domingo, 3 de dezembro de 2017

MELHOR NÍVEL DA INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS EM 2 ANOS
Régis Varão/¹

A pesquisa nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) publicada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) registrou crescimento de 3% em nov/17 em comparação com o mês anterior, e subiu 7,9% na comparação anual. O índice total permanece em um nível inferior a 100 pontos, zona de indiferença, o que indica a percepção de insatisfação das famílias brasileiras com a situação atual.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) apresentou melhora de 3,05% na comparação mensal, e as com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) cresceu 3%. O relatório da CNC afirma que o índice das famílias mais ricas se situa em 92,7 pontos, enquanto das demais, em 77,8 pontos. Os índices desagregados por faixa de renda também continuam abaixo dos 100 pontos.

Na avaliação regional, todas registraram variações mensais positivas, enquanto o Nordeste apresentou o maior crescimento em nov/17 com +4%. A menor variação positiva foi verificada na região Sul com crescimento de 1,1% em relação a out/17.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A trajetória favorável da inflação, aliada a um leve recuo do custo do crédito e retomada da massa salarial, vem liberando uma fatia maior do orçamento das famílias para o consumo”.

A seguir, uma sucinta análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Esse componente apresentou elevação de 1,3% em nov/17 (108,8 pontos) ante o mês anterior, e subiu 3% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em nov/17 quanto ao nível de Emprego Atual está em 32,9% ante 31,7% observado em outubro.

A confiança das famílias com renda inferior a dez salários mínimos (<10 SM) subiu 1,33% em nov/17 ante o mês anterior, enquanto a confiança das famílias com renda acima de dez salários mínimos (>10 SM) cresceu 1,12%.

As regiões Centro-Oeste (138 pontos), Norte (126,7 pontos) e Sul (110 pontos) são as que apresentaram maior nível de confiança em relação ao Emprego Atual, com variações mensais de +1,5%, +1,8% e -0,8%, respectivamente. Já as regiões Sudeste (102 pontos) e Nordeste (101,5 pontos) registraram menores níveis de confiança. O índice geral e os regionais estão acima da zona de indiferença (100 pontos).

2. Nível de Consumo Atual:

Esse indicador registrou incremento 2,9% em nov/17  (56,1 pontos) frente ao mês anterior, e apresentou crescimento de 14,7% na comparação anual. O relatório da CNC afirma: “A maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (58,3% ante 59,3% em outubro). O índice se situa em 56,1 pontos”.

A confiança das famílias com renda <10 SM cresceu 3,7% em nov/17 ante out/17, enquanto as famílias com renda >10 SM manteve-se estável (0%).

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito apresentou variação positiva de 2,9% em nov/17 (73,9 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 10,5% em relação a igual período de 2016. Entre os componentes do ICF, a modalidade compras a prazo apresentou a quarta maior variação positiva na comparação anual, repetindo a mesma classificação do mês anterior.

A confiança das famílias com renda <10 SM cresceu 2,8% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 3,7%.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2,4% em nov/17 (55,1 pontos), ante o mês anterior, e subiu 17,4% na comparação com nov/16. O indicador continua abaixo da zona de indiferença. O indicador apresenta a segunda maior variação positiva anual entre os componentes do ICF.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram crescimento de 2,6%, na comparação mensal, no indicador Momentos para Duráveis, e as com renda >10 SM apresentaram incremento de 2,9%. Em termos regionais, esse indicador variou de 83,4 pontos na região Sul a 41,4 pontos na região Norte.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 2,7% em nov/17 (93,7 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Esse indicador mostra a maior variação mensal do ano.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou elevação de 2,8% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 1,8%.

6. Perspectiva de Consumo:

Esse componente apresentou elevação de 6% em nov/17 (77,6 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento (+21,7%) na comparação anual, apresentando a maior variação positiva anual entre os componentes do ICF.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou incremento de 5,7% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM registrou elevação de 6,8%. Cabe observar que nas duas faixas de renda o componente perspectiva de consumo registrou o maior crescimento na comparação mensal.

7. Perspectiva Profissional:

Esse índice registrou alta de 3,3% em nov/17 (96,3 pontos) na comparação mensal, e foi o único componente do ICF a registrar declínio (-2,5%) na variação anual. O valor desse componente em nov/17, foi o maior dos últimos cinco meses, mas ainda distante do observado em mar/17 (103 pontos). A melhora das condições atuais da economia tem impactado positivamente o comportamento do indicador.

A confiança das famílias com renda <10 SM apresentou elevação de 3% em nov/17 ante outubro, enquanto a confiança das famílias com renda >10 SM subiu 4,8%.

Portanto, o desempenho positivo observado nos indicadores macroeconômicos de inflação, juros e emprego, nos últimos meses, está contribuindo, em parte, para melhorar a confiança das famílias, exceção para o componente Perspectivas Profissionais, o único a apresentar declínio na comparação anual.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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