quarta-feira, 12 de setembro de 2018

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias apresentou crescimento em ago/18 ante o mês anterior, a segunda alta consecutiva mensal. Na comparação com ago/17, no entanto, houve declínio. O percentual com contas ou dívidas em atraso aumentou no período jul-ago/18, decrescendo em relação a ago/17. Já as famílias sem condições de pagar suas contas em atraso subiu na comparação mensal, e caiu na variação anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O endividamento das famílias com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em ago/18, o que representa incremento em relação ao patamar de jul/18. Houve queda em relação a ago/17, quando o indicador alcançou 61,2% das famílias.

A quantidade de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em ago/18 na comparação com o mês anterior, passando de 23,7% para 23,8% do total. Houve decréscimo da inadimplência em relação a ago/17, quando chegou a 25,9%. As famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e continuavam inadimplentes subiu de 9,4% em jul/18 para 9,8% em ago/18, apresentando queda em relação aos 10,6% de ago/17.

O número de endividadas apresentou comportamento semelhante nas faixas de renda até 10 salários mínimos e acima de 10 salários mínimos (<10 SM e >10 SM), na comparação mensal. Já na comparação anual, houve queda na faixa de renda até 10 SM. Para as que ganham abaixo de 10 SM, o percentual de famílias com dívidas atingiu 61,7% em ago/18, acima dos 60,8% observados em jul/18, mas abaixo dos 62,9% de ago/17. Para aquelas com renda acima de 10 SM, o endividamento subiu de 54,1% em jul/18 para 56,0% no mês seguinte. Em ago/17, o percentual de endividadas nesse grupo de renda chegou a 52,7%.

As famílias com contas em atraso apresentou tendência semelhante nas duas faixas de renda, na comparação mensal e anual. Na faixa <10 SM, o percentual com contas em atraso passou de 26,7% em jul/18 para 26,8% no mês seguinte. Em ago/17, 29% das famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 10,9% em ago/18, ante 10,8% em jul/18 e 12,4% em ago/17.

Analisando por faixa de renda pesquisada, o percentual das famílias sem condições de pagar as contas em atraso, apresentou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, na comparação anual. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 4% em ago/18, ante 3% de jul/18 e 4,7% observado em ago/17. Já no grupo com renda inferior a 10 SM, o percentual sem condições de quitar seus débitos passou de 11,2% em jul/18 para 11,3% no mês seguinte, enquanto em relação a ago/17, houve declínio de 0,6 p.p.

As famílias que se declararam muito endividadas passou de 13,2% em jul/18 para 13,5% em ago/18, enquanto na comparação anual, houve queda de 1,3 p.p. Entre ago/17 e ago/18, a parcela que se declarou mais ou menos endividada subiu de 22,9% para 23,3%, e a pouco endividada cresceu de 23,5% para 23,9%.

Aquelas com dívidas em atraso, o tempo médio foi 64,4 dias em ago/18, ante 64,7 dias observados em ago/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas foi 7,1 meses, sendo que 24,5% delas estão comprometidas com dívidas até três meses, e 32%, por mais de um ano. Segundo a CNC, “Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas diminuiu na comparação anual, passando de 29,8% em agosto de 2017 para 29,6% em agosto de 2018, e 20,5% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”.

O cartão de crédito continua em primeiro lugar na preferência das famílias endividadas, atingindo 76,8%, seguido por carnês de loja com 14,2%, financiamento de carro (10,4%), financiamento de casa com 9%, crédito pessoal como 8,5%, cheque especial (6%), crédito consignado (5,3%) e cheque pré-datado com 1%. As famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito tem a preferência de 77,9%, seguido de carnês de loja com 15,4% e financiamento de carro (8,5%), como os principais tipos de dívidas apontados. Para as com renda >10 SM, os principais tipos de dívida apontados em ago/18 foram: cartão de crédito (72,8%), financiamento de carro (19,7%) e financiamento de casa (18,7%).

Portanto, embora tenha ocorrido elevação do endividamento no período jul-ago/18, o indicador permaneceu em patamar inferior ao observado no ano anterior, devido em grande parte ao ritmo lento de recuperação do consumo das famílias e a precaução na tomada de novos empréstimos e financiamento, o que é verificado com o declínio da queda da parcela média da renda comprometida, na comparação anual.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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