segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

AS PRIMEIRAS PROJEÇÕES DE 2016
Régis Varão/¹

As primeiras projeções realizadas em 2016 pelo mercado e divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do Banco Central do Brasil (BCB), de 8.1.16, corrige praticamente todas as estimativas das principais variáveis macroeconômicas para este ano, exceto juros, saldo da balança comercial e Investimentos Diretos no País. Quanto às expectativas do mercado para 2017, o Focus desta semana divulga pela primeira vez essas projeções. A pesquisa contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute apenas oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 8.1.16 corrigiu para 6,93% a estimativa do IPCA para 2016, ante 6,87% observado na semana anterior, e 6,80% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,70% nas últimas sete semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana mantém a expectativa inalterada pela segunda semana consecutiva em 5,20%, ante 5,10% apresentado há um mês. Cabe observar que o IPCA atingiu 10,67% em 2015, a maior variação registrada nos últimos 13 anos, superando o teto da meta de inflação fixado em lei para aquele ano (6,5%);

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 8.1.16 elevou a projeção do índice para 6,18% em 2016, ante 6,14% observada nas três semanas anteriores, enquanto a pesquisa de 9.1.15 mantém estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e três últimas semanas para aquele ano. Para o próximo ano, o boletim de 8.1.16 manteve a expectativa do índice em 5,30% nas últimas quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,25 em 2016, de R$/U$4,21 divulgado na semana anterior, e R$/U$4,20 há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 eleva o câmbio para R$/U$2,83 em 2016, de R$/U$2,80 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$2,75 há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,23, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 8.1.16 mantém os juros, final de período, em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,63% a.a. divulgados há um mês, enquanto o boletim de 9.1.15 mantém a projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje eleva a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,50% a.a. observado na pesquisa anterior, e 12% a.a. apresentado há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 8.1.16 corrigiu para -2,99% o declínio do PIB para 2016, frente ao declínio de 2,95% do relatório da semana anterior, e -2,67% do Focus divulgado há trinta dias. A pesquisa de 9.1.15 mantém em +1,80% a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,90% apresentado há um mês. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o crescimento do PIB para +0,86%, frente à elevação de 1% observada nas últimas semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,45% em 2016, ante uma queda de 3,50% estimado no Focus anterior, e -3,45% há um mês, enquanto a pesquisa de 9.1.15 estima crescimento de 2,65 para aquele ano, de +3% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 8.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,98%, de +2% divulgado na pesquisa anterior, e +1,75% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 8.1.16 mantém a estimativa do superávit comercial em U$35 bilhões para 2016, de U$31,44 bilhões divulgados há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016, de U$15 bi observados há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$34,09 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 8.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo valor divulgado nas últimas quatro semanas, enquanto o relatório de 9.1.15 mantém em U$60 bilhões a projeção para aquele ano, pela décima sétima semana consecutiva. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60 bi, pela décima terceira semana consecutiva.

Um IPCA de 10,67% em 2015, perda continuada do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento e da inadimplência, desemprego crescente, perda de aproximadamente 1,5 milhão de empregos formais no ano passado, atividade econômica em declínio, juros em alta com possibilidade de subir mais e o processo de impeachment da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário mais pessimista em 2016, podendo se estender em 2017.

Portanto, os problemas não ficaram restritos a 2015, e deverão se repetir em 2016, com queda nas vendas do comércio, indústria desativando produção, câmbio e juros em alta entre outros. Além disso, o retorno das férias pode trazer surpresas desagradáveis para os empregados que poderão ser demitidos em decorrência do desempenho medíocre do comércio e da indústria, e da falta de uma política econômica consistente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ANO QUE NÃO ACABOU
Régis Varão/¹

