CONFIANÇA
DO CONSUMIDOR CONTINUA BAIXA
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC)
da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101 pontos em nov/17, representando declínio
de 0,2% ante o mês anterior, e queda de 2,1% na comparação anual. Após
apresentar variações positivas e negativas nos últimos meses, o índice mantém-se
estável em nov/17. Por outro lado, o índice continua abaixo da média histórica
de 108,1 pontos, que vem se repetindo nos últimos trinta e cinco meses.
A
confiança do consumidor permanece baixa, e está 6,6% abaixo da média histórica.
O comportamento pessimista do consumidor sinaliza que a recuperação da demanda
nos próximos meses pode ser moderada.
A
estabilidade do INEC decorre basicamente de movimentos opostos de seus
componentes. O índice de endividamento e o índice de expectativa de renda pessoal
e de inflação mostram variações negativas na comparação mensal e anual, enquanto
os de expectativas de compras de bens de maior valor e desemprego registram
variações positivas nas duas bases de comparação. Já o índice de situação
financeira registrou elevação na comparação mensal e declínio na variação
anual.
O
índice de endividamento de nov/17 registra as maiores quedas tanto na
comparação mensal (-3,1%), como na comparação com nov/16 (-6,6%). Os de
expectativa de renda pessoal e de inflação também mostram recuo tanto na
comparação mensal quanto em 12 meses, refletindo elevação do pessimismo com a
evolução futura das duas variáveis.
(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta
declínio de 1,2% em nov/17 (107,1 pontos) na comparação mensal (menor declínio
entre os componentes do INEC), e decréscimo de 1,8% na comparação anual, quando
atingiu 109,1 pontos em nov/16. O recuo observado no indicador reflete
crescimento do pessimismo com a evolução futura dos preços;
(b) Expectativa de desemprego: a
expectativa de desemprego apresenta incremento de 0,6% em nov/17 (118,6 pontos)
ante o mês anterior, e alta de 2,9% na comparação com nov/16 (115,3 pontos). O
valor observado em nov/17 é o maior verificado em 2017, e o maior para um mês
de novembro desde nov/13. O índice de desemprego mostra expectativas em nov/17 mais
otimistas que as observadas no mês anterior;
(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice
registra variação negativa de 2,6% em nov/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior,
e caiu 5,4% frente a nov/16. O declínio verificado no indicador reflete aumento
do pessimismo com a evolução futura da renda pessoal do consumidor brasileiro;
(d) Situação financeira: esse componente apresenta
incremento de 0,4% em nov/17 (86 pontos) ante out/17, e queda de 4,8% com relação
a igual mês de 2016. O valor observado em nov/17 foi o segundo menor valor
verificado em 2017, perdendo para out/17 com 85,7 pontos. O índice de situação
financeira, apesar do pequeno acréscimo no mês, registra queda na comparação
com nov/16, o que revela que a situação financeira das famílias continua
difícil;
(e) Endividamento: o índice apresenta os maiores
declínios entre os componentes do INEC,
em ambas as bases de comparação. O indicador caiu 3,1% em nov/17 (91,3 pontos) frente
ao mês anterior e apresentou o maior declínio (6,6%) na comparação anual. Cabe
observar que o valor verificado em nov/17 é o menor registrado em 2017 e o mais
baixo para um mês de novembro em toda a série histórica, assim, os declínios
registrados no índice indicam crescimento do endividamento familiar;
(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação
positiva de 2,6% em nov/17 (114,3 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento
de 1% frente a nov/16. O índice de compras de bens de maior valor mostra
expectativa mais favorável para os próximos meses.
Portanto,
o comportamento do INEC
tem revezado variações positivas com decréscimos nos últimos meses, o que demonstra
uma indefinição de tendência. Cabe ressaltar o indicador de endividamento que
teve o pior desempenho entre os componentes do INEC.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25
anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e
conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também
bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos.
Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco
Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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