CUIDE DE SUAS
FINANÇAS PESSOAIS ENQUANTO HÁ TEMPO
Régis
Varão/¹
A
maioria das pessoas cultiva hábitos pouco saudáveis quanto à administração de suas
finanças pessoais, e muitas vezes tais hábitos podem ser a causa do
endividamento. A atual crise econômica do País tem reflexos negativos no desemprego
e na inadimplência, contribui para levar descrença aos trabalhadores de
diferentes áreas da economia nacional e na sociedade em geral.
Se
no final do ano você não fez planejamento financeiro, o início de ano é o momento
adequado para repensar suas finanças. Despesas de impostos, matrícula, material
escolar e outras de início de ano, devem ser repensadas no último bimestre do
ano anterior (p.e. nov-dez/15), ajudando a evitar o endividamento.
No
entanto, se você até o momento não fez ou pensou seu orçamento pessoal/familiar,
está na hora de começa-lo, pois o que importa é criar o hábito do planejamento
financeiro, é tentar mudar atitudes e crenças frente ao dinheiro. Grande parte
dos endividados não conhecem ou não tem controles a respeito de suas dívidas,
lhes falta autoconhecimento e objetivos claros, o que resulta em hábitos pouco
saudáveis dificultando os controles na hora de gastar.
HÁBITOS SAUDÁVEIS
PARA BOA SAÚDE FINANCEIRA:
1. FAÇA
PLANEJAMENTO
É
importante antes de passar o cartão de crédito ou assinar o cheque avaliar se você
precisa daquele bem ou serviço, se dispõe de dinheiro para comprá-lo, ou
melhor, se tem que ser agora. Parece lógico, mas é necessário fazer um estudo a
respeito dessas necessidades, e separar dinheiro para o aluguel ou prestação da
casa própria, alimentação,
plano de saúde, educação dos filhos, prestação e manutenção do carro,
combustível, lazer etc. Crie o hábito de examinar suas despesas periodicamente,
quanto recebe e faça uma reserva financeira. Na realidade, antes de pagar as
despesas reserve uma quantia ou percentual da renda para essa reserva, isso é
conhecido em finanças pessoais como “Pague-se primeiro;”
2. RESERVE UMA
QUANTIA PARA APOSENTADORIA
A
maioria das pessoas acredita que a aposentadoria dada pelo benefício da Previdência Social, hoje em R$5.189,82,
será suficiente para manter uma condição financeira
estável e de qualidade na terceira idade, isso se não for bem planejado pode
ser um grande erro. Se na ativa você recebe salário equivalente ao benefício do
INSS já é arriscado, imagine se recebe acima desse valor. O ideal é reservar
uma quantia, corrigida a cada 6 meses pelo IPCA, ou um percentual do salário
todos os meses, elevado a cada 90 dias, e investir esse valor para formar seu
fundo de aposentadoria. Vamos exemplificar utilizando a calculadora do cidadão do Banco Central:
(a) CASO 1:
-
Período: 10
anos/120 meses;
-
Taxa de juros: 0,8%
a.m.;
-
Valor depositado mensalmente: R$500,00;
-
Valor obtido no final do período: R$100.909,60;
(b) CASO 2:
-
Período: 20
anos/240 meses;
-
Taxa de juros: 0,8%
a.m.;
-
Valor depositado mensalmente: R$1.000,00;
-
Valor obtido no final do período: R$726.900,27;
(c) CASO 3:
-
Periodicidade: Mensal;
-
Taxa de juros: 0,8%
a.m.;
-
Valor aplicado: R$726.900,27;
- Rendimento
mensal: R$5.815,20;
Para
considerar o CASO 2, em que o nosso
precavido amigo tenha aplicado R$1.000,00 mensalmente e obtido no final de 20
anos a quantia de R$726.900,27. Com a aposentadoria do INSS de R$5.189,82 mais R$5.815,20 de rendimento das aplicações financeiras, totaliza R$11.005,02. Bom para quem recebia
R$10.000,00 mensais, pois temos uma margem de cerca de 10% de folga. Quanto
mais cedo iniciar o fundo de aposentadoria menor vai ser o sacrifício e maior o
valor obtido no final do período;
3. FAÇA POUPANÇA E
INVISTA O EXCEDENTE
É
um grande erro acreditar que uma pessoa que não poupa ao longo da vida não
incorra em risco, tendo em vista que os imprevistos estão sempre próximos a nós
e com certeza normalmente saem caros, pois não foram planejados. Lembre-se, a
poupança é como um seguro para manter boa qualidade de vida futura. Estabeleça
metas adequadas e possíveis, de modo que seus filhos entendam a importância do
sacrifício e a necessidade do planejamento financeiro como fator preponderante
na qualidade de vida futura da família. Ensine seus filhos o valor do dinheiro,
crie hábitos
