SUAS ESCOLHAS DETERMINAM SEU SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹
O endividamento das famílias continua elevado,
atingindo 65,1% em nov/19 segundo a PEIC de nov/19. A média mensal
do endividamento no período jan-nov/19 ficou em 63,45%. A lenta recuperação da
atividade econômica, o alto desemprego, a elevada inadimplência, juros
proibitivos, embora a Selic esteja em 4,5% a.a., tudo isso tem contribuído para
manter esse quadro desfavorável, o que leva as pessoas a terem cautela na hora
de abrir a carteira (ver artigo).
Embora seja mais fácil colocarmos a culpa em
fatores como crise econômica, elevado desemprego e altas taxas de juros,
devemos considerar o fator preponderante que é a ausência de educação
financeira, que aliada a maus hábitos de consumo e ao descontrole com as
finanças pessoais contribuem para manter o endividamento elevado, segundo a PEIC.
Pesquisas mostram que pessoas endividadas vão a hospitais
com mais frequência, sofrem mais acidentes de trabalho, usam atestados médicos reiteradamente,
faltam mais ao trabalho, se desentendem mais com colegas de trabalho, discutem com
frequência com familiares, perdem a concentração com facilidade, são mais suscetíveis
a desenvolverem depressão, têm maior nível de estresse, a produtividade no
trabalho cai, se separam mais que os financeiramente estáveis e tem forte
probabilidade de serem demitidos.
Sugestões que contribuem para uma boa saúde
financeira:
1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:
Antes de abrir a carteira, e utilizar o cartão de
crédito ou o talão de cheques avalie se tem dinheiro suficiente na conta
bancária para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou para pagar as
prestações do carro, a mensalidade do colégio dos filhos ou o financiamento do
imóvel etc. Elabore um orçamento, relacione receitas e despesas, inclusive as
de pequenos valores, como o lanche da tarde, a sobremesa após as refeições etc.
Liste todas as despesas com moradia, educação, saúde etc, e acompanhe o
orçamento;
2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:
Prospera quem economiza no dia a dia, quem gasta
menos do que ganha. Está na hora de guardar a diferença entre a receita (R) e a
despesa (D), mantendo a relação Receita>Despesa. Com o superávit você pode
formar dois tipos de reserva financeira: a de curto prazo (imprevistos), e uma de
longo prazo (aquisição da casa própria e aposentadoria). Oriente seus filhos a respeito da importância do dinheiro e da
dificuldade em gerenciá-lo. Bons hábitos financeiros começam na infância;
3. EVITE DÍVIDAS:
Um dos motivos do endividamento é o péssimo hábito
de comprar tudo a prazo. Esse hábito impede a pessoa de atingir a prosperidade financeira.
O grande beneficiário desse processo de tomada de crédito (os parcelamentos), é
o setor financeiro. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser
agora? Se houver uma resposta negativa não compre. Para ter boa
saúde financeira fuja do cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas e compre
à vista;
4. ARMADILHAS DO COMÉRCIO:
As promoções e a publicidade são tentadoras durante
todo o ano. Temos a páscoa, dia das mães, dia dos namorados, dia dos pais, dia
das crianças, Black Friday, Natal etc,
com promoções e publicidade cujo alvo é o incauto consumidor. Uma maratona de
gastos muitas vezes desnecessários. As campanhas promocionais - shoppings e
comércio - ajudam a elevar o endividamento e a inadimplência. Evite essas armadilhas
promocionais e mais atenção ao apego sentimental de datas como o Natal;
5. CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO:
Um dos fatores do endividamento decorre da má
utilização do cartão de crédito e do não pagamento da fatura integral. Ao longo
dos últimos anos, foram estabelecidas novas regras para o pagamento do rotativo
e o fim do pagamento de valor mínimo, delegando aos bancos a definição do percentual
de pagamento mínimo para cada cliente. Os juros do cartão ultrapassam 300%
a.a., enquanto a Selic se encontra em 4,5% a.a. A PEIC mostra que
as famílias têm demonstrado preferência pelo endividamento com o cartão de
crédito, o que demonstra falta de educação financeira. O cartão de crédito, no
entanto, pode ser um aliado quando utilizado com parcimônia;
6. NEGOCIE SEMPRE:
Tendo dinheiro em espécie
você pode negociar descontos e não se preocupe, ele virá, pois dinheiro na mão,
na atual conjuntura, sem descuidar-se de uma pesquisa de preços, eleva o poder
de barganha do consumidor que nesse caso sempre encontrará bons descontos;
7.
EVITE OS SUPÉRFLUOS:
Se você deseja ter uma reserva financeira e uma boa aposentadoria,
evite os supérfluos, eles podem levá-lo ao endividamento. Examine seu
orçamento, suas necessidades, tenha prioridades e veja se aquele produto
específico vai agregar qualidade de vida a você e a sua família. Se você tem
disponibilidade financeira para bancar um gasto extra não planejado, então
compre, mas sempre negocie preço.
Portanto, as pessoas que têm
educação financeira sofrem menos estresse, têm alta produtividade, têm foco,
são mais disciplinadas, poupam no dia a dia, não compram por impulso, têm
objetivos claros e bem definidos, trabalham com metas realizáveis, usam o
crédito com parcimônia e estão mais atentas ao comportamento dos indicadores
macroeconômicos. Esse tipo de pessoa, normalmente têm boa saúde financeira e alcança
a prosperidade em menos tempo que as demais.
¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em
educação financeira, finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas.
Educador e planejador financeiro há mais de 25 anos. É palestrante de temas
ligados à educação financeira, finanças pessoais, inteligência financeira,
educação corporativa e liderança, além de ministrar treinamentos e workshops nessas áreas. É Master Practitioner em PNL. Economista
com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se
dedicado ao estudo do dinheiro nas últimas três décadas. Foi professor
universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36
anos. Visite o site www.ravecofinancas.com e o instagram @ravregisvarao.
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