sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CONTINUA BAIXA
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atinge 101 pontos em nov/17, representando declínio de 0,2% ante o mês anterior, e queda de 2,1% na comparação anual. Após apresentar variações positivas e negativas nos últimos meses, o índice mantém-se estável em nov/17. Por outro lado, o índice continua abaixo da média histórica de 108,1 pontos, que vem se repetindo nos últimos trinta e cinco meses.

A confiança do consumidor permanece baixa, e está 6,6% abaixo da média histórica. O comportamento pessimista do consumidor sinaliza que a recuperação da demanda nos próximos meses pode ser moderada.

A estabilidade do INEC decorre basicamente de movimentos opostos de seus componentes. O índice de endividamento e o índice de expectativa de renda pessoal e de inflação mostram variações negativas na comparação mensal e anual, enquanto os de expectativas de compras de bens de maior valor e desemprego registram variações positivas nas duas bases de comparação. Já o índice de situação financeira registrou elevação na comparação mensal e declínio na variação anual.

O índice de endividamento de nov/17 registra as maiores quedas tanto na comparação mensal (-3,1%), como na comparação com nov/16 (-6,6%). Os de expectativa de renda pessoal e de inflação também mostram recuo tanto na comparação mensal quanto em 12 meses, refletindo elevação do pessimismo com a evolução futura das duas variáveis.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice apresenta declínio de 1,2% em nov/17 (107,1 pontos) na comparação mensal (menor declínio entre os componentes do INEC), e decréscimo de 1,8% na comparação anual, quando atingiu 109,1 pontos em nov/16. O recuo observado no indicador reflete crescimento do pessimismo com a evolução futura dos preços;

(b) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta incremento de 0,6% em nov/17 (118,6 pontos) ante o mês anterior, e alta de 2,9% na comparação com nov/16 (115,3 pontos). O valor observado em nov/17 é o maior verificado em 2017, e o maior para um mês de novembro desde nov/13. O índice de desemprego mostra expectativas em nov/17 mais otimistas que as observadas no mês anterior;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: o índice registra variação negativa de 2,6% em nov/17 (92,3 pontos) ante o mês anterior, e caiu 5,4% frente a nov/16. O declínio verificado no indicador reflete aumento do pessimismo com a evolução futura da renda pessoal do consumidor brasileiro;

(d) Situação financeira: esse componente apresenta incremento de 0,4% em nov/17 (86 pontos) ante out/17, e queda de 4,8% com relação a igual mês de 2016. O valor observado em nov/17 foi o segundo menor valor verificado em 2017, perdendo para out/17 com 85,7 pontos. O índice de situação financeira, apesar do pequeno acréscimo no mês, registra queda na comparação com nov/16, o que revela que a situação financeira das famílias continua difícil;

(e) Endividamento: o índice apresenta os maiores declínios entre os componentes do INEC, em ambas as bases de comparação. O indicador caiu 3,1% em nov/17 (91,3 pontos) frente ao mês anterior e apresentou o maior declínio (6,6%) na comparação anual. Cabe observar que o valor verificado em nov/17 é o menor registrado em 2017 e o mais baixo para um mês de novembro em toda a série histórica, assim, os declínios registrados no índice indicam crescimento do endividamento familiar;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: houve variação positiva de 2,6% em nov/17 (114,3 pontos) ante o mês anterior, e registrou crescimento de 1% frente a nov/16. O índice de compras de bens de maior valor mostra expectativa mais favorável para os próximos meses.

Portanto, o comportamento do INEC tem revezado variações positivas com decréscimos nos últimos meses, o que demonstra uma indefinição de tendência. Cabe ressaltar o indicador de endividamento que teve o pior desempenho entre os componentes do INEC.


¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário