terça-feira, 17 de maio de 2016

NOVO GOVERNO NÃO MELHORA O PESSIMISMO DO MERCADO
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada ontem pelo Banco Central (BCB) revisa grande parte das projeções do mercado para 2016, exceto IPCA, câmbio, juros e preços administrados. Para o próximo ano foram mantidos inalterados seis indicadores. A pesquisa tem periodicidade semanal, é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e contempla 15 indicadores. Esta análise aborda oito variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 13.5.16 mantém inalterada em 7% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,08% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa realizada em 15.5.15 reduz a projeção do índice para 5,50%. Para 2017, o Focus divulgado ontem reduz a estimativa do IPCA para 5,50%, ante 5,93% registrado há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado desta semana eleva a projeção do índice para 7,10% este ano, de 7,03% observado na semana anterior, e 7,22% há um mês, enquanto o relatório de 15.5.15 mantém inalterada em 5,50% a estimativa do índice para 2016. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada esta semana eleva a expectativa do IGP-DI para 5,60%, ante 5,50% divulgada há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório divulgado ontem mantém a estimativa do câmbio em R$/U$3,70, ante R$/U$3,80 divulgada há um mês. Ainda com relação a 2016, o Focus de 15.5.15 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,30. Para 2017, o Focus de 13.5.16 mantém a expectativa do câmbio em R$/U$3,90, de R$/U$4,00 observado há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado grande volatilidade nas últimas semanas, devido, basicamente à atual conjuntura político-econômica;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 13.5.16 mantém os juros, final de 2016, em 13% a.a., ante 13,38% a.a. observado no Focus divulgado há um mês, enquanto a pesquisa de 15.5.15 eleva a projeção dos juros para 11,75% a.a. para este ano. O relatório Focus divulgado ontem reduz a projeção dos juros para 11,50% a.a. para o final de 2017, ante 12,25% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa Focus desta semana corrige para baixo a expectativa de crescimento do PIB para 2016 (-3,88%), frente ao declínio de 3,80% do relatório divulgado há trinta dias. Já o Focus de 15.5.15 mantém estável em +1% a expectativa de crescimento do PIB para este ano. Quanto a 2017, a pesquisa de 13.5.16 mantém em +0,50% a projeção de crescimento do PIB, ante +0,20% observado há um mês. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para este ano e 2017, embora continue fazendo pequenas correções altistas nas projeções para o próximo ano;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado ontem continua apostando em forte declínio da atividade industrial para 2016 (-5,85%), ante queda de 5,80% estimada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 15.5.15 mantém variação positiva de 1,50% para 2016. Para 2017, a pesquisa de 13.5.16 mantém estável o crescimento da atividade industrial em +0,74%, embora tenha registrado +0,69% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 13.5.16 eleva a projeção do superávit comercial para U$48 bilhões em 2016, ante U$45,51 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 15.5.15 mantém a estimativa do superávit comercial em U$9,45 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus divulgado ontem mantém em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, mesmo valor observado nas últimas seis semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 13.5.16 corrige para cima a estimativa do IDP, U$58,50 bilhões para o final de 2016, ante U$55 bi há trinta dias, enquanto o relatório de igual período de 2015 mantém em U$64 bilhões a projeção para 2016. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada esta semana mantém a estimativa do IDP em U$60 bi, de U$55 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, nos últimos dias, o País apresentou pequena melhora nas expectativas do mercado, tendo em vista a possibilidade de confirmação pelo Senado Federal do impeachment da presidente Dilma. O mercado aguarda a indicação da futura equipe econômica, para poder iniciar o processo de enfrentamento da crise e trazer tranquilidade ao Brasil.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 8 de maio de 2016

PARA SEMPRE
Régis Varão/¹

No segundo domingo de maio se comemora e homenageia a mãe e a maternidade, logo, não poderia deixar passar em branco essa data que é muito importante em nossa vida. Para essa homenagem, escolhi um poema do grande poeta Carlos Drummond de Andrade que retratar essa magnífica criação divina:

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Portanto, desejo um FELIZ DIA DAS MÃES a todas essas magníficas mulheres que se dedicam integral e incansavelmente ao belíssimo ofício da maternidade. Desejo a todas as mães que tenham um dia com alegria, amor, paz e muita saúde, e que o bom e generoso Deus acompanhe, ilumine e oriente vocês nessa vitoriosa jornada.


