quinta-feira, 17 de maio de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM ABRIL
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras com dívidas apresentou decréscimo em abril deste ano, assim como em comparação ao patamar observado em igual período de 2017. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou declínio no período mar-abr/18, bem como em relação ao mesmo período de 2017. Com relação ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas houve elevação tanto na comparação mensal quanto na anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias com dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 60,2% em abr/18, registrando redução em relação ao percentual verificado em mar/18 (61,2%) e abr/17 (62,1%).

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso caiu em abr/18 na comparação mensal, passando de 25,2% para 25% do total. Houve declínio do percentual de inadimplência das famílias em relação a abr/17 (25,4%) do total. O percentual de famílias sem condições de pagar as dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de 10% em mar/18 para 10,3% em abr/18, e cresceu também em relação a abr/17 ao chegar a 10,2%. Segundo Marianne Hanson, economista da CNC, “A redução do endividamento observada ao longo do primeiro quadrimestre deste ano reflete um ritmo menor de recuperação do consumo das famílias”.

O número de famílias endividadas, na comparação com o mês anterior, registrou queda em ambas as faixas de renda (<10 e >10 Salários Mínimos-SM). Na comparação anual, houve declínio apenas entre as famílias da faixa de renda <10 SM. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas chegou a 62% em abr/18, abaixo dos 62,8% observados em mar/18 e inferior aos 64,1% em abr/17. Para as famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias endividadas passou de 54,0% em mar/18 para 52,2% em abr/18. Em abr/17, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda também estava em 52,2%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas na comparação anual entre os grupos de renda pesquisados. Já na comparação mensal, houve queda do indicador nas duas faixas de renda. Na faixa <10 SM, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 28,1% em mar/18 para 28% no mês seguinte. Em abr/17, 28,9% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 12,6% em abr/18, ante 12,8% observado no mês anterior e 10,8% em abr/17.

Considerando as duas faixas de renda, o percentual de famílias que declararam sem condições de pagar contas em atraso também apresentou comportamentos diversos entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador alcançou 4,2% em abr/18, ante 4,4% em mar/18 e 3,4% em abr/17. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos passou de 11,3%, em mar/18, para 11,8% no mês seguinte, enquanto com relação a abr/17, houve queda de 0,3 p.p. Ainda segundo Marianne Hanson, da CNC, “A taxa de desemprego ainda bastante alta ajuda a explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia.”

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas manteve-se praticamente estável no período mar-abr/18, ficando em 14,1% e 14,2% naqueles meses, respectivamente. Na comparação anual, houve decréscimo de 0,7 p.p. Na comparação entre abr/17 e abr/18, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 23,1% para 22,6%, e a parcela pouco endividada passou de 24,1% para 23,4% do total de famílias. O endividamento das categorias a seguir apresentou declínios na comparação anual: (a) muito endividado (-0,7 p.p.); (b) mais ou menos endividado (-0,5 p.p.); e (c) pouco endividado (-0,7 p.p.).

Entre as famílias com contas/dívidas em atraso, o tempo médio de atraso ficou em 64,3 dias em abr/18, acima dos 63,1 dias observados em abr/17. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7 meses, sendo que 25,9% delas estão comprometidas com dívidas até 3 meses e 32,1%, por mais de 12 meses. Ainda com relação as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu na comparação anual, de 30,2% em abr/17 para 29,2% em abr/18, “e 19,9% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”, segundo o relatório.

O cartão de crédito continua em destaque na preferência das famílias endividadas, atingindo em abr/18 a expressiva marca de 76,1%, seguido por carnê de loja com 16,5%, crédito pessoal com 10,4%, financiamento de carro com 10,2%, financiamento de casa com 8,4%, cheque especial com 6,1%, crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado com 1,1%. A partir de mai/10 (71,2%) o cartão de crédito atingiu o patamar de 70%, e cinco anos depois, em mai/15, chegou a 76,9%, inaugurou o patamar acima de 76%. A preferência das famílias com relação ao endividamento com o cartão de crédito vem se mantendo elevado desde mai/10.

