quinta-feira, 19 de março de 2015

DICAS PARA COMPRAR IMÓVEL
Régis Varão/¹

Todo e qualquer investimento tem um fator de risco quanto ao resultado futuro, porém, sempre há incerteza quanto ao retorno esperado, o que pode levar o investidor a perder dinheiro. Cada indivíduo tem seu nível de risco, isto é, se sente mais confortável, por exemplo, quando investe seu dinheiro em poupança, renda fixa, em imóveis e outros, o mercado o chama de conservador, e neste perfil se encontra a maioria dos brasileiros.

A casa própria é considerada o sonho da maioria da população, mas muitas vezes sua realização quando não planejada adequadamente, pode se transformar em problema, afetando o equilíbrio financeiro e emocional dos envolvidos. O desejo da casa própria é tão emblemático, que Theodore Roosevelt afirmou: “Todo homem que investe em um imóvel bem selecionado, em uma comunidade próspera, adota o método mais seguro de se tornar independente. Imóvel é a base da riqueza.” Muitos concordam com essa afirmação.

O mercado imobiliário brasileiro apresentou ritmo elevado de crescimento até há pouco tempo, quando pressionado pelo aumento de renda da população, por programas governamentais de incentivo à construção e maior oferta de crédito. No entanto, a atual conjuntura econômica com aumento da taxa de juros, inflação em alta, elevação do nível de desemprego tem levado as famílias a postergarem o sonho da casa própria.

Por outro lado, existe um déficit habitacional, decorrente de baixas taxas de crescimento da economia ao longo de décadas, o que indica a necessidade de reposição de imóveis não apenas para atender uma demanda potencial decorrente do crescimento da população, mas também pelo aumento populacional observado nas médias e grandes cidades.

Pensando nos diversos problemas que envolvem a aquisição de um imóvel, resolvi publicar algumas dicas da revista Wimoveis, que podem ajudar o potencial comprador. Segundo o Guia de bolso do Mercado Imobiliário, precisamos dos seguintes documentos para a compra do imóvel:

1. DOCUMENTAÇÃO DO IMÓVEL:

- Certidão negativa de ônus reais: documento que comprova a propriedade do imóvel e é emitido pelo Cartório de Registro de Imóveis da circunscrição do imóvel;

- Certidão negativa de IPTU: basta ter o número de inscrição do imóvel, contido no carnê de IPTU.

2. DOCUMENTAÇÃO DO PROPRIETÁRIO:

2.1. COMPRANDO IMÓVEL DE PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA:
Certidões de feitos reipersecutórios (pela internet):

Da Justiça Comum - Especial - no site: www.tjdft.jus.br;
Da Justiça Federal - Civil e Criminal - no site: www.trf1.jus.br;
Da Justiça Trabalhista - nos sites: www.trt10.jus.br e www.tst.jus.br;
De Dívida Ativa - no site: www.fazenda.df.gov.br;

2.2. COMPRANDO IMÓVEL DE PESSOA JURÍDICA:
Além das certidões acima relacionadas, deverão solicitar:

2.2.1. Certidão Negativa de Débito - CND/INSS no site: www.dataprev.gov.br;
2.2.2. Certidão Conjunta de Débito, relativos a Tributos Federais e a Dívida Ativa da União - no site: www.receita.fazenda.gov.br;
2.2.3. Contrato Social e as devidas alterações, arquivados na Junta Comercial, em Brasília (JCDF);
2.2.4. Certidão Simplificada da Junta Comercial, em Brasília (JCDF);
2.2.5. No caso de Sociedade Anônima, Fundações, Associações etc, quando não registradas na JCDF, deverão apresentar os documentos constitutivos e alterações, devidamente registrados nos órgãos de registros competentes.

2.3. EFETIVANDO A COMPRA:

De posse dos documentos acima citados, deverão as partes, leva-las a um Cartório de Notas para lavrar a Escritura Pública de Compra e Venda. Em seguida, vá ao Cartório de Registro de Imóveis para registrá-lo, valendo a máxima: quem não registra não é o legítimo dono.

