%), financiamento de casa (8,5%),
cheque especial (6%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado (1,1%). A
preferência das famílias quanto ao endividamento com o cartão de crédito vem se
mantendo elevada desde mai/10 (70%).
Nas faixas
de renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,3% nas preferências das
famílias, enquanto as de maior renda cai para 72,4%. O financiamento de carro
chega a 8,9% nas famílias de renda <10 SM e sobe para 21,6% na faixa acima
de 10 SM, enquanto financiamento de casa atinge 6,7% nas famílias com renda abaixo
de 10 SM e sobe para 16,6% para as de maior renda.
Portanto, o percentual
de famílias com dívidas vem apresentando decréscimo nos últimos três meses, caindo
na comparação anual e atingindo o menor patamar desde fev/15. A queda do
endividamento observada nos últimos meses reflete um baixo ritmo de recuperação
do consumo das famílias e maior cautela na contratação de novos empréstimos e
financiamentos. Cabe observar que a preferência das famílias pelo cartão de
crédito como forma de endividamento mostra grande desconhecimento de princípios
básicos de educação financeira.
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