Nas famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 76,8% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,2%. O carnê de loja chega a 17,8% no primeiro caso e cai para 10,2% no segundo. Duas disparidades: financiamento de carro chega a 8,3% nas famílias de baixa renda e sobe para 19,2% na faixa de maior renda, e financiamento de casa atinge 6,7% nas famílias com renda até 10 SM e sobe para 16,2% para as de maior renda.

Portanto, o comportamento dos indicadores macroeconômicos em geral, tem contribuído para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a inadimplência das famílias ainda continuem elevados. A alta taxa de desemprego tem contribuído, em parte, para explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo endividamento com o cartão de crédito demonstra desconhecimento de princípios básicos de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR CAI EM MARÇO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta declínio de 0,8% em mar/18 (101,9 pontos) ante o mês anterior e queda de 0,1% na comparação anual. O índice permanece em patamar baixo, 5,6% abaixo da média histórica de 108 pontos.

Os componentes do INEC ligados às expectativas, inflação, desemprego e renda pessoal, são os principais responsáveis pela queda do índice em março deste ano, na comparação mensal, embora compras de bens de maior valor tenha apresentado variação positiva. As perspectivas da população com relação ao desempenho futuro da inflação (-2,7%), do emprego (-2,6%) e da renda pessoal (-2,9%) em mar/18, se tornaram mais pessimistas ante o mês anterior.

O relatório do INEC afirma que “Os índices relacionados às condições financeiras dos consumidores mostram variações mais modestas. O índice de situação financeira registra crescimento de 0,6% na comparação com fevereiro, refletindo uma melhora da avaliação das finanças de modo geral, enquanto o endividamento aponta pequeno aumento das dívidas ao recuar 0,4%”.

Quatro componentes do INEC apresentaram variação negativa na comparação mensal, enquanto apenas dois apresentaram declínio na comparação anual.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o indicador apresenta decréscimo de 2,7% em mar/18 (107,7 pontos), ante o mês anterior, e registra elevação de 1,5% na comparação anual, a maior expansão entre os componentes do INEC nessa base de comparação.

(b) Expectativa de desemprego: o índice apresenta decréscimo de 2,6% em mar/18 (114,4 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 0,3% na comparação anual;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: esse componente do INEC registra variação negativa de 2,9% em mar/18 (91,3 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 3% na comparação anual. Juntamente com o indicador de endividamento foram os únicos a registrar declínio em ambas as bases de comparação;

(d) Expectativa de Compras de Bens de Maior Valor: o índice registra incremento de 1,4% em mar/18 (111,6 pontos) ante o mês anterior e alta de 0,4% frente a mar/17. Juntamente com o indicador situação financeira, foram os únicos a apresentar crescimento nas duas bases de comparação;

(e) Endividamento: o índice apresenta decréscimo de 0,4% em mar/18 (96,3 pontos) na comparação mensal, e declínio de 0,5% frente a igual período do ano anterior. Esse resultado indica que houve redução do número de pessoas esperando queda do desemprego;

(f) Situação financeira: esse componente apresenta crescimento de 0,6% em mar/18 (91,2 pontos) ante fev/18, e elevação de 0,7% com relação a mar/17, o que indica aumento no número de pessoas que esperam uma melhor situação financeira.

Portanto, cabe observar que compras de bens de maior valor e situação financeira foram os únicos componentes do INEC a apresentar variação positiva nas duas bases de comparação, o que mostra uma percepção melhor do consumidor quanto a compras de bens de maior valor e da evolução da situação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 10 de abril de 2018


INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMILÍAS SOBE EM MARÇO
Régis Varão/¹

A pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias-ICF divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC, apresentou crescimento de 1,1% em mar/18 (88 pontos), na comparação mensal, e subiu 12,6% na comparação anual. Em mar/18, o indicador atingiu o maior valor mensal desde ago/15 quando chegou a 81,8 pontos. Segundo a pesquisa, “Apesar do resultado, o indicador total ainda se mantém abaixo da zona de indiferença - 100 pontos -, refletindo uma percepção de insatisfação com a situação atual”.

O nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos (<10 SM) apresentou alta de 0,8% em mar/18 ante o mês anterior, enquanto famílias com renda >10 SM registraram elevação  de 2%. O índice da famílias de maior renda está em 102,7 pontos, acima do patamar da zona de indiferença (100 pontos). Já as famílias com renda inferior a 10 SM ainda se situam abaixo da zona de indiferença ao atingir 85 pontos.

