sexta-feira, 30 de junho de 2017

DICAS PRÁTICAS PARA FAZER ECONOMIA E VIVER MELHOR
Régis Varão/¹

O País enfrenta a maior crise político-econômica das últimas décadas, com cerca de 14 milhões de desempregados, segundo o IBGE, sem esperança de solução no curto prazo. A nível local, a última Pesquisa de Emprego e Desemprego-PED, da Codeplan-DF, aponta para 336 mil desempregados no Distrito Federal, demonstrando que os impactos da crise estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho do DF, que tem taxa recorde de desemprego de 20,7%. Observo que o DF tem o maior contingente de empregos estáveis do País (centralização dos poderes da república), o que mostra a extensão da crise.

Com relação ao endividamento, a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de jun/17, da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indica que o endividamento das famílias brasileiras atinge 56,4%. Já o percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso está em 24,3% em junho, enquanto o endividamento com cartão de crédito chega a 77%.

A falta de controle financeiro e consequente endividamento, afeta os relacionamentos, a convivência social, é motivo de divórcios e desentendimentos frequentes com colegas de trabalho, reduz a produtividade, podendo levar a demissões. Na maioria das vezes, dinheiro, orçamento e planejamento financeiro não fazem parte da conversa das famílias. A não ser quando o problema está muito grave e o endividamento é elevado o tema passa a ser discutido em família, mas nem sempre o bom senso é levado em consideração.

Assim, considerando a importância do planejamento financeiro, listamos algumas dicas práticas que podem levar as pessoas a economizarem. Na realidade economizar para ter melhor qualidade de vida presente e futura:

01. Liste todas as suas despesas, inclusive as de pequenos valores como o café espresso. Peça recibo de tudo que pagar o que fará você ter controle de quanto gasta, como gasta e onde pode economizar;

02. Pague suas contas em dia, fuja dos atrasos que incidem juros e multas;

03. Compre sempre que possível a vista, pois assim você poderá negociar descontos;

04. Não parcele compras, pequenos valores quando agregados se transformam em grandes valores e podem levar ao endividamento;

05. Procure gastar menos do que ganha, sua independência financeira estará nessa simples contabilidade;

06. Aprenda a dizer não quando visitar shoppings, as vitrines parecem preparadas para você, para os restaurantes caros e da moda e até para a cerveja com os amigos quando você estiver sem dinheiro;

07. Cuide de sua saúde. Faça check-up anual se tiver <50 anos e dois a cada seis meses se tiver >50 anos. Entretanto, se praticar exercício físico com regularidade e tiver >50, basta um check-up anual;

08. Troque a academia por atividades ao ar livre, aproveite o lazer gratuito, uma corrida no parque, um filme em casa pode ser divertido e custa pouco;

09. Reveja as assinaturas de jornais, revistas, TV a cabo e outros. São necessários? Assuntos diversos estão disponíveis na internet e muitas vezes o pacote de TV a cabo é maior que suas necessidades!

10. Não compre bens de grandes valores se não forem necessários e não estiverem programados ou no orçamento;

11. Quando for à farmácia, compre genéricos, eles fazem o mesmo efeito e são muito mais baratos;

12. Atenção ao consumo de energia, água e telefone. Banhos rápidos, chuveiro desligado ao usar shampoo e atenção aos vazamentos. Quarto/sala vazia não precisa de luz acesa e evite ligações telefônicas demoradas. Faça economia e ajude o meio ambiente;

13. Se possível leve marmita para o trabalho, é mais econômico e possivelmente mais saudável;

14. Quando for ao supermercado, leve uma lista no bolso e não compre nada além do que estiver nela. Uma ideia interessante é pesquisar preços antes de ir às compras ou buscar lojas que vendem no atacado;

15. Abra mão de roupa de marca ou da moda. Se procurar encontra produtos de boa qualidade a preços satisfatórios;

16. Se for convidado para padrinho ou madrinha de casamento ou para algum evento que exija uma roupa melhor, tente alugar. Existem lojas que alugam roupas de festa a baixo custo;

