domingo, 3 de dezembro de 2017

MELHOR NÍVEL DA INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS EM 2 ANOS
Régis Varão/¹

A pesquisa nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) registrou crescimento de 3% em nov/17 em comparação com o mês anterior, e subiu 7,9% na comparação anual. O índice total permanece em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que indica a percepção de insatisfação das famílias brasileiras com a situação atual.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 3,05% na comparação mensal, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) cresceu 3%. O relatório da CNC afirma que o índice das famílias mais ricas se situa em 92,7 pontos, enquanto das demais, em 77,8 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos.

Na avaliação regional, todas registraram variações mensais positivas, enquanto o Nordeste apresentou o maior crescimento em nov/17 com +4%. A menor variação positiva foi verificada na região Sul com crescimento de 1,1% em relação a out/17.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A trajetória favorável da inflação, aliada a um leve recuo do custo do crédito e retomada da massa salarial, vem liberando uma fatia maior do orçamento das famílias para o consumo”.

A seguir, uma sucinta análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou elevação de 1,3% em nov/17 (108,8 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em nov/17 quanto ao nível de Emprego Atual está em 32,9% ante 31,7% observado em outubro.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) subiu 1,33% em nov/17 ante o mês anterior, enquanto a confiança das famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) cresceu 1,12%.

As regiões Centro-Oeste (138 pontos), Norte (126,7 pontos) e Sul (110 pontos) são as que apresentaram maior nível de confiança em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de +1,5%, +1,8% e -0,8%, respectivamente. Já as regiões Sudeste (102 pontos) e Nordeste (101,5 pontos) registraram menores níveis de confiança. O índice geral e os regionais estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador registrou incremento 2,9% em nov/17  (56,1 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 14,7% na comparação anual. O relatório da CNC afirma: “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (58,3% ante 59,3% em outubro). O índice se situa em 56,1 pontos”.

A confiança das famílias com renda <10 SM cresceu 3,7% em nov/17 ante out/17, enquanto as famílias com renda >10 SM manteve-se estável (0%).

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 2,9% em nov/17 (73,9 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 10,5% em relação a igual período de 2016. Entre os componentes do ICF, a modalidade compras a prazo apresentou a quarta maior variação positiva na comparação anual, repetindo a mesma classificação do mês anterior.

A confiança das famílias com renda <10 SM cresceu 2,8% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 3,7%.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2,4% em nov/17 (55,1 pontos), ante o mês anterior, e subiu 17,4% na comparação com nov/16. O indicador continua abaixo da zona de indiferença. O indicador apresenta a segunda maior variação positiva anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram crescimento de 2,6%, na comparação mensal, no indicador Momentos para Duráveis, e as com renda >10 SM apresentaram incremento de 2,9%. Em termos regionais, esse indicador variou de 83,4 pontos na região Sul a 41,4 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 2,7% em nov/17 (93,7 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Esse indicador mostra a maior variação mensal do ano.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou elevação de 2,8% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 1,8%.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 6% em nov/17 (77,6 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento (+21,7%) na comparação anual, apresentando a maior variação positiva anual entre os componentes do ICF.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou incremento de 5,7% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM registrou elevação de 6,8%. Cabe observar que nas duas faixas de renda o componente perspectiva de consumo registrou o maior crescimento na comparação mensal.

7. Perspectiva Profissional:

Esse índice registrou alta de 3,3% em nov/17 (96,3 pontos) na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-2,5%) na variação anual. O valor desse componente em nov/17, foi o maior dos últimos cinco meses, mas ainda distante do observado em mar/17 (103 pontos). A melhora das condições atuais da economia tem impactado positivamente o comportamento do indicador.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou elevação de 3% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 4,8%.

Portanto, o desempenho positivo observado nos indicadores macroeconômicos de inflação, juros e emprego, nos últimos meses, está contribuindo, em parte, para melhorar a confiança das famílias, exceção para o componente Perspectivas Profissionais, o único a apresentar declínio na comparação anual.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 2 de dezembro de 2017

PRODUTO INTERNO BRUTO VOLTA A CRESCER
Régis Varão/¹

O Produto Interno Bruto-PIB registrou crescimento de 0,1% no 3º trimestre de 2017 (3ºTri17) frente ao trimestre anterior, na série com ajuste sazonal. Com relação ao 3ºTri16, o incremento foi 1,4%. No acumulado em quatro trimestres finalizados no 3ºTri17, o PIB apresentou declínio de 0,2%, frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores, segundo informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE.

