sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ENDIVIDAMENTO PREJUDICA O SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

O cenário atual de lenta recuperação econômica, com desemprego ainda elevado, devido em grande parte à crise econômica e política por que tem passado o País nos últimos meses, não tem prazo para encerrar, até porque estamos há poucas semanas de uma eleição presidencial. O pouco conhecimento em educação financeira aliado a maus hábitos de consumo e ao descaso no trato das finanças pessoais tem contribuído para manter o endividamento e a inadimplência das famílias nos atuais patamares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de set/18, da CNC.

O endividamento com cartão de crédito, carnês de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado, outras dívidas e cheque pré-datado entre outros, atingiu 60,7% em set/18, mantendo-se estável com relação ao mês anterior. Embora tenha apresentado pequena redução na comparação anual (-1 p.p.), ainda continua em patamar elevado. Apenas com cartão de crédito o endividamento atingiu 76,7% em set/18. As famílias com renda até 10 salários mínimos (SM) esse percentual chegou a 77,8% e na faixa de renda acima de 10 SM ficou em 72,3%, segundo a PEIC.

Essa pesquisa indica que o percentual de famílias com dívidas em atraso também ficou estável em 23,8% entre agosto e set/18, embora tenha decrescido 2,7 p.p. frente a set/17. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas e permanecem inadimplentes, passou de 9,8% em ago/18 para 9,9% no mês seguinte, embora tenha apresentado declínio de 1 p.p. na comparação anual.

Um estudo da FecomércioSP afirma que a cidade mais populosa do País, São Paulo, apresentou elevação na proporção de famílias endividadas pelo terceiro mês consecutivo, atingindo 54,5% em set/18. Na comparação anual, a taxa ficou tecnicamente estável com 2,13 milhões de famílias que possuem algum tipo de dívida na capital paulista. “A taxa de inadimplência também teve sua terceira alta consecutiva, marcando 20,6% em setembro, a maior desde maio de 2012”. Segundo o estudo, quase 804 mil famílias paulistanas não conseguiram quitar suas dívidas até a data do vencimento.

Em outras regiões a situação não é muito confortável. Belo Horizonte é a capital com o maior valor médio de dívida mensal por família (R$2.766,00) e Vitória com a maior taxa de inadimplência do País com 49%. Em Curitiba, nove em cada dez famílias possuem algum tipo de dívida, e a proporção de endividados na capital paraense é de 91%, a maior do País, e 4 p.p. acima de igual período de 2016. Porto Alegre por sua vez, é a capital com a segunda maior taxa de famílias que não conseguiram pagar as dívidas no vencimento (46%), segundo a 8ª Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras realizada pela FecomércioSP.

Ainda de acordo com a 8ª Radiografia do Endividamento, Goiânia por sua vez, apresenta a menor taxa de famílias endividadas do País com 38%, ante uma média de 62% do total das capitais. “Brasília, cujo volume de famílias endividadas é o terceiro maior, tem uma taxa de inadimplência de 11%, a segunda menor entre todas as capitais”. João Pessoa é a capital com a menor taxa de inadimplência do Nordeste e também com a menor parcela da renda mensal (11%) comprometida com dívidas. Nesse item, Teresina e Boa Vista dividem a taxa mais alta com 43%. Belém é a capital com menor valor médio de dívida por família (R$623,00).

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes financeiras inadequadas, da indisciplina no trato com o dinheiro, de maus hábitos de consumo, o consumismo exagerado, a falta de conhecimentos básicos de economia, contabilidade, matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais e na maioria das vezes levam ao endividamento.

Dados da Serasa Experian indicam que em ago/18 o número de consumidores inadimplentes no Brasil atingiu 61,5, caindo 0,16% em relação a jul/18. “É o segundo recuo consecutivo após o recorde da série, registrado em junho deste ano, que chegou a 61,8 milhões de inadimplentes. Já na comparação com agosto de 2017 (60,4 milhões), o aumento foi de 1,82%”. O total de dívidas em ago/18 chegou a R$ 274 bilhões, uma média de quatro dívidas por CPF, somando R$ 4.453 por pessoa.

Os indicadores de inadimplência por gênero repetiram em ago/18, as mesmas participações registradas pelo levantamento da Serasa nos últimos seis meses. O percentual de mulheres inadimplentes passou de 49,1% em ago/17 para 49,2% em ago/18, enquanto os homens passaram de 50,9% para 50,8%, na mesma base de comparação.

As pesquisas mostram que pessoas com problemas financeiros vão ao médico e hospitais com mais frequência, usam mais atestados médicos, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com os colegas de trabalho, causam mais acidentes de trabalho, discutem com mais frequência com familiares, perdem a concentração, a produtividade do trabalho é afetada, se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

Portanto, pessoas que têm educação financeira são menos estressadas, produzem mais e melhor, mantém o foco, não descuidam da saúde física e mental, não compram por impulso, economizam no dia a dia, fazem reserva financeira, não compram a prestação, não desprezam o poder dos pequenos valores e buscam relacionamentos pessoais e profissionais saudáveis.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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