quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

SUAS ESCOLHAS DETERMINAM SEU SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias continua elevado, atingindo 65,1% em nov/19 segundo a PEIC de nov/19. A média mensal do endividamento no período jan-nov/19 ficou em 63,45%. A lenta recuperação da atividade econômica, o alto desemprego, a elevada inadimplência, juros proibitivos, embora a Selic esteja em 4,5% a.a., tudo isso tem contribuído para manter esse quadro desfavorável, o que leva as pessoas a terem cautela na hora de abrir a carteira (ver artigo).

Embora seja mais fácil colocarmos a culpa em fatores como crise econômica, elevado desemprego e altas taxas de juros, devemos considerar o fator preponderante que é a ausência de educação financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descontrole com as finanças pessoais contribuem para manter o endividamento elevado, segundo a PEIC.

Pesquisas mostram que pessoas endividadas vão a hospitais com mais frequência, sofrem mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos reiteradamente, faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com frequência com familiares, perdem a concentração com facilidade, são mais suscetíveis a desenvolverem depressão, têm maior nível de estresse, a produtividade no trabalho cai, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte probabilidade de serem demitidos.

Sugestões que contribuem para uma boa saúde financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira, e utilizar o cartão de crédito ou o talão de cheques avalie se tem dinheiro suficiente na conta bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou para pagar as prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do imóvel etc. Elabore um orçamento, relacione receitas e despesas, inclusive as de pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após as refeições etc. Liste todas as despesas com moradia, educação, saúde etc, e acompanhe o orçamento;

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Prospera quem economiza no dia a dia, quem gasta menos do que ganha. Está na hora de guardar a diferença entre a receita (R) e a despesa (D), mantendo a relação Receita>Despesa. Com o superávit você pode formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo (imprevistos), e uma de longo prazo (aquisição da casa própria e aposentadoria). Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da dificuldade em gerenciá-lo. Bons hábitos financeiros começam na infância;

3. EVITE DÍVIDAS:

Um dos motivos do endividamento é o péssimo hábito de comprar tudo a prazo. Esse hábito impede a pessoa de atingir a prosperidade financeira. O grande beneficiário desse processo de tomada de crédito (os parcelamentos), é o setor financeiro. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Se houver uma resposta negativa não compre. Para ter boa saúde financeira fuja do cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e compre à vista;

4. ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos a páscoa, dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, dia das crianças, Black Friday, Natal etc, com promoções e publicidade cujo alvo é o incauto consumidor. Uma maratona de gastos muitas vezes desnecessários. As campanhas promocionais - shoppings e comércio - ajudam a elevar o endividamento e a inadimplência. Evite essas armadilhas promocionais e mais atenção ao apego sentimental de datas como o Natal;

5. CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Ao longo dos últimos anos, foram estabelecidas novas regras para o pagamento do rotativo e o fim do pagamento de valor mínimo, delegando aos bancos a definição do percentual de pagamento mínimo para cada cliente. Os juros do cartão ultrapassam 300% a.a., enquanto a Selic se encontra em 4,5% a.a. A PEIC mostra que as famílias têm demonstrado preferência pelo endividamento com o cartão de crédito, o que demonstra falta de educação financeira. O cartão de crédito, no entanto, pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia;

6. NEGOCIE SEMPRE:

Tendo dinheiro em espécie você pode negociar descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão, na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder de barganha do consumidor que nesse caso sempre encontrará bons descontos;

7. EVITE OS SUPÉRFLUOS:

Se você deseja ter uma reserva financeira e uma boa aposentadoria, evite os supérfluos, eles podem levá-lo ao endividamento. Examine seu orçamento, suas necessidades, tenha prioridades e veja se aquele produto específico vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então compre, mas sempre negocie preço.

Portanto, as pessoas que têm educação financeira sofrem menos estresse, têm alta produtividade, têm foco, são mais disciplinadas, poupam no dia a dia, não compram por impulso, têm objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, usam o crédito com parcimônia e estão mais atentas ao comportamento dos indicadores macroeconômicos. Esse tipo de pessoa, normalmente têm boa saúde financeira e alcança a prosperidade em menos tempo que as demais.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


INTENÇÃO DE CONSUMO FAMILIAR MELHORA EM NOVEMBRO
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias-ICF apresentou variação positiva de 1,3% em nov/19 ante o mês anterior, na série dessazonalizada. É o quarto desempenho positivo consecutivo do indicador, e reforça a ideia de que a economia está melhorando e os consumidores estão mais confiantes. Por outro lado, desde abr/19, o indicador continua abaixo de 100 pontos e atinge 95,2 pontos em nov/19, próximo ao observado em mai/19 com 95,9 pontos.

