segunda-feira, 29 de outubro de 2018

INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS CAI EM OUTUBRO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias-ICF apresenta variação negativa de 0,3% em out/18, ante o mês anterior, e sobe 11,3% na comparação anual. A trajetória do indicador no período ago-set/18, não se confirmou, e a intenção de consumo das famílias apresenta declínio em out/18, segundo o relatório da CNC de out/18.

A pesquisa revela que, dos sete componentes do ICF, quatro apresentaram declínios em out/18, com destaque para Momento para Duráveis (-3,3%) e Perspectiva de Consumo (-1,2%). O subíndice Renda Atual registrou a maior variação positiva (1%), enquanto o Nível de Consumo Atual (+0,3%) e Emprego Atual (+0,1%) apresentaram crescimento moderado.

Análise dos componentes:

1. Emprego Atual:

O pressentimento quanto a segurança no emprego manteve-se praticamente estável em out/18  (+0,1%) frente a set/18, enquanto na comparação anual, o subíndice apresentou elevação de 5,6%. Dos sete componentes: emprego atual, perspectiva profissional e renda atual são os únicos acima da zona de 100 pontos. Em out/18, o Emprego Atual, com 113,4 pontos, ficou praticamente no mesmo patamar de mar/18 quando atingiu 113,5 pontos. O fraco desempenho da atividade econômica pode explicar parte do desempenho do emprego atual  nesses últimos meses.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse subíndice registrou variação positiva de 0,3% em out/18 (67,8 pontos), indicando que as famílias perceberam melhora no padrão de compras em relação ao mês anterior. Na comparação anual, esse componente apresentou incremento de 24,4% em out/18, tendo registrado a maior variação positiva anual entre os subíndices do ICF.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O subíndice Compra a Prazo apresentou decréscimo de 0,3% em out/18 (79,1 pontos), ante o mês anterior, porém com menor intensidade, e subiu 10,3% quando comparado a out/17. Apesar da volatilidade, o subíndice apresentou incremento de 3,7% no período jan-out/18. Cabe observar que, embora a taxa de juros Selic esteja em patamar historicamente baixo, os juros para o tomador de crédito continuam elevadíssimo, o que determina mais cautela no endividamento, que também está muito elevado, inviabilizando a elevação do consumo.

4. Momento para Duráveis:

O decréscimo de 3,3% em out/18 (58,3 pontos), ante o mês anterior, desse componente indica prudência das famílias com relação à aquisição de produtos duráveis, podendo ter contribuído para isso o atual nível de endividamento das famílias. Já com relação a out/17 (46,1 pontos) as famílias apresentaram maiores intenções na aquisição de duráveis e registraram crescimento de 8,5%. Em out/17, cerca de 23,2% das famílias consideravam o momento favorável, enquanto 69,9% revelaram que o momento era ruim.

5. Renda Atual:

O crescimento de 1% em out/18 do subíndice renda atual e de 12,6%, respectivamente ante set/18 e set/17, pode ter sido influenciada pelo impacto da liberação dos recursos do PIS/Pasep. Por outro lado, é possível que a renda tenha crescido em decorrência de ganhos adicionais resultantes de trabalho extra, como meio para incrementar a remuneração mensal. Nessa conjuntura atual, a percepção de que a renda melhorou foi registrada por 31,6% das famílias, enquanto piorou para 28,8%. O entendimento a respeito da capacidade de compra em out/17 era menos otimista. Naquele mês, aproximadamente 27,3% delas admitiam que a renda tinha apresentado elevação, enquanto para a maioria ela havia decrescido 36%.

6. Perspectiva de Consumo:

O subíndice Perspectiva de Consumo registrou decréscimo de 1,2% em out/18 (84,1 pontos) e apresentou elevação de 15% na comparação anual, o que pode refletir um pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual período de 2017. As perspectivas de consumo são mais elevadas para 27,1%, ao passo que  em out/17 eram maiores para 24,3%.

7. Perspectiva Profissional:

Esse subíndice apresentou declínio de 0,1% em out/18 (100,9 pontos), ante o mês anterior, e cresceu 8,3% com relação a out/17. O comportamento desse indicador pode estar relacionado ao desempenho da economia, na medida em que sugere estabilidade de melhoria profissional para os próximos seis meses. No entanto, o componente mostrou-se positivo para 44,8% das famílias, enquanto em out/17, 41,3% consideravam as perspectivas melhores.

