domingo, 8 de fevereiro de 2015

DECLÍNIO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL EM DEZ/2014
Régis Varão/¹

A produção da indústria nacional apresentou declínio de 2,8% no último mês do ano, ante novembro, sem ajuste sazonal, acentuando o ritmo de queda frente ao observado em nov/14 (-1,1%). Comparando com igual mês de 2013, o total da indústria caiu 2,7% em dez/14, décima taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. Os índices da indústria foram negativos para o fechamento do quarto trimestre de 2014 com -4,1%, como no acumulado no segundo semestre de 2014 (-3,9%), ambas as comparações frente iguais períodos de 2013. No acumulado de 2014, a atividade industrial recuou 3,2%, ante igual período de 2013, após registrar decréscimo de 2,3% em 2012 e incremento de 2,1% em 2013, segundo a pesquisa mensal de produção industrial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O declínio da atividade industrial entre nov/14 e dezembro mostrou perfil disseminado de resultados negativos, atingindo as 4 grandes categorias econômicas e 17 dos 24 ramos contemplados na pesquisa. Entre os setores, as principais influências negativas foram: veículos automotores, reboques/carrocerias com -5,8%, máquinas e equipamentos com -8,2% e coque, produtos derivados do petróleo/biocombustíveis com -2,5%, com o primeiro eliminando alta de 0,4% observada no mês anterior; o segundo registrando o quarto mês seguido de declínio na produção e recuando no período 10,5%; e o último fortalecendo a redução de 1,3% de nov/14. Outras contribuições negativas importantes vieram das atividades: produtos têxteis (-12%), produtos diversos (-16,3%), eliminando o avanço de 17,2% observado no mês anterior, máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,6%), metalurgia (-2,1%), produtos de borracha/material plástico (-2,8%), produtos de metal (-3%) e produtos de minerais não-metálicos com -1,7%. Entre os 5 ramos que aumentaram a produção nesse mês, os de maior importância foram: confecção de artigos do vestuário e acessórios com 8,7%, perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (2,3%), bebidas (2,8%) e indústrias extrativas com 0,5%.

Entre as grandes categorias econômicas, comparando dez/14 com o mês anterior, bens de capital recuou 23% e assinalou a redução mais acentuada em dez/14, influenciada principalmente pela menor produção de caminhões, pressionada em grande parte pela concessão de férias coletivas em várias empresas do setor automobilístico nesse mês. Esse recuo foi o mais intenso desde jan/12 (-23,1%) e o segundo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando no período perda de 23,3%. Os segmentos de bens de consumo duráveis (-2,2%), de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e de bens intermediários (-0,8%) também apresentaram taxas negativas nesse mês, com os dois primeiros apontando três meses consecutivos de queda na produção e acumulando nesse período, respectivamente, declínio de 6,8% e de 4,3%; e o último com perda acumulada de 3% entre set/14 e dezembro.

Comparando dez/14 com dez/13, bens de capital (-11,9%) e bens de consumo duráveis (-9,7%) apresentaram quedas mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os bens intermediários (-1,5%) e os bens de consumo semi e não-duráveis (-1,3%) também apontaram desempenhos negativos nesse mês, mas com intensidade menor do que a média nacional com -2,7%.

Na comparação trimestral, a indústria recuou 4,1% no quarto trimestre de 2014 (4ºT14), e registrou a terceira taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação com queda mais acentuada do que a observada em jul-set/14 (-3,6%), ambas as comparações contra iguais períodos de 2013. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo semi e não-duráveis (de -0,1% para -1,9%) e bens intermediários (de -2,8% para -4,3%) mostraram as principais perdas entre os dois períodos, mas permaneceram no 4ºT14 com os resultados negativos menos acentuados. O setor de bens de capital (de -11,5% para -11,8%) apresentou ligeira alta na intensidade de queda entre os dois períodos, enquanto o de bens de consumo duráveis, ao passar de -11,2% no 3ºT14 para -8,9% no 4ºT14, apontou a única redução no ritmo de queda.

No acumulado em doze meses de 2014, ante igual período de 2013, o setor industrial decresceu 3,2%, com perfil disseminado de taxas negativas, alcançando as 4 grandes categorias econômicas, 20 dos 26 ramos, 60 dos 79 grupos e 63,9% dos 805 produtos pesquisados. Entre os setores, o principal impacto negativo ficou com veículos automotores, reboques/carrocerias (-16,8%), pressionado, em grande parte, pela queda na produção de cerca de 90% dos produtos pesquisados na atividade, com destaque para os declínios em automóveis e caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças, reboques e semirreboques e veículos para transporte de mercadorias com motor diesel. Outras contribuições negativas relevantes: setores de metalurgia (-7,4%), produtos de metal (-9,8%), máquinas e equipamentos (-5,9%), outros produtos químicos (-3,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-7,2%), produtos alimentícios (-1,4%) e produtos de borracha/material plástico com -4%.

Entre as grandes categorias econômicas, o acumulado jan-dez/14 mostrou menor dinamismo para bens de capital (-9,6%) e bens de consumo duráveis (-9,2%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de bens de capital para equipamentos de transporte (-16,6%), na primeira, e de automóveis (-14,6%), na segunda. Os segmentos de bens intermediários (-2,7%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-0,3%) também assinalaram resultados negativos no índice acumulado no ano, mas ambos com queda menos intensa do que a observada na média nacional (-3,2%).

Portanto, o setor industrial em dez/14 continua com desempenho medíocre, sendo o segundo mês seguido de queda, com o recuo de dezembro sendo o mais forte desde jul/13 (-3,6%), mas também na disseminação de taxas negativas nas quatro grandes categorias econômicas e na maior parte das atividades pesquisadas. Assim, o resultado de dez/14 mostra a indústria 10,3% abaixo do nível recorde alcançado em jun/13.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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