O desempenho positivo do ICF em nov/19 deve-se basicamente às variações positivas dos componentes Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo, Renda Atual, Perspectiva Profissional e Emprego Atual. Quanto ao desempenho dos componentes, o destaque nas duas bases de comparação ficou para Momento para Duráveis, Perspectiva de Consumo e Compra a Prazo.

Análise dos componentes:

1. Emprego Atual:

O sentimento quanto a segurança no emprego registrou evolução mensal de 1% e anual de 4,2%. Entre os demais subíndices, foi quem  apresentou o maior valor ao atingir 117,8 pontos, ficando acima de 100 pontos. Em nov/19, o índice sofreu pressão positiva das famílias do Sudeste que registrou alta de 2,7%. O desempenho do mercado de trabalho explica, em parte, a pequena variação positiva do indicador na comparação mensal;

2. Nível de Consumo Atual:

Esse subíndice registrou crescimento de 0,1% em nov/19 ao chegar a 74,1 pontos, sugerindo que as famílias não apresentaram melhora no padrão de compras em relação ao mês anterior, ficando praticamente estável no período out-nov/19. Na comparação anual, esse componente apresentou elevação de 6,7% em nov/19, registrando um dos mais baixos desempenhos entre os sete indicadores, ficando acima apenas de Emprego Atual e Perspectiva Profissional, ambos com 4,2% na variação anual;

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O subíndice Compra a Prazo apresentou estabilidade em nov/19 (0%) em relação ao mês anterior, embora tenha registrado incremento significativo de 12,1% na comparação anual. O indicador atingiu 89,7 pontos em nov/19. Embora a taxa de juros Selic esteja no patamar mais baixo da série histórica (4,5% a.a.), os juros cobrados pelos bancos para o tomador final, continuam altos, o que contribui para aumentar a cautela das pessoas quanto à tomada de crédito;

4. Momento para Duráveis:

Esse componente apresentou as maiores variações positivas nas duas bases de comparação, subindo 4,5% em nov/19 na comparação mensal, mantendo a sequência dos últimos meses, e subindo 18% na anual. As famílias continuam pretendendo comprar eletroeletrônicos e eletrodomésticos. Parte dessa intenção de consumo pode ser atribuída às ofertas do Black Friday, ao ingresso dos recursos do FGTS e às condições de parcelamento oferecidas pelo comércio. Embora o indicador tenha subido na comparação mensal e anual, Momento para Duráveis registra o menor valor entre os componentes do ICF, chegando a 69 pontos em nov/19, patamar em que as famílias apresentam maior nível de insatisfação;

5. Renda Atual:

O crescimento de 1,4% em nov/19, ante o mês anterior, e elevação de 8,5% na comparação anual, desse indicador, foi influenciado em grande parte pela elevação apresentada pelas famílias moradoras do Sudeste (+3,4%). Com relação ao indicador, a maior fatia das famílias (37,3%) considera que os ganhos estão melhores em nov/19, ante 31,6% observado em nov/18, enquanto 25,5% entendem que a remuneração familiar caiu em nov/19, ante 28,8% verificado em nov/18. Já para 36,7%, a percepção foi de estabilidade para o nível de renda em nov/19, ante 39,1% registrado em nov/18;

6. Perspectiva de Consumo:

Esse subíndice registrou decréscimo de 2,3% em nov/19 (97,8 pontos) e subiu 12,4% na comparação anual, o que pode refletir um pressentimento das famílias a respeito da melhora da situação frente a igual período do ano anterior. Entre os quatro componentes abaixo de 100 pontos, Perspectiva de Consumo é o que está mais próximo dos 100 pontos, isto é, mais próximo de atingir a linha da satisfação. Segundo o relatório da CNC, “O presságio das intenções de compras torna-se melhor na medida em que 35,8% das famílias entendem que a perspectiva de aumentar o consumo é maior do que em novembro de 2018, ao passo que 38% das famílias reconhecem que esta perspectiva diminuiu”;

7. Perspectiva Profissional:

Esse subíndice apresentou elevação modesta de 0,5% em nov/19 na comparação mensal e subiu 4,2% na anual, chegando a 106,2 pontos no penúltimo mês deste ano. O comportamento desse indicador pode estar relacionado a melhora das condições econômicas, tendo em vista que, excetuando Compras a Prazo (0%), todos os demais componentes apresentaram crescimento.