O PIB manteve-se praticamente estável quando comparado o 3ºTri17 com o trimestre anterior, com ajuste sazonal. A indústria de transformação apresentou o melhor desempenho no segmento industrial com alta de 1,4%, seguido da extrativa com +0,2%. Os segmentos eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (0,1%) e construção (0%), mantiveram-se praticamente estáveis.

Quanto ao setor serviços, o comércio subiu 1,6%, o segmento imobiliário cresceu 0,9%, as outras atividades de serviços (0,2%) e a administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,2%), também apresentaram desempenho positivo. As atividades financeiras, seguros e serviços relacionados (0,1%), transporte, armazenagem e correio (0,0%) e informação e comunicação (-0,1%) apresentaram estabilidade. A agropecuária registrou queda de 3%, enquanto a indústria subiu 0,8% e o setor serviços cresceu 0,6%, segundo o IBGE.

No acumulado do ano até o 3ºTri17 o PIB subiu 0,6% em relação a igual trimestre de 2016. Nesta base de comparação, a agropecuária cresceu 14,5%, enquanto a indústria (-0,9%) e o setor serviço (-0,2%) acumularam queda.

Na atividade industrial, apenas construção (-6,1%) acumula decréscimo, enquanto as demais atividades registram variação positiva nesta base de comparação: extrativa (5,9%), eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (1,3%) e transformação (0,3%).

Com relação ao setor serviço, os maiores declínios foram  em informação e comunicação (-2,0%), atividade financeira, seguro e serviços relacionados (-1,8%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade (-0,9%). Transporte, armazenagem e correio também registrou decréscimo de 0,2%. O comércio e atividades imobiliárias cresceram, ambas, 0,8%, enquanto outras atividades de serviços apresentou variação positiva (+0,2%).

A taxa de investimento no 3ºTri17 foi 16,1% do PIB, pouco abaixo do observado em igual período de 2016 quando atingiu 16,3%. A taxa de poupança ficou em 15,2% no 3ºTri17, ante 14,9% em igual trimestre do ano anterior.

Quanto a demanda interna, no acumulado do ano até set/17, destaca-se a redução de 3,6% da Formação Bruta de Capital Fixo-FBCF. A despesa de consumo das famílias subiu 0,4%, enquanto a despesa de consumo do governo caiu 0,6%, acumulando queda no ano. Com relação ao setor externo, importações de bens/serviços subiram 3,9%, enquanto exportações de bens/serviços cresceram 4%.

O PIB no 3ºTri17 totalizou R$1,641 trilhão, sendo R$1,4 trilhão referentes ao Valor Adicionado a preços básicos e R$225,8 bilhões a Imposto sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

Portanto, a FBCF volta a subir após quinze trimestres de declínio, enquanto o consumo das famílias, responsável por cerca de 60% do PIB apresenta sinais de melhora. Cabe observar que são dois componentes relevantes para o desempenho do PIB. Já no 1ºTri17, o desempenho do consumo das famílias havia interrompido uma sequência de vários trimestres de retração, se recuperando a partir daquele período.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CONTINUA BAIXA
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101 pontos em nov/17, representando declínio de 0,2% ante o mês anterior, e queda de 2,1% na comparação anual. Após apresentar variações positivas e negativas nos últimos meses, o índice mantém-se estável em nov/17. Por outro lado, o índice continua abaixo da média histórica de 108,1 pontos, que vem se repetindo nos últimos trinta e cinco meses.

A confiança do consumidor permanece baixa, e está 6,6% abaixo da média histórica. O comportamento pessimista do consumidor sinaliza que a recuperação da demanda nos próximos meses pode ser moderada.

A estabilidade do INEC decorre basicamente de movimentos opostos de seus componentes. O índice de endividamento e o índice de expectativa de renda pessoal e de inflação mostram variações negativas na comparação mensal e anual, enquanto os de expectativas de compras de bens de maior valor e desemprego registram variações positivas nas duas bases de comparação. Já o índice de situação financeira registrou elevação na comparação mensal e declínio na variação anual.

