sexta-feira, 8 de novembro de 2019

PRATIQUE ATITUDES FINANCEIRAS SAUDÁVEIS
Régis Varão/¹

Os efeitos da crise econômica, o elevado nível de desemprego, a ausência de educação financeira e maus hábitos financeiros contribuem para elevar a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras, conforme indica a pesquisa PEIC, de out/19. O percentual de famílias endividadas com cartão de crédito, carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado e financiamento de casa, atinge 64,7% em out/19, ante 60,7% observado em out/18. Segundo a pesquisa, o percentual de famílias com contas em atraso e sem condições de pagá-las, atingiu 24,9% e 10,1% em out/19, respectivamente.

O endividamento decorre, na maioria das vezes de hábitos financeiros inadequados, pelo consumismo exagerado, pela falta de planejamento financeiro, pela ausência de objetivos claros, pela falta de conhecimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos, contribuem para a má gestão das finanças pessoais.

As pesquisas mostram que endividados faltam mais ao trabalho, usam atestados médicos com frequência, vão a médicos e hospitais periodicamente, se desentendem mais com os colegas de trabalho, discutem costumeiramente com familiares, perdem facilmente a concentração, a produtividade do trabalho declina, se divorciam mais que os sem problemas financeiros, buscam muitas vezes o álcool como consolo e tendem a desenvolver ansiedade, depressão ou ambas.

Atitudes que levam à prosperidade financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de comprar algo não planejado, é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente no banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito no vencimento ou se aquela nova prestação não vai elevar o endividamento. Faça orçamento financeiro, relacione receitas e despesas, inclusive as de pequeno valor. Liste as despesas em tópicos: moradia, educação, saúde, alimentação, transporte, lazer etc. Ao fazer o orçamento você descobrirá para onde está indo seu dinheiro.

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Feito o orçamento pessoal, e obtido superávit (receita > despesa), está na hora de guardar a diferença. O superávit pode ser transformado em reserva financeira, que ajudará nos imprevistos, na educação dos filhos, na qualidade de vida presente e na aposentadoria confortável. Esse compromisso deve envolver todos os membros da família. É a oportunidade para que os filhos entendam que a liberdade financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Bons hábitos financeiros começam na infância.

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria ou até mesmo igual qualidade de vida quando na ativa. É um período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, exames, remédios etc. Se não nos planejarmos, o valor recebido mensalmente será insuficiente para pagar nossas despesas. Devemos reservar um percentual do salário todos os meses para uma reserva financeira visando a aposentadoria. A aprovação da reforma da previdência pode servir de estímulo para que as pessoas comecem a poupar.

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente parcela compras e faz financiamentos diversos, o que pode ser verificado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas (15,5%), financiamento de carro (9,5%), financiamento de casa (8,7%), crédito pessoal (8,2%), cheque especial (6,5%) e crédito consignado (6%), segundo a PEIC de out/19. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Pequenas parcelas quando somadas se transformam em grandes valores.

5. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa, dia das mães, dia das crianças, Black Friday, Natal e outros feriados em que a publicidade pega muita gente desprevenida. Para esses eventos, o comércio se prepara com antecedência, e as promoções na maioria das vezes são maquiadas para levar os incautos à comprar produtos que não precisam.

6. UTILIZE O CARTÃO DE CRÉDITO COM PARCIMÔNIA:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão e do não pagamento da fatura integral. Em out/19 o endividamento com cartão de crédito chegou a 78,9%. Ao longo dos últimos 3 anos, o Banco Central mudou algumas regras para o pagamento do rotativo. É importante a obrigatoriedade das instituições financeiras negociarem as dívidas com taxas mais baixas. O cartão de crédito pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia e disciplina. Bom exemplo são os programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas e outros benefícios.

7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas mais caras - cartão de crédito e cheque especial - pelas que cobram menores taxas de juros, por um consignado. Financiamento imobiliário ou de automóvel, por exemplo, pode ser negociado quanto a valores e prazos. A portabilidade é um mecanismo que vem dando grandes resultados na redução do endividamento. Você troca o agente financeiro, o que pode baratear os valores das prestações e dos financiamentos e até obter redução de prazos. Também pode ser utilizada na telefonia, com planos de saúde etc. Ao renegociar as dívidas cria-se novas e melhores condições de pagamento, mas fique atento para não aumentar o endividamento.

Pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros, em geral, sofrem menos estresse, menos ansiedade e menos depressão. Não compre por impulso, economize no dia a dia, inclusive com pequenas coisas, faça reserva financeira, evite pagar juros, não parcele compras e nunca despreze o poder dos pequenos valores.

Portanto, as pessoas que atingem a prosperidade financeira em geral são disciplinadas, têm objetivos claros, trabalham com metas realizáveis, fazem planejamento, não compram por impulso, usam o crédito com parcimônia, estão atentas as mudanças na economia e acompanham a rentabilidade dos principais ativos financeiros.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram ravregisvarao.

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