Portanto, o ICF ficou comprometido pelo medíocre desempenho da economia no primeiro semestre deste ano, e as intenções de compras apresentaram oscilações com as famílias mais cautelosas e reticentes na hora de colocar a mão no bolso. Por outro lado, nos últimos meses, a economia tem emitido sinais de recuperação, contribuindo favoravelmente para as projeções de crescimento econômico em 2019.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019


SAIA DA ZONA DE CONFORTO E SOBREVIVA ÀS MUDANÇAS
Régis Varão/¹

A zona de conforto é um local em que as pessoas se sentem seguras, realizam sempre determinado tipo de comportamento ou tarefa. No entanto, nos dá uma falsa sensação de segurança, uma vez que ao ocorrer mudanças quem está confortável leva um susto maior, e terá menos condições de sobrevivência do que os demais. A zona de conforto guarda uma relação com a Lei da Inércia do físico Isaac Newton, e pode ser entendida como: um corpo em repouso tende a permanecer em repouso se não é forçado a mudar. Existe uma relação da inércia com a badalada Zona de Conforto, discutida na atualidade em diversas áreas do conhecimento como gestão e desenvolvimento de pessoas, coaching etc.

Aspectos que podem contribuir para modificar ou sair da zona de conforto:

1. Defina objetivos: se você não sabe para onde ir, qualquer caminho que tomar serve, pois quem não sabe onde quer chegar acaba indo para qualquer lugar. Em finanças pessoais, uma pessoa que busca liberdade financeira necessita de definir objetivos, metas, prazos etc. É praticamente impossível atingir a independência ou liberdade financeira se não tiver clareza do que se pretende em termos de definição de objetivos, isto é, valores, prazos etc;

2. Faça planejamento: elabore de forma consciente e ordenada ações para atingir o objetivo definido. Um exemplo clássico: eu quero ter R$ 1 milhão em um fundo de investimentos, no Banco RAV, no dia 30 de julho de 2020. Quais os passos você precisa dar para chegar lá, para ter esse volume de R$ em conta? Quanto terá que economizar mensalmente? Vai precisar da ajuda de um Mentor ou Coach financeiro? Vai ter que postergar coisas que o afastam da meta definida? Terá que ser assertivo para atingir o objetivo desejado, ter R$ 1 milhão depositado no Banco RAV;

3. Tenha disciplina: o foco deve estar presente 24 horas por dia, se ocorrer algum problema fora de seu controle - externo a sua vontade - e que possa modificar o planejado, reavalie o quanto antes o objetivo. A estratégia pode mudar conforme sua reavaliação, mas a disciplina deve estar sempre presente. Assim como os técnicos utilizam treinamentos diferentes para obter o máximo desempenho do atleta, você deve dominar as melhores estratégias para atingir o objetivo desejado. Grande parte do sucesso não está apenas no planejamento bem elaborado, mas na maneira como você cumprirá as etapas;

4. Determine a mudança: você tem o poder de determinar os rumos de sua vida pessoal, profissional, financeira, social etc. Você é o principal agente de mudança, a motivação está dentro de você, ninguém pode tirá-la sem sua autorização. Segundo Tony Robbins, “as nossas crenças são como ordens não questionadas, dizendo-nos como as coisas são, o que é possível e impossível, o que podemos e o que não podemos fazer, assim, dão forma as nossas ações, pensamentos e sentimentos. Alterar nosso sistema de crenças é fundamental para qualquer mudança real e duradoura em nossa vida”. Segundo Charles Duhigg, “você não pode eliminar um velho hábito, só pode mudá-lo”.

