quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ANO QUE NÃO ACABOU
Régis Varão/¹

O último Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), datado de 31.12.15, divulgado nesta semana, apresenta correções nas projeções de algumas variáveis pesquisadas para 2015, e corrige mais indicadores para 2016. A pesquisa é realizada pelo BCB, contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras, totalizando 15 indicadores. A análise a seguir discute oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve em 10,72% a estimativa do índice para 2015, ante 10,44% observada há quatro semanas. Ainda com relação a 2015, a pesquisa de 2.1.15 elevou a projeção do IPCA para 6,56%, ante 6,53% verificada na semana anterior e 6,50% há trinta dias. Para 2016, o último Focus de 2015 elevou a expectativa para 6,87%, ante 6,86% da semana anterior, e 6,70% há um mês;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 31.12.15 reduziu a projeção do índice para 10,79%, de 10,80% na pesquisa anterior, e 11,04% no boletim divulgado há trinta dias. O Focus de 2.1.15 manteve estável nas três últimas semanas em 5,67% a projeção do IGP-DI para 2015, ante 5,70% registrada há um mês. Para 2016, o boletim de 31.12.15 manteve a expectativa do índice em 6,14%, ante 6,17% observado há quatro semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o indicador cambial não foi divulgado no boletim de 31.12.15. A pesquisa de 2.1.15 indica câmbio de R$/U$2,80, de R$/U$2,70 divulgado há um mês. Para 2016, o boletim desta semana elevou para R$/U$4,21 a projeção do câmbio, ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;

(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa de 31.12.15 mantém os juros em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,25% a.a. verificados há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 31.12.15 corrige para -3,71% o declínio do PIB para 2015, ante variação negativa de 3,50% do relatório divulgado há trinta dias. A pesquisa de 2.1.15 reduz para +0,50% a projeção de crescimento do PIB para aquele ano, frente à variação positiva de 0,73% apresentado há um mês. Com relação a 2016, o último Relatório Focus de 2015 corrigiu a queda do PIB para -2,95% para aquele ano, frente ao decréscimo de 2,81% observado há sete dias, e -2,31% há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado nesta semana corrigiu o declínio da indústria para -7,80% em 2015, ante a variação negativa de 7,69% estimada no Focus anterior, e -7,60% há um mês, enquanto a pesquisa de 2.1.15 trabalhava com +1,04 para 2015, de +1,23% verificado há quatro semanas. Para 2016, a pesquisa de 31.12.15 manteve inalterada a queda da atividade industrial em -3,50%, de -3,40% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 31.12.15 manteve a estimativa do superávit comercial em U$15 bilhões para 2015, pela quinta semana consecutiva, enquanto a pesquisa de 2.1.15 também manteve inalterada a estimativa do superávit comercial em U$5 bilhões para 2015, de U$6,31 bi observados há quatro semanas. Para este ano, o Focus desta semana elevou para U$35 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$33 bi verificados na semana anterior, e U$31,44 bi há um mês;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 31.12.15 corrigiu para cima a estimativa de crescimento do IED, U$63,37 bilhões para 2015, ante U$63 bi da pesquisa divulgada há uma semana, e U$62,60 bi há trinta dias, enquanto o relatório de 2.1.15 manteve em U$60 bilhões a projeção para 2015. Para este ano, a pesquisa divulgada nesta semana manteve estável a estimativa do IED em U$55 bi, de U$57 bilhões observados há quatro semanas.

Portanto, inflação descontrolada, queda do poder aquisitivo da população, elevação do endividamento das famílias, atividade econômica em declínio, desemprego batendo recordes, juros em alta, mudança da equipe econômica, rebaixamento da nota do Brasil por agências de classificação de risco e a possibilidade de um impeachment da presidente da república tem elevado o clima de instabilidade no País. Os problemas parecem não ficarem restritos a 2015, e o governo continua a depender das negociações políticas.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais, educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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