O último Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), datado de 31.12.15, divulgado nesta semana, apresenta correções nas projeções de algumas variáveis pesquisadas para 2015, e corrige mais indicadores para 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve em 10,72% a estimativa do índice para 2015, ante 10,44% observada há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 2.1.15 elevou a projeção do IPCA para 6,56%, ante 6,53% verificada na semana anterior e 6,50% há trinta dias. Para 2016, o último Focus de 2015 elevou a expectativa para 6,87%, ante 6,86% da semana anterior, e 6,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 31.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,79%, de 10,80% na pesquisa anterior, e 11,04% no boletim divulgado há trinta dias. O Focus de 2.1.15 manteve estável nas três últimas semanas em 5,67% a projeção do IGP-DI para 2015, ante 5,70% registrada há um mês. Para 2016, o boletim de 31.12.15 manteve a expectativa do índice em 6,14%, ante 6,17% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o indicador cambial não foi divulgado no boletim de 31.12.15. A pesquisa de 2.1.15 indica câmbio de R$/U$2,80, de R$/U$2,70 divulgado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana elevou para R$/U$4,21 a projeção do câmbio, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 31.12.15 mantém os juros em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,25% a.a. verificados há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 31.12.15 corrige para -3,71% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do relatório divulgado há trinta dias. A pesquisa de 2.1.15 reduz para +0,50% a projeção de crescimento do PIB para aquele ano, frente à variação positiva de 0,73% apresentado há um mês. Com relação a 2016, o último Relatório Focus de 2015 corrigiu a queda do PIB para -2,95% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,81% observado há sete dias, e -2,31% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado nesta semana corrigiu o declínio da indústria para -7,80% em 2015, ante a variação negativa de 7,69% estimada no Focus anterior, e -7,60% há um mês, enquanto a pesquisa de 2.1.15 trabalhava com +1,04 para 2015, de +1,23% verificado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 31.12.15 manteve inalterada a queda da atividade industrial em -3,50%, de -3,40% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, pela quinta semana consecutiva, enquanto a pesquisa de 2.1.15 também manteve inalterada a estimativa do superávit comercial em U$5 bilhões para 2015, de U$6,31 bi observados há quatro semanas. Para este ano, o Focus desta semana elevou para U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$33 bi verificados na semana anterior, e U$31,44 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 31.12.15 corrigiu para cima a estimativa de crescimento do IED, U$63,37 bilhões para 2015, ante U$63 bi da pesquisa divulgada há uma semana, e U$62,60 bi há trinta dias, enquanto o relatório de 2.1.15 manteve em U$60 bilhões a projeção para 2015. Para este ano, a pesquisa divulgada nesta semana manteve estável a estimativa do IED em U$55 bi, de U$57 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, inflação descontrolada, queda do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento das famílias, atividade econômica em declínio, desemprego batendo recordes, juros em alta, mudança da equipe econômica, rebaixamento da nota do Brasil por agências de classificação de risco e a possibilidade de um impeachment da presidente da república tem elevado o clima de instabilidade no País. Os problemas parecem não ficarem restritos a 2015, e o governo continua a depender das negociações políticas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

BANDA LARGA NO BRASIL É UMA PIADA
Régis Varão/¹

Talvez explique as péssimas conexões existentes no País, e em locais públicos como aeroportos, clubes, praças etc, o fato de estarmos no 84º lugar na classificação dos países que menos investem em banda larga e fibra ótica, segundo o relatório The State of the Internet Report 2014 Akamai Technologie. O relatório do 3º trimestre de 2015 da Akamai lista os dez países mais rápidos do mundo.

De acordo com o relatório de 2014 da Akamai, os países que dispõem de conexões mais rápidas são em ordem decrescente de megabits por segundo (Mbps):

01. Hong Kong com 65,4 Mbps;
02. Coreia do Sul com 63,6 Mbps;
03. Japão com 52 Mbps;
04. Singapura com 50,1 Mbps;
05. Israel com 47,7 Mbps;
06. Romênia com 45,4 Mbps;
07. Letônia com 43,1 Mbps;
08. Taiwan com 42,7 Mbps;
09. Holanda com 39,6 Mbps;
10. Bélgica com 38,5 Mbps;
Média mundial = 17,9 Mbps;
84. Brasil com 2,7 Mbps;

O sucesso da ilha chinesa é devido em grande parte não apenas à pequena extensão territorial, mas também em decorrência de elevados investimentos realizados em tecnologia de banda larga e fibra ótica ao longo dos últimos anos.

O relatório do 3º trimestre da Akamai apresenta a média de Mbps nos dez mais rápidos países do mundo:

01. Coreia do Sul com 20,5 Mbps;
02. Suécia com 17,4 Mbps;
03. Noruega com 16,4 Mbps;
04. Suíça com 16,2 Mbps;
05. Hong Kong com 15,8 Mbps;
06. Holanda com 15,6 Mbps;
07. Japão com 15 Mbps;
08. Finlândia com 14,8 Mbps;
09. República Látvia com 14,5 Mbps;
10. República Checa com 14,5 Mbps;
Média mundial = 5,1 Mbps;

Portanto, não estamos bem posicionados mundialmente quanto à rapidez na utilização de internet, e com a crise atual continuaremos devendo serviços razoáveis aos usuários nacionais que pagam caro por péssimos serviços e aos turistas que não entendem como um país continental tem um serviço tão ruim, e sem perspectivas de melhora nos próximos anos. O País tem outras prioridades, investimentos em banda larga talvez possam esperar um pouco mais.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
2015 NÃO DEIXARÁ SAUDADE
Régis Varão/¹

O Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgado nesta semana, apresenta correções nas estimativas de poucas variáveis pesquisadas para 2015, e corrige em mais indicadores para 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 24.12.15 corrigiu para 10,72% a estimativa do índice para 2015, décima quinta semana a registrar elevação, ante 10,70% observada na semana anterior, e 10,38% há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 26.12.14 reduziu a projeção do IPCA para 6,53%, ante 6,49% verificada há trinta dias. Comparando a estimativa observada no final de 2014 (26.12.14) com a divulgada no Focus desta semana, temos uma correção de +4,19 p.p., o que é uma margem de erro significativa. Para 2016, o Focus desta semana elevou a expectativa para 6,86%, ante 6,87% da semana anterior, e 6,64% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 24.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,80%, de 10,82% na pesquisa anterior, e 10,91% no boletim divulgado há trinta dias. O Focus de 26.12.14 manteve estável nas duas últimas semanas em 5,67% a projeção do IGP-DI para 2015, ante 5,69% registrada há um mês. Para 2016, o boletim de 24.12.15 elevou a expectativa do índice para 6,14%, ante 6,11% verificado na semana anterior, e 6,15% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 24.12.15 manteve estável a estimativa do câmbio em R$/U$3,90 nas duas últimas semanas, ante R$/U$3,95 observado há trinta dias. A pesquisa de 26.12.14 elevou para R$/U$2,80 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,75 divulgada na semana anterior, e R$/U$2,67 há um mês. Para 2016, o boletim desta semana manteve em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela nona semana consecutiva;

(d) Taxa Selic (% a.a.): para 2016, o Focus divulgado ontem elevou a estimativa dos juros para 15,25% a.a., ante 14,75% a.a. verificado na pesquisa anterior, e 14,13% a.a. observado há um mês. Ao corrigir pela sexta semana consecutiva os juros para o final de 2016, o mercado aposta em mais aperto na política monetária como fator relevante para conter o aumento dos preços de bens e serviços;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 24.12.15 manteve em -3,70% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,19% do relatório divulgado há trinta dias. A pesquisa de 26.12.14 manteve em +0,55% a projeção de crescimento do PIB para 2015, frente à variação positiva de 0,77% apresentado há um mês. Comparando a projeção de crescimento de +0,55% para 2015, do Focus de 26.12.14, com a estimativa de -3,70% da pesquisa divulgada no início desta semana, temos uma grande disparidade nas expectativas no período, o que demonstra uma piora significativa da atividade econômica ao longo do ano. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a queda do PIB para -2,81% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,80% observado há sete dias, e -2,04% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado ontem corrigiu o declínio da indústria para -7,69% em 2015, ante a variação negativa de 7,70% estimada no Focus anterior, e -7,50% há um mês, enquanto a pesquisa de 26.12.14 trabalhava com +1,02% para 2015, de +1,13% verificado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 24.12.15 corrigiu a queda da atividade industrial para -3,50%, de -3,45% divulgado na semana anterior, e -2,30% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 24.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, pela quarta semana consecutiva. Já a pesquisa de 26.12.14 corrigiu o superávit comercial para U$5 bilhões em 2015, de U$4,83 bi observados há sete dias, e U$6,31 bi verificado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana manteve estável em U$33 bilhões a projeção do superávit comercial para aquele ano, ante U$31,68 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 24.12.15 manteve a estimativa de crescimento do IED em U$63 bilhões para 2015, ante U$62,80 bi da pesquisa divulgada há trinta dias, enquanto o relatório de 26.12.14 elevou para U$60 bilhões em 2015, ante U$58 bi observados há um mês. Para 2016, a pesquisa divulgada nesta semana manteve estável a estimativa do IED em U$55 bi, de U$58 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, inflação subindo, poder aquisitivo da população em baixa, desemprego crescendo, juros elevados, redução do crédito, instabilidade econômica, pessimismo do mercado em alta, ministério público federal e polícia federal “trabalhando muito,” tudo isso e mais a possibilidade de um impeachment da presidente da república vem contaminando as expectativas dos agentes econômicos e da população em geral. Esses problemas têm levado intranquilidade ao ambiente negocial interno e externo, piorando cada vez mais a imagem do País no exterior, que o diga o rebaixamento da nota do Brasil por duas agências internacionais de classificação de risco. Um ano para ser esquecido, se pudéssemos.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