Na comparação regional, a região Sul registrou o maior incremento no índice geral (+2,6%), enquanto o Centro-Oeste foi a única exceção com variação negativa (-0,9%). A elevação do otimismo está relacionado com a melhora gradativa das condições de consumo. O declínio da inflação, queda da taxa Selic, melhores condições de crédito e evolução do mercado de trabalho, mesmo em ritmo lento, têm melhorado o poder aquisitivo do trabalhador, comprometendo menos a renda das famílias.

Embora tenhamos um cenário econômico mais positivo, a intenção de consumo segue em recuperação lenta, distante dos níveis observados nos últimos oito anos. De acordo com o relatório da pesquisa ICF, “Os consumidores vêm melhorando suas avaliações sobre a economia, mas o nível ainda elevado de endividamento, em especial das famílias de menor poder aquisitivo, leva à maior cautela nos gastos, atuando como fator restritivo ao consumo”.

De acordo com Bruno Fernandes, economista da CNC, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

A seguir, uma análise dos componentes do ICF:

1. Emprego Atual:

Com relação ao mercado de trabalho, esse componente apresentou elevação de 1% em mar/18 (113,5 pontos) ante o mês anterior, e subiu 4,8% na comparação anual. Por outro lado, o percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual em mar/18 está em 33,6%, ante 33,8% observado em fev/18.

As regiões Centro-Oeste com 140,1 pontos, Norte (132,8 pontos) e Sul com 109,3 pontos são as mais confiantes em relação ao componente Emprego Atual, com variações mensais de respectivamente +0,1%, +0,8% e +1,3%. Já as regiões Nordeste com 104,5 pontos e Sudeste com 108,8 pontos registraram os menores níveis de confiança. O valor do indicador Emprego Atual é o maior observado acima da zona de indiferença de 100 pontos, seguido pelo componente Perspectiva Profissional com 105,6 pontos.

2. Nível de Consumo Atual:

Esse componente registrou crescimento de 0,6% em mar/18 (63,1 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 23,6% na comparação anual. De acordo com o relatório do ICF, “A maior parte das famílias, 53%, declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado. O índice se situa em 63,1 pontos”. Embora o índice tenha apresentado a segunda maior variação positiva anual, o valor do índice foi o menor entre os componentes do ICF, em março deste ano.

3. Acesso ao Crédito (Compra a Prazo):

O componente Acesso ao Crédito/compra a prazo apresentou variação positiva de 2,6% em mar/18 (81,1 pontos) ante o mês anterior, e subiu 16,8% na comparação anual. Entre os componentes do ICF, essa modalidade registrou o quarto maior crescimento na comparação anual. O valor registrado em mar/18 foi o maior desde jul/15 quando atingiu 85 pontos.

4. Momento para Duráveis:

O indicador apresentou elevação de 2% em mar/18 ao chegar a 67,2 pontos, ante o mês anterior, e registrou alta de 27,3% na comparação anual. Em mar/18, o indicador apresentou a maior variação anual positiva e o segundo maior crescimento na comparação mensal. O valor observado no terceiro mês deste ano foi o maior verificado desde mai/15 quando chegou a 70,4 pontos.

Considerando por faixa de renda, as famílias com renda <10 SM registraram aumento de 1,2% em mar/18, na comparação mensal, no componente Momento para Duráveis, e as com renda acima de 10 SM apresentaram crescimento de 4,9%. Segundo o relatório do ICF, “Regionalmente, esse indicador variou de 88,5 pontos (Sul) a 51,3 pontos (Norte)”.

Ainda de acordo com o relatório, “A menor volatilidade da taxa de câmbio e as melhores condições de aquisição de crédito, com o início do processo de recuo nas taxas de juros, influenciaram a maior disposição ao consumo, em especial a compra de bens duráveis”.

5. Renda Atual:

Com relação a esse componente houve variação positiva de 0,2% em mar/18 (100 pontos) ante o mês anterior, e subiu 7,6% na comparação anual. O indicador ficou exatamente na zona de indiferença (100 pontos), e o valor observado em mar/18 foi o mais elevado desde ago/15 quando chegou a 100,2 pontos.

