INTENÇÃO
DE CONSUMO DAS FAMILÍAS CAI EM OUTUBRO
Régis
Varão/¹
A Intenção
de Consumo das Famílias-ICF
apresenta variação negativa de 0,3% em out/18, ante o mês anterior, e sobe
11,3% na comparação anual. A trajetória do indicador no período ago-set/18, não
se confirmou, e a intenção de consumo das famílias apresenta declínio em
out/18, segundo o relatório da CNC de out/18.
A pesquisa
revela que, dos sete componentes do ICF,
quatro apresentaram declínios em out/18, com destaque para Momento para
Duráveis (-3,3%) e Perspectiva de Consumo (-1,2%). O subíndice Renda Atual registrou
a maior variação positiva (1%), enquanto o Nível de Consumo Atual (+0,3%) e
Emprego Atual (+0,1%) apresentaram crescimento moderado.
Análise dos
componentes:
1. Emprego Atual:
O
pressentimento quanto a segurança no emprego manteve-se praticamente estável em
out/18 (+0,1%) frente a set/18, enquanto
na comparação anual, o subíndice apresentou elevação de 5,6%. Dos sete
componentes: emprego atual, perspectiva profissional e renda atual são os
únicos acima da zona de 100 pontos. Em out/18, o Emprego Atual, com 113,4
pontos, ficou praticamente no mesmo patamar de mar/18 quando atingiu 113,5
pontos. O fraco desempenho da atividade econômica pode explicar parte do
desempenho do emprego atual nesses
últimos meses.
2. Nível de Consumo Atual:
Esse
subíndice registrou variação positiva de 0,3% em out/18 (67,8 pontos),
indicando que as famílias perceberam melhora no padrão de compras em relação ao
mês anterior. Na comparação anual, esse componente apresentou incremento de
24,4% em out/18, tendo registrado a maior variação positiva anual entre os subíndices
do ICF.
3.
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):
O subíndice Compra
a Prazo apresentou decréscimo de 0,3% em out/18 (79,1 pontos), ante o mês
anterior, porém com menor intensidade, e subiu 10,3% quando comparado a out/17.
Apesar da volatilidade, o subíndice apresentou incremento de 3,7% no período jan-out/18.
Cabe observar que, embora a taxa de juros Selic esteja em patamar
historicamente baixo, os juros para o tomador de crédito continuam
elevadíssimo, o que determina mais cautela no endividamento, que também está
muito elevado, inviabilizando a elevação do consumo.
4.
Momento para Duráveis:
O decréscimo
de 3,3% em out/18 (58,3 pontos), ante o mês anterior, desse componente indica prudência
das famílias com relação à aquisição de produtos duráveis, podendo ter
contribuído para isso o atual nível de endividamento das famílias. Já com
relação a out/17 (46,1 pontos) as famílias apresentaram maiores intenções na
aquisição de duráveis e registraram crescimento de 8,5%. Em out/17, cerca de
23,2% das famílias consideravam o momento favorável, enquanto 69,9% revelaram
que o momento era ruim.
5.
Renda Atual:
O
crescimento de 1% em out/18 do subíndice renda atual e de 12,6%,
respectivamente ante set/18 e set/17, pode ter sido influenciada pelo impacto
da liberação dos recursos do PIS/Pasep. Por outro lado, é possível que a renda tenha
crescido em decorrência de ganhos adicionais resultantes de trabalho extra, como
meio para incrementar a remuneração mensal. Nessa conjuntura atual, a percepção
de que a renda melhorou foi registrada por 31,6% das famílias, enquanto piorou
para 28,8%. O entendimento a respeito da capacidade de compra em out/17 era
menos otimista. Naquele mês, aproximadamente 27,3% delas admitiam que a renda
tinha apresentado elevação, enquanto para a maioria ela havia decrescido 36%.
6.
Perspectiva de Consumo:
O subíndice
Perspectiva de Consumo registrou decréscimo de 1,2% em out/18 (84,1 pontos) e
apresentou elevação de 15% na comparação anual, o que pode refletir um
pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual
período de 2017. As perspectivas de consumo são mais elevadas para 27,1%, ao
passo que em out/17 eram maiores para
24,3%.
7.
Perspectiva Profissional:
Esse
subíndice apresentou declínio de 0,1% em out/18 (100,9 pontos), ante o mês
anterior, e cresceu 8,3% com relação a out/17. O comportamento desse indicador
pode estar relacionado ao desempenho da economia, na medida em que sugere
estabilidade de melhoria profissional para os próximos seis meses. No entanto,
o componente mostrou-se positivo para 44,8% das famílias, enquanto em out/17,
41,3% consideravam as perspectivas melhores.
Portanto, ao
longo deste ano, as famílias têm se mostrado cautelosas com relação às
intenções de consumo, o que pode estar sendo afetado pela lenta recuperação da
atividade econômica, em especial pela moderada recuperação do nível de emprego,
os juros ainda elevados para o tomador final
de crédito, o elevado nível de endividamento das famílias e a alta do preço do
dólar entre outros fatores.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde
financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.