sábado, 24 de junho de 2017

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR FICA ESTÁVEL EM JUNHO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores com relação à situação atual e as expectativas para os próximos meses. Quanto maior o índice, mais pessoas esperam queda da inflação, declínio do desemprego, elevação da renda pessoal, crescimento das compras de bens de maior valor, melhor situação financeira e menos endividamento.

O nível de confiança do consumidor praticamente manteve-se estável em jun/17 (100,5 pontos), quando comparado ao observado em mai/17 (100,6), e ao registado em jun/16 (101 pontos). O valor verificado em jun/17 é 7,4% abaixo da média histórica de 108,5 pontos. Segundo a CNI, “Desde junho de 2016 o INEC oscila entre 100 e 105 pontos. O INEC revela que a confiança do consumidor se mantém estável em patamar baixo, sendo incapaz de estimular uma recuperação do consumo insuficientemente forte para impulsionar a atividade industrial”.

O INEC de jun/17 caiu 0,1% ante o mês anterior, e 0,5% na comparação anual. Já os componentes do indicador não mostram alterações relevantes no período mai-jun/17. Com exceção de Expectativa de renda pessoal (+2,1%) e Expectativa de Inflação (+0,6%), os demais componentes apresentaram queda no período.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Renda Pessoal: o índice apresenta crescimento de 2,1% em jun/17 (91,4 pontos) ante o mês anterior, e registra queda de 0,8% com relação à jun/16 (92,1 pontos). O valor observado em junho deste ano, continua distante do observado em jun/12 (113,7 pontos), quando foi observado o maior valor para um mês de junho desde 2009;

(b) Expectativa de Inflação: o índice registra elevação de 0,6% em jun/17 (108 pontos) com relação ao mês anterior, e fica estável frente a jun/16 com 108 pontos. O maior valor registrado na série histórica foi em jun/10 (117,4 pontos), embora tenha atingido 115,6 pontos em out/16, valor mais próximo ao pico;

(c) Expectativas de Compras de Bens de Maior Valor: quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com decréscimo de 1% em jun/17 (111,6 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 0,5% ante igual período do ano anterior. O melhor desempenho do indicador para um mês de junho foi em jun/15 quando atingiu 114,6 pontos;

(d) Endividamento: o indicador apresenta declínio de 0,9% em jun/17 (92,9 pontos) ante o mês anterior, e redução de 2% na comparação anual. Entre os componentes do INEC, o endividamento foi o que apresentou maior decréscimo em 12 meses. Confirma essa informação, a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de mai/17, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com dados do endividamento das famílias;

(e) Situação financeira: a situação financeira dos consumidores apresenta decréscimo de 0,3% em jun/17 (87,9 pontos) ante o mês anterior, e declínio de 0,1% com relação a jun/16. Foi o indicador a registrar a menor variação negativa na comparação anual. Em jun/10 atingiu 115,5 pontos, um recorde para junho;

(f) Expectativa de desemprego: a expectativa de desemprego apresenta redução de 0,1% em jun/17 (112,4 pontos) ante o mês anterior, e crescimento de 0,8% com relação a igual período de 2016 (111,5 pontos). O recorde histórico para um mês de junho é 130,6 pontos observado em jun/11.

Portanto, a confiança do consumidor brasileiro manteve-se praticamente estável no período mai-jun/17, embora a expectativa de endividamento das famílias tenha registrado o maior declínio entre os componentes do INEC, confirmando dados pesquisados pela PEIC, da CNC. O desempenho desses indicadores de expectativas decorre, em grande parte, do cenário político instável e das reformas econômicas em andamento no Congresso Nacional.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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