6. Perspectiva de Consumo:

O componente apresentou elevação de 1,1% em mar/18 (85,9 pontos) frente ao mês anterior e registrou incremento de 23,3% na comparação anual, tendo registrado a terceira maior variação positiva na comparação anual entre os componentes do ICF. Segundo o relatório, na comparação mensal, “as famílias com renda até dez salários mínimos acusaram alta de 0,8%, e aquelas com renda acima de dez salários apresentaram elevação de 2,4%”.

7. Perspectiva Profissional:

O indicador registrou incremento de 0,5% em mar/18  ao chegar a 105,6 pontos, na comparação mensal, e elevação de 2,6% ante igual período de 2017. O valor do componente em mar/18, foi o segundo maior entre os componentes do ICF, e o maior desde jun/15 quando atingiu 107,6 pontos. A melhora das condições econômicas nos últimos meses tem contribuído para melhorar o desempenho do indicador.

Portanto, o desempenho satisfatório dos componentes momento para duráveis, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e acesso ao crédito, deve-se em grande parte às expectativas de um cenário favorável de preços no curto prazo, manutenção dos juros no atual patamar ou um pouco mais baixo, da maior oferta de crédito e do fortalecimento do emprego.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais, gestão e desenvolvimento de pessoas, educador e planejador financeiro há 25 anos. Palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS FICA ESTÁVEL EM MARÇO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras com dívidas ficou estável em março deste ano ante o mês anterior, mas acima do valor observado em igual período do ano passado. O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso registrou crescimento entre fevereiro e mar/18, bem como na comparação anual. Com relação ao percentual de famílias sem condições de pagar suas contas houve elevação na comparação mensal e declínio ante igual período do ano anterior, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O percentual de famílias com dívidas, entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 61,2% em mar/18, ficando estável em relação ao percentual verificado em fev/18, mas acima do observado em mar/17 quando o indicador chegou a 60,8% do total de famílias.

O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso subiu em mar/18 na comparação mensal, passando de 24,9% para 25,2% do total. Houve elevação do nível de inadimplência das famílias em relação a mar/17 (24,9%) do total. O percentual de famílias sem condições de pagar suas dívidas em atraso, e permanecem inadimplentes, subiu de 9,7% em fev/18 para 10% no mês seguinte, mas registrando redução na comparação anual, ao atingir 10,4% em mar/17. Segundo Marianne Hanson, economista da CNC, “O efeito sazonal do comprometimento de renda com gastos extras de início de ano influencia nesse resultado”.

O número de famílias endividadas apresentou  incremento em ambas as faixas de renda pesquisadas, na comparação mensal e anual. Para as famílias na faixa de renda inferior a 10 salários mínimos-SM, o percentual de famílias como dívidas chegou a 62,8% em mar/18, acima dos 62,7% registrados em fev/18 e superior aos 62,6% em mar/17. Para as famílias que ganham acima de 10 SM, o percentual de famílias com dívidas passou de 53,8% em fev/18 para 54% no mês seguinte, enquanto em mar/17 esse percentual era 51,9%.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso registrou tendências diversas entre os dois grupos de renda pesquisados. Enquanto na comparação mensal, houve crescimento do indicador em ambas as faixas de renda, na comparação anual houve elevação apenas na faixa de renda acima de 10 SM. Na faixa de renda <10 SM, o percentual de famílias com contas em atraso subiu de 27,9% em fev/18 para 28,1% no mês seguinte. No terceiro mês deste ano, 28,3% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, enquanto na faixa de maior renda, o percentual de inadimplência atingiu 12,8% em mar/18, ante 11,9% observado em fev/18 e 10,8% em mar/17.

Considerando as duas faixas de renda, o percentual de famílias sem condições de pagar contas em atraso apresentou comportamentos parecidos entre os grupos pesquisados na comparação mensal. Já na faixa de renda >10 SM, o indicador atingiu 4,4% em mar/18, ante 4% verificado em fev/18 e em mar/17, respectivamente. De acordo com a pesquisa, para o grupo na faixa <10 SM, ”o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos aumentou de 11,1% em fevereiro de 2018, para 11,3% em março de 2018. Em relação a março de 2017, houve queda de 0,7 ponto percentual”.