Portanto, seguindo as dicas do Guia de bolso do Mercado Imobiliário (http://www.wimoveis.com), aqui utilizado, a Wimoveis sugere, ainda, que se retire também o Nada Consta (com o síndico) e a Certidão Negativa do condomínio no Cartório de Distribuição, e finalmente a Certidão Trabalhista em nome dos proprietários, obtida no Tribunal Regional do Trabalho. Cumprido todas as etapas sugeridas, o comprador terá a garantia e a certeza de uma boa aquisição.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
FASES DA VIDA FINANCEIRA
Régis Varão/¹

Em cada fase da vida financeira, nossas necessidades mudam, podendo ficar mais dispendiosas e até mais sofisticadas com o passar dos anos. Quando se é jovem tempo não é problema, não falta energia e disposição para erros e acertos, mas com o passar dos anos o tempo vira produto escasso e caro, e as decisões sabiamente tomadas há vinte, trinta, quarenta anos renderão bons frutos na maturidade.

O tempo passa e as necessidades de cada fase da vida começam a pressionar, mas normalmente é a partir da adolescência que começamos a nos preocupar com os projetos que envolvem atitudes financeiras e que ajudam a transformar sonhos em projetos reais, levando as pessoas, por suas escolhas e atitudes a um futuro com prosperidade ou não.

Segundo Pedro Carrilho (2013), a maioria das pessoas mede sua situação financeira em função de fatores externos, como o imóvel em que vive, o carro ou o emprego que tem, e se esquece que deveria medir sua situação financeira em função da fase financeira em que se encontra e de seus objetivos pessoais.

Tendo em vista que muitas pessoas têm me perguntado a respeito de fases para iniciar projetos que poderão ser realizados em vinte, trinta, quarenta anos depois, resolvi escrever a respeito desse assunto. Alguns podem não se enquadrar nessas fases financeiras aqui descritas, entretanto, podem tomar atitudes adequadas, na época oportuna, e com certeza aproveitarão os benefícios da decisão.

Um percentual elevado de pessoas inicia sua vida financeira próxima aos vinte anos, alguns mais cedo, mas a maioria ainda não terminou o ensino médio ou está iniciando o curso superior. Vamos trabalhar com a seguinte faixa etária:

(a) Até os 20 anos: algumas crianças entre os 7 e 8 anos já demonstram interesse pelo dinheiro,  buscam informações a respeito de preços e até guardam dinheiro para comprar objetos. A infância é a fase propícia para que pais e responsáveis trabalhem conceitos de orçamento e poupança, que serão úteis na vida adulta. A importância que os pais atribuem ao dinheiro provavelmente levarão seus filhos a terem as mesmas atitudes no futuro. Algumas recomendações aos pais: jamais ceder às chantagens, comuns nessa fase da vida, somente dar brinquedos em datas importantes, não comprar itens de vestuário pequeno e em grande quantidade, crescem rápido, não dar celular nessa fase da infância, incentivar a criança a participar das discussões do orçamento familiar, estimular a criança a praticar atividade física e alimentação saudável etc. Na adolescência os gastos tendem a aumentar, são mais suscetíveis aos fatores externos (propaganda etc), principalmente os ligados à moda e aos do grupo em que participam. Nessa fase, devido a pouca idade, é comum os pais bancarem despesas com educação, alimentação, vestuário e lazer. Segundo Cherobim e Espejo (2010), o que não é natural e, infelizmente, acontece muito é um jovem de 14 anos trabalhar para auxiliar a família. A adolescência é uma fase de muita despesa na família, pois o jovem precisa alimentar-se bem, são elevados os gastos com educação, com a prática de esportes, diversão etc. Santos (2013) apresenta as seguintes recomendações aos pais: incentivar o adolescente a participar das discussões mensais do resultado do orçamento familiar, incentivá-lo a fazer cursos de aprimoramento profissional (informática, língua estrangeira etc), convencê-lo a fazer cursos de finanças pessoais, ajudá-lo na definição e escolha do curso superior etc. De acordo com Murilo Carneiro (2014), ”isso vai permitir a formação de uma pessoa equilibrada, que conhece a vida e vai ter a opção de escolher o caminho a seguir.” Um curso técnico ou superior que leve a oportunidades de crescimento, com rendimentos dignos é fruto do investimento realizado na vida pessoal, logo, um desses cursos é o mínimo do ponto de vista de investimento pessoal;

