AUMENTA O
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM AGOSTO
Régis
Varão/¹
O endividamento
das famílias apresentou crescimento em ago/18 ante o mês anterior, a segunda
alta consecutiva mensal. Na comparação com ago/17, no entanto, houve declínio.
O percentual com contas ou dívidas em atraso aumentou no período jul-ago/18, decrescendo
em relação a ago/17. Já as famílias sem condições de pagar suas contas em
atraso subiu na comparação mensal, e caiu na variação anual, segundo a Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional
do Comércio (CNC).
O endividamento
das famílias com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê
de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em ago/18,
o que representa incremento em relação ao patamar de jul/18. Houve queda em
relação a ago/17, quando o indicador alcançou 61,2% das famílias.
A quantidade
de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em ago/18 na comparação com o
mês anterior, passando de 23,7% para 23,8% do total. Houve decréscimo da
inadimplência em relação a ago/17, quando chegou a 25,9%. As famílias sem
condições de pagar suas contas em atraso e continuavam inadimplentes subiu de
9,4% em jul/18 para 9,8% em ago/18, apresentando queda em relação aos 10,6% de
ago/17.
O número de endividadas
apresentou comportamento semelhante nas faixas de renda até 10 salários mínimos
e acima de 10 salários mínimos (<10 SM e >10 SM), na comparação mensal. Já
na comparação anual, houve queda na faixa de renda até 10 SM. Para as que
ganham abaixo de 10 SM, o percentual de famílias com dívidas atingiu 61,7% em
ago/18, acima dos 60,8% observados em jul/18, mas abaixo dos 62,9% de ago/17.
Para aquelas com renda acima de 10 SM, o endividamento subiu de 54,1% em jul/18
para 56,0% no mês seguinte. Em ago/17, o percentual de endividadas nesse grupo
de renda chegou a 52,7%.
As famílias
com contas em atraso apresentou tendência semelhante nas duas faixas de renda, na
comparação mensal e anual. Na faixa <10 SM, o percentual com contas em
atraso passou de 26,7% em jul/18 para 26,8% no mês seguinte. Em ago/17, 29% das
famílias nessa faixa de renda estavam com contas em atraso. Já no grupo com
renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 10,9% em ago/18, ante
10,8% em jul/18 e 12,4% em ago/17.
Analisando
por faixa de renda pesquisada, o percentual das famílias sem condições de pagar
as contas em atraso, apresentou comportamento semelhante entre os grupos
pesquisados, na comparação anual. Na faixa de renda >10 SM, o indicador
alcançou 4% em ago/18, ante 3% de jul/18 e 4,7% observado em ago/17. Já no
grupo com renda inferior a 10 SM, o percentual sem condições de quitar seus
débitos passou de 11,2% em jul/18 para 11,3% no mês seguinte, enquanto em
relação a ago/17, houve declínio de 0,6 p.p.
As famílias
que se declararam muito endividadas passou de 13,2% em jul/18 para 13,5% em ago/18,
enquanto na comparação anual, houve queda de 1,3 p.p. Entre ago/17 e ago/18, a
parcela que se declarou mais ou menos endividada subiu de 22,9% para 23,3%, e a
pouco endividada cresceu de 23,5% para 23,9%.
Aquelas com
dívidas em atraso, o tempo médio foi 64,4 dias em ago/18, ante 64,7 dias observados
em ago/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas foi 7,1 meses, sendo
que 24,5% delas estão comprometidas com dívidas até três meses, e 32%, por mais
de um ano. Segundo a CNC, “Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média
da renda comprometida com dívidas diminuiu na comparação anual, passando de
29,8% em agosto de 2017 para 29,6% em agosto de 2018, e 20,5% delas afirmaram
ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”.
O cartão de
crédito continua em primeiro lugar na preferência das famílias endividadas,
atingindo 76,8%, seguido por carnês de loja com 14,2%, financiamento de carro (10,4%),
financiamento de casa com 9%, crédito pessoal como 8,5%, cheque especial (6%),
crédito consignado (5,3%) e cheque pré-datado com 1%. As famílias com renda até
10 SM, o cartão de crédito tem a preferência de 77,9%, seguido de carnês de
loja com 15,4% e financiamento de carro (8,5%), como os principais tipos de
dívidas apontados. Para as com renda >10 SM, os principais tipos de dívida
apontados em ago/18 foram: cartão de crédito (72,8%), financiamento de carro (19,7%)
e financiamento de casa (18,7%).
Portanto, embora
tenha ocorrido elevação do endividamento no período jul-ago/18, o indicador
permaneceu em patamar inferior ao observado no ano anterior, devido em grande
parte ao ritmo lento de recuperação do consumo das famílias e a precaução na tomada
de novos empréstimos e financiamento, o que é verificado com o declínio da queda
da parcela média da renda comprometida, na comparação anual.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação
financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira
e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista
com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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