¹/ Coach Financeiro, Educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Para mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 3 de maio de 2016

JÁ TEMOS 11 MILHÕES DE DESEMPREGADOS NO BRASIL!
Régis Varão/¹

O País está parado aguardando o desenlace do processo que tramita no Senado Federal, e que poderá tirar a presidente Dilma da cadeira mais cobiçada do Brasil. Enquanto isso, milhões de famílias estão desocupadas, o desemprego bate recordes mês após mês. Os juros são os mais elevados do mundo, a atividade econômica despenca a cada divulgação do Focus-Relatório de Mercado, do Banco Central (BCB), o endividamento e a inadimplência das famílias estão elevadíssimos e continuam a subir, e quanto ao futuro ninguém arrisca a fazer previsões.

A Pnad Contínua, divulgada pelo IBGE, apresenta os indicadores de desemprego para o País, que são calculados para trimestres móveis, utilizando-se as informações dos últimos três meses consecutivos da pesquisa.

A taxa de desocupação no trimestre finalizado em mar/16 foi estimada em 10,9%, 1,9 p.p. acima da taxa do trimestre encerrado em dez/15 com 9%, e 3 p.p. acima do trimestre jan-mar/15 (7,9%). A população desocupada atinge o contingente de 11,1 milhões de pessoas, no trimestre móvel encerrado em mar/16, cerca de 22% a mais, 2 milhões de pessoas, que o total observado no período out-dez/15. Na comparação com o período jan-mar/15 temos elevação de 3,2 milhões no total de desocupados, aproximadamente a população do Uruguai com 3,4 milhões.

Com o trimestre encerrado em mar/16 atingimos a mais elevada taxa de desemprego de toda a série histórica (10,9%), ficando 0,7 p.p. acima da observada no trimestre encerrado em fev/16 (10,2%), inaugurando um novo patamar de taxa. Até então, a mais elevada taxa da série tinha ficado em 9%, respectivamente nos trimestres encerrados em out/15, nov/15 e dez/15.

Quanto à população ocupada, que totaliza 90,6 milhões, apresentou declínio de 1,7%, quando comparada com o trimestre out-dez/15. Em comparação com igual trimestre de 2015 foi registrada redução de 1,5%, o que representa 1,4 milhão de pessoas a menos.

Já com relação ao total de empregados com carteira assinada, em um total de 34,6 milhões, apresentou decréscimo em ambos os períodos de análise. Frente ao período out-dez/15, a redução foi de -2,2%. Na comparação com mesmo trimestre de 2015, a redução foi de 4,0%, cerca de 1,4 milhão de pessoas a menos.

Com relação ao rendimento médio real recebido em todos os trabalhos, R$ 1.966,00, ficou estável frente ao trimestre out-dez/15, R$ 1.961,00, e mostrou queda de 3,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior com R$ 2.031,00. A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos, R$ 173,5 bilhões, ficou estável em relação ao período out-dez/15 e apresentou declínio de 4,1% frente ao mesmo período de 2015.

A categoria das pessoas que trabalharam por conta própria registrou aumento de 1,2% em relação ao trimestre de out-dez/15, e apresenta incremento de 274 mil pessoas. Na comparação com o período jan-mar/15, constatou-se aumento de 6,5%, o que representou acréscimo de 1,4 milhão de pessoas. A participação dos empregadores apresentou uma redução de 5,8% em relação ao trimestre out-dez/15 e, em relação ao trimestre jan-mar/15, a redução foi de 8,6%.

Com relação ao trimestre jan-mar/15, houve aumento nos segmentos de transporte, armazenagem e correio, 4,3% (+184 mil pessoas); serviços domésticos, 4,3% (+258 mil pessoas); alojamento e alimentação, 4,0% (+173 mil pessoas); e administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, 2,4% (+358 mil pessoas). Nos grupamentos da indústria geral e da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, verificou-se queda de 11,5% (-1,5 milhão de pessoas) e de 6,3% (-656 mil pessoas), respectivamente. Nos demais segmentos ocorreram estabilidade.

