ENDIVIDAMENTO CAI PELA PRIMEIRA VEZ EM 2019
Régis Varão/¹
O endividamento registrou em out/19 a primeira
queda do ano, após nove meses consecutivos de elevação, atingindo 64,7% do
total de famílias. O percentual de famílias com dívidas em atraso cresceu no
período set-out/19, bem como em relação a out/18, chegando a 24,9%, o maior
percentual desde abr/18. O percentual de famílias sem condições de pagar as
contas em atraso subiu em ambas as bases de comparação - mensal e anual -
chegando em 10,1%, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência
do Consumidor-PEIC.
Segundo
José Roberto Tadros, da CNC, “Após um período de forte crescimento do crédito,
os recursos extras advindos do FGTS e PIS/Pasep, somados à sazonalidade
positiva no mercado de trabalho, favoreceram a redução do endividamento”.
O
percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnê de loja, financiamento
de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito
consignado, cheque pré-datado e outras dívidas alcançou 64,7% em out/19, o que
representa declínio em relação aos 65,1% observados em set/19. Com relação a
out/18, o percentual subiu, atingindo 60,7%.
Já o
percentual de famílias com dívidas em atraso subiu em out/19, na comparação com
o mês anterior, passando de 24,5% para 24,9% do total. Também houve crescimento
da inadimplência na comparação anual, quando registrou 23,5%. O percentual de
famílias sem condições de pagar suas contas em atraso e que permanecem
inadimplentes apresentou elevação na comparação mensal para 10,1% em out/19,
ante 9,6% do mês anterior. O indicador chegou a 9,9% em out/18.
De acordo
com Marianne Hanson, da CNC, “O aumento dos indicadores de inadimplência
reflete o maior comprometimento de renda das famílias com as dívidas”.
O total de
famílias endividadas apresentou tendências distintas entre as duas faixas de
renda pesquisadas, na comparação mensal. Para as famílias com renda até 10
salários mínimos (<10 SM), o percentual de endividamento atingiu 65,6% em
out/19, abaixo dos 66,2%, observados em set/19, e superior aos 61,7% de out/18.
Para as
famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias
endividadas subiu, entre setembro e out/19, de 60,5% para 61,1% . Em out/18, o
percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era 56,3%.
O
percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso, apresentou
comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, apenas na comparação mensal.
Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,7% em out/19, ante 3,6% em
set/19 e 3,7% em out/18. Para o grupo de renda <10 SM, o percentual de
famílias sem condições de quitar seus débitos passou de 11,3% em set/19 para
11,8% em out/19, e registrou alta de 0,3 p.p. ante out/18.
A
proporção das famílias muito endividadas cresceu entre set/19 e o mês seguinte -
de 13,8% para 14,0% do total. Na comparação anual, houve alta de 1,1 p.p. Já na
comparação entre out/18 e out/19, a parcela mais ou menos endividada caiu de
23,5% para 23%, e a parcela pouco endividada subiu de 24,4% para 27,7%.
Já o número de famílias com contas em atraso
aumentou em out/19, na comparação mensal, passando de 24,5% para 24,9% do
total. Houve alta do percentual de famílias inadimplentes na comparação anual,
quando registrou 23,5%. O percentual de famílias sem condições de pagar suas
contas em atraso e permaneceram inadimplentes cresceu 10,1% em out/19 ante o
mês anterior (9,6%). O indicador chegou a 9,9% em out/18.
Mais uma vez o cartão de crédito continua na
liderança como o principal tipo de dívida das famílias, com 78,9%. É seguido por
carnê de loja (15,5%), financiamento de carro (9,5%), financiamento de casa
(8,7%), crédito pessoal (8,2%), cheque especial (6,5%), crédito consignado (6%),
cheque pré-datado (1,2%) e outras dívidas (2,3%). Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito atingiu 79,1% de endividamento, seguido por
carnê de loja (16,5%), crédito pessoal (7,9%) e financiamento de carro (7,8%).
Já nas famílias com renda >10 SM, o cartão de crédito atingiu 78%, seguido
por financiamento de carro (17,7%) e financiamento de casa (17,4%). Ver gráficos.
Portanto, o endividamento caiu em out/19, após nove
mensais consecutivas de alta, indicando desaceleração da procura por
empréstimos e financiamentos, enquanto na comparação anual, houve elevação.
Apesar da queda do endividamento em relação ao mês anterior, o percentual de
famílias muito endividadas aumentou nas duas bases de comparação, assim como a
parcela média da renda comprometida com o pagamento de empréstimos e
financiamentos. A persistente preferência das famílias pelo endividamento com
cartão de crédito indica desconhecimento das ferramentas de educação financeira.
¹/ Mentor
e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais,
gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais
de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças
pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de
ministrar treinamentos e workshops nessas
áreas. É Master Practitioner em PNL.
Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito.
Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.
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