ENDIVIDAMENTO PREJUDICA O SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹
O cenário atual de lenta recuperação econômica, com
desemprego ainda elevado, devido em grande parte à crise econômica e política por
que tem passado o País nos últimos meses, não tem prazo para encerrar, até
porque estamos há poucas semanas de uma eleição presidencial. O pouco
conhecimento em educação financeira aliado a maus hábitos de consumo e ao
descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o
endividamento e a inadimplência das famílias nos atuais patamares, segundo a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de set/18, da CNC.
O endividamento com cartão de crédito, carnês de
loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque
especial, crédito consignado, outras dívidas e cheque pré-datado entre outros, atingiu
60,7% em set/18, mantendo-se estável com relação ao mês anterior. Embora tenha
apresentado pequena redução na comparação anual (-1 p.p.), ainda continua em
patamar elevado. Apenas com cartão de crédito o endividamento atingiu 76,7% em
set/18. As famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) esse percentual
chegou a 77,8% e na faixa de renda acima de 10 SM ficou em 72,3%, segundo a PEIC.
Essa pesquisa indica que o percentual de famílias
com dívidas em atraso também ficou estável em 23,8% entre agosto e set/18,
embora tenha decrescido 2,7 p.p. frente a set/17. O percentual de famílias sem
condições de pagar suas dívidas e permanecem inadimplentes, passou de 9,8% em ago/18
para 9,9% no mês seguinte, embora tenha apresentado declínio de 1 p.p. na
comparação anual.
Um estudo da FecomércioSP afirma que a
cidade mais populosa do País, São Paulo, apresentou elevação na proporção de
famílias endividadas pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 54,5% em
set/18. Na comparação anual, a taxa ficou tecnicamente estável com 2,13 milhões
de famílias que possuem algum tipo de dívida na capital paulista. “A taxa de
inadimplência também teve sua terceira alta consecutiva, marcando 20,6% em
setembro, a maior desde maio de 2012”. Segundo o estudo, quase 804 mil famílias
paulistanas não conseguiram quitar suas dívidas até a data do vencimento.
Em outras regiões a situação não é muito
confortável. Belo Horizonte é a capital com o maior valor médio de dívida
mensal por família (R$2.766,00) e Vitória com a maior taxa de inadimplência do
País com 49%. Em Curitiba, nove em cada dez famílias possuem algum tipo de
dívida, e a proporção de endividados na capital paraense é de 91%, a maior do
País, e 4 p.p. acima de igual período de 2016. Porto Alegre por sua vez, é a
capital com a segunda maior taxa de famílias que não conseguiram pagar as
dívidas no vencimento (46%), segundo a 8ª Radiografia do Endividamento das
Famílias Brasileiras realizada pela FecomércioSP.
Ainda de acordo com a 8ª Radiografia do
Endividamento, Goiânia por sua vez, apresenta a menor
taxa de famílias endividadas do País com 38%, ante uma média de 62% do total
das capitais. “Brasília, cujo volume de famílias endividadas é o terceiro
maior, tem uma taxa de inadimplência de 11%, a segunda menor entre todas as
capitais”. João Pessoa é a capital com a menor taxa de inadimplência do
Nordeste e também com a menor parcela da renda mensal (11%) comprometida com
dívidas. Nesse item, Teresina e Boa Vista dividem a taxa mais alta com 43%.
Belém é a capital com menor valor médio de dívida por família (R$623,00).
O endividamento decorre, na maioria das vezes, de
atitudes financeiras inadequadas, da indisciplina no trato com o dinheiro, de maus
hábitos de consumo, o consumismo exagerado, a falta de conhecimentos básicos de
economia, contabilidade, matemática financeira, que juntos contribuem para a má
gestão das finanças pessoais e na maioria das vezes levam ao endividamento.
Dados da Serasa Experian indicam que
em ago/18 o número de consumidores inadimplentes no Brasil atingiu 61,5, caindo
0,16% em relação a jul/18. “É o segundo recuo consecutivo após o recorde da
série, registrado em junho deste ano, que chegou a 61,8 milhões de
inadimplentes. Já na comparação com agosto de 2017 (60,4 milhões), o aumento
foi de 1,82%”. O total de dívidas em ago/18 chegou a R$ 274 bilhões, uma média
de quatro dívidas por CPF, somando R$ 4.453 por pessoa.
Os indicadores de inadimplência por gênero
repetiram em ago/18, as mesmas participações registradas pelo levantamento da
Serasa nos últimos seis meses. O percentual de mulheres inadimplentes passou de
49,1% em ago/17 para 49,2% em ago/18, enquanto os homens passaram de 50,9% para
50,8%, na mesma base de comparação.
As pesquisas mostram que pessoas com problemas
financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência, usam mais atestados
médicos, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com os colegas de
trabalho, causam mais acidentes de trabalho, discutem com mais frequência com
familiares, perdem a concentração, a produtividade do trabalho é afetada, se separam
ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.
Portanto, pessoas que têm
educação financeira são menos estressadas, produzem mais e melhor, mantém o
foco, não descuidam da saúde física e mental, não compram por impulso, economizam
no dia a dia, fazem reserva financeira, não compram a prestação, não desprezam
o poder dos pequenos valores e buscam relacionamentos pessoais e profissionais
saudáveis.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde
financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
Nenhum comentário:
Postar um comentário