Na comparação com o trimestre out-dez/15, apenas os trabalhadores domésticos apresentaram aumento no rendimento médio (+2,3%) e as demais categorias não tiveram variação significativa em seus rendimentos. Em relação ao trimestre jan-mar/15, no segmento dos trabalhadores por conta própria verificou-se declínio de 3,9% no rendimento médio. As demais categorias apresentaram estabilidade em seus rendimentos.

Em relação ao período out-dez/15, ocorreu retração de 4% nos segmentos agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura e incremento de 2,3% nos serviços domésticos. Nos demais segmentos não houve variação.

Portanto, enquanto se discute a formação de um novo ministério, em um aparente novo governo, o País está parado à espera de decisões que virão do Senado Federal. Estamos perdendo por ano, de postos de trabalho, o equivalente à população do Uruguai.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

MERCADO REVISA ESTIMATIVAS PARA BAIXO
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) revisa praticamente todas as projeções do mercado para 2016, exceto para juros, conta corrente e balança comercial. Para o próximo ano foram mantidas inalteradas apenas três variáveis. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, contemplando um total de 15 indicadores. No entanto, esta análise aborda oito variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório Focus de 29.4.16 reduz para 6,94% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,28% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 30.4.15 continua mantendo inalterada a projeção do índice em 5,60%. Para 2017, o Focus divulgado hoje também reduz a estimativa do índice para 5,72%, ante 6% registrado há trinta dias. O mercado vem reduzindo as projeções do IPCA ao longo das últimas semanas para este ano e o próximo, mas ainda estão distantes da meta de inflação estabelecida pela Autoridade Monetária;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Relatório de Mercado de 29.4.16 reduz a projeção do índice para 7,12% em 2016, ante 7,41% observada há um mês, enquanto o relatório de 30.4.15 continua mantendo inalterada a estimativa do índice para este ano, em 5,50%. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje eleva a expectativa do IGP-DI para 5,60% (praticamente igual à da semana anterior), ante 5,50% divulgada há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório de mercado desta semana reduz a estimativa do câmbio, final de 2016, para R$/U$3,72, de R$/U$4,00 divulgada há quatro semanas. Ainda com relação a este ano, o Focus de 30.4.15 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,30. Para 2017, o Focus de 29.4.16 reduz a expectativa da taxa de câmbio para R$/U$3,91, de R$/U$4,10 da pesquisa há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas semanas, estimulada pelo andamento do processo de impeachment da presidente da república;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 29.4.16 mantém os juros, final de 2016, em 13,25% a.a., ante 13,75% a.a. observado no Focus divulgado há um mês, enquanto a pesquisa de 30.4.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para este ano. O relatório Focus divulgado hoje reduz a projeção dos juros para 11,75% a.a. para o final de 2017, ante 12,50% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a última pesquisa Focus corrige para baixo a expectativa de crescimento do PIB em 2016, para -3,89%, pela décima quinta semana consecutiva, frente ao declínio de 3,73% do relatório publicado há trinta dias. Já o Focus de 30.4.15 mantém estável em +1% a projeção de crescimento do PIB para 2016. Com relação a 2017, a pesquisa de 29.4.16 eleva a expectativa de crescimento do PIB para +0,40%, frente ao incremento de 0,30% observado há um mês. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB este ano, embora venha fazendo pequenas correções altistas em suas projeções para 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado hoje corrige para baixo o decréscimo da atividade industrial para 2016, -5,83%, ante queda de 5,80% estimada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 30.4.15 mantém variação positiva de 1,50% para este ano. Em 12 meses as expectativas do mercado passaram de +1,50% para -5,83% no final de 2016. Para 2017, a pesquisa de 29.4.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +0,50%, ante +0,69% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório de 29.4.16 mantém a projeção do superávit comercial em U$48 bilhões para 2016, ante U$44,80 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 30.4.15 mantém a estimativa do superávit comercial em U$9,95 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus divulgado hoje mantém em U$50 bilhões a estimativa do superávit comercial, mesmo valor observado há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 29.4.16 corrige para cima a estimativa do IDP (U$58 bilhões), para o final de 2016, enquanto o relatório de 30.4.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para este ano. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém a estimativa do IDP em U$60 bi, de U$54 bilhões observados há trinta dias.

O País está atravessando uma crise sem precedentes em sua história, o que tem contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos, que estão paralisados aguardando os desdobramentos do processo de impeachment da presidente Dilma.

