AUMENTA O PESSIMISMO DO CONSUMIDOR
Régis Varão/¹
O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI), a partir de pesquisa de opinião pública de abrangência nacional, caiu
4,6% em jan/15 (104,2 pontos) em relação a dez/14 (109,2) e é 8,5% inferior ao
registrado em jan/14 (113,9). É a terceira queda consecutiva, que está cerca de
6% abaixo da média histórica, que é 111,1 pontos e abaixo 6,3% com relação a
dez/13.
A queda na confiança da população resulta do crescimento do pessimismo em relação aos indicadores de inflação e emprego. Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jan/15:
(a) Expectativa de Inflação: em jan/15 atingiu
86,6 pontos, ante 96,2 observados no último mês de 2014, decréscimo de cerca de
10% e registrou queda de aproximadamente 19% quando comparada a dez/13 com
106,7 pontos, sendo a maior variação negativa entre os componentes do INEC no
período analisado. O indicador de inflação é o menor verificado na série
histórica, iniciada em 2001, indicando que o pessimismo do consumidor com
relação à trajetória dos preços nos próximos seis meses é o mais elevado desde
2001;
(b) Expectativa de Desemprego: registrou 103,9
pontos no primeiro mês de 2015, ante 110,7 registrados no mês anterior, declínio
de cerca de 6% e apresentou decréscimo de 14,1% quando comparada a dez/13 (120,9),
a segunda maior queda entre os componentes do INEC, mostrando deterioração das
expectativas dos consumidores quanto ao comportamento do emprego para os
próximos seis meses;
(c) Expectativa da renda pessoal: caiu para 105,1
pontos em jan/15, de 109,7 em dezembro de 2014, com redução de 4,2%. Quando
comparado a dez/13 (112) o indicador de jan/15 apresentou queda de 6,2%;
(d) Situação Financeira: atingiu 105
pontos em jan/15, de 110,3 observados no mês anterior, declínio de 4,8%,
mostrando elevação do pessimismo quanto ao comportamento do indicador para os
próximos meses. Quando comparada a dez/13 (109,3), o indicador registrou queda de
3,9%. O indicador apresenta redução do número de consumidores que melhoraram
suas percepções a respeito do indicador no primeiro mês do ano;
(e) Endividamento: entre os componentes do INEC foi
o único a apresentar variação positiva de 0,5% em jan/15 (101,4) quando
comparado ao mês anterior com 100,9 pontos. Entre dez/14 e o mês seguinte, a
expectativa dos consumidores se manteve praticamente estável. Com relação a
dez/13 com 105,1 pontos, o indicador de jan/15 apresentou declínio de 3,5%;
(f) Compras de bens de maior
valor: esse indicador apresentou
decréscimo de 4,8% entre dez/14 (119,6) e jan/15 com 113,8 pontos. Com relação
a dez/13 (113,5) o primeiro mês do ano registrou elevação de 0,3%, o único
componente do IMEC a registrar variação positiva nessa base de comparação.
Portanto, o declínio do INEC em janeiro deste ano em
relação ao último mês do ano anterior deve-se ao aumento do pessimismo do
consumidor com relação aos diversos componentes do índice. A liderança ficou
com a expectativa de inflação, seguida pelo índice de expectativa de desemprego,
enquanto o indicador de endividamento ficou praticamente estável no período quanto
às expectativas para os próximos seis meses.
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