17. Se você mora sozinho não tenha mais que um ponto de TV a cabo;

18. Muitas vezes o telefone fixo é um custo adicional, quem sabe o celular não atenda suas necessidades;

19. Camisas e camisetas velhas podem ser utilizadas como panos de limpeza. Quanto aos alimentos, reaproveite as sobras do dia anterior;

20. Fale com seu gerente de conta sempre que possível e fique atento à rentabilidade de suas aplicações. Aprenda sobre serviços bancários, assim evita elevar os lucros dos bancos. Cancele todas as contas-corrente que não usa;

21. Nunca empreste seu cartão de crédito para ninguém, nem compre bens para terceiros em seu nome, assim você evita surpresas desagradáveis;

22. Use o transporte público ou até mesmo uma bicicleta. Fale com seus amigos e parentes e crie um transporte alternativo, revezando o motorista ao longo da semana;

23. Procure comprar produtos de qualidade, muitas vezes um sapato barato peca pela qualidade e durabilidade;

24. Quanto receber uma renda extra - bonificação, 13º salário etc - guarde para fazer uma reserva financeira;

25. Fale com sua esposa (o) e filhos a respeito da importância de fazer planejamento financeiro. Convença-os da necessidade de reservar um percentual (10% ou mais) ou um valor fixo que será retirado mensalmente da renda líquida conjunta - se os dois trabalham - para uma reserva financeira. A prosperidade depende das atitudes tomadas no trato com o dinheiro no dia a dia.

Portanto, as dicas como o próprio nome sugere indicam alternativas para que as pessoas economizem e evitem gastos supérfluos ou compras desnecessárias que podem levar ao endividamento. A prosperidade é uma alternativa muito boa para todos os que se preparam ao longo da vida, economizando no dia a dia, sem perder qualidade de vida.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor-ICC da Fundação Getúlio Vargas (FGV) recuou de 84,2 pontos em mai/17 para 82,3 no mês seguinte, declínio de 2,3%, enquanto subiu 14% ante jun/16 (72,2 pontos). O Índice da Situação Atual (ISA) chegou a 70,1 pontos em jun/17, declínio de 0,6% frente ao mês anterior, mas acima 9% do observado em jun/16. Cabe observar que o ISA apresentou sua terceira redução consecutiva.

O Índice de Expectativas (IE) por sua vez atingiu 91,7 pontos em jun/17, uma redução de 3,1% quando comparada ao valor verificado no mês anterior. Embora tenha se recuperado em mai/17, registrou declínio no mês seguinte. Na comparação anual, o IE apresentou a maior variação positiva (+16%), quando passou de 79,1 pontos em jun/16 para 91,7 doze meses depois.

De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor-FGV, “A piora das expectativas em junho foi fortemente influenciada pelo aumento da incerteza após os eventos de maio e dos riscos de que estes possam impactar negativamente a economia. A Sondagem apurou piora das expectativas para o emprego e para as finanças familiares, o que, como em um efeito cascata, também reduzem o ímpeto para compras de bens duráveis nos próximos meses“.

Já o indicador que afere as perspectivas com relação à situação financeira das famílias foi o que mais contribuiu para a queda do ICC em jun/17, ao cair 5,6 pontos ante o mês anterior, chegando a 89,9 pontos. A piora das expectativas a respeito da economia, como decorrência da instabilidade política, mais a dificuldade de recuperação do emprego, são variáveis que parecem estrar contribuindo negativamente na hora dos consumidores pensarem em sua situação financeira familiar levando instabilidade às expectativas sobre as finanças familiares e o consumo de bens duráveis nos últimos meses.

A confiança apresentou declínio em todas as faixas de renda, exceto para as famílias com renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00, quando subiu 3,7 pontos em jun/17 ante o mês anterior. Estas famílias demonstraram mais otimismo em junho, o que evitou um decréscimo maior do ICC.