O índice de endividamento de nov/17 registra as maiores quedas tanto na comparação mensal (-3,1%), como na comparação com nov/16 (-6,6%). Os de expectativa de renda pessoal e de inflação também mostram recuo tanto na comparação mensal quanto em 12 meses, refletindo elevação do pessimismo com a evolução futura das duas variáveis.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta declínio de 1,2% em nov/17 (107,1 pontos) na comparação mensal (menor declínio entre os componentes do INEC), e decréscimo de 1,8% na comparação anual, quando atingiu 109,1 pontos em nov/16. O recuo observado no indicador reflete crescimento do pessimismo com a evolução futura dos preços;

(b) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta incremento de 0,6% em nov/17 (118,6 pontos) ante o mês anterior, e alta de 2,9% na comparação com nov/16 (115,3 pontos). O valor observado em nov/17 é o maior verificado em 2017, e o maior para um mês de novembro desde nov/13. O índice de desemprego mostra expectativas em nov/17 mais otimistas que as observadas no mês anterior;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação negativa de 2,6% em nov/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior, e caiu 5,4% frente a nov/16. O declínio verificado no indicador reflete aumento do pessimismo com a evolução futura da renda pessoal do consumidor brasileiro;

(d) Situação financeira: esse componente apresenta incremento de 0,4% em nov/17 (86 pontos) ante out/17, e queda de 4,8% com relação a igual mês de 2016. O valor observado em nov/17 foi o segundo menor valor verificado em 2017, perdendo para out/17 com 85,7 pontos. O índice de situação financeira, apesar do pequeno acréscimo no mês, registra queda na comparação com nov/16, o que revela que a situação financeira das famílias continua difícil;

(e) Endividamento: o índice apresenta os maiores declínios entre os componentes do INEC, em ambas as bases de comparação. O indicador caiu 3,1% em nov/17 (91,3 pontos) frente ao mês anterior e apresentou o maior declínio (6,6%) na comparação anual. Cabe observar que o valor verificado em nov/17 é o menor registrado em 2017 e o mais baixo para um mês de novembro em toda a série histórica, assim, os declínios registrados no índice indicam crescimento do endividamento familiar;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação positiva de 2,6% em nov/17 (114,3 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 1% frente a nov/16. O índice de compras de bens de maior valor mostra expectativa mais favorável para os próximos meses.

Portanto, o comportamento do INEC tem revezado variações positivas com decréscimos nos últimos meses, o que demonstra uma indefinição de tendência. Cabe ressaltar o indicador de endividamento que teve o pior desempenho entre os componentes do INEC.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

EXPECTATIVA ESTÁVEL PARA DESEMPENHO DO PIB EM 2017
Régis Varão/¹

O boletim Focus-Relatório de Mercado divulgado hoje pelo Banco Central do Brasil-BCB apresenta alteração em nove variáveis para 2017 e em dez para 2018. A seguir, uma análise sucinta dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o relatório de 24.11.17 indica estimativa do índice para 2017 em 3,06%, de 3,08% observada há quatro semanas, enquanto estima em 4,02% para 2018. Já a pesquisa de 25.11.16 apontava 4,93% para 2017;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 24.11.17 corrige para -1,12% a projeção do índice para este ano, de -0,96% registrada há um mês, enquanto trabalha com 4,50% para 2018, pela trigésima segunda semana consecutiva. O Focus de 25.11.16 trabalhava com expectativa de 5,06% para 2017;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Focus de 24.11.17, divulgado hoje, eleva a expectativa do mercado para R$/U$3,25, ante R$/U$3,19 há trinta dias, para o final de 2017, enquanto estima em R$/U$3,30 para o final de 2018;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório de 24.11.17 mantém a estimativa da taxa de juros em 7% a.a. para o final de 2017, pela décima primeira semana consecutiva, e o mesmo valor para o final de 2018, pela décima semana consecutiva. O boletim de 25.11.16 projetava juros de 10,75% a.a. para 2017;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 24.11.17 mantém em +0,73% o crescimento do PIB para este ano, pela quinta semana consecutiva, e trabalha com a expectativa de crescimento de 2,58% para 2018. Já o boletim de 25.11.16 indicava crescimento de 0,98% para 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o relatório divulgado hoje mantém inalterado em +2% o crescimento da atividade industrial para 2017, nas últimas três semanas, enquanto estima incremento de 2,90% para 2018. A pesquisa de 25.11.16 estimava elevação de 1,21% para 2017;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 24.11.17 eleva para U$65,54 bilhões a projeção do superávit comercial para 2017, de U$65 bi divulgado há quatro semanas, e estima em U$53,60 bilhões para 2018. O relatório de 25.11.16 projetava superávit de U$44,07 bi para 2017;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o relatório divulgado hoje eleva a estimativa do IDP para U$80 bilhões em 2017, de U$75 bilhões há quatro semanas, e trabalha com a expectativa de U$75 bi para 2018. O Focus de 25.11.16 apontava estimativa de U$70 bilhões para 2017.

