CONFIANÇA
DO CONSUMIDOR AUMENTA EM SET/18
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), da CNI, atinge 105,9 pontos em set/18, após apresentar alta
de 1,1% frente a agosto deste ano. Apesar de registrar incremento modesto, é o
terceiro mês consecutivo de alta e acumula elevação de 7,7% no último trimestre. O indicador é o maior desde dez/14
(109,2 pontos), no entanto, ainda se mantém abaixo da média histórica de 107,7
pontos, indicando que os consumidores estão menos confiantes que o habitual.
Com
relação aos componentes do INEC, na comparação mensal, destaca-se a alta dos indicadores
de expectativas de inflação e desemprego, indicando perspectivas mais
otimistas. Sobe o indicador de endividamento, e o índice de situação financeira
recua, refletindo uma piora da situação financeira do consumidor. Os
indicadores de expectativas de renda própria e de compras de bens de maior
valor apresentaram declínio em relação a ago/18.
(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta
incremento de 7,7% em set/18 (117 pontos), ante o mês anterior, e sobe 15,8%%
na comparação anual, quando chegou a 101 pontos. Em ambas as bases de
comparação houve declínio do pessimismo com relação ao comportamento dos preços
para os próximos meses. A expectativa de inflação apresenta o segundo maior
incremento na comparação anual entre os componentes do índice, e registra o
maior valor da série histórica para um mês de setembro;
(b) Expectativa de desemprego: o indicador
registra crescimento de 4,3% em setembro deste ano (122,9 pontos), ante o mês
anterior, e sobe 16,3% frente a set/17, que ficou em 105,7 pontos. O índice de set/18
apresenta declínio do pessimismo quanto às expectativas de desemprego para os
próximos meses, isto é, maior o percentual de respondentes esperando declínio
do desemprego. O indicador apresentou o melhor desempenho na comparação anual entre
os componentes do índice;
(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse
componente registra variação negativa de 0,6% em set/18 (97,7 pontos) ante o
mês anterior, e elevação de 10% na comparação com set/17 (88,8 pontos). Entre
os indicadores ligados às expectativas foi o que apresentou a terceira maior
elevação anual, enquanto na comparação mensal foi o que registrou o maior
declínio. O crescimento do índice de expectativas de renda pessoal em set/18, indica
que mais consumidores esperam elevação de seus rendimentos pessoais nos próximos
meses;
(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior
Valor: o único dos componentes do INEC a registrar variação negativa nas duas bases de
comparação: mensal (-0,4%) e anual (-1,2%). O índice atinge 110,8 pontos em set/18,
e registra o menor valor desde jun/18 (112,3 pontos). O desempenho do índice em
ambas as bases de comparação indica elevação do pessimismo quanto às compras de
bens de maior valor para os próximos meses;
(e) Endividamento: o índice apresenta variação
positiva de 1,6% em set/18 (101,2 pontos) na comparação mensal, e cresce 8,2% ante
set/17 (93,5 pontos). O desempenho positivo do índice nos últimos três meses, que
registra o maior valor desde fev/15 (97,5 pontos), indica que maior quantidade
de consumidores espera uma redução no nível de endividamento;
(f) Situação financeira: esse componente apresenta
decréscimo de 3,1 em set/18 quando chega a 92 pontos, ante o mês anterior, e sobe
5,1% frente a set/17 (87,5 pontos). O declínio observado no período ago-set/18
indica declínio da esperança de uma situação financeira melhor, enquanto na
comparação anual, o desempenho positivo indica que os consumidores esperam uma
melhor situação financeira.
Portanto,
o crescimento da confiança do consumidor em set/18deve-se basicamente ao
desempenho das expectativas do desemprego, inflação, renda pessoal, endividamento
e situação financeira. O mau desempenho das compras de bens de maior valor, nas
duas bases de comparação, não foi suficiente para ofuscar a elevação da
confiança do consumidor em setembro.
¹/ Mentor e Coach Financeiro,
especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de
pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de
temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira,
saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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