Portanto, quanto mais o tempo passa mais se agrava a crise, e mais difícil fica a recuperação da economia. Faltam verdadeiros líderes no País, homens com espírito público, que ponham os interesses do Brasil e de seu povo em primeiro lugar.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

PESSIMISMO TOMOU CONTA DO BRASIL
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada esta semana pelo Banco Central (BCB) mantém inalteradas em 80% as projeções realizadas pelo mercado para 2016 e 2017. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, contemplando 15 indicadores, mas são discutidas oito indicadores nesta análise:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.4.16 reduz para 6,98% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,31% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 24.4.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,60%. Para 2017, o Focus de 22.4.16 reduz a expectativa do índice para 5,80%, ante 6% registrado há trinta dias. O mercado ao longo das últimas semanas vem reduzindo as projeções do IPCA para este ano, mas ainda distantes da meta de inflação estabelecida pelo BCB;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus divulgado nessa semana reduz a projeção do índice para 7,19% em 2016, ante 7,43% observada há um mês, enquanto o relatório de 24.4.15 mantém estável em 5,50% a estimativa para 2016. Para 2017, a pesquisa desta semana eleva a expectativa do IGP-DI para 5,59%, ante 5,50% divulgada há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana mantém a estimativa da taxa de câmbio, final de 2016, em R$/U$3,80, de R$/U$4,15 divulgada há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, o Focus de 24.4.15 mantém o câmbio em R$/U$3,30 para aquele ano. Para 2017, o Focus de 22.4.16 mantém a taxa de câmbio em R$/U$4,00, de R$/U$4,20 observada na pesquisa divulgada há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas semanas devido à possibilidade de saída da atual presidente;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 22.4.16 reduz os juros, final de 2016, para 13,25% a.a., ante 14,25% a.a. observado no Focus divulgado há um mês, enquanto a pesquisa de 24.4.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O relatório Focus divulgado no início da semana reduz a projeção dos juros para 12% a.a. para o final de 2017, ante 12,50% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a última pesquisa divulgada esta semana corrige para baixo a expectativa de crescimento do PIB em 2016, para -3,88%, pela décima quarta semana consecutiva de queda, frente ao declínio de 3,66% do relatório divulgado há trinta dias. O Focus de 24.4.15 mantém estável em +1% a projeção de crescimento do PIB para este ano. Com relação a 2017, a pesquisa de 22.4.16 eleva a expectativa de crescimento do PIB para +0,30%, frente ao incremento de 0,35% observado há um mês. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para este ano e 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado no início da semana mantém inalterado o decréscimo da atividade industrial para 2016, -5,80%, ante queda de 4,40% estimada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 24.4.15 mantém crescimento em +1,50% naquele para 2016. Em 12 meses uma mudança radical, as expectativas do mercado passaram de +1,50% o desempenho da indústria, para -5,80% em 2016. Para 2017, a pesquisa de 22.4.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +0,54% no próximo ano, ante +0,85% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório de 22.4.16 eleva a projeção do superávit comercial para U$48 bilhões para o final de 2016, ante U$43,53 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 24.4.15 mantém a estimativa do superávit comercial em U$9,95 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$50 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$47,50 bi verificados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.4.16 mantém praticamente estável a estimativa do IDP em U$55,10 bilhões, para o final de 2016, enquanto o relatório de 24.4.15 eleva para U$60 bilhões a projeção para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana eleva a estimativa do IDP para U$60 bi, de U$55,25 bilhões observados há trinta dias.

O País atravessa um momento bastante difícil com uma crise econômica e política cada vez mais intensa. O País está paralisado, o pessimismo está em alta, todos os brasileiros estão aguardando uma decisão do Senado Federal a respeito do impeachment da presidente Dilma. Enquanto isso, um possível novo governo já se prepara para assumir o comando.

Portanto, o Brasil espera uma solução rápida para esse desfecho, e quanto mais demora mais se agrava o quadro econômico. Falta magnanimidade aos homens públicos brasileiros. Finalizo com uma frase de John F. Kennedy: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

CUIDE DE SUAS FINANÇAS PESSOAIS ENQUANTO HÁ TEMPO
Régis Varão/¹

A maioria das pessoas cultiva hábitos pouco saudáveis quanto à administração de suas finanças pessoais, e muitas vezes tais hábitos podem ser a causa do endividamento. A atual crise econômica do País tem reflexos negativos no desemprego e na inadimplência, contribui para levar descrença aos trabalhadores de diferentes áreas da economia nacional e na sociedade em geral.