(b) Dos 20 aos 30 anos: para muitas pessoas, a vida adulta se inicia com ingresso na universidade ou casamento, mas não vamos discutir essas opções, até porque há controvérsia. De acordo com Santos (2013), ”Nessa fase, mais precisamente a partir dos vinte anos, espera-se que o jovem orientado na adolescência já esteja estudando em uma faculdade, trabalhando e, no mínimo, conseguindo arcar com suas despesas pessoais.” É a fase em que a pessoa tem rendimentos próprios e é autossustentável. Pedro Carrilho (2013) afirma que essa etapa inicial da vida financeira é uma das mais importantes, pois são cometidos os maiores erros financeiros, e muitas vezes acabam por tirar alguns anos para consertá-los. Nessa fase os ganhos são menores, e aqueles que ainda moram com os pais aumentam a capacidade de poupar. Também pode pensar no próprio negócio, nesse caso, deve consultar o Sebrae. Assim, o foco das finanças deve ser investimento em educação, cursos de idiomas, pós-graduação e outros, é a hora da capacitação. Caso a pessoa não tenha filhos pode correr riscos financeiros, como apostar em aplicações de renda variável e até outras alternativas mais arriscadas. No entanto, o ideal é iniciar o processo de acumulação, guardando parte do que ganha, de preferência o equivalente a um salário bruto mensal por ano;

(c) Dos 30 aos 40 anos: essa é a fase em que começa a construção do patrimônio propriamente dito. É a fase dos grandes projetos financeiros, como a casa própria, o caro importado, o casamento e filhos. Faça reserva financeira de um percentual do salário mensal para essa finalidade. Ao comprar a casa própria é importante ter uma reserva financeira para a entrada do imóvel, o que reduz substancialmente o valor do financiamento. Comprometa no máximo até 25% do orçamento familiar com a prestação da casa própria, e em nenhuma hipótese ultrapasse 30%. Crie o hábito de poupar bônus, prêmios e 13º salário, mantendo uma reserva financeira para emergências. Não exceda a soma de 36 salários mensais brutos da família, reduzindo o esforço na hora de pagar a prestação. A edição nº 189, da revista Você S/A lembra que nessa fase em que os ciclos de carreira estão mais curtos, a pessoa deve investir em cursos de atualização, e que as reservas financeiras ajudarão nesse aspecto. Os projetos de curto prazo ou de menor custo demandam aplicações de baixo risco e menor rendimento como caderneta de poupança ou títulos públicos, estes, uma boa escolha. No entanto, para projetos de 5 anos, as opções mudam, e o mercado de capitais poderia ser uma opção, e após exaustiva pesquisa, fundos multimercados. As Letras de Crédito Agrícolas (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e os títulos do tesouro (Tesouro Direto-STN) vêm apresentando boa rentabilidade, além da liquidez e grande segurança. É interessante um Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), uma modalidade de plano de previdência privada, que possibilita a dedução das contribuições no cálculo do imposto de renda, até um limite de 12% da renda total tributável;

(d) Dos 40 aos 50 anos: você já deve ter fontes de rendimento estáveis e provenientes de investimentos realizados anteriormente em imóveis, fundos de investimentos etc. O alicerce financeiro está forte e seguro, ainda deve manter um percentual dos ganhos mensais para uma reserva financeira, nesse caso, de três a cinco salários brutos mensais por ano, um valor confortável e que permite alavancar as fontes de rendimentos e continuar a investir. O percentual de 20% retirado mensalmente da renda bruta para formar reserva financeira dá tranquilidade e eleva a segurança com o passar dos anos. Como provavelmente você está ganhando mais, caso disponha de imóvel financiado, procure antecipar prestações. Os gastos com filhos, principalmente com educação, tendem a aumentar, e tendo reserva financeira utilize-a com cautela. No caso de desemprego, você precisa de uma reserva equivalente a pelo menos seis meses de despesas mensais. Caso se depare com essa situação, enxugue ao máximo as despesas para não sacrificar a faculdade dos filhos. Quanto à previdência privada nunca mexa nela, pois poderá comprometer o planejamento da aposentadoria feito ao longo dos anos;

(e) Dos 50 aos 60 anos: tente reduzir os gastos e investir um pouco mais já focado na vida pós-aposentadoria. Reserve de 10 a 30% dos ganhos para a previdência privada e continue buscando investimentos seguros como títulos do tesouro, LCA, LCI e alguns fundos de renda fixa. Você está em uma situação em que já deve ter atingido razoável padrão de renda e conforto para ter qualidade de vida. Já deverá ter rendimentos de investimentos que correspondam pelo menos 50% de suas despesas mensais. É importante que nessa fase você faça as coisas que lhe dão prazer, sem buscar ou preocupar-se com remuneração. Você S/A afirma que a expectativa de vida é de mais de 74 anos, mas os consultores sugerem fazer um planejamento como fosse viver 90 anos, e lembre-se que nessa fase as despesas médicas subirão, portanto, invista em um bom plano de saúde;