PROBLEMAS POLÍTICOS INTERFEREM NAS EXPECTATIVAS DO MERCADO
Régis Varão/¹

O Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), divulgado ontem, apresenta correções na maioria das variáveis pesquisadas para este ano e o próximo, exceto para a taxa de câmbio e saldo do balanço comercial em 2015, e IPC-Fipe, câmbio e saldo comercial em 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 11.12.15 corrigiu para 10,61% a estimativa do índice para 2015, décima terceira semana a registrar elevação, ante 10,44% observada na semana anterior, e 10,04% há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 12.12.14 manteve a projeção do IPCA em 6,50%, ante 6,40% verificada há trinta dias. Para 2016, o Focus de 11.12.15 elevou a expectativa para 6,80%, ante 6,70% da semana anterior, e 6,50% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 11.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,99%, de 11,04% na pesquisa anterior, e de 10,54% no boletim divulgado há quatro semanas. O Focus de 12.12.14 corrigiu para 5,73% a projeção do IGP-DI para este ano, ante 5,70% registrada há sete dias, e 5,57% há um mês. Para 2016, o boletim de 11.12.15 reduziu a expectativa do índice para 6,14%, ante 6,17% verificado na semana anterior, e 6% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 11.12.15 diminuiu a estimativa do câmbio para R$/U$3,90, ante R$/U$3,95 observado na pesquisa anterior, e R$/U$3,96 indicado há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 elevou para R$/U$2,72 a estimativa do câmbio para 2015, de R$/U$2,70 divulgada na semana anterior, e R$/U$2,61 há um mês. Para 2016, o boletim divulgado ontem manteve em R$/U$4,20 a projeção do câmbio, pela sétima semana consecutiva;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a última expectativa disponível indica juros de 14,25% a.a. para 2015. Esse valor permanece tendo em vista não haver mais reuniões do Copom este ano. Para 2016, o Focus divulgado ontem elevou a estimativa dos juros para 14,63% a.a., ante 14,25% a.a. verificado na pesquisa anterior, e 13,25% a.a. observado há um mês;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 11.12.15 corrigiu para -3,62% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do relatório anterior, e -3,10% há trinta dias. A pesquisa de 12.12.14 corrigiu para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2015 (+0,69%), frente à variação positiva de 0,73% apresentado há uma semana, e +0,80% há um mês. Com relação a 2016, o Relatório Focus desta semana corrigiu a queda do PIB para -2,67% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,31% observado há sete dias, e -2% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado ontem elevou o declínio da indústria para -7,70% para 2015, ante a variação negativa de 7,60% estimada no Focus anterior, e -6,40% há um mês, enquanto a pesquisa de 12.12.14 reduziu o crescimento da indústria para +1,13% para 2015, de +1,23% verificado na pesquisa anterior, e +1,31% há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 11.12.15 corrigiu a queda da atividade industrial para -3,45%, de -2,40% divulgado na semana anterior, e -2,15% há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 11.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, ante U$14,95 bi apresentados há quatro semanas. Já a pesquisa de 12.12.14 corrigiu o superávit comercial para U$5 bilhões em 2015, de U$6,31 bi observados há sete dias, e U$6,50 bi verificado há trinta dias. Para 2016, o Focus desta semana manteve estável em U$31,44 bilhões a estimativa do superávit comercial para aquele ano, ante U$30,55 bi verificados há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 11.12.15 subiu a projeção de crescimento do IED para U$62,40 bilhões em 2015, ante U$62,80 bi da pesquisa divulgada há trinta dias, enquanto o relatório de 12.12.14 elevou para U$58,20 bilhões em 2015, ante U$58 bi nas três semanas anteriores. Para 2016, a pesquisa divulgada ontem corrigiu para baixo a estimativa do IED, U$55 bi, de U$57 bilhões observados há sete dias, e U$58 bi há quatro semanas.

Portanto, preços de bens e serviços em alta, queda do poder aquisitivo da população, forte crescimento do desemprego em vários segmentos da economia, manutenção da Taxa Selic no atual patamar, menor volume de crédito e situação política instável têm contribuído para elevar o pessimismo dos agentes econômicos quanto a uma solução de curto prazo para os problemas nacionais, já contaminando as expectativas do mercado para o próximo ano.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO, UM SANTO REMÉDIO
Régis Varão/¹

Tendo em vista as festas de fim de ano, resolvi gravar um vídeo a respeito dos benefícios da utilização do 13º Salário ou Gratificação Natalina, que termina se transformando em Um Santo Remédio para todos que pretendem fazer bom uso desse salário extra.

Veja o vídeo a seguir:






¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira e conjuntura econômica, Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.