sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS SOBE EM NOVEMBRO DE 2019
Régis Varão/¹

O endividamento das famílias atingiu 65,1% em nov/19, aumentando em ambas as bases de comparação, mensal e anual, quando chegou a 64,7% em out/19 e 60,3% em nov/18. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso apresentou retração no período out-nov/ 19, chegando a 24,7% no fim do período. Já o percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso também subiu nas duas bases de comparação, atingindo 10,2% em nov/19, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC.

Segundo José Roberto Tadros, da CNC, “O endividamento não é necessariamente negativo, se não for acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência. A dívida com responsabilidade e compatível com a renda possibilita a aquisição de bens importantes para as famílias, sejam eles bens duráveis ou até mesmo imóveis”.

O percentual de famílias com dívidas entre cartão de crédito, carnê de loja, financiamento de carro, financiamento de casa, crédito pessoal, cheque especial, crédito consignado e cheque pré-datado alcançou 65,1% em nov/19, o que representa incremento em relação aos 64,7% de out/19 e aos 60,3% de nov/18.

De acordo com Marianne Hansen, da CNC, “A redução das taxas de juros do crédito, associada à melhora no emprego formal, proporciona condições para a continuidade da tendência de aumento do crédito e do endividamento das famílias.

O percentual de famílias com dívidas em atraso caiu em nov/19, ante out/19, passando de 24,9% para 24,7% do total. No entanto, houve crescimento do percentual de famílias inadimplentes em relação a nov/18, quando registrou 22,9%. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que permaneceriam inadimplentes aumentou na comparação mensal para 10,2% em nov/19, ante 10,1% em outubro, enquanto o indicador alcançou 9,5% em nov/18.

O número de famílias endividadas apresentou mesma tendência entre as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias com renda até 10 salários mínimos (<10 SM), o percentual de famílias com dívidas alcançou 65,9% em nov/19, superior aos 65,6% registrados em out/19, e superior aos 61,5% de nov/18. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas subiu, no período out-nov/19, de 61,1% para 61,6%. Em nov/18, o percentual de famílias com dívidas nessa faixa de renda era 55,4%.

O percentual de famílias com contas em atraso apresentou igual tendência entre os grupos de renda pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com dívidas em atraso caiu de 27,8% em out/19 para 27,7% em nov/19. Em nov/18, 25,9% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. No grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes alcançou 11,6% em nov/19, abaixo dos 12% de out/19, e acima dos 10,1% de nov/18.

Ainda segundo Marianne Hansen, “O recuo do percentual das famílias com contas em atraso reflete, além da redução do custo do crédito, a sazonalidade favorável do período em relação ao emprego e à renda. Já o aumento dos indicadores de inadimplência na comparação com o ano anterior reflete o maior comprometimento de renda das famílias com as dívidas e a piora da percepção em relação ao endividamento”.

O resultado por faixa de renda do percentual de famílias sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento distinto entre os grupos pesquisados. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 3,6% em nov/19, ante 3,7% em out/19 e 3,6% em nov/18. Para o grupo de renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos subiu de 11,8% em out/19 para 12,1% no mês seguinte. Ante nov/18, houve alta de 1,1 p.p.

O percentual de famílias muito endividadas cresceu entre out/19 e nov/19, de 14% para 14,4%. Na comparação anual, houve elevação de 1,6 p.p. Na comparação entre nov/18 e nov/19, o percentual de famílias que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 23,2% para 22,9%, e as famílias pouco endividadas subiu de 24,3% para 27,8% do total de famílias.

Com relação as famílias com dívidas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,4 dias em nov/19, abaixo dos 64,6 dias observados em nov/18. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as endividadas foi de 7 meses, sendo que 24,9% delas estão comprometidas com dívidas até 3 meses; e 31,7%, acima de um ano. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu, na comparação anual, de 29,4%, em nov/18, para 29,9%, em nov/19, e 21% delas afirmaram que mais da metade da renda mensal está comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito continua na liderança como o principal tipo de dívida das famílias, com 78,8%, seguido por carnê de loja (15,7%), financiamento de carro (9,2%), financiamento de casa (8,5%), crédito pessoal (8,3%), cheque especial (6,7%), crédito consignado (5,6%), cheque pré-datado (1,2%) e outras dívidas (2,4%). Nas famílias com renda <10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8% de endividamento, seguido por carnê de loja (16,5%), crédito pessoal (8,1%) e financiamento de carro (7,4%). Já nas famílias com renda >10 SM, o cartão de crédito atingiu 78,8%, seguido por financiamento de carro (17,7%), financiamento de casa (16,8%) e carnê de loja com 11,5%.

Portanto, o endividamento subiu em nov/19, demonstrando que o indicador continua pressionado. O percentual de famílias com dívidas em atraso declinou na comparação mensal, mas subiu na comparação anual. Já o total de famílias sem condições de pagar as contas em atraso cresceu em ambas as bases de comparação. A preferência das famílias pelo endividamento com cartão de crédito continua elevado, indicando a falta de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira, educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.

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