Portanto, para atingir a liberdade financeira, estabeleça objetivos claros, bem definidos e realizáveis, faça planejamento (orçamento financeiro), tenha disciplina, nunca desista e mude os velhos hábitos.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS SOBE EM NOVEMBRO DE 2019
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias atingiu 65,1% em nov/19, aumentando em ambas as bases de comparação, mensal e anual, quando chegou a 64,7% em out/19 e 60,3% em nov/18. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou retração no período out-nov/ 19, chegando a 24,7% no fim do período. Já o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também subiu nas duas bases de comparação, atingindo 10,2% em nov/19, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, “O endividamento não é necessariamente negativo, se não for acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência. A dívida com responsabilidade e compatível com a renda possibilita a aquisição de bens importantes para as famílias, sejam eles bens duráveis ou até mesmo imóveis”.

O percentual de famílias com dívidas entre cartão de crédito, carnê de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado e cheque pré-datado alcançou 65,1% em nov/19, o que representa incremento em relação aos 64,7% de out/19 e aos 60,3% de nov/18.

De acordo com Marianne Hansen, da CNC, “A redução das taxas de juros do crédito, associada à melhora no emprego formal, proporciona condições para a continuidade da tendência de aumento do crédito e do endividamento das famílias.

O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu em nov/19, ante out/19, passando de 24,9% para 24,7% do total. No entanto, houve crescimento do percentual de famílias inadimplentes em relação a nov/18, quando registrou 22,9%. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que permaneceriam inadimplentes aumentou na comparação mensal para 10,2% em nov/19, ante 10,1% em outubro, enquanto o indicador alcançou 9,5% em nov/18.

O número de famílias endividadas apresentou mesma tendência entre as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas alcançou 65,9% em nov/19, superior aos 65,6% registrados em out/19, e superior aos 61,5% de nov/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu, no período out-nov/19, de 61,1% para 61,6%. Em nov/18, o percentual de famílias com dívidas nessa faixa de renda era 55,4%.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou igual tendência entre os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso caiu de 27,8% em out/19 para 27,7% em nov/19. Em nov/18, 25,9% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11,6% em nov/19, abaixo dos 12% de out/19, e acima dos 10,1% de nov/18.

Ainda segundo Marianne Hansen, “O recuo do percentual das famílias com contas em atraso reflete, além da redução do custo do crédito, a sazonalidade favorável do período em relação ao emprego e à renda. Já o aumento dos indicadores de inadimplência na comparação com o ano anterior reflete o maior comprometimento de renda das famílias com as dívidas e a piora da percepção em relação ao endividamento”.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,6% em nov/19, ante 3,7% em out/19 e 3,6% em nov/18. Para o grupo de renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,8% em out/19 para 12,1% no mês seguinte. Ante nov/18, houve alta de 1,1 p.p.

O percentual de famílias muito endividadas cresceu entre out/19 e nov/19, de 14% para 14,4%. Na comparação anual, houve elevação de 1,6 p.p. Na comparação entre nov/18 e nov/19, o percentual de famílias que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 23,2% para 22,9%, e as famílias pouco endividadas subiu de 24,3% para 27,8% do total de famílias.

Com relação as famílias com dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,4 dias em nov/19, abaixo dos 64,6 dias observados em nov/18. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as endividadas foi de 7 meses, sendo que 24,9% delas estão comprometidas com dívidas até 3 meses; e 31,7%, acima de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu, na comparação anual, de 29,4%, em nov/18, para 29,9%, em nov/19, e 21% delas afirmaram que mais da metade da renda mensal está comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida das famílias, com 78,8%, seguido por carnê de loja (15,7%), financiamento de carro (9,2%), financiamento de casa (8,5%), crédito pessoal (8,3%), cheque especial (6,7%), crédito consignado (5,6%), cheque pré-datado (1,2%) e outras dívidas (2,4%). Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8% de endividamento, seguido por carnê de loja (16,5%), crédito pessoal (8,1%) e financiamento de carro (7,4%). Já nas famílias com renda >10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8%, seguido por financiamento de carro (17,7%), financiamento de casa (16,8%) e carnê de loja com 11,5%.

Portanto, o endividamento subiu em nov/19, demonstrando que o indicador continua pressionado. O percentual de famílias com dívidas em atraso declinou na comparação mensal, mas subiu na comparação anual. Já o total de famílias sem condições de pagar as contas em atraso cresceu em ambas as bases de comparação. A preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito continua elevado, indicando a falta de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.