Se no final do ano você não fez planejamento financeiro, o início de ano é o momento adequado para repensar suas finanças. Despesas de impostos, matrícula, material escolar e outras de início de ano, devem ser repensadas no último bimestre do ano anterior (p.e. nov-dez/15), ajudando a evitar o endividamento.

No entanto, se você até o momento não fez ou pensou seu orçamento pessoal/familiar, está na hora de começa-lo, pois o que importa é criar o hábito do planejamento financeiro, é tentar mudar atitudes e crenças frente ao dinheiro. Grande parte dos endividados não conhecem ou não tem controles a respeito de suas dívidas, lhes falta autoconhecimento e objetivos claros, o que resulta em hábitos pouco saudáveis dificultando os controles na hora de gastar.

HÁBITOS SAUDÁVEIS PARA BOA SAÚDE FINANCEIRA:

1. FAÇA PLANEJAMENTO

É importante antes de passar o cartão de crédito ou assinar o cheque avaliar se você precisa daquele bem ou serviço, se dispõe de dinheiro para comprá-lo, ou melhor, se tem que ser agora. Parece lógico, mas é necessário fazer um estudo a respeito dessas necessidades, e separar dinheiro para o aluguel ou prestação da casa própria, alimentação, plano de saúde, educação dos filhos, prestação e manutenção do carro, combustível, lazer etc. Crie o hábito de examinar suas despesas periodicamente, quanto recebe e faça uma reserva financeira. Na realidade, antes de pagar as despesas reserve uma quantia ou percentual da renda para essa reserva, isso é conhecido em finanças pessoais como “Pague-se primeiro;”

2. RESERVE UMA QUANTIA PARA APOSENTADORIA

A maioria das pessoas acredita que a aposentadoria dada pelo benefício da Previdência Social, hoje em R$5.189,82, será suficiente para manter uma condição financeira estável e de qualidade na terceira idade, isso se não for bem planejado pode ser um grande erro. Se na ativa você recebe salário equivalente ao benefício do INSS já é arriscado, imagine se recebe acima desse valor. O ideal é reservar uma quantia, corrigida a cada 6 meses pelo IPCA, ou um percentual do salário todos os meses, elevado a cada 90 dias, e investir esse valor para formar seu fundo de aposentadoria. Vamos exemplificar utilizando a calculadora do cidadão do Banco Central:

(a) CASO 1:
- Período:                                  10 anos/120 meses;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor depositado mensalmente:  R$500,00;
- Valor obtido no final do período: R$100.909,60;

(b) CASO 2:
- Período:                                  20 anos/240 meses;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor depositado mensalmente:  R$1.000,00;
- Valor obtido no final do período: R$726.900,27;

(c) CASO 3:
- Periodicidade:                          Mensal;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor aplicado:                         R$726.900,27;
- Rendimento mensal:                R$5.815,20;

Para considerar o CASO 2, em que o nosso precavido amigo tenha aplicado R$1.000,00 mensalmente e obtido no final de 20 anos a quantia de R$726.900,27. Com a aposentadoria do INSS de R$5.189,82 mais R$5.815,20 de rendimento das aplicações financeiras, totaliza R$11.005,02. Bom para quem recebia R$10.000,00 mensais, pois temos uma margem de cerca de 10% de folga. Quanto mais cedo iniciar o fundo de aposentadoria menor vai ser o sacrifício e maior o valor obtido no final do período;

3. FAÇA POUPANÇA E INVISTA O EXCEDENTE

É um grande erro acreditar que uma pessoa que não poupa ao longo da vida não incorra em risco, tendo em vista que os imprevistos estão sempre próximos a nós e com certeza normalmente saem caros, pois não foram planejados. Lembre-se, a poupança é como um seguro para manter boa qualidade de vida futura. Estabeleça metas adequadas e possíveis, de modo que seus filhos entendam a importância do sacrifício e a necessidade do planejamento financeiro como fator preponderante na qualidade de vida futura da família. Ensine seus filhos o valor do dinheiro, crie hábitos saudáveis de poupança em sua família e economize água, energia elétrica etc. Todavia, hábitos saudáveis de consumo são bons para o planeta;

