quinta-feira, 29 de junho de 2017

ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JUNHO
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor-ICC da Fundação Getúlio Vargas (FGV) recuou de 84,2 pontos em mai/17 para 82,3 no mês seguinte, declínio de 2,3%, enquanto subiu 14% ante jun/16 (72,2 pontos). O Índice da Situação Atual (ISA) chegou a 70,1 pontos em jun/17, declínio de 0,6% frente ao mês anterior, mas acima 9% do observado em jun/16. Cabe observar que o ISA apresentou sua terceira redução consecutiva.

O Índice de Expectativas (IE) por sua vez atingiu 91,7 pontos em jun/17, uma redução de 3,1% quando comparada ao valor verificado no mês anterior. Embora tenha se recuperado em mai/17, registrou declínio no mês seguinte. Na comparação anual, o IE apresentou a maior variação positiva (+16%), quando passou de 79,1 pontos em jun/16 para 91,7 doze meses depois.

De acordo com Viviane Bittencourt, Coordenadora da Sondagem do Consumidor-FGV, “A piora das expectativas em junho foi fortemente influenciada pelo aumento da incerteza após os eventos de maio e dos riscos de que estes possam impactar negativamente a economia. A Sondagem apurou piora das expectativas para o emprego e para as finanças familiares, o que, como em um efeito cascata, também reduzem o ímpeto para compras de bens duráveis nos próximos meses“.

Já o indicador que afere as perspectivas com relação à situação financeira das famílias foi o que mais contribuiu para a queda do ICC em jun/17, ao cair 5,6 pontos ante o mês anterior, chegando a 89,9 pontos. A piora das expectativas a respeito da economia, como decorrência da instabilidade política, mais a dificuldade de recuperação do emprego, são variáveis que parecem estrar contribuindo negativamente na hora dos consumidores pensarem em sua situação financeira familiar levando instabilidade às expectativas sobre as finanças familiares e o consumo de bens duráveis nos últimos meses.

A confiança apresentou declínio em todas as faixas de renda, exceto para as famílias com renda entre R$2.100,01 e R$4.800,00, quando subiu 3,7 pontos em jun/17 ante o mês anterior. Estas famílias demonstraram mais otimismo em junho, o que evitou um decréscimo maior do ICC.

Já na faixa de renda acima de R$9.600,00 houve decréscimo de 2,9 pontos em jun/17 ante maio. Na faixa entre R$4.800,01 e R$9.600,00 o declínio foi 1,4 pontos na comparação mensal. Nessa faixa de renda foi registrado o terceiro mês consecutivo de queda, com a confiança atingindo 83,6 pontos. A queda mais significativa foi na faixa até R$2.100,00 quando recuou 3,1 pontos em jun/17 frente a maio.

Portanto, a queda dos indicadores de confiança e expectativas foram fortemente influenciados pela atual instabilidade política por que passa o País, não havendo expectativas de melhora no curto prazo.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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