Já na faixa de renda acima de R$9.600,00 houve decréscimo de 2,9 pontos em jun/17 ante maio. Na faixa entre R$4.800,01 e R$9.600,00 o declínio foi 1,4 pontos na comparação mensal. Nessa faixa de renda foi registrado o terceiro mês consecutivo de queda, com a confiança atingindo 83,6 pontos. A queda mais significativa foi na faixa até R$2.100,00 quando recuou 3,1 pontos em jun/17 frente a maio.

Portanto, a queda dos indicadores de confiança e expectativas foram fortemente influenciados pela atual instabilidade política por que passa o País, não havendo expectativas de melhora no curto prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

DICAS PARA CASAIS USAREM DINHEIRO COM INTELIGÊNCIA
Régis Varão/¹

O dinheiro afeta os relacionamentos tanto quanto o amor ou a falta deles. Os processos que tramitam nos tribunais mostram que a principal causa do divórcio é a discussão envolvendo dinheiro. Homens e mulheres se comunicam de maneira diferente quando o assunto é dinheiro ou planejamento financeiro.

Na maioria das vezes, orçamento, planejamento financeiro, dinheiro e controle de gastos não fazem parte da conversa dos casais. Por outro lado, o ideal é manter diálogo constante desde o início do relacionamento para evitar problemas futuros. Muitas vezes o modo como você economiza ou gasta tem reflexos em seus projetos e sonhos. A maneira como você administra o seu dinheiro também pode expressar o quanto valoriza seu parceiro, seu relacionamento ou sua individualidade.

Algumas pessoas entram no casamento em perfeita harmonia com os hábitos financeiros do outro. No entanto, alguns relacionamentos caminham de maneira problemática quando ambos os parceiros são perdulários ou quando um gosta de esbanjar e o outro de economizar. Nesse caso, quando existe grandes diferenças e não são discutidas logo no início do relacionamento, o casal termina sofrendo por causa dessas diferenças.

O planejamento das finanças do casal deve iniciar quando os dois começam a dividir o mesmo teto. É preciso estabelecer parâmetros, regras a serem observadas pelo casal e individualmente logo após passarem a viver sob o mesmo teto, em decorrência de casamento ou união estável (Código Civil). Pergunta a ser feita: como é possível administrar o dinheiro do casal efetivamente enquanto um dos parceiros gasta compulsivamente? As dicas listadas a seguir, tentarão responder adequadamente essa pergunta, utilizando três fatores fundamentais, bom senso, determinação e disciplina.

Apresento 12 dicas que podem contribuir para evitar desentendimentos entre o casal e que ajudarão a usar o dinheiro com inteligência e a manter hábitos financeiros saudáveis:

01. Se você acredita que o namoro pode evoluir para casamento ou união estável, está na hora de começar a conversar sobre dinheiro. Assim, é possível descobrir a forma como o parceiro (a) lida com dinheiro, e discutir a divisão de tarefas futuras;

02. Evite gastos desnecessários ou supérfluos que nada acrescentam em qualidade de vida;

03. Procure dividir as despesas, um paga a água/luz e telefone fixo, o outro o condomínio, a prestação da casa pode ser dividida etc;

04. É importante sentar-se pelo menos uma ou duas vezes por mês para conversar como está o planejamento, que deverá continuar quando resolverem aumentar a família;

05. Ser transparente é a melhor maneira para uma convivência saudável e harmoniosa. Evite gastos sem o conhecimento do parceiro;

06. Problemas financeiros acontecem - desemprego etc - de um dos parceiros ou até do casal, mas devem ser discutidos e resolvidos o mais rápido possível, antes que saia do controle;

07. É importante que o casal tenha objetivos comuns bem definidos e opinem nas decisões que os afetem direta ou indiretamente;

08. Considere a relevância do orçamento financeiro e utilize-o como referência ao fazer compras em shoppings, supermercados etc. Junte os recibos de todas as despesas, inclusive as de pequenos valores. Assim, o casal terá uma visão melhor da situação financeira;

