terça-feira, 5 de novembro de 2019

ENDIVIDAMENTO CAI PELA PRIMEIRA VEZ EM 2019
Régis Varão/¹

O endividamento registrou em out/19 a primeira queda do ano, após nove meses consecutivos de elevação, atingindo 64,7% do total de famílias. O percentual de famílias com dívidas em atraso cresceu no período set-out/19, bem como em relação a out/18, chegando a 24,9%, o maior percentual desde abr/18. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso subiu em ambas as bases de comparação - mensal e anual - chegando em 10,1%, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, “Após um período de forte crescimento do crédito, os recursos extras advindos do FGTS e PIS/Pasep, somados à sazonalidade positiva no mercado de trabalho, favoreceram a redução do endividamento”.

O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnê de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado, cheque pré-datado e outras dívidas alcançou 64,7% em out/19, o que representa declínio em relação aos 65,1% observados em set/19. Com relação a out/18, o percentual subiu, atingindo 60,7%.

Já o percentual de famílias com dívidas em atraso subiu em out/19, na comparação com o mês anterior, passando de 24,5% para 24,9% do total. Também houve crescimento da inadimplência na comparação anual, quando registrou 23,5%. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e que permanecem inadimplentes apresentou elevação na comparação mensal para 10,1% em out/19, ante 9,6% do mês anterior. O indicador chegou a 9,9% em out/18.

De acordo com Marianne Hanson, da CNC, “O aumento dos indicadores de inadimplência reflete o maior comprometimento de renda das famílias com as dívidas”.

O total de famílias endividadas apresentou tendências distintas entre as duas faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal. Para as famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM), o percentual de endividamento atingiu 65,6% em out/19, abaixo dos 66,2%, observados em set/19, e superior aos 61,7% de out/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu, entre setembro e out/19, de 60,5% para 61,1% . Em out/18, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era 56,3%.

O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, apresentou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, apenas na comparação mensal. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,7% em out/19, ante 3,6% em set/19 e 3,7% em out/18. Para o grupo de renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos passou de 11,3% em set/19 para 11,8% em out/19, e registrou alta de 0,3 p.p. ante out/18.

A proporção das famílias muito endividadas cresceu entre set/19 e o mês seguinte - de 13,8% para 14,0% do total. Na comparação anual, houve alta de 1,1 p.p. Já na comparação entre out/18 e out/19, a parcela mais ou menos endividada caiu de 23,5% para 23%, e a parcela pouco endividada subiu de 24,4% para 27,7%.

Já o número de famílias com contas em atraso aumentou em out/19, na comparação mensal, passando de 24,5% para 24,9% do total. Houve alta do percentual de famílias inadimplentes na comparação anual, quando registrou 23,5%. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e permaneceram inadimplentes cresceu 10,1% em out/19 ante o mês anterior (9,6%). O indicador chegou a 9,9% em out/18.

Mais uma vez o cartão de crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida das famílias, com 78,9%. É seguido por carnê de loja (15,5%), financiamento de carro (9,5%), financiamento de casa (8,7%), crédito pessoal (8,2%), cheque especial (6,5%), crédito consignado (6%), cheque pré-datado (1,2%) e outras dívidas (2,3%). Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito atingiu 79,1% de endividamento, seguido por carnê de loja (16,5%), crédito pessoal (7,9%) e financiamento de carro (7,8%). Já nas famílias com renda >10 SM, o cartão de crédito atingiu 78%, seguido por financiamento de carro (17,7%) e financiamento de casa (17,4%). Ver gráficos.

Portanto, o endividamento caiu em out/19, após nove mensais consecutivas de alta, indicando desaceleração da procura por empréstimos e financiamentos, enquanto na comparação anual, houve elevação. Apesar da queda do endividamento em relação ao mês anterior, o percentual de famílias muito endividadas aumentou nas duas bases de comparação, assim como a parcela média da renda comprometida com o pagamento de empréstimos e financiamentos. A persistente preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito indica desconhecimento das ferramentas de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.


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