(f) Acima dos 60 anos: segundo José dos Santos (2013), “espera-se que o individuo bem orientado em todas as etapas anteriores da vida tenha construído um patrimônio financeiro que financie, no mínimo, suas necessidades básicas para desfrutar de uma aposentadoria saudável.” Nessa fase, o esforço na formação do patrimônio feito ao longo dos últimos quarenta anos deve ser recompensado com uma aposentadoria tranquila, com viagens e mais qualidade de vida. É quando você pode realizar alguns sonhos, conhecer novos lugares, estudar um novo idioma etc. Mesmo aposentado é importante continuar aplicando as regras de poupança e investimento, buscando aplicações com baixo risco. Adote uma segunda carreira numa área que lhe dê prazer, pois além de espantar o tédio ajuda a preservar a poupança. Segundo Gustavo Cerbasi, “Que tal sair do padrão? Em vez de se preparar para parar de trabalhar, prepare-se para continuar trabalhando ou para assumir um trabalho mais gratificante na terceira idade. Quem não vê a hora de parar é porque tem um estilo de vida pouco estimulante”. Por outro lado, um novo negócio nessa fase é arriscado, pois são reduzidas as chances de recuperação.

Portanto, infelizmente para muitas pessoas, quando a aposentadoria chega não estão preparadas emocional e financeiramente para esse dia, pois ao longo de suas vidas não pensaram em fazer planejamento financeiro. Pesquisas indicam que 64% dos brasileiros entrevistados nunca pouparam para a aposentadoria, e um terço não tem a intenção de fazê-lo, o que explica a quantidade de pessoas acima de 60 anos ainda na ativa, que não se aposentam por não estarem financeiramente preparadas para essa nova fase. O futuro depende de atitudes que você adota no presente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 18 de março de 2015

MERCADO CONTINUA DESANIMADO
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 13.3.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na grande maioria das variáveis pesquisadas, com exceção da taxa de juros Selic, enquanto para 2016 houve menor número de mudanças. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 13.3.15 elevou para 7,93% a expectativa do IPCA para 2015, ante 7,77% observada na semana anterior e 7,27% há quatro semanas, enquanto na pesquisa de 14.3.14 permanecia em 5,70%. Para 2016, a pesquisa de 13.3.15 eleva para 5,60%, ante 5,51% da semana anterior e 5,60% há quatro semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 13.3.15 corrigiu para 6,02% a projeção do índice para 2015, de 5,97% da semana anterior e 5,81% há trinta dias, enquanto o boletim de 14.3.14 continua em 5,50% para 2015. O Focus desta semana continua trabalhando com estimativa de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 13.3.15 eleva a estimativa do câmbio para R$/U$3,06 em 2015, ante R$/U$2,95 há sete dias e R$/U$2,90 há quatro semanas, enquanto o Focus de 14.3.14 mantém em R$/U$2,54. As expectativas do mercado ficaram pela primeira vez acima de R$/U$3,00. Para 2016, o boletim desta semana eleva a taxa de câmbio para R$/U$3,11;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 13.3.15 mantém a projeção da taxa de juros em 13% a.a. para 2015, ante igual valor divulgado na pesquisa anterior e 12,75% há trinta dias, enquanto o boletim de 14.3.14 estima em 12% a.a. O Focus desta semana projeta em 11,50% a.a. os juros para 2016, valor observado nas últimas sete semanas;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 13.3.15 rebaixou o crescimento do PIB (-0,78%) para 2015, ante -0,66% observado na semana anterior e -0,42% há quatro semanas, enquanto o Focus de 14.3.14 mantém o crescimento do PIB em +2%. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana rebaixou o crescimento do PIB para +1,30%, ante +1,40% divulgado na semana anterior e +1,50% há trinta dias;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para -2,19% em 2015, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -1,38% da semana anterior e -0,43% há quatro semanas, enquanto o boletim de 14.3.14 estima o crescimento da indústria em +3%. Para 2016, a pesquisa de 13.3.15 reduz a projeção de crescimento da indústria para +1,68%, ante +2,45% observado há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 13.3.15 corrigiu para baixo o superávit da balança comercial para U$3 bilhões em 2015, de U$4 bi registrado na semana anterior e U$5 bi observado há trinta dias, enquanto o boletim de 14.3.14 aponta superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana reduz o superávit para U$10 bilhões, de U$10,40 bi da semana anterior e U$12 bi há quatro semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o boletim divulgado nesta semana reduziu a estimativa do IED para U$57,50 bilhões em 2015, de U$60 bi observado nas últimas semanas, enquanto a pesquisa de 14.3.14 apresenta U$55 bilhões, de U$57,30 bi há quatro semanas. O Focus de 13.3.15 mantém a estimativa em U$58 bi para 2016, de U$60 bi há trinta dias.

