AS PRIMEIRAS
PROJEÇÕES DE 2016
Régis
Varão/¹
As primeiras projeções realizadas em 2016 pelo
mercado e divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do
Banco Central do Brasil (BCB), de 8.1.16,
corrige praticamente todas as estimativas das principais variáveis
macroeconômicas para este ano, exceto juros, saldo da balança comercial e
Investimentos Diretos no País. Quanto às expectativas do mercado para 2017, o
Focus desta semana divulga pela primeira vez essas projeções. A pesquisa contempla cerca de 100 consultorias nacionais e instituições financeiras,
totalizando 15 indicadores. Por praticidade, a análise discute apenas oito indicadores:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 8.1.16 corrigiu
para 6,93% a estimativa do IPCA para 2016, ante 6,87% observado na semana
anterior, e 6,80% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 9.1.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,70%
nas últimas sete semanas. Já para 2017, o boletim Focus desta semana mantém a expectativa
inalterada pela segunda semana consecutiva em 5,20%, ante 5,10% apresentado há um
mês. Cabe observar que o IPCA atingiu 10,67% em 2015, a maior variação
registrada nos últimos 13 anos, superando o teto da meta de inflação fixado em
lei para aquele ano (6,5%);
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o boletim Focus de 8.1.16 elevou a projeção do índice para 6,18% em 2016, ante 6,14% observada
nas três semanas anteriores, enquanto a pesquisa de 9.1.15 mantém
estável a expectativa do índice em 5,50%, nas vinte e três últimas semanas para
aquele ano. Para o próximo ano, o boletim de 8.1.16 manteve a expectativa do índice em 5,30% nas últimas quatro semanas;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o Relatório de Mercado divulgado
hoje corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de período, para R$/U$4,25
em 2016, de R$/U$4,21 divulgado na semana anterior, e R$/U$4,20 há quatro semanas.
A pesquisa de 9.1.15 eleva o
câmbio para R$/U$2,83 em 2016, de R$/U$2,80 divulgado na pesquisa anterior, e R$/U$2,75
há trinta dias. Para 2017, o boletim desta semana elevou o câmbio para R$/U$4,23,
ante R$/U$4,20 observado nas semanas anteriores;
(d) Taxa Selic (% a.a.): a pesquisa
de 8.1.16 mantém os juros, final de período, em 15,25% a.a. para 2016, ante 14,63%
a.a. divulgados há um mês, enquanto o boletim de 9.1.15 mantém a
projeção da Taxa Selic em 11,50 a.a. para aquele ano. O Focus divulgado hoje
eleva a expectativa dos juros para 12,75 a.a. em 2017, de 12,50% a.a. observado
na pesquisa anterior, e 12% a.a. apresentado há trinta dias;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 8.1.16 corrigiu para -2,99% o declínio do PIB para 2016, frente ao declínio de
2,95% do relatório da semana anterior, e -2,67% do Focus divulgado há trinta
dias. A pesquisa de 9.1.15 mantém em +1,80%
a projeção de crescimento do PIB para 2016, frente à variação positiva de 1,90%
apresentado há um mês. Com relação a 2017, a pesquisa desta semana reduz o
crescimento do PIB para +0,86%, frente à elevação de 1% observada nas últimas
semanas;
(f) Produção Industrial (Em %): o boletim Focus
desta semana corrigiu o declínio da indústria para -3,45% em 2016, ante uma queda
de 3,50% estimado no Focus anterior, e -3,45% há um mês, enquanto a pesquisa de
9.1.15 estima crescimento
de 2,65 para aquele ano, de +3% verificado há quatro semanas. Para 2017, a
pesquisa de 8.1.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +1,98%, de +2% divulgado
na pesquisa anterior, e +1,75% há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 8.1.16 mantém a estimativa do superávit comercial em U$35 bilhões para 2016, de
U$31,44 bilhões divulgados há quatro semanas. A pesquisa de 9.1.15 mantém
inalterada a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016, de U$15
bi observados há trinta dias. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$35 bilhões
a projeção do superávit comercial, de U$34,09 bi verificados há um mês;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa de 8.1.16 mantém a estimativa de crescimento do IED em U$55 bilhões para 2016, mesmo
valor divulgado nas últimas quatro semanas, enquanto o relatório de 9.1.15 mantém em U$60
bilhões a projeção para aquele ano, pela décima sétima semana consecutiva. Para
o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém estável a estimativa do IED em U$60
bi, pela décima terceira semana consecutiva.
Um IPCA de 10,67% em 2015, perda continuada do
poder aquisitivo da população, elevação do endividamento e da inadimplência,
desemprego crescente, perda de aproximadamente 1,5 milhão de empregos formais no
ano passado, atividade econômica em declínio, juros em alta com possibilidade de
subir mais e o processo de impeachment
da presidente da república em andamento têm contribuído para um cenário mais
pessimista em 2016, podendo se estender em 2017.
Portanto, os problemas não ficaram restritos a
2015, e deverão se repetir em 2016, com queda nas vendas do comércio, indústria
desativando produção, câmbio e juros em alta entre outros. Além disso, o
retorno das férias pode trazer surpresas desagradáveis para os empregados que poderão
ser demitidos em decorrência do desempenho medíocre do comércio e da indústria,
e da falta de uma política econômica consistente.
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