MELHORA
CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS
Régis
Varão/¹
A
Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio de
Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 77,7 pontos em mai/17, em uma escala de 0
a 200, o que indica insatisfação com a situação atual. O ICF é um indicador
antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, afere a
avaliação que os consumidores fazem da capacidade e qualidade de consumo atual
e futuro, o nível de renda doméstica, as condições de crédito e segurança no
emprego.
O
ICF apresentou declínio de 0,13% em mai/17, ante o mês anterior, e elevação de
11,2% na comparação anual. O aumento em relação a mai/16 (69,9 pontos)
é a terceira variação positiva consecutiva, fato que não ocorria desde 2012. O
nível de confiança das famílias com renda <10 salário mínimo (SM) mostrou
piora de 1% na avaliação mensal, enquanto daquelas com renda >10 SM
registrou aumento de 3,2%. Por outro lado, o índice das famílias mais ricas
está em 89,5 pontos, e o das demais em 75,4 pontos.
De
acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A confiança das famílias segue
em trajetória positiva apesar da pequena queda mensal nos meses de abril e
maio. A melhora nas expectativas das famílias se dá, principalmente, pelas
notícias favoráveis à retomada da economia, como a desaceleração da inflação, a
queda dos juros e a liberação de recursos de contas inativas do FGTS.”
Na
comparação regional, duas regiões apresentaram variação mensal positiva,
ficando a região Sul na liderança com melhora de 1,5% na intenção de consumo, e
o pior resultado ficou com a região Centro-Oeste, registrando decréscimo de
1,3%.
Segundo
a pesquisa ICF-CNC, a intenção de consumo das famílias segue em
recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, uma rápida análise dos diversos
componentes do indicador:
Emprego Atual: embora acima da zona de indiferença
(100 pontos), com 108,5 pontos, esse componente apresentou queda de 0,1% em mai/17,
ante o mês anterior. Já na comparação anual registrou elevação de 8,4%. O
percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual é
de 31,8%, ante 31,6% observado em abr/17. A pesquisa ICF afirma que “houve
fechamento de 63,3 mil empregos formais em março e o comércio foi o setor que
registrou maior retração no mês. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de
118 mil postos de trabalho. Tradicionalmente, os resultados de março sofrem
muita influência de fatores sazonais negativos. Um exemplo é o próprio comércio
varejista, que apresenta retração nesse mês mesmo em anos de crescimento
econômico”. Com relação as regiões, o Centro-Oeste, Norte e Sul são as mais
confiantes em relação ao Emprego Atual, com respectivamente 135,7 pontos, 123,6
e 112,8 pontos, com variações de -2,3%, +4,1% e -1,3%, nessa ordem. Já o
Nordeste com 107,8 pontos e o Sudeste com 99,1 pontos apresentaram os menores
níveis de confiança.
Nível de Consumo Atual: esse componente apresentou incremento de 1,9% em mai/17
(52,2 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 16,6% na comparação anual. De
acordo com o relatório, “a maior parte das famílias declarou estar com o nível
de consumo menor do que o do ano passado (60,2% ante 60,7% em abril)”;
Acesso ao Crédito (Compra a Prazo): esse componente registrou queda de 0,14%
em mai/17 na comparação mensal e elevação de 5,3% em relação a abr/16 (66,5
pontos). O crédito, ainda restrito e caro para os consumidores, impactou
os resultados dos componentes ligados às compras a prazo;
Momento para Duráveis: o índice alcançou 51,6 pontos em mai/17, um aumento de 1,6% na comparação mensal, após duas
quedas consecutivas. Na comparação anual esse componente apresentou crescimento de 20,3%, o sexto consecutivo. Por outro
lado, o indicador segue abaixo da zona de
indiferença;
Renda Atual: as famílias com renda <10 SM registraram
elevação de 1,4% no item Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com
renda >10 SM registraram decréscimo de 7,1%. Em termos regionais, o
indicador apresentou forte variação, 70,9 pontos no Sul ante 29,6 pontos no
Norte do País;
Perspectiva de Consumo: esse componente apresentou elevação de 0,4% em
mai/17 (70,4 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, o índice apresentou
elevação de 28,2%, a nona variação anual positiva desde ago/14. Já na
comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de
0,8%, e aquelas com renda >10 SM apresentaram elevação de 5,9%;
Perspectiva Profissional: a preocupação
das famílias em relação ao mercado de trabalho aparece no componente
Perspectiva Profissional, que registrou 98,8 pontos em mai/17, com declínio de
1,6% na comparação mensal. Em relação a mai/16 (93 pontos) apresentou
incremento de 6,3%.
Portanto,
embora em maio deste ano a confiança tenha caído, ela continua em trajetória positiva,
decorrendo em grande parte da melhora das expectativas, bem como de notícias
favoráveis à retomada da economia, como queda da inflação, dos juros e juntos à
liberação dos recursos - de contas inativas - do FGTS, tem contribuído para uma
melhora mais consistente das variáveis que aferem a situação dos consumidores
brasileiros nos próximos meses.
¹/ Coach Financeiro, especializado
em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro;
palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica.
Economista pós-graduado stricto sensu
(UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário
durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o
site www.ravecofinancas.com.
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