terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AUMENTA O PESSIMISMO DO CONSUMIDOR
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) elaborado e divulgado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de pesquisa de opinião pública de abrangência nacional, caiu 4,6% em jan/15 (104,2 pontos) em relação a dez/14 (109,2) e é 8,5% inferior ao registrado em jan/14 (113,9). É a terceira queda consecutiva, que está cerca de 6% abaixo da média histórica, que é 111,1 pontos e abaixo 6,3% com relação a dez/13.

A queda na confiança da população resulta do crescimento do pessimismo em relação aos indicadores de inflação e emprego. Fatores que contribuíram para o desempenho do indicador em jan/15:

(a) Expectativa de Inflação: em jan/15 atingiu 86,6 pontos, ante 96,2 observados no último mês de 2014, decréscimo de cerca de 10% e registrou queda de aproximadamente 19% quando comparada a dez/13 com 106,7 pontos, sendo a maior variação negativa entre os componentes do INEC no período analisado. O indicador de inflação é o menor verificado na série histórica, iniciada em 2001, indicando que o pessimismo do consumidor com relação à trajetória dos preços nos próximos seis meses é o mais elevado desde 2001;

(b) Expectativa de Desemprego: registrou 103,9 pontos no primeiro mês de 2015, ante 110,7 registrados no mês anterior, declínio de cerca de 6% e apresentou decréscimo de 14,1% quando comparada a dez/13 (120,9), a segunda maior queda entre os componentes do INEC, mostrando deterioração das expectativas dos consumidores quanto ao comportamento do emprego para os próximos seis meses;

(c) Expectativa da renda pessoal: caiu para 105,1 pontos em jan/15, de 109,7 em dezembro de 2014, com redução de 4,2%. Quando comparado a dez/13 (112) o indicador de jan/15 apresentou queda de 6,2%;

(d) Situação Financeira: atingiu 105 pontos em jan/15, de 110,3 observados no mês anterior, declínio de 4,8%, mostrando elevação do pessimismo quanto ao comportamento do indicador para os próximos meses. Quando comparada a dez/13 (109,3), o indicador registrou queda de 3,9%. O indicador apresenta redução do número de consumidores que melhoraram suas percepções a respeito do indicador no primeiro mês do ano;

(e) Endividamento: entre os componentes do INEC foi o único a apresentar variação positiva de 0,5% em jan/15 (101,4) quando comparado ao mês anterior com 100,9 pontos. Entre dez/14 e o mês seguinte, a expectativa dos consumidores se manteve praticamente estável. Com relação a dez/13 com 105,1 pontos, o indicador de jan/15 apresentou declínio de 3,5%;

(f) Compras de bens de maior valor: esse indicador apresentou decréscimo de 4,8% entre dez/14 (119,6) e jan/15 com 113,8 pontos. Com relação a dez/13 (113,5) o primeiro mês do ano registrou elevação de 0,3%, o único componente do IMEC a registrar variação positiva nessa base de comparação.

Portanto, o declínio do INEC em janeiro deste ano em relação ao último mês do ano anterior deve-se ao aumento do pessimismo do consumidor com relação aos diversos componentes do índice. A liderança ficou com a expectativa de inflação, seguida pelo índice de expectativa de desemprego, enquanto o indicador de endividamento ficou praticamente estável no período quanto às expectativas para os próximos seis meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com larga experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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