ENDIVIDAMENTO
DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM SETEMBRO
Régis
Varão/¹
O
endividamento das famílias fica estável em set/18 ante o mês anterior, após
duas elevações mensais consecutivas. Com relação a set/17, caiu 1 p.p.,
enquanto o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso (CDA) também
manteve-se estável na comparação mensal.
No período ago-set/18, um acréscimo de 0,1 p.p. foi observado entre as famílias
sem condições de pagar suas contas em atraso, segundo a Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.
O endividamento
com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja,
empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em set/18, ficando
estável em relação ao percentual de ago/18. Na comparação anual, por outro
lado, houve elevação de 1 p.p., quando chegou a 61,7% em set/17. Ver gráficos.
De acordo
com Marianne Hanson, economista da CNC, “Após dois meses de alta consecutiva, o
percentual de famílias com dívidas apresentou estabilidade em setembro. Em
relação a 2017, o indicador permaneceu em patamar inferior, refletindo um ritmo
lento de recuperação do consumo e a cautela das famílias na contratação de
novos empréstimos e financiamentos”.
O percentual
de famílias com CDA também ficou estável em 23,8% em set/18 ante o mês anterior.
Houve redução da inadimplência das famílias em relação a set/17, quando chegou
a 26,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas CDA, e continuam
inadimplentes, subiu de 9,8% em ago/18 para 9,9% em set/18, declinando em
relação a set/17 (10,9%).
O endividamento
apresentou tendências distintas entre as faixas de renda, até 10 salários
mínimos (<10 SM) e >10 SM, na comparação mensal e anual. Na anual, caiu
apenas entre as famílias com renda <10 SM. Para essa faixa de renda, o
percentual de endividados alcançou 61,7% em set/18, igual valor de ago/18, mas inferior
aos 63,2% de set/17. Para as com renda >10 SM, o endividamento passou de 56%
em ago/18 para 56,1% em set/18. Em set/17, o endividamento nessa faixa de renda
era de 54,1%.
As famílias
com CDA apresentaram, na comparação anual, tendência distinta entre os dois grupos
de renda. Até 10 SM, o percentual de famílias com CDA caiu de 26,8% em ago/18
para 26,5% em set/18. Em set/17, 29,5% das famílias nessa faixa de renda estavam
com as contas em atraso. Na faixa >10 SM, a inadimplência chegou a 11,5% em
set/18, ante 10,9% em ago/18 e 12,7% em set/17.
Na
comparação anual, as famílias sem condições de pagar suas CDA apresentaram
comportamento análogo entre as duas faixas de renda. Acima de 10 SM, o
indicador alcançou 4,3% em set/18, ante 4% de ago/18 e 5,3% em set/17. No grupo
<10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos ficou
estável em 11,3% no período ago-set/18, e caiu 0,7 p.p. em relação a set/17.
O percentual
de famílias muito endividadas caiu no período ago-set/18, de 13,5% para 13,3%.
Na comparação anual, caiu 1,7 p.p. Entre set/17 e set/18, a parcela mais ou
menos endividada subiu de 22,6% para 23,8%, e a pouco endividada caiu de 24%
para 23,5%.
As famílias
com CDA, o tempo médio de atraso foi 65,2 dias em set/18 contra 64,3 dias
observados em set/17. O comprometimento médio com dívidas entre as endividadas
foi de 7,1 meses, sendo 24,1% com dívidas até três meses; e 32,1%, com dívidas
acima de 12 meses. Essas famílias endividadas, a parcela média da renda
comprometida com dívidas caiu de 29,9% em set/17 para 29,6% em set/18.
O cartão de
crédito continua na preferência das famílias endividadas, com 76,7%; seguido
por carnês de loja (14,6%); financiamento de carro (10,2%); financiamento de
casa (9,5%); crédito pessoal (8,5%); cheque especial (6%); crédito consignado (5,6%);
outras dívidas (3,2%); e cheque pré-datado (1,1%). As famílias com renda <10
SM, cartão de crédito tem a preferência de 77,8%, seguido por carnês de loja (15,9%)
e financiamento de carro (8,6%). Para as famílias com renda >10 SM, os
principais tipos de dívida em set/18 foram: cartão de crédito (72,3%),
financiamento de casa (20,5%) e financiamento de carro (18,7%). Ver gráficos.
Portanto, embora
o endividamento esteja em patamar elevado, o indicador recuou na comparação
anual, devido em parte ao ritmo lento de recuperação do consumo e o cuidado das
famílias na contratação de novos empréstimos e financiamentos. Observo que dois
outros fatores são positivos, a redução do comprometimento da renda para quitar
dívidas e o declínio nos indicadores de inadimplência.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação
financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e
planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à
educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira
e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista
com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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