INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS SOBE EM AGOSTO
Régis
Varão/¹
A pesquisa
de Intenção de Consumo das Famílias-ICF,
de ago/18, da CNC, indica elevação de 0,6% no ICF naquele
mês, indicando alta na disposição das famílias em consumir após a retração
observada em jul/18, quando retraiu 1,8%, e da que verificada em jun/18
(-0,5%). No entanto, o relatório da CNC
indica que “Também mostrou que os efeitos da greve dos caminhoneiros foram
parcialmente compensados com a elevação mensal”.
Após o avanço
do pessimismo em jul/18, quatro componentes do ICF
apresentaram incremento em ago/18, com destaque para o nível de consumo atual
(+3,4%) e perspectiva de consumo (+1,8%). O comportamento dos indicadores
sugere que a preocupação das famílias com a greve dos caminhoneiros vai ficando
no passado, tendo em vista que os choques de preços verificados logo após a greve
não se manifestaram nas semanas seguintes.
Cabe
observar, que as percepções negativas quanto ao emprego atual (-0,4%) e à
perspectiva profissional (-0,8%) apontam o maior receio das famílias diante da
impossibilidade de a atividade econômica voltar a crescer e de gerar mais
empregos de forma mais forte. Com o movimento de crescimento observado em ago/18,
a variação positiva anual registra incremento de 10,7% ante ago/17.
Em ago/18 as
famílias residentes no Sudeste apresentaram variação positiva de 1,4% (maior
variação mensal) e as do Centro-Oeste registraram elevação de 1%, ficando as
duas regiões com a maior variação positiva, seguidas da região Sul com +0,8%.
As três revelaram as maiores intenções
de consumo considerando a variação mensal. O Sudeste (80,7 pontos) registrou
ainda o menor nível de satisfação em ago/18, abaixo dos 100 pontos. Em
contrapartida as famílias no Norte foram as únicas que apresentaram declínio (-3,2%).
Na comparação anual, as intenções de compra foram mais elevadas no Norte com alta
de 16%, seguido pelo Sudeste com +12,1%, graças à impressão de que a conjuntura
estaria melhor do que em 2017.
Análise dos
componentes do ICF:
1. Emprego Atual:
Com relação
ao emprego atual, o fraco desempenho da atividade econômica e os problemas de reação
positiva do mercado de trabalho, “a CNC reduziu mais uma vez a projeção das
vendas do comércio varejista de 4,8% para 4,5% em 2018, assim como as
estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) - agora variação de 1,6%, antes
1,8% - e a geração de 500 mil postos de trabalho”, de acordo com relatório da
própria CNC. Esse componente apresentou
variação negativa de 0,4% em ago/18 (112,4 pontos) ante o mês anterior e subiu
4,9% na comparação anual. Foi o maior valor observado entre os componentes do ICF
em agosto deste ano.
2. Nível de Consumo Atual:
O
crescimento de +3,4% em ago/18 (66,1 pontos) destacou-se dentre os demais componentes
do ICF,
certamente impactado pelo arrefecimento do ritmo de remarcação de preços pós-maio.
Cabe observar que “as famílias revelaram estar em melhores condições em agosto
diante de julho. Na comparação anual, este item da pesquisa revelou aumento de
22,0% contra agosto de 2017”, segundo a CNC.
Por outro lado, 51,5% das famílias declararam estar consumindo menos atualmente
do que em igual período do ano anterior (59,3%).
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
Ao mesmo
tempo que a taxa de juros Selic mantida em 6,5%, menor patamar histórico,
potencializa decréscimo do custo do dinheiro, “os juros reais mensais ainda são
altos e as famílias encontram-se endividadas, o que pode inviabilizar aumento
do consumo por meio do endividamento. As taxas ainda são inibidoras para isso.
Por exemplo, o cartão de crédito rotativo ultrapassa 291% ao ano e o cheque
especial supera 304% ao ano (dados de julho/18), apesar de que no ano passado
estiveram mais altas”, segundo a CNC. Esse componente manteve-se
inalterado em ago/18 (78,6 pontos) na comparação mensal e subiu 10,1% ante
ago/17.
4.
Momento para Duráveis:
O
subíndice atingiu 59 pontos em ago/18, registrando declínio de 1,1% na
comparação mensal, enquanto na comparação anual registrou a terceira maior
elevação com 13,8%, ficando atrás do Nível de Consumo Atual (+22%) e Perspectiva
de Consumo (19,9%). O valor registrado
em ago/18 foi o menor entre os componentes do ICF e o mais baixo desde jan/18 (62,2 pontos).
5.
Renda Atual:
De
acordo com o relatório da CNC, “A alta mensal do subíndice renda atual (+0,3%)
deveu-se ao arrefecimento do processo inflacionário desencadeado durante a
greve dos caminhoneiros em conjunto com a alta dos combustíveis e fretes”. O nível
desse componente em ago/18 (99,3 pontos) é 9,2% maior do que o observado em ago/17.
Ainda segundo a CNC, “Para 29,8% das famílias entrevistadas a situação
corrente da renda familiar se encontra mais favorável, enquanto 30,6%
consideraram que houve corrosão do orçamento médio. Um ano atrás a percepção
das famílias quanto à deterioração da renda era maior (36,2%)”.
6.
Perspectiva de Consumo:
O
ICF também foi puxado pela perspectiva de consumo ao
subir 1,8%, em ago/18, depois dos decréscimos verificados em jul/18 (-3,9%) e no
mês anterior (-2,5%). O patamar de agosto deste ano remete ao nível do período jan-fev/18,
além de criar nova tendência positiva. Esse componente apresentou incremento de
19,9% em ago/18 ante igual período do ano passado, ficando em segundo lugar em
crescimento anual.
7.
Perspectiva Profissional:
Ainda
que neste ano a economia venha crescendo em ritmo lento, as perspectivas
profissionais não se apresentaram favoráveis, decrescendo 0,8% em ago/18, ante
o mês anterior, o maior declínio mensal entre os componentes do ICF. Na comparação anual, o indicador registrou a
menor variação positiva (+4,5%) entre os sete subíndices que compõem o indicador.
Esse componente chegou a 100,2 pontos em ago/18, sendo o segundo maior valor
registado entre os componentes do ICF em ago/18.
Portanto,
fora o emprego atual e perspectiva profissional, os demais componentes apresentaram
variações positivas, na comparação mensal, e todos registraram elevação na
comparação anual. Excetuando a região Norte (-8,9%), as demais apresentaram
crescimento sobressaindo o Centro-Oeste
na comparação mensal e o Nordeste na anual.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação
financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira
e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master
Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também
bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três
décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do
Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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