09. Observe que cada pessoa tem sua individualidade e, mesmo sendo um casal, ambos têm direito a uma quantia para usar da maneira que bem entender;

10. Abrir uma conta conjunta e mantê-la transparente, com extratos bancários que possam ser acessados pelos dois;

11. Antes de cobrar disciplina financeira do parceiro, observe se você está cumprindo o planejado. Seja gentil ao tratar de algum excesso não planejado;

12. Reserve um percentual (10% ou mais) ou um valor fixo que será retirado mensalmente da renda líquida conjunta para uma reserva financeira. Esse recurso é uma proteção para o futuro, seja no que se refere a casa própria, aposentadoria ou grandes imprevistos.

Portanto, não é muito fácil fazer orçamento familiar tendo o fator organização e disciplina, mas também não é difícil. É preciso objetivos comuns e bem definidos na hora de fazer o planejamento financeiro. O casal deve trabalhar com a hipótese de uma vida longa juntos, despesas com a educação dos filhos e uma aposentadoria com qualidade de vida. Quanto mais cedo iniciar o planejamento financeiro, mais próximo do sucesso financeiro e familiar o casal estará.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO INDUSTRIAL RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o nível de confiança dos empresários industrias com relação à situação atual e as expectativas para os próximos seis meses. Os indicadores variam no intervalo entre 0 e 100. Os valores acima de 50 indicam situação melhor ou expectativa otimista.

O ICEI de jun/17 atingiu 51,9 pontos, um declínio 3,4% na comparação com o mês anterior, e subiu 13,6% na comparação anual. O melhor desempenho do índice, para um mês de junho, foi em jun/10 quando chegou a 66 pontos. Como mantém-se acima da linha divisória de 50 pontos, inferior à média histórica de 54 pontos, o índice revela que os empresários permanecem confiantes, embora tenha apresentado declínio no período mai-jun/17.

ICEI foi pressionado negativamente pelo desempenho ruim da indústria extrativa que declinou 8,5% em jun/17 ante o mês anterior, seguida pela indústria da construção com queda de 4,4% e pela indústria de transformação com -2,8%. Na comparação anual os três segmentos industriais apresentaram elevação em jun/17, conforme segue: indústria da construção (+14,3%), indústria de transformação (+13,9%) e indústria extrativa com +8%.

Já com relação ao ponte das empresas, as de porte médio registraram queda de 4,4% em jun/17 ante o mês anterior, seguido pelas grandes empresas com -3,4% e as pequenas empresas com declínio de 2,2%.

O Índice de Expectativas-IE - para os próximos seis meses - caiu 4,4% em jun/17 (54,9 pontos) ante o mês anterior, embora tenha registrado crescimento de 7,4% frente a jun/16 (51,1 pontos).

O IE com relação à economia brasileira caiu 8% (49,5 pontos) em junho deste ano, frente ao mês anterior, e cresceu 1,1% na comparação anual. O índice que afere as expectativas com relação à empresa declinou 2,7% em jun/17 (57,7 pontos) frente ao mês anterior, e subiu 7,2% ante jun/16 (53,8 pontos).

O Índice de Condições Atuais-ICA - comparação com os últimos seis meses - da economia brasileira decresceu 0,6% em jun/17 (46 pontos) na comparação mensal, e registrou elevação de 31% ante o mês de jun/16.

O ICA com relação à economia brasileira apresentou queda de 4,9% em jun/17 (42,8 pontos) ante o mês anterior, e quase dobrou na comparação anual quando registrou incremento de 47%. O índice de condições atuais com relação à empresa apresentou pequena variação de 1,5%, ao passar de 47 pontos em mai/17 para 47,7 pontos no mês seguinte. Na comparação anual o índice subiu 25,5%.

Portanto, o declínio do índice de confiança do empresário industrial em junho de 2017, deve-se basicamente a mudanças nas expectativas do empresariado, tendo em vista que a avaliação referente à situação atual não sofreu alteração significativa.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 24 de junho de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR FICA ESTÁVEL EM JUNHO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os próximos meses. Quanto maior o índice, mais pessoas esperam queda da inflação, declínio do desemprego, elevação da renda pessoal, crescimento das compras de bens de maior valor, melhor situação financeira e menos endividamento.

