PRATIQUE ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS
Régis Varão/¹
Os efeitos da crise econômica, o elevado nível de
desemprego, a ausência de educação financeira e maus hábitos financeiros contribuem
para elevar a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras,
conforme indica a pesquisa PEIC, de out/19. O percentual
de famílias endividadas com cartão de crédito, carnês de loja, crédito pessoal,
financiamento de carro, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado
e financiamento de casa, atinge 64,7% em out/19, ante 60,7% observado em out/18. Segundo
a pesquisa, o percentual de famílias com contas em atraso e sem condições de
pagá-las, atingiu 24,9% e 10,1% em out/19, respectivamente.
O endividamento decorre, na maioria das vezes de
hábitos financeiros inadequados, pelo consumismo exagerado, pela falta de
planejamento financeiro, pela ausência de objetivos claros, pela falta de
conhecimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos,
contribuem para a má gestão das finanças pessoais.
As pesquisas mostram que endividados faltam mais ao
trabalho, usam atestados médicos com frequência, vão a médicos e hospitais periodicamente,
se desentendem mais com os colegas de trabalho, discutem costumeiramente com
familiares, perdem facilmente a concentração, a produtividade do trabalho declina,
se divorciam mais que os sem problemas financeiros, buscam muitas vezes o
álcool como consolo e tendem a desenvolver ansiedade, depressão ou ambas.
Atitudes que levam à prosperidade financeira:
1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
Antes de comprar algo não planejado, é necessário
avaliar se temos dinheiro suficiente no banco para liquidar a fatura integral
do cartão de crédito no vencimento ou se aquela nova prestação não vai elevar o
endividamento. Faça orçamento financeiro, relacione receitas e despesas,
inclusive as de pequeno valor. Liste as despesas em tópicos: moradia, educação,
saúde, alimentação, transporte, lazer etc. Ao fazer o orçamento você descobrirá
para onde está indo seu dinheiro.
2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:
Feito o orçamento pessoal, e obtido superávit
(receita > despesa), está na hora de guardar a diferença. O superávit pode
ser transformado em reserva financeira, que ajudará nos imprevistos, na
educação dos filhos, na qualidade de vida presente e na aposentadoria
confortável. Esse compromisso deve envolver todos os membros da família. É a
oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de
planejamento, disciplina e muito trabalho. Bons hábitos financeiros começam na
infância.
3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:
Muitos acreditam que o benefício pago pelo
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria
ou até mesmo igual qualidade de vida quando na ativa. É um período em que se
gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, exames, remédios etc. Se
não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será insuficiente para pagar nossas
despesas. Devemos reservar um percentual do salário todos os meses para uma
reserva financeira visando a aposentadoria. A aprovação da reforma da
previdência pode servir de estímulo para que as pessoas comecem a poupar.
4. NÃO PARCELE COMPRAS:
Muita gente parcela compras e faz financiamentos
diversos, o que pode ser verificado pelo percentual de famílias endividadas com
carnês de lojas (15,5%), financiamento de carro (9,5%), financiamento de casa
(8,7%), crédito pessoal (8,2%), cheque especial (6,5%) e crédito consignado (6%),
segundo a PEIC de out/19. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso?
Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Pequenas parcelas quando somadas se
transformam em grandes valores.
5. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:
As promoções são tentadoras durante todo o ano.
Temos a páscoa, dia das mães, dia das crianças, Black Friday, Natal e outros feriados em que a publicidade pega
muita gente desprevenida. Para esses eventos, o comércio se prepara com antecedência,
e as promoções na maioria das vezes são maquiadas para levar os incautos à
comprar produtos que não precisam.
6. UTILIZE O CARTÃO DE CRÉDITO COM PARCIMÔNIA:
Um dos fatores do endividamento decorre da má
utilização do cartão e do não pagamento da fatura integral. Em out/19 o
endividamento com cartão de crédito chegou a 78,9%. Ao longo dos últimos 3
anos, o Banco Central mudou algumas regras para o pagamento do rotativo. É importante
a obrigatoriedade das instituições financeiras negociarem as dívidas com taxas mais
baixas. O cartão de crédito pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia
e disciplina. Bom exemplo são os programas de milhagens que ajudam a obter
passagens aéreas e outros benefícios.
7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:
Troque as dívidas mais caras
- cartão de crédito e cheque especial - pelas que cobram menores taxas de
juros, por um consignado. Financiamento imobiliário ou de automóvel, por
exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na
redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os
valores das prestações e dos financiamentos e até obter redução de prazos. Também
pode ser utilizada na telefonia, com planos de saúde etc. Ao renegociar as
dívidas cria-se novas e melhores condições de pagamento, mas
fique atento para não aumentar o endividamento.
Pessoas que desenvolvem
bons hábitos financeiros, em geral, sofrem menos estresse, menos ansiedade e
menos depressão. Não compre por impulso, economize no dia a dia, inclusive com
pequenas coisas, faça reserva financeira, evite pagar juros, não parcele
compras e nunca despreze o poder dos pequenos valores.
Portanto, as pessoas que atingem
a prosperidade financeira em geral são disciplinadas, têm objetivos claros, trabalham
com metas realizáveis, fazem planejamento, não compram por impulso, usam o
crédito com parcimônia, estão atentas as mudanças na economia e acompanham a rentabilidade
dos principais ativos financeiros.
¹/ Mentor
e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais,
gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais
de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças
pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de
ministrar treinamentos e workshops
nessas áreas. É Master Practitioner
em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em
direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi
professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central
por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram ravregisvarao.
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