O percentual de famílias que se declararam muito endividadas subiu entre fev/18 (13,6%) e mar/18 (14,1%) do total de famílias. Na comparação anual houve redução de 0,6 p.p. Já a parcela que declarou estar mais ou menos endividada subiu de 22,3% em mar/17 para 22,9% em mar/18, e a parcela pouco endividada saiu de 23,8% para 24,2% do total de famílias, na mesma base de comparação.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 64,4 dias em mar/18, enquanto em mar/17 atingiu 64,8 dias. O tempo médio de permanência das famílias com dívidas foi de 6,9 meses, com 25,9% comprometidas com dívidas até 90 dias, e 31,3%, por mais de 12 meses. Ainda entre as famílias endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu na comparação anual, caindo de 30,2% em mar/17 para 29,1% em mar/18, “e 20% afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas”, segundo o relatório.

O cartão de crédito continua na preferência das famílias endividadas, atingindo em mar/18 a expressiva marca de 76,4%, seguido por carnê de loja com 16,6%, crédito pessoal com 10,4% (subiu de posição), financiamento de carro com 10,2%, financiamento de casa com 8,4%, cheque especial com 6,2% (subiu de posição), crédito consignado (5,8%) e cheque pré-datado com 1,2%.

Nas famílias com renda até 10 SM, o cartão de crédito chega a 77,1% nas preferências das famílias, enquanto as de maior renda cai para 73,3%. O carnê de loja chega a 17,8% no primeiro caso e cai para 11,1% no segundo. Duas disparidades a considerar: financiamento de carro chega a 8,3% nas famílias de baixa renda e 19,7% na faixa de maior renda, e financiamento de casa atinge 6,6% nas famílias com renda até 10 SM e sobe para 16,7% para as de maior renda.

Portanto, a melhora dos indicadores macroeconômicos em geral, tem contribuído para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, embora o endividamento e a inadimplência das famílias ainda continuem elevados. A elevada taxa de desemprego, embora em declínio, tem contribuído para explicar a dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Por outro lado, a preferência das famílias brasileiras pelo cartão de crédito, como forma de endividamento, demonstra falta de educação financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 31 de março de 2018

O PODER DOS PEQUENOS NÚMEROS
Régis Varão/¹

No final dos anos noventa, o consultor norte-americano especialista em finanças pessoais David Bach desenvolveu a teoria denominada Fator Café, publicada no livro O Milionário Automático, um best seller internacional. A teoria mostra basicamente que a chave para o progresso financeiro pessoal é ficar atento aos pequenos valores gastos no dia a dia.

A maioria das pessoas acredita que o segredo da prosperidade consiste unicamente em buscar novas fontes de receita, procurar alternativas de emprego com salários mais elevados, mudar de empresa, aumentar a renda, trocar de cidade, mudar de país e até mesmo de profissão, como se essas alternativas resolvessem os problemas da gestão financeira individual. Aproveito para registrar a citação atribuída ao físico Albert Einstein a respeito de hábitos: “A definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes.” Einstein estava correto, se não houver alteração nos hábitos de consumo e na postura do indivíduo frente ao dinheiro, com certeza os problemas financeiros continuarão e poderão ser agravados.

Estamos em um país que pratica os juros bancários mais elevados do mundo. Algumas linhas de crédito ultrapassam 330% a.a., enquanto a taxa Selic, juros básicos da economia, está em 6,5% a.a., podendo chegar em maio deste ano a 6% a.a. Segundo O Estado de SP, de 26.3.18, o juro médio total cobrado no rotativo de cartão de crédito subiu 5,9 p.p. de 328% a.a. em jan/18 para 333,9% a.a. no mês seguinte. Este incremento na taxa do rotativo foi observado sob as novas regras de migração da modalidade, que começaram em abr/17. Enquanto a taxa básica de juros vem caindo ao longo dos últimos meses, os bancos continuam a elevá-los. Assim, muita atenção ao utilizar o crédito ofertado pelo sistema bancário nacional.