Portanto, o mercado continua pessimista com o desempenho futuro das principais variáveis macroeconômicas, em especial a produção industrial, inflação, juros e câmbio. O problema político longe de ser resolvido vem causando incertezas quanto ao comportamento dos agentes econômicos, ao mesmo tempo dificultando os ajustes propostos pela equipe econômica, dependente de um congresso cada vez mais arredio.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 13 de março de 2015

MERCADO MAIS DESANIMADO
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 6.3.15, do Banco Central, apresentaram alterações para este ano na maioria das variáveis pesquisadas, com exceção dos juros, balança comercial e Investimento Estrangeiro Direto (IED), enquanto para 2016 cerca de 50% apresentou mudanças frente às estimativas da pesquisa anterior. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 6.3.15 elevou para 7,77% a expectativa do IPCA para 2015, ante 7,47% observada na semana anterior e 7,15% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 7.3.14 mantém em 5,70% nas últimas cinco pesquisas. Para 2016, a pesquisa de 6.3.15 eleva para 5,51%, ante 5,60% há quatro semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 6.3.15 aumentou a projeção do índice para 5,97%, de 5,82% da semana anterior e 5,72% há trinta dias para 2015, enquanto o boletim de 7.3.14 mantém em 5,50% a projeção para 2015. O Focus desta semana continua trabalhando com estimativa de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 6.3.15 eleva a estimativa do câmbio para R$/U$2,95 em 2015, ante R$/U$2,91 há sete dias e R$/U$2,80 há quatro semanas, enquanto o Focus de 7.3.14 mantém em R$/U$2,55. Para 2016, o boletim desta semana mantém o câmbio em R$/U$3,00, valor verificado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 6.3.15 mantém a projeção da taxa Selic em 13% a.a. para 2015, ante igual taxa divulgada na pesquisa anterior e 12,50% há trinta dias, enquanto o boletim de 7.3.14 estima em 12% a.a. O Focus divulgado nesta semana projeta em 11,50% a.a. os juros para 2016, valor observado nas últimas seis semanas;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 6.3.15 continua corrigindo para baixo o crescimento do PIB (-0,66%) para 2015, ante -0,58% observado na semana anterior e variação nula divulgada há quatro semanas, enquanto o Focus de 7.3.14 mantém o crescimento do PIB em +2%. Com relação a 2016, a pesquisa publicada nesta semana rebaixou o crescimento do PIB para +1,40%, ante +1,50% divulgado nas semanas anteriores;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para -1,38% em 2015, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -0,72% da semana anterior e +0,44% há quatro semanas, enquanto o boletim de 7.3.14 estima o crescimento da indústria em +2,95%, mesmo valor registrado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 6.3.15 mantém a projeção de crescimento do setor industrial em +2,40%, ante +2,50% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 6.3.15 corrigiu para baixo o superávit da balança comercial para U$4 bilhões em 2015, de U$5 bi registrado nas últimas semanas, enquanto o boletim de 7.3.14 aponta superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado esta semana reduz o superávit para U$10,40 bilhões, de U$11,24 bi da semana anterior e U$12 bi há quatro semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o boletim divulgado nesta semana continua mantendo a estimativa do IED em U$60 bilhões para 2015, de igual valor observado nas últimas semanas, enquanto a pesquisa de 7.3.14 registra U$55 bilhões, de U$58 bi há quatro semanas. O Focus de 6.3.15 reduz a estimativa para U$58 bi para o IED em 2016, de U$59,50 bi há trinta dias.