4. COMPRE À VISTA

É normal surgirem imprevistos como a máquina de lavar roupas que quebra todo mês (nesse caso pode não ser imprevisto!) ou é a geladeira antiga que consome o dobro de energia de um modelo novo. Ambos estão sem garantia e muitas vezes não vale a pena consertá-los. No entanto, se tiver o dinheiro para comprar à vista, pode conseguir bons preços e até mesmo mais prazo. Sempre peça desconto e visite pelo menos duas grandes lojas e um supermercado se desejar adquirir algum bem de maior valor. Se não puder pagar à vista negocie o parcelamento, de preferência sem juros. O problema do parcelamento é que você pagará com certeza, no mínimo 50% a mais que o preço à vista, logo, se informe quanto de juros você pagará;

5. NÃO EMPRESTE DINHEIRO NEM TOME EMPRESTADO

Separe negócios de família e amigos. Não empreste e não peça dinheiro emprestado para parente ou amigo, a encrenca é nos dois sentidos, e não é muito inteligente. Se precisar de dinheiro emprestado vá ao banco e faça um consignado, a taxa de juros é a menor do mercado e não fica devendo favor a parente ou amigo. No entanto, se você tiver dinheiro guardado e não precisar dele no momento da solicitação, pode emprestar. Calcule os riscos e pagamento no prazo combinado. Como diz os especialistas, “Por via das dúvidas, melhor não arriscar;”

6. FALE DE DINHEIRO COM SUA FAMÍLIA

Muitas famílias tratam dinheiro como um assunto proibido, e evitam falar dele com seus filhos e com o cônjuge. Isso tem demonstrado que é uma prática errada, justificada pelo baixo nível de conhecimento de educação financeira do brasileiro. Apesar de ser um tema evitado por muitos, o debate é importante principalmente para as crianças, pois ajuda a desenvolverem o conhecimento de finanças pessoais e a darem valor a bens e serviços adquiridos pelos pais ou familiares em geral. É importante que a criança aprenda desde cedo a valorizar o que é adquirido, e ter noções básicas de responsabilidade financeira. Se você procura desde cedo ensinar noções de educação financeira a seus filhos, isso é uma prova de que os ama e se preocupa com o futuro deles. Se aprenderem o valor do dinheiro na infância terão grande probabilidade de serem adultos conscientes e responsáveis no trato com o dinheiro, assim, não farão parte dos que compram por impulso e engrossam as estatísticas de endividamento;

7. EVITE CARTÃO DE CRÉDITO

De segunda a domingo, em todas as horas do dia e da noite, as propagandas e promoções são tentadoras e perigosas para aqueles que não estão atentos as armadilhas do comércio. As promoções muitas vezes são maquiadas pelos vendedores. Calcule o preço do produto, compare preços praticados antes e depois da promoção, e só depois decida pela compra, de preferência à vista. Avalie a necessidade do produto, se não pode esperar mais um ou dois meses peça desconto. Regra básica: nunca compre sem pedir desconto. Compre por necessidade, e pague com dinheiro, no entanto, se precisar daquele bem e não tiver dinheiro use o cartão de crédito, mas liquide a fatura integral, pois a incidência dos juros sobre o valor não pago (crédito rotativo) ultrapassa 420% a.a. Se você for educado financeiramente tenha apenas um cartão de crédito, mas negocie o valor da anuidade. É um instrumento que tem vantagens e desvantagens, e quando mal utilizado pode levar ao endividamento (para cada 10 brasileiros existem 8 cartões de crédito).

Crie hábitos saudáveis de consumo, discuta o orçamento familiar e questões relacionadas a dinheiro na presença de seus filhos. É importante para uma vida saudável na terceira idade fazer planejamento financeiro, reservar uma quantia mensal para um fundo de aposentadoria, não emprestar ou tomar dinheiro emprestado de amigos e parentes, pagar à vista, quitar a fatura integral do cartão de crédito e ficar atento as armadilhas das promoções.

Portanto, não espere atingir os 50 anos para pensar em fundo de aposentadoria, renda extra, qualidade de vida futura, antecipe essa preocupação uns 20 ou até 30 anos, e lembre-se a expectativa de vida do brasileiro logo chegará aos 80 anos.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.