O ANO QUE NÃO
ACABOU
Régis
Varão/¹
O último Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), datado de
31.12.15, divulgado nesta semana, apresenta correções nas
projeções de algumas variáveis pesquisadas para 2015, e corrige mais indicadores
para 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias
nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a
seguir discute oito indicadores:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve em 10,72% a estimativa do índice
para 2015, ante 10,44% observada há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a
pesquisa de 2.1.15 elevou a projeção do IPCA para 6,56%, ante
6,53% verificada na semana anterior e 6,50% há trinta dias. Para 2016, o último
Focus de 2015 elevou a expectativa para 6,87%, ante 6,86% da semana anterior, e
6,70% há um mês;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 31.12.15 reduziu a projeção
do índice para 10,79%, de 10,80% na pesquisa anterior, e 11,04% no boletim
divulgado há trinta dias. O Focus de 2.1.15 manteve
estável nas três últimas semanas em 5,67% a projeção do IGP-DI para 2015, ante
5,70% registrada há um mês. Para 2016, o boletim de 31.12.15 manteve a expectativa
do índice em 6,14%, ante 6,17% observado há quatro semanas;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o indicador
cambial não foi divulgado no boletim de 31.12.15. A pesquisa
de 2.1.15 indica
câmbio de R$/U$2,80, de R$/U$2,70 divulgado há um mês. Para 2016, o boletim desta
semana elevou para R$/U$4,21 a projeção do câmbio, ante R$/U$4,20 observado nas
semanas anteriores;
(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa
de 31.12.15 mantém os
juros em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,25% a.a. verificados há quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 31.12.15 corrige
para -3,71% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do
relatório divulgado há trinta dias. A pesquisa de 2.1.15 reduz para
+0,50% a projeção de crescimento do PIB para aquele ano, frente à variação
positiva de 0,73% apresentado há um mês. Com relação a 2016, o último Relatório Focus de 2015 corrigiu a queda do PIB
para -2,95% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,81% observado há sete
dias, e -2,31% há quatro semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado
nesta semana corrigiu o declínio da indústria para -7,80% em 2015, ante a variação
negativa de 7,69% estimada no Focus anterior, e -7,60% há um mês, enquanto a
pesquisa de 2.1.15 trabalhava
com +1,04 para 2015, de +1,23% verificado há quatro semanas. Para 2016, a
pesquisa de 31.12.15 manteve
inalterada a queda da atividade industrial em -3,50%, de -3,40% divulgado há
trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve a
estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, pela quinta semana
consecutiva, enquanto a pesquisa de 2.1.15 também
manteve inalterada a estimativa do superávit comercial em U$5 bilhões para 2015,
de U$6,31 bi observados há quatro semanas. Para este ano, o Focus desta semana elevou
para U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$33 bi verificados na
semana anterior, e U$31,44 bi há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 31.12.15 corrigiu
para cima a estimativa de crescimento do IED, U$63,37 bilhões para 2015, ante
U$63 bi da pesquisa divulgada há uma semana, e U$62,60 bi há trinta dias, enquanto
o relatório de 2.1.15 manteve em U$60
bilhões a projeção para 2015. Para este ano, a pesquisa divulgada nesta semana manteve
estável a estimativa do IED em U$55 bi, de U$57 bilhões observados há quatro
semanas.
Portanto, inflação descontrolada, queda do poder aquisitivo
da população, elevação do endividamento das famílias, atividade econômica em declínio,
desemprego batendo recordes, juros em alta, mudança da equipe econômica, rebaixamento
da nota do Brasil por agências de classificação de risco e a possibilidade de
um impeachment da presidente da
república tem elevado o clima de instabilidade no País. Os problemas parecem
não ficarem restritos a 2015, e o governo continua a depender das negociações
políticas.
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