Portanto, o mercado continua pessimista com o desempenho das diversas variáveis macroeconômicos, em especial a atividade econômica, taxa de juros e câmbio. O problema político, desequilíbrio das contas públicas, inflação crescente e juros elevados têm contribuído para aumentar a desconfiança do mercado quanto à capacidade da atual equipe econômica de fazer os ajustes necessários.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
POEMA EM LINHA RETA
Régis Varão/¹

O atual momento político brasileiro tem deixado a população aterrorizada, entristecida e envergonhada com tamanha desfaçatez e irresponsabilidade daqueles que deveriam proteger e tratar com parcimônia e respeito a coisa pública e não utilizá-la para fins privados. Os meios de comunicação - jornais, revistas, blogues etc - tem-nos presenteado vinte quatro horas por dia com uma quantidade imensa de relatos tenebrosos, crimes os mais diversos, corrupção desenfreada e tudo parece estar e ser normal, seguindo um padrão já esperado e até aceito por uma parte da sociedade. Pensando nisso, lembrei-me de presentear meus leitores com o interessante e oportuno Poema em Linha Reta, do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), nascido em Lisboa, mas atualíssimo.

Poema em linha reta

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os ter amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 2 de março de 2015

MERCADO CADA VEZ MAIS CÉTICO
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 27.2.15, do Banco Central, apresentaram correções para 2015 em praticamente todas as variáveis relacionadas, exceto para o Investimento Estrangeiro Direto (IED) que se manteve inalterado, enquanto para 2016 a grande maioria permaneceu estável frente às estimativas realizadas na pesquisa anterior. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus divulgado hoje elevou para 7,47% a expectativa do IPCA para 2015, ante 7,33% observada na semana anterior e 7,01% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 28.2.14 mantém em 5,70% nas últimas quatro pesquisas. Para 2016, a pesquisa de 27.2.15 reduz para 5,50%, ante 5,60% das semanas anteriores;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa de 27.2.15 aumentou a projeção do índice para 5,82%, de 5,75% da semana anterior, para este ano, enquanto o boletim de 28.2.14 mantém em 5,50% a variação para 2015. O Focus desta semana indica projeção de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): a pesquisa de 27.2.15 eleva a estimativa do câmbio para R$/U$2,91 em 2015, ante R$/U$2,90 há uma semana e R$/U$2,80 há um mês, enquanto o Focus de 28.2.14 mantém em R$/U$2,55. Para 2016, o boletim de 27.2.15 mantém o câmbio em R$/U$3,00, valor observado nas últimas semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 27.2.15 eleva a projeção da Selic para 13% a.a. em 2015, ante 12,75% a.a. divulgado na semana anterior e 12,50% há trinta dias, enquanto a pesquisa de 28.2.14 estima 12% a.a. O Focus divulgado hoje projeta em 11,50% a.a. a taxa de juros para 2016, valor mantido nas últimas cinco semanas;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 27.2.15 continua corrigindo para baixo o desempenho do PIB (-0,58%) para 2015, ante -0,50% observado na semana anterior e crescimento de 0,03% divulgado há quatro semanas, enquanto o Focus de 28.2.14 mantém o crescimento do PIB em +2%, de igual valor da semana anterior e +2,20% há trinta dias. Com relação a 2016, o Focus de 27.2.15 manteve inalterado o crescimento do PIB em +1,50%, ante mesmos valores observados nas últimas quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrigiu o crescimento da indústria para -0,72% em 2015, ante -0,35% da semana anterior e -0,50% há quatro semanas, enquanto o boletim de 28.2.14 estima o crescimento da indústria em +3%, valor observado nas últimas semanas. Para 2016, a pesquisa de 27.2.15 eleva a projeção de crescimento para +2,40%, ante +2% da semana anterior e 2,50% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 27.2.15 corrigiu o superávit da balança comercial para U$5 bilhões em 2015, enquanto o boletim de 28.2.14 aponta superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado hoje eleva o superávit para U$11,24 bilhões, ante U$11 bi da semana anterior e U$10,51 bi há cinco semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): o boletim divulgado hoje mantém a estimativa do IED em U$60 bilhões para 2015, ante igual valor observado nas últimas semanas, enquanto a pesquisa de 28.2.14 registra U$55 bilhões, de U$60 bi há quatro semanas. O Focus de 27.2.15 reduz a estimativa para U$58,50 bi para o IED em 2016.

Portanto, o mercado continua pessimista com o desempenho dos diversos indicadores macroeconômicos, em especial a atividade econômica para este ano. O desequilíbrio das contas públicas, os juros elevados, a inflação crescente e os ajustes propostos pela nova equipe econômica não têm reduzido a descrença dos agentes econômicos com as condições da economia para os próximos meses.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.