terça-feira, 11 de setembro de 2018

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS SOBE EM AGOSTO
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF, de ago/18, da CNC, indica elevação de 0,6% no ICF naquele mês, indicando alta na disposição das famílias em consumir após a retração observada em jul/18, quando retraiu 1,8%, e da que verificada em jun/18 (-0,5%). No entanto, o relatório da CNC indica que “Também mostrou que os efeitos da greve dos caminhoneiros foram parcialmente compensados com a elevação mensal”.

Após o avanço do pessimismo em jul/18, quatro componentes do ICF apresentaram incremento em ago/18, com destaque para o nível de consumo atual (+3,4%) e perspectiva de consumo (+1,8%). O comportamento dos indicadores sugere que a preocupação das famílias com a greve dos caminhoneiros vai ficando no passado, tendo em vista que os choques de preços verificados logo após a greve não se manifestaram nas semanas seguintes.

Cabe observar, que as percepções negativas quanto ao emprego atual (-0,4%) e à perspectiva profissional (-0,8%) apontam o maior receio das famílias diante da impossibilidade de a atividade econômica voltar a crescer e de gerar mais empregos de forma mais forte. Com o movimento de crescimento observado em ago/18, a variação positiva anual registra incremento de 10,7% ante ago/17.

Em ago/18 as famílias residentes no Sudeste apresentaram variação positiva de 1,4% (maior variação mensal) e as do Centro-Oeste registraram elevação de 1%, ficando as duas regiões com a maior variação positiva, seguidas da região Sul com +0,8%. As três  revelaram as maiores intenções de consumo considerando a variação mensal. O Sudeste (80,7 pontos) registrou ainda o menor nível de satisfação em ago/18, abaixo dos 100 pontos. Em contrapartida as famílias no Norte foram as únicas que apresentaram declínio (-3,2%). Na comparação anual, as intenções de compra foram mais elevadas no Norte com alta de 16%, seguido pelo Sudeste com +12,1%, graças à impressão de que a conjuntura estaria melhor do que em 2017.

Análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao emprego atual, o fraco desempenho da atividade econômica e os problemas de reação positiva do mercado de trabalho, “a CNC reduziu mais uma vez a projeção das vendas do comércio varejista de 4,8% para 4,5% em 2018, assim como as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) - agora variação de 1,6%, antes 1,8% - e a geração de 500 mil postos de trabalho”, de acordo com relatório da própria CNC. Esse componente apresentou variação negativa de 0,4% em ago/18 (112,4 pontos) ante o mês anterior e subiu 4,9% na comparação anual. Foi o maior valor observado entre os componentes do ICF em agosto deste ano.

2. Nível de Consumo Atual:

O crescimento de +3,4% em ago/18 (66,1 pontos) destacou-se dentre os demais componentes do ICF, certamente impactado pelo arrefecimento do ritmo de remarcação de preços pós-maio. Cabe observar que “as famílias revelaram estar em melhores condições em agosto diante de julho. Na comparação anual, este item da pesquisa revelou aumento de 22,0% contra agosto de 2017”, segundo a CNC. Por outro lado, 51,5% das famílias declararam estar consumindo menos atualmente do que em igual período do ano anterior (59,3%).

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

Ao mesmo tempo que a taxa de juros Selic mantida em 6,5%, menor patamar histórico, potencializa decréscimo do custo do dinheiro, “os juros reais mensais ainda são altos e as famílias encontram-se endividadas, o que pode inviabilizar aumento do consumo por meio do endividamento. As taxas ainda são inibidoras para isso. Por exemplo, o cartão de crédito rotativo ultrapassa 291% ao ano e o cheque especial supera 304% ao ano (dados de julho/18), apesar de que no ano passado estiveram mais altas”, segundo a CNC. Esse componente manteve-se inalterado em ago/18 (78,6 pontos) na comparação mensal e subiu 10,1% ante ago/17.

4. Momento para Duráveis:

O subíndice atingiu 59 pontos em ago/18, registrando declínio de 1,1% na comparação mensal, enquanto na comparação anual registrou a terceira maior elevação com 13,8%, ficando atrás do Nível de Consumo Atual (+22%) e Perspectiva de Consumo (19,9%).  O valor registrado em ago/18 foi o menor entre os componentes do ICF e o mais baixo desde jan/18 (62,2 pontos).

5. Renda Atual:

De acordo com o relatório da CNC, “A alta mensal do subíndice renda atual (+0,3%) deveu-se ao arrefecimento do processo inflacionário desencadeado durante a greve dos caminhoneiros em conjunto com a alta dos combustíveis e fretes”. O nível desse componente em ago/18 (99,3 pontos) é 9,2% maior do que o observado em ago/17. Ainda segundo a CNC, “Para 29,8% das famílias entrevistadas a situação corrente da renda familiar se encontra mais favorável, enquanto 30,6% consideraram que houve corrosão do orçamento médio. Um ano atrás a percepção das famílias quanto à deterioração da renda era maior (36,2%)”.

6. Perspectiva de Consumo:

O ICF também foi puxado pela perspectiva de consumo ao subir 1,8%, em ago/18, depois dos decréscimos verificados em jul/18 (-3,9%) e no mês anterior (-2,5%). O patamar de agosto deste ano remete ao nível do período jan-fev/18, além de criar nova tendência positiva. Esse componente apresentou incremento de 19,9% em ago/18 ante igual período do ano passado, ficando em segundo lugar em crescimento anual.

7. Perspectiva Profissional:

Ainda que neste ano a economia venha crescendo em ritmo lento, as perspectivas profissionais não se apresentaram favoráveis, decrescendo 0,8% em ago/18, ante o mês anterior, o maior declínio mensal entre os componentes do ICF. Na comparação anual, o indicador registrou a menor variação positiva (+4,5%) entre os sete subíndices que compõem o indicador. Esse componente chegou a 100,2 pontos em ago/18, sendo o segundo maior valor registado entre os componentes do ICF em ago/18.

Portanto, fora o emprego atual e perspectiva profissional, os demais componentes apresentaram variações positivas, na comparação mensal, e todos registraram elevação na comparação anual. Excetuando a região Norte (-8,9%), as demais apresentaram crescimento sobressaindo o Centro-Oeste  na comparação mensal e o Nordeste na anual.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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