Portanto, ao longo deste ano, as famílias têm se mostrado cautelosas com relação às intenções de consumo, o que pode estar sendo afetado pela lenta recuperação da atividade econômica, em especial pela moderada recuperação do nível de emprego, os juros ainda elevados para o  tomador final de crédito, o elevado nível de endividamento das famílias e a alta do preço do dólar entre outros fatores.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
CONFIANÇA DO CONSUMIDOR AUMENTA EM SET/18
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da CNI, atinge 105,9 pontos em set/18, após apresentar alta de 1,1% frente a agosto deste ano. Apesar de registrar incremento modesto, é o terceiro mês consecutivo de alta e acumula elevação de 7,7% no último trimestre. O indicador é o maior desde dez/14 (109,2 pontos), no entanto, ainda se mantém abaixo da média histórica de 107,7 pontos, indicando que os consumidores estão menos confiantes que o habitual.

Com relação aos componentes do INEC, na comparação mensal, destaca-se a alta dos indicadores de expectativas de inflação e desemprego, indicando perspectivas mais otimistas. Sobe o indicador de endividamento, e o índice de situação financeira recua, refletindo uma piora da situação financeira do consumidor. Os indicadores de expectativas de renda própria e de compras de bens de maior valor apresentaram declínio em relação a ago/18.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta incremento de 7,7% em set/18 (117 pontos), ante o mês anterior, e sobe 15,8%% na comparação anual, quando chegou a 101 pontos. Em ambas as bases de comparação houve declínio do pessimismo com relação ao comportamento dos preços para os próximos meses. A expectativa de inflação apresenta o segundo maior incremento na comparação anual entre os componentes do índice, e registra o maior valor da série histórica para um mês de setembro;

(b) Expectativa de desemprego: o indicador registra crescimento de 4,3% em setembro deste ano (122,9 pontos), ante o mês anterior, e sobe 16,3% frente a set/17, que ficou em 105,7 pontos. O índice de set/18 apresenta declínio do pessimismo quanto às expectativas de desemprego para os próximos meses, isto é, maior o percentual de respondentes esperando declínio do desemprego. O indicador apresentou o melhor desempenho na comparação anual entre os componentes do índice;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente registra variação negativa de 0,6% em set/18 (97,7 pontos) ante o mês anterior, e elevação de 10% na comparação com set/17 (88,8 pontos). Entre os indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou a terceira maior elevação anual, enquanto na comparação mensal foi o que registrou o maior declínio. O crescimento do índice de expectativas de renda pessoal em set/18, indica que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais nos próximos meses;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa nas duas bases de comparação: mensal (-0,4%) e anual (-1,2%). O índice atinge 110,8 pontos em set/18, e registra o menor valor desde jun/18 (112,3 pontos). O desempenho do índice em ambas as bases de comparação indica elevação do pessimismo quanto às compras de bens de maior valor para os próximos meses;

(e) Endividamento: o índice apresenta variação positiva de 1,6% em set/18 (101,2 pontos) na comparação mensal, e cresce 8,2% ante set/17 (93,5 pontos). O desempenho positivo do índice nos últimos três meses, que registra o maior valor desde fev/15 (97,5 pontos), indica que maior quantidade de consumidores espera uma redução no nível de endividamento;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta decréscimo de 3,1 em set/18 quando chega a 92 pontos, ante o mês anterior, e sobe 5,1% frente a set/17 (87,5 pontos). O declínio observado no período ago-set/18 indica declínio da esperança de uma situação financeira melhor, enquanto na comparação anual, o desempenho positivo indica que os consumidores esperam uma melhor situação financeira.

Portanto, o crescimento da confiança do consumidor em set/18deve-se basicamente ao desempenho das expectativas do desemprego, inflação, renda pessoal, endividamento e situação financeira. O mau desempenho das compras de bens de maior valor, nas duas bases de comparação, não foi suficiente para ofuscar a elevação da confiança do consumidor em setembro.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ENDIVIDAMENTO PREJUDICA O SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

O cenário atual de lenta recuperação econômica, com desemprego ainda elevado, devido em grande parte à crise econômica e política por que tem passado o País nos últimos meses, não tem prazo para encerrar, até porque estamos há poucas semanas de uma eleição presidencial. O pouco conhecimento em educação financeira aliado a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento e a inadimplência das famílias nos atuais patamares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de set/18, da CNC.

