DECLÍNIO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM DEZ/2014
Régis Varão/¹
A produção da indústria nacional apresentou
declínio de 2,8% no último mês do ano, ante novembro, sem ajuste sazonal, acentuando
o ritmo de queda frente ao observado em nov/14 (-1,1%). Comparando com igual
mês de 2013, o total da indústria caiu 2,7% em dez/14, décima taxa negativa
consecutiva nesse tipo de comparação. Os índices da indústria foram negativos
para o fechamento do quarto trimestre de 2014 com -4,1%, como no acumulado no segundo
semestre de 2014 (-3,9%), ambas as comparações frente iguais períodos de 2013.
No acumulado de 2014, a atividade industrial recuou 3,2%, ante igual período de
2013, após registrar decréscimo de 2,3% em 2012 e incremento de 2,1% em 2013,
segundo a pesquisa
mensal de produção industrial divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O declínio da atividade industrial entre nov/14 e
dezembro mostrou perfil disseminado de resultados negativos, atingindo as 4
grandes categorias econômicas e 17 dos 24 ramos contemplados na pesquisa. Entre
os setores, as principais influências negativas foram: veículos automotores,
reboques/carrocerias com -5,8%, máquinas e equipamentos com -8,2% e coque,
produtos derivados do petróleo/biocombustíveis com -2,5%, com o primeiro
eliminando alta de 0,4% observada no mês anterior; o segundo registrando o
quarto mês seguido de declínio na produção e recuando no período 10,5%; e o
último fortalecendo a redução de 1,3% de nov/14. Outras contribuições negativas
importantes vieram das atividades: produtos têxteis (-12%), produtos diversos
(-16,3%), eliminando o avanço de 17,2% observado no mês anterior, máquinas, aparelhos
e materiais elétricos (-4,6%), metalurgia (-2,1%), produtos de borracha/material
plástico (-2,8%), produtos de metal (-3%) e produtos de minerais não-metálicos
com -1,7%. Entre os 5 ramos que aumentaram a produção nesse mês, os de maior importância
foram: confecção de artigos do vestuário e acessórios com 8,7%, perfumaria,
sabões, detergentes e produtos de limpeza (2,3%), bebidas (2,8%) e indústrias
extrativas com 0,5%.
Entre as grandes categorias econômicas, comparando
dez/14 com o mês anterior, bens de capital recuou 23% e assinalou a redução mais
acentuada em dez/14, influenciada principalmente pela menor produção de
caminhões, pressionada em grande parte pela concessão de férias coletivas em
várias empresas do setor automobilístico nesse mês. Esse recuo foi o mais
intenso desde jan/12 (-23,1%) e o segundo consecutivo nesse tipo de comparação,
acumulando no período perda de 23,3%. Os segmentos de bens de consumo duráveis
(-2,2%), de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens
intermediários (-0,8%) também apresentaram taxas negativas nesse mês, com os
dois primeiros apontando três meses consecutivos de queda na produção e
acumulando nesse período, respectivamente, declínio de 6,8% e de 4,3%; e o
último com perda acumulada de 3% entre set/14 e dezembro.
Comparando dez/14 com dez/13, bens de capital (-11,9%)
e bens de consumo duráveis (-9,7%) apresentaram quedas mais acentuadas entre as
grandes categorias econômicas. Os bens intermediários (-1,5%) e os bens de
consumo semi e não-duráveis (-1,3%) também apontaram desempenhos negativos
nesse mês, mas com intensidade menor do que a média nacional com -2,7%.
Na comparação trimestral, a indústria recuou 4,1%
no quarto trimestre de 2014 (4ºT14), e registrou a terceira taxa negativa
consecutiva nesse tipo de comparação com queda mais acentuada do que a observada
em jul-set/14 (-3,6%), ambas as comparações contra iguais períodos de 2013.
Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não-duráveis (de
-0,1% para -1,9%) e bens intermediários (de -2,8% para -4,3%) mostraram as
principais perdas entre os dois períodos, mas permaneceram no 4ºT14 com os
resultados negativos menos acentuados. O setor de bens de capital (de -11,5%
para -11,8%) apresentou ligeira alta na intensidade de queda entre os dois
períodos, enquanto o de bens de consumo duráveis, ao passar de -11,2% no 3ºT14
para -8,9% no 4ºT14, apontou a única redução no ritmo de queda.
No acumulado em doze meses de 2014, ante igual período
de 2013, o setor industrial decresceu 3,2%, com perfil disseminado de taxas
negativas, alcançando as 4 grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 60
dos 79 grupos e 63,9% dos 805 produtos pesquisados. Entre os setores, o
principal impacto negativo ficou com veículos automotores, reboques/carrocerias
(-16,8%), pressionado, em grande parte, pela queda na produção de cerca de 90%
dos produtos pesquisados na atividade, com destaque para os declínios em
automóveis e caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques,
autopeças, reboques e semirreboques e veículos para transporte de mercadorias
com motor diesel. Outras contribuições negativas relevantes: setores de
metalurgia (-7,4%), produtos de metal (-9,8%), máquinas e equipamentos (-5,9%),
outros produtos químicos (-3,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,2%),
produtos alimentícios (-1,4%) e produtos de borracha/material plástico com -4%.
Entre as grandes categorias econômicas, o acumulado
jan-dez/14 mostrou menor dinamismo para bens de capital (-9,6%) e bens de
consumo duráveis (-9,2%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação
de bens de capital para equipamentos de transporte (-16,6%), na primeira, e de
automóveis (-14,6%), na segunda. Os segmentos de bens intermediários (-2,7%) e
de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) também assinalaram resultados
negativos no índice acumulado no ano, mas ambos com queda menos intensa do que
a observada na média nacional (-3,2%).
Portanto, o setor industrial em dez/14 continua
com desempenho medíocre, sendo o segundo mês seguido de queda, com o recuo de
dezembro sendo o mais forte desde jul/13 (-3,6%), mas também na disseminação de
taxas negativas nas quatro grandes categorias econômicas e na maior parte das
atividades pesquisadas. Assim, o resultado de dez/14 mostra a indústria 10,3%
abaixo do nível recorde alcançado em jun/13.
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