As pessoas que mudam de trabalho, de cidade e até de país, continuam praticando os mesmos erros, pois não entendem o significado das palavras de Einstein. Grande parte dos brasileiros não tem educação financeira, desconhece os rudimentos de finanças pessoais, matemática financeira, planejamento financeiro e o impacto multiplicador dos juros compostos nas dívidas.

Existem comportamentos que marcam o modo de agir das pessoas que não fazem planejamento financeiro, basta perguntarmos a uma pessoa que teve aumento de receita em 2017, uma promoção, se houve elevação da reserva financeira após o aumento de receita. Com certeza a resposta é não para os que não praticam educação financeira.

Na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento de despesas costuma ser proporcionalmente superior ao aumento da receita. Por outro lado, quando perdemos ou temos redução de nossa receita não reduzimos as despesas com tanta agilidade. A grande maioria das pessoas que perdem receita continuam gastando como se mantivesse o mesmo padrão de renda.

Muitas vezes as pessoas têm aumento de receita e a gastam antes de recebê-la (antecipam consumo), e para piorar existem profissionais bem pagos criando campanhas publicitárias de estímulo ao consumo. Nos feriados, dia das crianças, das mães, dos namorados, semana santa, natal e outros, a publicidade trabalha para induzir o cidadão a consumir cada vez mais, pois são desenvolvidas campanhas sofisticadas que contribuem para tirar ou reduzir os recursos de pessoas que deveriam quitar dívidas ou formar reserva financeira. Muita gente cai nas armadilhas da publicidade em geral, no estímulo visual das decorações das lojas de departamento e dos shoppings. Por falta de planejamento financeiro, o endividamento familiar tem aumentado nos últimos anos.

Retornando ao Fator Café, Bach afirma que “As chamadas ninharias em que desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade”. Há um pouco de exagero na afirmação, mas não devemos desconsiderá-la, pois muitos consumidores não pensam nos gastos do dia a dia, e se preocupam apenas com valores mais elevados, prestação da casa própria, financiamento do carro, aluguel, condomínio, salário da empregada doméstica, previdência privada, colégio das crianças entre outros, sem considerar que as pequenas despesas também impactam negativamente o orçamento doméstico. Muitos esquecem o poder dos pequenos números, e não param para pensar que poderiam acumular reserva financeira se controlassem melhor essas despesas.

Todos têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. A seguir mostramos algumas estimativas cujos valores são corrigidos pela taxa de juros de 0,57% a.m., apenas como forma de exemplificar:

1. Um café expresso tomado após o almoço custa em média R$6,00: (a) ao final do mês totaliza R$180,00; (b) em 12 meses corrigido soma R$2.241,72; (c) em 10 anos sobe para R$31.058,48; e (d) em 20 anos chega a R$92.490,40;

2. Ida à manicure custa entre R$ 20,00 e R$40,00 por semana, sem considerar o deslocamento e em alguns casos o valor do estacionamento: (a) vamos trabalhar com o gasto de R$30,00 por semana, no final do mês soma R$ 120,00; (b) em um ano corrigido pela variação estimada da poupança fica em  R$1.494,48; (c) em 10 anos sobe para R$20.705,65; e (d) em 20 anos R$61.660,27;

3. Um simples pingado mais um pão na chapa custa em média R$7,31, segundo pesquisa realizada em 15 padarias da cidade de SP: (a) em trinta dias temos R$219,30; (b) no ano corrigido atinge R$2.731,17; (c) em 10 anos fica em R$37.839,58; e (d) em 20 anos alcança R$112.684,14;

4. Um filme entre 5ª e domingo fica entre R$27,00 a matinê e R$30,00 à noite, em cidades como Brasília, São Paulo etc. Vamos trabalhar com um ingresso de R$27,00, sem desconto: (a) uma vez por semana fica R$ 108,00 no mês; (b) no ano corrigido totaliza R$1.345,03; (c) em 10 anos soma R$18.635,09; e (d) em 20 anos alcança R$55.494,24;

O café expresso, a manicure, o lanche e o cinema, quando somados atingem R$627,30 em um mês, sobe para R$7.812.41 em doze meses. Em 10 anos chega a R$108.238,79 e finalmente em 20 anos alcança R$322.329,06. Se dividir o valor por 2, simples assim, a qualidade de vida ficaria basicamente inalterada, ganharia mais saúde e ainda teria uma significativa reserva financeira de R$161.164,53 para a aposentadoria. Esse valor poderia gerar uma renda passiva com rendimentos acima da caderneta de poupança. Até mesmo uma aplicação medíocre como a poupança renderia uma quantia satisfatória, aliás, qualquer quantia é melhor que nenhuma.