saudáveis de poupança em sua família e economize água, energia elétrica etc. Todavia,
hábitos saudáveis de consumo são bons para o planeta;
4. COMPRE À VISTA
É
normal surgirem imprevistos como a máquina de lavar roupas que quebra todo mês
(nesse caso pode não ser imprevisto!) ou é a geladeira antiga que consome o
dobro de energia de um modelo novo. Ambos estão sem garantia e muitas vezes não
vale a pena consertá-los. No entanto, se tiver o dinheiro para comprar à vista,
pode conseguir bons preços e até mesmo mais prazo. Sempre peça desconto e
visite pelo menos duas grandes lojas e um supermercado se desejar adquirir
algum bem de maior valor. Se não puder pagar à vista negocie o parcelamento, de
preferência sem juros. O problema do parcelamento é que você pagará com
certeza, no mínimo 50% a mais que o preço à vista, logo, se informe quanto de
juros você pagará;
5. NÃO EMPRESTE
DINHEIRO NEM TOME EMPRESTADO
Separe
negócios de família e amigos. Não empreste e não peça dinheiro emprestado para
parente ou amigo, a encrenca é nos dois sentidos, e não é muito inteligente. Se
precisar de dinheiro emprestado vá ao banco e faça um consignado, a taxa de
juros é a menor do mercado e não fica devendo favor a parente ou amigo. No
entanto, se você tiver dinheiro guardado e não precisar dele no momento da
solicitação, pode emprestar. Calcule os riscos e pagamento no prazo combinado.
Como diz os especialistas, “Por via das dúvidas, melhor não arriscar;”
6. FALE DE DINHEIRO
COM SUA FAMÍLIA
Muitas
famílias tratam dinheiro como um assunto proibido, e evitam falar dele com seus
filhos e com o cônjuge. Isso tem demonstrado que é uma prática errada, justificada
pelo baixo nível de conhecimento de educação financeira do brasileiro. Apesar
de ser um tema evitado por muitos, o debate é importante principalmente para as
crianças, pois ajuda a desenvolverem o conhecimento de finanças pessoais e a darem
valor a bens e serviços adquiridos pelos pais ou familiares em geral. É
importante que a criança aprenda desde cedo a valorizar o que é adquirido, e ter
noções básicas de responsabilidade financeira. Se você
procura desde cedo ensinar noções de educação financeira a seus filhos, isso é
uma prova de que os ama e se preocupa com o futuro deles. Se aprenderem o
valor do dinheiro na infância
terão grande probabilidade de serem adultos conscientes e responsáveis no trato
com o dinheiro, assim, não farão parte dos que compram por impulso e engrossam
as estatísticas de endividamento;
7. EVITE CARTÃO DE
CRÉDITO
De
segunda a domingo, em todas as horas do dia e da noite, as propagandas e
promoções são tentadoras e perigosas para aqueles que não estão atentos as
armadilhas do comércio. As promoções muitas vezes são maquiadas pelos
vendedores. Calcule o preço do produto, compare preços praticados antes e
depois da promoção, e só depois decida pela compra, de preferência à vista.
Avalie a necessidade do produto, se não pode esperar mais um ou dois meses peça
desconto. Regra básica: nunca compre sem pedir desconto. Compre por
necessidade, e pague com dinheiro, no entanto, se precisar daquele bem e não
tiver dinheiro use o cartão de crédito, mas liquide a
fatura integral, pois a incidência dos juros sobre o valor não pago (crédito
rotativo) ultrapassa 420% a.a. Se você for educado financeiramente tenha apenas
um cartão de crédito, mas negocie o valor da anuidade. É um instrumento que tem
vantagens e desvantagens, e quando mal utilizado pode levar
ao endividamento (para cada 10 brasileiros existem 8 cartões de crédito).
Crie hábitos saudáveis de consumo, discuta o
orçamento familiar e questões relacionadas a dinheiro na presença de seus filhos.
É importante para uma vida saudável na terceira idade fazer planejamento
financeiro, reservar uma quantia mensal para um fundo de aposentadoria,
não emprestar ou tomar dinheiro emprestado de amigos e parentes, pagar à vista,
quitar a fatura integral do cartão de crédito e ficar atento as armadilhas das
promoções.
Portanto, não espere atingir os 50
anos para pensar em fundo de aposentadoria, renda extra, qualidade de
vida futura, antecipe essa preocupação uns 20 ou até 30 anos, e lembre-se a
expectativa de vida do brasileiro logo chegará aos 80 anos.
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