sexta-feira, 16 de junho de 2017

MELHORA CONFIANÇA DAS FAMÍLIAS
Régis Varão/¹

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) atingiu 77,7 pontos em mai/17, em uma escala de 0 a 200, o que indica insatisfação com a situação atual. O ICF é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, afere a avaliação que os consumidores fazem da capacidade e qualidade de consumo atual e futuro, o nível de renda doméstica, as condições de crédito e segurança no emprego.

O ICF apresentou declínio de 0,13% em mai/17, ante o mês anterior, e elevação de 11,2% na comparação anual. O aumento em relação a mai/16 (69,9 pontos) é a terceira variação positiva consecutiva, fato que não ocorria desde 2012. O nível de confiança das famílias com renda <10 salário mínimo (SM) mostrou piora de 1% na avaliação mensal, enquanto daquelas com renda >10 SM registrou aumento de 3,2%. Por outro lado, o índice das famílias mais ricas está em 89,5 pontos, e o das demais em 75,4 pontos.

De acordo com Juliana Serapio, da CNC, “A confiança das famílias segue em trajetória positiva apesar da pequena queda mensal nos meses de abril e maio. A melhora nas expectativas das famílias se dá, principalmente, pelas notícias favoráveis à retomada da economia, como a desaceleração da inflação, a queda dos juros e a liberação de recursos de contas inativas do FGTS.”

Na comparação regional, duas regiões apresentaram variação mensal positiva, ficando a região Sul na liderança com melhora de 1,5% na intenção de consumo, e o pior resultado ficou com a região Centro-Oeste, registrando decréscimo de 1,3%.

Segundo a pesquisa ICF-CNC, a intenção de consumo das famílias segue em recuperação lenta, porém progressiva. A seguir, uma rápida análise dos diversos componentes do indicador:

Emprego Atual: embora acima da zona de indiferença (100 pontos), com 108,5 pontos, esse componente apresentou queda de 0,1% em mai/17, ante o mês anterior. Já na comparação anual registrou elevação de 8,4%. O percentual de famílias que se sentem mais seguras em relação ao Emprego Atual é de 31,8%, ante 31,6% observado em abr/17. A pesquisa ICF afirma que “houve fechamento de 63,3 mil empregos formais em março e o comércio foi o setor que registrou maior retração no mês. No mesmo mês do ano passado, a retração foi de 118 mil postos de trabalho. Tradicionalmente, os resultados de março sofrem muita influência de fatores sazonais negativos. Um exemplo é o próprio comércio varejista, que apresenta retração nesse mês mesmo em anos de crescimento econômico”. Com relação as regiões, o Centro-Oeste, Norte e Sul são as mais confiantes em relação ao Emprego Atual, com respectivamente 135,7 pontos, 123,6 e 112,8 pontos, com variações de -2,3%, +4,1% e -1,3%, nessa ordem. Já o Nordeste com 107,8 pontos e o Sudeste com 99,1 pontos apresentaram os menores níveis de confiança.

Nível de Consumo Atual: esse componente apresentou incremento de 1,9% em mai/17 (52,2 pontos) ante o mês anterior e crescimento de 16,6% na comparação anual. De acordo com o relatório, “a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor do que o do ano passado (60,2% ante 60,7% em abril)”;

Acesso ao Crédito (Compra a Prazo): esse componente registrou queda de 0,14% em mai/17 na comparação mensal e elevação de 5,3% em relação a abr/16 (66,5 pontos). O crédito, ainda restrito e caro para os consumidores, impactou os resultados dos componentes ligados às compras a prazo;

Momento para Duráveis: o índice alcançou 51,6 pontos em mai/17, um aumento de 1,6% na comparação mensal, após duas quedas consecutivas. Na comparação anual esse componente apresentou crescimento de 20,3%, o sexto consecutivo. Por outro lado, o indicador segue abaixo da zona de indiferença;

Renda Atual: as famílias com renda <10 SM registraram elevação de 1,4% no item Momento para Duráveis na comparação mensal, e as com renda >10 SM registraram decréscimo de 7,1%. Em termos regionais, o indicador apresentou forte variação, 70,9 pontos no Sul ante 29,6 pontos no Norte do País;

Perspectiva de Consumo: esse componente apresentou elevação de 0,4% em mai/17 (70,4 pontos) ante o mês anterior. Na comparação anual, o índice apresentou elevação de 28,2%, a nona variação anual positiva desde ago/14. Já na comparação mensal, as famílias com renda <10 SM apresentaram declínio de 0,8%, e aquelas com renda >10 SM apresentaram elevação de 5,9%;

Perspectiva Profissional: a preocupação das famílias em relação ao mercado de trabalho aparece no componente Perspectiva Profissional, que registrou 98,8 pontos em mai/17, com declínio de 1,6% na comparação mensal. Em relação a mai/16 (93 pontos) apresentou incremento de 6,3%.

Portanto, embora em maio deste ano a confiança tenha caído, ela continua em trajetória positiva, decorrendo em grande parte da melhora das expectativas, bem como de notícias favoráveis à retomada da economia, como queda da inflação, dos juros e juntos à liberação dos recursos - de contas inativas - do FGTS, tem contribuído para uma melhora mais consistente das variáveis que aferem a situação dos consumidores brasileiros nos próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal; educador e planejador financeiro; palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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