Portanto, a queda da inflação, do desemprego e dos juros tem contribuído para melhorar as expectativas do mercado com relação à economia brasileira para este final de ano e em especial para 2018.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O ENDIVIDAMENTO PODE AUMENTAR COM A BLACK FRIDAY
Régis Varão/¹

A Black Friday (BF) é celebrada logo após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day), um feriado muito popular na América do Norte. O feriado, que é comemorado toda 4ª quinta-feira de novembro nos EUA, foi instituído pelo presidente Abraham Lincoln. O objetivo do Dia de Ação de Graças (DAG) é celebrar a gratidão a Deus pelas coisas boas que aconteceram ao longo do ano.

No Brasil, a data foi instituída pelo presidente Gaspar Dutra em 1949 atendendo a sugestão de Joaquim Nabuco, embaixador brasileiro nos EUA, que ficou impressionado com as comemorações no período em que representou o País em Washington, DC. No Brasil, no entanto,  poucas pessoas celebram a data.

A comemoração do Black Friday tornou-se popular em 1975 nos EUA, e em 1980 foi associada ao período de maior faturamento do comércio varejista, que desde aquela época passou a anunciar descontos acima de 70% no preço da mercadoria.

No Brasil, a data é comemorada na última semana de novembro. A BF de 2017 tem início em 24/11 (sexta-feira), quando as lojas de todo o país entram com promoções e reduzem preços de alguns produtos. Alguns segmentos do varejo estendem as promoções por mais uma semana.

A expectativa do varejo é que o consumidor brasileiro vá as compras tendo em vista a melhora no cenário macroeconômico ajudado pela redução dos juros e inflação. Em todo caso, é sempre bom ficar atento as armadilhas do comércio, principalmente as vendas por internet.

Algumas dicas que podem ajudar o consumidor na hora das compras:

01. SEGURANÇA DO SITE

Verifique se a página da loja tem certificado de segurança antes de inserir seus dados e realizar uma compra. Os endereços protegidos/seguros começam com “https”, e em alguns navegadores ele aparece em verde. Pode acontecer de um site conhecido estar clonado, o que é uma encrenca. Observe que o domínio precisa conter o nome da loja, e evite fazer transações financeiras em redes públicas de internet, cafés, livrarias etc;

02. SITES DE LOJAS

Se você está cadastrado em sites de lojas que têm o produto de seu interesse é grande a chance de mandarem promoções para os clientes. Fique atento, mensagens de lojas de verdade não pedem informações pessoais. Se suspeitar de algo não informe seus dados;

03. SITES NÃO CONFIÁVEIS

O Procon/SP disponibiliza uma lista dos sites pouco recomendados ou confiáveis para compras pela internet. Fique atento e observe com atenção se os produtos que deseja adquirir estão relacionados em sites que estão na lista do Procon-SP. O site Reclame Aqui pode ser de grande ajuda na hora de reclamar de compras de bens ou serviços com problemas. Observe o que estão falando a respeito da loja onde você quer comprar;

04. PESQUISA DE PREÇOS

Muitas lojas oferecem descontos falsos, aumentando o preço uma ou duas semanas antes para no Black Friday oferecer desconto. Utilize alguns buscadores que ajudam nessa tarefa. Um muito conhecido é o Buscapé, que relaciona os preços dos últimos 12 meses e ajudam na hora das compras;

05. OFERTAS FANTÁSTICAS

Desconfie de produtos e serviços com promoções fantásticas, por exemplo, um telefone celular recém lançado pela metade do preço, computadores ou televisões de alta resolução com descontos de até 70%. É possível que você esteja adquirindo um bem usado ou até mesmo roubado;

06. BOLETO BANCÁRIO

O cartão de crédito ou plataformas como PayPal e equivalentes são mais seguras para adquirir produtos pela internet, tendo em vista que o consumidor pode pedir o estorno se for debitado uma quantia acima do combinado. Já com o boleto bancário a coisa é diferente, os bancos se eximem de responsabilidade e você fica com o prejuízo;

07. RECEBIMENTO DA MERCADORIA

Ao receber o produto em casa ou no escritório, verifique se é novo, observe o estado do equipamento e se é realmente o que foi visto no site. Registre a data da entrega do produtos no recibo ou nota fiscal, pois será, caso tenha problemas, a referência para levar ao Procon ou juizado de pequenas causas. O site do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor-IDEC explica os passos para entrar com ação no Juizado Especial Civil-JEC.

