terça-feira, 17 de julho de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras com dívidas apresentou declínio em junho deste ano ante o mês anterior, na terceira queda consecutiva, e caiu também na comparação anual. Cabe registrar que o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou redução em jun/18 nas duas comparações, mensal e anual. Com relação ao total de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso houve decréscimo nas duas bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O total de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58,6% em jun/18, o que representa um declínio em relação ao nível verificado no mês anterior. Houve queda em comparação com jun/17, quando o indicador alcançou 59,4% do total de famílias.

O percentual de famílias com dívidas/contas em atraso também apresentou declínio em jun/18 na comparação mensal, recuando de 24,2% para 23,7% do total. As famílias inadimplentes também apresentaram queda em relação a jun/17, que atingiu 25,6% do total. O quantitativo de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, e permanecem inadimplentes caiu de 9,9% em mai/18 para 9,4% em jun/18, apresentando redução em relação a jun/17 (10,1%).

O endividamento apresentou tendência distinta nas duas faixas de renda pesquisadas (<10 Salários Mínimos-SM e >10 SM), na comparação mensal e anual. Houve decréscimo entre as famílias de renda <10 SM. As famílias que ganham <10 SM, o percentual de endividamento atingiu 60% em jun/18, ante 60,7% observados em mai/18 e 61,9% em jun/17. As famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas subiu de 51,5% em mai/18 para 52,1% em jun/18. Em jun/17, o percentual de endividadas nessa faixa de renda atingia 47,1%.

Na faixa de renda <10 SM, o total de famílias com contas em atraso decresceu de 27,3% em mai/18 para 26,8% em jun/18. Em jun/17, 29,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11% em jun/18, ante 11,1% observados no mês anterior e 11,2% em jun/17.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também apresentou comportamentos semelhantes entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador registrou 2,8% em jun/18, ante 3,3% observados no mês anterior e 3,6% em jun/17. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos passou de 11,8% em mai/18 para 11,3% em jun/18. Em relação a jun/17, houve queda de 0,5 p.p.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas diminuiu no período mai-jun/18, de 13,4% para 13% do total de famílias. Na comparação anual, houve queda de 1,4 p.p. Entre jun/17 e jun/18, a parcela mais ou menos endividada ficou estável em 22,4%, e a pouco endividada passou de 22,6% para 23,2% do total de famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso atingiu 63,6 dias em jun/18, acima dos 62,8 dias de jun/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7,2 meses, sendo que 23,7% delas estão comprometidas com dívidas até 90 dias, e 32,9%, por mais de doze meses. Já a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,9% em mai/17 para 29,5% em mai/18.

O cartão de crédito continua como principal destaque na preferência das famílias endividadas, atingindo em jun/18 o valor de 76,3%, seguido por carnê de loja (15,2%), financiamento de carro (11,2%), crédito pessoal (10,4%), financiamento de casa (8,5%), cheque especial (6%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado (1,1%). A preferência das famílias quanto ao endividamento com o cartão de crédito vem se mantendo elevada desde mai/10 (70%).

Nas faixas de renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,3% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 72,4%. O financiamento de carro chega a 8,9% nas famílias de renda <10 SM e sobe para 21,6% na faixa acima de 10 SM, enquanto financiamento de casa atinge 6,7% nas famílias com renda abaixo de 10 SM e sobe para 16,6% para as de maior renda.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas vem apresentando decréscimo nos últimos três meses, caindo na comparação anual e atingindo o menor patamar desde fev/15. A queda do endividamento observada nos últimos meses reflete um baixo ritmo de recuperação do consumo das famílias e maior cautela na contratação de novos empréstimos e financiamentos. Cabe observar que a preferência das famílias pelo cartão de crédito como forma de endividamento mostra grande desconhecimento de princípios básicos de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, planejamento financeiro pessoal, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante 23 anos, e trabalhou por 36 anos como economista do Banco Central. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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