É o poder dos pequenos números se manifestando. Por esse motivo os pequenos números/valores são irrisórios quando isolados, mas somados a outros pequenos valores se transformam em grandes números, é o efeito dos juros compostos fazendo a diferença e podendo levar ao endividamento.

Cada indivíduo desenvolve o seu Fator Café, que pode ser barato ou caro. O hábito de tomar um ou mais expressos por dia, o jantar após o cinema, a manicure aos sábados, o café da manhã fora de casa, o lanche da tarde, as saídas com os amigos, os presentes dados sem motivo aparente, as assinaturas de revistas/jornais, dois ou mais pontos de TV a cabo, as gorjetas, o estacionamento, as refeições fora de casa são hábitos que ao longo dos anos se transformam em números elevados podem endividar as pessoas ou dificultam a formação de patrimônio (ativos).

Segundo Mauro Calil, “A partir do momento em que compromete a renda ao ponto de precisar cancelar um pacote de TV por assinatura, ou fazer empréstimo para quitar dívidas, o cidadão deve se reeducar”. Logo, reduzir gastos sem alterar a qualidade de vida é a maneira adequada para se atingir a prosperidade e se preparar para uma aposentadoria tranquila.

Para evitar problemas financeiros, estabeleça metas de gastos no dia a dia para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa gosta de um expresso após o almoço, tudo bem, mas evite um segundo à tarde ou após o jantar. O fumante ao reduzir o consumo de cigarros melhora a saúde e o bolso. O lanche próximo ao trabalho deve ser feito em casa. Alugar filmes custa menos que ir ao cinema, pois tem o combustível, a pipoca, o sorvete e até um jantar. As mulheres podem economizar indo uma vez por mês ao salão ou resolver fazer como uma grande amiga que faz as unhas em casa, e está feliz. Ao reduzir as noitadas com os amigos, além de economizar evita problemas com os órgãos do sistema nacional de trânsito.

Assim, existem pequenos gastos diários que não damos importância, mas no final do mês se transformam em grandes valores. Muitas vezes o desperdício pode estar nos detalhes, é o banho demorado, a torneira aberta ao escovar os dentes, luzes acesas em ambientes vazios, sobras do almoço que não são aproveitadas no dia seguinte, isso tudo leva a grandes desperdícios financeiros. Um chuveiro aberto durante 5 minutos consome entre 40 e 50 litros de água, enquanto uma torneira em igual período gasta entre 15 e 20 litros, sem contar a despesa de energia elétrica no primeiro caso.

Embora controles pareçam chatos, tomar cuidado com os pequenos valores podem fazer grande diferença ao longo dos anos. Não vamos perder qualidade de vida ou deixar de fazer o que gostamos, nem virar Tio Patinhas, apenas devemos prestar atenção às pequenas despesas que parecem inofensivas quando vistas isoladamente, mas se tornam perigosas ao longo dos anos.

Portanto, além de tentar reduzir os gastos com o café expresso, o cigarro, o lanche e outros, preste atenção às dicas: ao escovar os dentes feche a torneira, ao ensaboar-se ou usar shampoo feche o chuveiro, verifique periodicamente se existem vazamentos em sua residência, evite interurbano com celular, estabeleça dia específico para lavar e passar roupa, não abra a geladeira muitas vezes, e tudo isso contribui para economizar dinheiro. Bons hábitos refletem positivamente no meio ambiente e no bolso. Economizar no dia a dia é importante para atingir a prosperidade e ter boa saúde financeira.

¹/ Mentor e Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas. Educador e planejador financeiro há 25 anos e palestrante de temas ligados à educação financeira, inteligência financeira, vida financeira saudável, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, e bacharel em direito. Tem se dedicado ao estudo do dinheiro nos últimos 34 anos. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.