Portanto, observe as dicas acima e tenha cuidado para não comprar produtos desnecessários ou supérfluos. Não fique empolgado com as “possíveis” promoções ou descontos, muitas vezes podem ser armadilhas para elevar as vendas do comerciante. Pesquise preços, você pode encontrar boas ofertas em lojas tradicionais e sites conhecidos e seguros, mas só compre se realmente precisar do produto. Evite o endividamento, estamos na virada de ano. Despesas necessárias virão no primeiro trimestre do ano novo, assim, prepare-se para entrar com o pé direito em 2018.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL EM ALTA
Régis Varão/¹

A confiança do empresário industrial, aferida pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), continua em trajetória ascendente tanto na comparação mensal quanto anual.

Em nov/17 (56,5 pontos), o ICEI apresentou crescimento de 0,5 ponto ante out/17 e 4,8 pontos na comparação anual. O índice encontra-se acima da média histórica de 54 pontos, pelo terceiro mês consecutivo e apresenta o maior valor desde abr/13 (55,4 pontos). O resultado de nov/17 leva o índice agregado para o quarto mês consecutivo de resultados positivos.

Componentes do ICEI:

(a) Índice de Condições Atuais-ICA

O ICA subiu 1,1 ponto em nov/17 (51,5 pontos) ante o mês anterior e registrou incremento de 7,7 pontos na comparação anual. É indicação que o empresário percebe melhora das condições negociais correntes, o que não ocorria desde nov/12. O índice é o maior registrado desde abr/11.

As condições atuais com relação ao indicador economia brasileira o indicador subiu 0,9 ponto em nov/17 (50,8 pontos) ante o mês anterior, e apresentou elevação de 8,4 na comparação anual.

Já as condições atuais com relação às empresas houve crescimento de 1,2 ponto em nov/17 (51,9 pontos) na comparação mensal, e subiu 7,4 pontos ante igual período de 2016.

(b) Índice de Expectativas-IE

O IE mostra que o empresário industrial manteve o otimismo com relação aos próximos seis meses. O índice manteve-se praticamente constante, ao passar de 58,8 pontos em out/17 para 58,9 pontos em novembro. Na comparação anual o IE registrou alta de 3,1 pontos.

Com relação às expectativas da economia brasileira, o índice chegou a 55,2 pontos em novembro deste ano, subindo 0,3 ponto e 2,1 pontos ante out/17 e nov/16, respectivamente.

Já com relação às expectativas das empresas, chegou a 61 pontos em nov/17 ante 60,8 pontos observados no mês anterior. Com relação a nov/16, o indicador apresentou crescimento de 3,8 pontos.

No segmento industrial o melhor desempenho em nov/17 ficou com a indústria extrativa (57,5 pontos) que subiu 1,9 ponto na comparação mensal. Depois temos a indústria de transformação com 56,9 pontos (+0,4 ponto ante out/17) e a indústria da construção com 54,4 pontos e crescimento de 0,6 ponto ante o mês anterior.

Com relação ao porte da empresa, o melhor desempenho em novembro deste ano ficou com grandes empresas (58,5 pontos), seguido de médias empresas com 56 pontos e pequenas empresas (52,6 pontos).

O índice de confiança do empresário industrial vem melhorando desde ago/17, devido a avaliação positiva da situação atual que melhorou e das expectativas para seis meses futuros. A análise das condições atuais e das expectativas quanto a economia brasileira e empresas, apresentaram comportamento positivo tanto na comparação mensal quanto na anual.

Portanto, é oportuno observar que temos configurado uma tendência positiva na trajetória do índice ICEI nos últimos quatro meses, o que decorre em grande parte da atuação do Banco Central-BCB na redução da taxa básica de juros e da aprovação da reforma trabalhista.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.