quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

RETRAÇÃO DA INDÚSTRIA EM 2014
Régis Varão/¹

Os Indicadores Industriais (II) publicados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referentes à dez/14, finaliza o ano reforçando a tendência de contração da atividade industrial, em especial horas trabalhadas na produção e faturamento real que caíram entre nov/14 e dezembro. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também sugere desaquecimento do parque fabril, já que seu valor atual está abaixo do registrado em dez/13. A média do emprego industrial de 2014 quando comparada à de 2013 caiu 0,7%, que segundo o relatório da CNI “resultado da expressiva queda da atividade sofrida pelo segmento este ano”. As horas trabalhadas e o faturamento também apresentaram queda em 2014, ante o ano anterior. Já o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria manteve-se em alta em 2014, crescendo 2,5% ante o ano anterior.

As horas trabalhadas na produção apresentaram queda de 3,3% em dez/14 frente o mês anterior, na série com ajuste sazonal, reforçando a intensidade do declínio na atividade industrial. Quando comparada a 2013, o baixo ritmo da atividade industrial em dez/14 fica evidente e o indicador atual é 7% inferior ao observado há doze meses. Segundo o relatório da CNI, “o resultado do ano registra queda de 3,7%, marcando o pior desempenho desde 2009”.

Quanto à Utilização da Capacidade Instalada, a indústria trabalhou, em média com 81% da capacidade instalada em dez/14, na série dessazonalizada, ante 80,9% verificado no mês anterior. Essa alteração pode ser considerada um indicativo de estabilidade, que embora não declinando em dezembro a UCI continua sugerindo ociosidade das instalações industriais. Para isso basta comparar dez/14 (81%) com dez/13 que registrou 81,9%. Assim, o ano termina com redução média de 1,3 p.p. na UCI quando comparada a 2013.

O emprego industrial registrou elevação de 0,4% entre nov/14 e dezembro, na serie dessazonalizada. Embora o indicador tenha apresentado movimento positivo no último mês do ano, ainda registra queda de 2,5% quando comparado a dez/13. Comparando a média de 2014 com a de 2013, nota-se declínio de 0,7% no emprego industrial, resultado do forte declínio da atividade apresentada pelo segmento em 2014.

A massa salarial real apresentou declínio de 1,8% no período nov-dez/14, na série dessazonalizada. Quando comparada a dez/13 houve redução de 3,9%. Por outro lado, a média de jan-dez/14 comparada a igual período do ano anterior apresentou variação positiva de 1,5%.

O rendimento médio real decresceu 0,5% entre nov/14 e dezembro, na série dessazonalizada, embora tenha registrado variação positiva no ano. O rendimento médio apresentou crescimento de 2,3%, em termos reais, na comparação de 2014 com 2013. O resultado anual mostra que os reajustes dos salários da indústria cresceram em intensidade desproporcional ao ritmo de atividade registrado pelo segmento em 2014.

Dos cinco componentes pesquisados pelos Indicadores Industrias no período nov-dez/14, na série dessazonalizada, apenas o emprego (+0,4%) registrou elevação, enquanto horas trabalhadas (-3,3%), faturamento real (-3,1%), massa salarial real (-1,8%) e rendimento médio real (-0,5%) apresentaram queda. Já na comparação dez/14 com dez/13 todos os componentes pesquisados apresentaram decréscimos: horas trabalhadas (-7%), massa salarial real (-3,9%), faturamento real e emprego com -2,5%, respectivamente, e rendimento médio real apresentou a menor variação negativa no período com -1,5%.

Portanto, ao analisar o desempenho da média anual de 2014 com igual média de 2013, horas trabalhadas (-3,7%) apresentou o maior declínio, seguido por faturamento real (-1,8%) e emprego industrial com -0,7%, enquanto rendimento médio real (+2,3%) e a massa salarial real com +1,5% foram os únicos a registrarem variação positiva no período.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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