O nível de confiança do consumidor praticamente manteve-se estável em jun/17 (100,5 pontos), quando comparado ao observado em mai/17 (100,6), e ao registado em jun/16 (101 pontos). O valor verificado em jun/17 é 7,4% abaixo da média histórica de 108,5 pontos. Segundo a CNI, “Desde junho de 2016 o INEC oscila entre 100 e 105 pontos. O INEC revela que a confiança do consumidor se mantém estável em patamar baixo, sendo incapaz de estimular uma recuperação do consumo insuficientemente forte para impulsionar a atividade industrial”.

O INEC de jun/17 caiu 0,1% ante o mês anterior, e 0,5% na comparação anual. Já os componentes do indicador não mostram alterações relevantes no período mai-jun/17. Com exceção de Expectativa de renda pessoal (+2,1%) e Expectativa de Inflação (+0,6%), os demais componentes apresentaram queda no período.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Renda Pessoal: o índice apresenta crescimento de 2,1% em jun/17 (91,4 pontos) ante o mês anterior, e registra queda de 0,8% com relação à jun/16 (92,1 pontos). O valor observado em junho deste ano, continua distante do observado em jun/12 (113,7 pontos), quando foi observado o maior valor para um mês de junho desde 2009;

(b) Expectativa de Inflação: o índice registra elevação de 0,6% em jun/17 (108 pontos) com relação ao mês anterior, e fica estável frente a jun/16 com 108 pontos. O maior valor registrado na série histórica foi em jun/10 (117,4 pontos), embora tenha atingido 115,6 pontos em out/16, valor mais próximo ao pico;

(c) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com decréscimo de 1% em jun/17 (111,6 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 0,5% ante igual período do ano anterior. O melhor desempenho do indicador para um mês de junho foi em jun/15 quando atingiu 114,6 pontos;

(d) Endividamento: o indicador apresenta declínio de 0,9% em jun/17 (92,9 pontos) ante o mês anterior, e redução de 2% na comparação anual. Entre os componentes do INEC, o endividamento foi o que apresentou maior decréscimo em 12 meses. Confirma essa informação, a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de mai/17, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com dados do endividamento das famílias;

(e) Situação financeira: a situação financeira dos consumidores apresenta decréscimo de 0,3% em jun/17 (87,9 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 0,1% com relação a jun/16. Foi o indicador a registrar a menor variação negativa na comparação anual. Em jun/10 atingiu 115,5 pontos, um recorde para junho;

(f) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta redução de 0,1% em jun/17 (112,4 pontos) ante o mês anterior, e crescimento de 0,8% com relação a igual período de 2016 (111,5 pontos). O recorde histórico para um mês de junho é 130,6 pontos observado em jun/11.

Portanto, a confiança do consumidor brasileiro manteve-se praticamente estável no período mai-jun/17, embora a expectativa de endividamento das famílias tenha registrado o maior declínio entre os componentes do INEC, confirmando dados pesquisados pela PEIC, da CNC. O desempenho desses indicadores de expectativas decorre, em grande parte, do cenário político instável e das reformas econômicas em andamento no Congresso Nacional.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

MELHORA CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 77,7 pontos em mai/17, em uma escala de 0 a 200, o que indica insatisfação com a situação atual. O ICF é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, afere a avaliação que os consumidores fazem da capacidade e qualidade de consumo atual e futuro, o nível de renda doméstica, as condições de crédito e segurança no emprego.

