CONFIANÇA
DO CONSUMIDOR FICA ESTÁVEL EM JUNHO
Régis
Varão/¹
O
Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC)
divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores com
relação à situação atual e as expectativas para os próximos meses. Quanto maior
o índice, mais pessoas esperam queda da inflação, declínio do desemprego, elevação
da renda pessoal, crescimento das compras de bens de maior valor, melhor
situação financeira e menos endividamento.
O
nível de confiança do consumidor praticamente manteve-se estável em jun/17
(100,5 pontos), quando comparado ao observado em mai/17 (100,6), e ao registado
em jun/16 (101 pontos). O valor verificado em jun/17 é 7,4% abaixo da média
histórica de 108,5 pontos. Segundo a CNI, “Desde junho de 2016 o INEC oscila
entre 100 e 105 pontos. O INEC revela que a confiança do consumidor se mantém
estável em patamar baixo, sendo incapaz de estimular uma recuperação do consumo
insuficientemente forte para impulsionar a atividade industrial”.
O
INEC
de jun/17 caiu 0,1% ante o mês anterior, e 0,5% na comparação anual. Já os
componentes do indicador não mostram alterações relevantes no período
mai-jun/17. Com exceção de Expectativa de renda pessoal (+2,1%) e Expectativa
de Inflação (+0,6%), os demais componentes apresentaram queda no período.
Componentes
do INEC:
(a) Expectativa de Renda Pessoal: o índice
apresenta crescimento de 2,1% em jun/17 (91,4 pontos) ante o mês anterior, e registra
queda de 0,8% com relação à jun/16 (92,1 pontos). O valor observado em junho
deste ano, continua distante do observado em jun/12 (113,7 pontos), quando foi
observado o maior valor para um mês de junho desde 2009;
(b) Expectativa de Inflação: o índice registra
elevação de 0,6% em jun/17 (108 pontos) com relação ao mês anterior, e fica
estável frente a jun/16 com 108 pontos. O maior valor registrado na série
histórica foi em jun/10 (117,4 pontos), embora tenha atingido 115,6 pontos em out/16,
valor mais próximo ao pico;
(c) Expectativas
de Compras de Bens de Maior Valor:
quanto ao indicador, houve declínio nas duas bases de comparação, com
decréscimo de 1% em jun/17 (111,6 pontos) frente ao mês anterior, e queda de 0,5%
ante igual período do ano anterior. O melhor desempenho do indicador para um
mês de junho foi em jun/15 quando atingiu 114,6 pontos;
(d) Endividamento: o indicador apresenta declínio
de 0,9% em jun/17 (92,9 pontos) ante o mês anterior, e redução de 2% na
comparação anual. Entre os componentes do INEC, o endividamento foi o que
apresentou maior decréscimo em 12 meses. Confirma essa informação, a Pesquisa
Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), de mai/17, da Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com dados do
endividamento das famílias;
(e) Situação financeira: a situação
financeira dos consumidores apresenta decréscimo de 0,3% em jun/17 (87,9
pontos) ante o mês anterior, e declínio de 0,1% com relação a jun/16. Foi o
indicador a registrar a menor variação negativa na comparação anual. Em jun/10
atingiu 115,5 pontos, um recorde para junho;
(f) Expectativa de desemprego: a
expectativa de desemprego apresenta redução de 0,1% em jun/17 (112,4 pontos) ante
o mês anterior, e crescimento de 0,8% com relação a igual período de 2016 (111,5
pontos). O recorde histórico para um mês de junho é 130,6 pontos observado em
jun/11.
Portanto,
a confiança do consumidor brasileiro manteve-se praticamente estável no período
mai-jun/17, embora a expectativa de endividamento das famílias tenha registrado
o maior declínio entre os componentes do INEC, confirmando dados pesquisados
pela PEIC, da CNC. O desempenho desses indicadores de expectativas decorre,
em grande parte, do cenário político instável e das reformas econômicas em
andamento no Congresso Nacional.
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