O endividamento com cartão de crédito, carnês de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado, outras dívidas e cheque pré-datado entre outros, atingiu 60,7% em set/18, mantendo-se estável com relação ao mês anterior. Embora tenha apresentado pequena redução na comparação anual (-1 p.p.), ainda continua em patamar elevado. Apenas com cartão de crédito o endividamento atingiu 76,7% em set/18. As famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) esse percentual chegou a 77,8% e na faixa de renda acima de 10 SM ficou em 72,3%, segundo a PEIC.

Essa pesquisa indica que o percentual de famílias com dívidas em atraso também ficou estável em 23,8% entre agosto e set/18, embora tenha decrescido 2,7 p.p. frente a set/17. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas e permanecem inadimplentes, passou de 9,8% em ago/18 para 9,9% no mês seguinte, embora tenha apresentado declínio de 1 p.p. na comparação anual.

Um estudo da FecomércioSP afirma que a cidade mais populosa do País, São Paulo, apresentou elevação na proporção de famílias endividadas pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 54,5% em set/18. Na comparação anual, a taxa ficou tecnicamente estável com 2,13 milhões de famílias que possuem algum tipo de dívida na capital paulista. “A taxa de inadimplência também teve sua terceira alta consecutiva, marcando 20,6% em setembro, a maior desde maio de 2012”. Segundo o estudo, quase 804 mil famílias paulistanas não conseguiram quitar suas dívidas até a data do vencimento.

Em outras regiões a situação não é muito confortável. Belo Horizonte é a capital com o maior valor médio de dívida mensal por família (R$2.766,00) e Vitória com a maior taxa de inadimplência do País com 49%. Em Curitiba, nove em cada dez famílias possuem algum tipo de dívida, e a proporção de endividados na capital paraense é de 91%, a maior do País, e 4 p.p. acima de igual período de 2016. Porto Alegre por sua vez, é a capital com a segunda maior taxa de famílias que não conseguiram pagar as dívidas no vencimento (46%), segundo a 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras realizada pela FecomércioSP.

Ainda de acordo com a 8ª Radiografia do Endividamento, Goiânia por sua vez, apresenta a menor taxa de famílias endividadas do País com 38%, ante uma média de 62% do total das capitais. “Brasília, cujo volume de famílias endividadas é o terceiro maior, tem uma taxa de inadimplência de 11%, a segunda menor entre todas as capitais”. João Pessoa é a capital com a menor taxa de inadimplência do Nordeste e também com a menor parcela da renda mensal (11%) comprometida com dívidas. Nesse item, Teresina e Boa Vista dividem a taxa mais alta com 43%. Belém é a capital com menor valor médio de dívida por família (R$623,00).

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes financeiras inadequadas, da indisciplina no trato com o dinheiro, de maus hábitos de consumo, o consumismo exagerado, a falta de conhecimentos básicos de economia, contabilidade, matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais e na maioria das vezes levam ao endividamento.

Dados da Serasa Experian indicam que em ago/18 o número de consumidores inadimplentes no Brasil atingiu 61,5, caindo 0,16% em relação a jul/18. “É o segundo recuo consecutivo após o recorde da série, registrado em junho deste ano, que chegou a 61,8 milhões de inadimplentes. Já na comparação com agosto de 2017 (60,4 milhões), o aumento foi de 1,82%”. O total de dívidas em ago/18 chegou a R$ 274 bilhões, uma média de quatro dívidas por CPF, somando R$ 4.453 por pessoa.

Os indicadores de inadimplência por gênero repetiram em ago/18, as mesmas participações registradas pelo levantamento da Serasa nos últimos seis meses. O percentual de mulheres inadimplentes passou de 49,1% em ago/17 para 49,2% em ago/18, enquanto os homens passaram de 50,9% para 50,8%, na mesma base de comparação.

As pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência, usam mais atestados médicos, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com os colegas de trabalho, causam mais acidentes de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, a produtividade do trabalho é afetada, se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

Portanto, pessoas que têm educação financeira são menos estressadas, produzem mais e melhor, mantém o foco, não descuidam da saúde física e mental, não compram por impulso, economizam no dia a dia, fazem reserva financeira, não compram a prestação, não desprezam o poder dos pequenos valores e buscam relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias fica estável em set/18 ante o mês anterior, após duas elevações mensais consecutivas. Com relação a set/17, caiu 1 p.p., enquanto o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso (CDA) também manteve-se estável  na comparação mensal. No período ago-set/18, um acréscimo de 0,1 p.p. foi observado entre as famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.

O endividamento com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em set/18, ficando estável em relação ao percentual de ago/18. Na comparação anual, por outro lado, houve elevação de 1 p.p., quando chegou a 61,7% em set/17. Ver gráficos.

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “Após dois meses de alta consecutiva, o percentual de famílias com dívidas apresentou estabilidade em setembro. Em relação a 2017, o indicador permaneceu em patamar inferior, refletindo um ritmo lento de recuperação do consumo e a cautela das famílias na contratação de novos empréstimos e financiamentos”.

O percentual de famílias com CDA também ficou estável em 23,8% em set/18 ante o mês anterior. Houve redução da inadimplência das famílias em relação a set/17, quando chegou a 26,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas CDA, e continuam inadimplentes, subiu de 9,8% em ago/18 para 9,9% em set/18, declinando em relação a set/17 (10,9%).

O endividamento apresentou tendências distintas entre as faixas de renda, até 10 salários mínimos (<10 SM) e >10 SM, na comparação mensal e anual. Na anual, caiu apenas entre as famílias com renda <10 SM. Para essa faixa de renda, o percentual de endividados alcançou 61,7% em set/18, igual valor de ago/18, mas inferior aos 63,2% de set/17. Para as com renda >10 SM, o endividamento passou de 56% em ago/18 para 56,1% em set/18. Em set/17, o endividamento nessa faixa de renda era de 54,1%.

As famílias com CDA apresentaram, na comparação anual, tendência distinta entre os dois grupos de renda. Até 10 SM, o percentual de famílias com CDA caiu de 26,8% em ago/18 para 26,5% em set/18. Em set/17, 29,5% das famílias nessa faixa de renda estavam com as contas em atraso. Na faixa >10 SM, a inadimplência chegou a 11,5% em set/18, ante 10,9% em ago/18 e 12,7% em set/17.

Na comparação anual, as famílias sem condições de pagar suas CDA apresentaram comportamento análogo entre as duas faixas de renda. Acima de 10 SM, o indicador alcançou 4,3% em set/18, ante 4% de ago/18 e 5,3% em set/17. No grupo <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos ficou estável em 11,3% no período ago-set/18, e caiu 0,7 p.p. em relação a set/17.

O percentual de famílias muito endividadas caiu no período ago-set/18, de 13,5% para 13,3%. Na comparação anual, caiu 1,7 p.p. Entre set/17 e set/18, a parcela mais ou menos endividada subiu de 22,6% para 23,8%, e a pouco endividada caiu de 24% para 23,5%.

As famílias com CDA, o tempo médio de atraso foi 65,2 dias em set/18 contra 64,3 dias observados em set/17. O comprometimento médio com dívidas entre as endividadas foi de 7,1 meses, sendo 24,1% com dívidas até três meses; e 32,1%, com dívidas acima de 12 meses. Essas famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,9% em set/17 para 29,6% em set/18.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, com 76,7%; seguido por carnês de loja (14,6%); financiamento de carro (10,2%); financiamento de casa (9,5%); crédito pessoal (8,5%); cheque especial (6%); crédito consignado (5,6%); outras dívidas (3,2%); e cheque pré-datado (1,1%). As famílias com renda <10 SM, cartão de crédito tem a preferência de 77,8%, seguido por carnês de loja (15,9%) e financiamento de carro (8,6%). Para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida em set/18 foram: cartão de crédito (72,3%), financiamento de casa (20,5%) e financiamento de carro (18,7%). Ver gráficos.

Portanto, embora o endividamento esteja em patamar elevado, o indicador recuou na comparação anual, devido em parte ao ritmo lento de recuperação do consumo e o cuidado das famílias na contratação de novos empréstimos e financiamentos. Observo que dois outros fatores são positivos, a redução do comprometimento da renda para quitar dívidas e o declínio nos indicadores de inadimplência.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.