O ICF apresentou declínio de 0,13% em mai/17, ante o mês anterior, e elevação de 11,2% na comparação anual. O aumento em relação a mai/16 (69,9 pontos) é a terceira variação positiva consecutiva, fato que não ocorria desde 2012. O nível de confiança das famílias com renda <10 salário mínimo (SM) mostrou piora de 1% na avaliação mensal, enquanto daquelas com renda >10 SM registrou aumento de 3,2%. Por outro lado, o índice das famílias mais ricas está em 89,5 pontos, e o das demais em 75,4 pontos.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A confiança das famílias segue em trajetória positiva apesar da pequena queda mensal nos meses de abril e maio. A melhora nas expectativas das famílias se dá, principalmente, pelas notícias favoráveis à retomada da economia, como a desaceleração da inflação, a queda dos juros e a liberação de recursos de contas inativas do FGTS.”

Na comparação regional, duas regiões apresentaram variação mensal positiva, ficando a região Sul na liderança com melhora de 1,5% na intenção de consumo, e o pior resultado ficou com a região Centro-Oeste, registrando decréscimo de 1,3%.

Segundo a pesquisa ICF-CNC, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, uma rápida análise dos diversos componentes do indicador:

Emprego Atual: embora acima da zona de indiferença (100 pontos), com 108,5 pontos, esse componente apresentou queda de 0,1% em mai/17, ante o mês anterior. Já na comparação anual registrou elevação de 8,4%. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual é de 31,8%, ante 31,6% observado em abr/17. A pesquisa ICF afirma que “houve fechamento de 63,3 mil empregos formais em março e o comércio foi o setor que registrou maior retração no mês. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de 118 mil postos de trabalho. Tradicionalmente, os resultados de março sofrem muita influência de fatores sazonais negativos. Um exemplo é o próprio comércio varejista, que apresenta retração nesse mês mesmo em anos de crescimento econômico”. Com relação as regiões, o Centro-Oeste, Norte e Sul são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com respectivamente 135,7 pontos, 123,6 e 112,8 pontos, com variações de -2,3%, +4,1% e -1,3%, nessa ordem. Já o Nordeste com 107,8 pontos e o Sudeste com 99,1 pontos apresentaram os menores níveis de confiança.

Nível de Consumo Atual: esse componente apresentou incremento de 1,9% em mai/17 (52,2 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 16,6% na comparação anual. De acordo com o relatório, “a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor do que o do ano passado (60,2% ante 60,7% em abril)”;

Acesso ao Crédito (Compra a Prazo): esse componente registrou queda de 0,14% em mai/17 na comparação mensal e elevação de 5,3% em relação a abr/16 (66,5 pontos). O crédito, ainda restrito e caro para os consumidores, impactou os resultados dos componentes ligados às compras a prazo;

Momento para Duráveis: o índice alcançou 51,6 pontos em mai/17, um aumento de 1,6% na comparação mensal, após duas quedas consecutivas. Na comparação anual esse componente apresentou crescimento de 20,3%, o sexto consecutivo. Por outro lado, o indicador segue abaixo da zona de indiferença;

Renda Atual: as famílias com renda <10 SM registraram elevação de 1,4% no item Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM registraram decréscimo de 7,1%. Em termos regionais, o indicador apresentou forte variação, 70,9 pontos no Sul ante 29,6 pontos no Norte do País;

Perspectiva de Consumo: esse componente apresentou elevação de 0,4% em mai/17 (70,4 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, o índice apresentou elevação de 28,2%, a nona variação anual positiva desde ago/14. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de 0,8%, e aquelas com renda >10 SM apresentaram elevação de 5,9%;

Perspectiva Profissional: a preocupação das famílias em relação ao mercado de trabalho aparece no componente Perspectiva Profissional, que registrou 98,8 pontos em mai/17, com declínio de 1,6% na comparação mensal. Em relação a mai/16 (93 pontos) apresentou incremento de 6,3%.

Portanto, embora em maio deste ano a confiança tenha caído, ela continua em trajetória positiva, decorrendo em grande parte da melhora das expectativas, bem como de notícias favoráveis à retomada da economia, como queda da inflação, dos juros e juntos à liberação dos recursos - de contas inativas - do FGTS, tem contribuído para uma melhora mais consistente das variáveis que aferem a situação dos consumidores brasileiros nos próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.