quarta-feira, 10 de outubro de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM SETEMBRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias fica estável em set/18 ante o mês anterior, após duas elevações mensais consecutivas. Com relação a set/17, caiu 1 p.p., enquanto o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso (CDA) também manteve-se estável  na comparação mensal. No período ago-set/18, um acréscimo de 0,1 p.p. foi observado entre as famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, da CNC.

O endividamento com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,7% em set/18, ficando estável em relação ao percentual de ago/18. Na comparação anual, por outro lado, houve elevação de 1 p.p., quando chegou a 61,7% em set/17. Ver gráficos.

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “Após dois meses de alta consecutiva, o percentual de famílias com dívidas apresentou estabilidade em setembro. Em relação a 2017, o indicador permaneceu em patamar inferior, refletindo um ritmo lento de recuperação do consumo e a cautela das famílias na contratação de novos empréstimos e financiamentos”.

O percentual de famílias com CDA também ficou estável em 23,8% em set/18 ante o mês anterior. Houve redução da inadimplência das famílias em relação a set/17, quando chegou a 26,5% do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas CDA, e continuam inadimplentes, subiu de 9,8% em ago/18 para 9,9% em set/18, declinando em relação a set/17 (10,9%).

O endividamento apresentou tendências distintas entre as faixas de renda, até 10 salários mínimos (<10 SM) e >10 SM, na comparação mensal e anual. Na anual, caiu apenas entre as famílias com renda <10 SM. Para essa faixa de renda, o percentual de endividados alcançou 61,7% em set/18, igual valor de ago/18, mas inferior aos 63,2% de set/17. Para as com renda >10 SM, o endividamento passou de 56% em ago/18 para 56,1% em set/18. Em set/17, o endividamento nessa faixa de renda era de 54,1%.

As famílias com CDA apresentaram, na comparação anual, tendência distinta entre os dois grupos de renda. Até 10 SM, o percentual de famílias com CDA caiu de 26,8% em ago/18 para 26,5% em set/18. Em set/17, 29,5% das famílias nessa faixa de renda estavam com as contas em atraso. Na faixa >10 SM, a inadimplência chegou a 11,5% em set/18, ante 10,9% em ago/18 e 12,7% em set/17.

Na comparação anual, as famílias sem condições de pagar suas CDA apresentaram comportamento análogo entre as duas faixas de renda. Acima de 10 SM, o indicador alcançou 4,3% em set/18, ante 4% de ago/18 e 5,3% em set/17. No grupo <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos ficou estável em 11,3% no período ago-set/18, e caiu 0,7 p.p. em relação a set/17.

O percentual de famílias muito endividadas caiu no período ago-set/18, de 13,5% para 13,3%. Na comparação anual, caiu 1,7 p.p. Entre set/17 e set/18, a parcela mais ou menos endividada subiu de 22,6% para 23,8%, e a pouco endividada caiu de 24% para 23,5%.

As famílias com CDA, o tempo médio de atraso foi 65,2 dias em set/18 contra 64,3 dias observados em set/17. O comprometimento médio com dívidas entre as endividadas foi de 7,1 meses, sendo 24,1% com dívidas até três meses; e 32,1%, com dívidas acima de 12 meses. Essas famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 29,9% em set/17 para 29,6% em set/18.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, com 76,7%; seguido por carnês de loja (14,6%); financiamento de carro (10,2%); financiamento de casa (9,5%); crédito pessoal (8,5%); cheque especial (6%); crédito consignado (5,6%); outras dívidas (3,2%); e cheque pré-datado (1,1%). As famílias com renda <10 SM, cartão de crédito tem a preferência de 77,8%, seguido por carnês de loja (15,9%) e financiamento de carro (8,6%). Para as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida em set/18 foram: cartão de crédito (72,3%), financiamento de casa (20,5%) e financiamento de carro (18,7%). Ver gráficos.

Portanto, embora o endividamento esteja em patamar elevado, o indicador recuou na comparação anual, devido em parte ao ritmo lento de recuperação do consumo e o cuidado das famílias na contratação de novos empréstimos e financiamentos. Observo que dois outros fatores são positivos, a redução do comprometimento da renda para quitar dívidas e o declínio nos indicadores de inadimplência.


¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, saúde financeira e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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