segunda-feira, 19 de setembro de 2016

MERCADO CORRIGE SUAS ESTIMATIVAS!
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) revisou a projeção de sete variáveis para 2016 e seis para 2017, em um total de quinze indicadores pesquisados entre cerca de 100 instituições financeiras e consultorias. A seguir, a análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 16.9.16 eleva a estimativa do índice para 7,34% em 2016, ante 7,31% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 18.9.15 eleva para 5,70% para aquele ano. Para 2017, o Focus divulgado hoje mantém em 5,12% a projeção do mercado para o IPCA naquele ano;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 16.9.16 eleva a projeção do índice para 8,03% em 2016, de 7,69% registrado há um mês, enquanto o relatório de 18.9.15 eleva a expectativa do mercado para 5,75% em 2016. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada hoje mantém a expectativa do IGP-DI em 5,50%, pela quarta semana consecutiva;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim Focus divulgado hoje mantém estável a projeção para a taxa de câmbio em R$/U$3,30, na comparação mensal, para o final de 2016. Ainda com relação a 2016, o Focus de 18.9.15 eleva o câmbio para R$/U$4. Para 2017, a pesquisa de 16.9.16 mantém a taxa de câmbio em R$/U$3,45, pela quarta semana consecutiva;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Relatório de Mercado de 16.9.16 mantém a estimativa da taxa de juros em 13,75% a.a. para o final de 2016, nas últimas cinco semanas, enquanto o relatório de 18.9.15 aumenta a projeção dos juros para 12,25% a.a., na comparação mensal. O Focus divulgado hoje mantém a expectativa dos juros em 11% a.a. para 2017, mesmo valor observado nas últimas semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 16.9.16 corrige para -3,15% o declínio do indicador em 2016, ante variação negativa de 3,20% verificada há trinta dias. A pesquisa de 18.9.15 eleva a expectativa de decréscimo do PIB para -0,80% em 2016. Já para 2017, a pesquisa divulgada hoje eleva para +1,36% a projeção de crescimento do PIB, ante +1,20% observado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 16.9.16 mantém o declínio da atividade industrial em -5,93% para 2016, ante queda de 5,95% estimada há trinta dias. Com relação à pesquisa de 18.9.15 a projeção de crescimento do setor industrial declina para +0,20% em 2016, de 1% verificado há um mês. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mantém o crescimento da indústria em +0,50%, de +1,05% apresentado na pesquisa há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 16.9.16 mantém a projeção do superávit comercial em U$50 bilhões para 2016, valor verificado nas últimas cinco semanas. A pesquisa de 18.9.15 eleva a estimativa do superávit comercial para U$21,30 bilhões em 2016. Para 2017, o Focus desta semana reduz para U$47,32 bilhões a estimativa do superávit comercial, de U$48,40 bi registrados há trinta dias;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Relatório de Mercado de 16.9.16 mantém a estimativa do IDP em U$65 bilhões para 2016, valor verificado nas últimas sete semanas, enquanto o relatório de 18.9.15 reduz para U$63 bi a estimativa para 2016. Para 2017, a pesquisa Focus divulgada hoje mantém em U$65 bilhões a projeção do IDP, pela décima semana consecutiva.

Portanto, embora os indicadores de atividade econômica, desemprego, endividamento das famílias, juros e inflação continuem desfavoráveis, a população espera que o governo adote medidas eficazes para tentar resolver os problemas que afligem o País e traga tranquilidade às famílias e ao empresariado nacional.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM AGO/2016
Régis Varão/¹

Após seis meses consecutivas de declínio, o percentual de famílias brasileiras com dívidas apresentou elevação em ago/16 ante o mês anterior, mas decrescendo na comparação anual. O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou incremento ante jul/16, mantendo, no entanto, a tendência de elevação também com relação a ago/15. Já o percentual de famílias que relatou não ter condições de pagar suas contas em atraso cresceu na comparação mensal e anual, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). A pesquisa é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e contempla todas as capitais do País mais Distrito Federal.

O percentual de famílias endividadas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 58% em ago/16, subindo ante o observado em jul/16 (57,7%), mas inferior a ago/15 quando chegou a 62,7%.

O percentual das famílias com dívidas ou contas em atraso também subiu em ago/16, de 22,9% para 24,4% do total, na comparação mensal. Também houve crescimento do percentual de inadimplentes em relação a ago/15, quando o indicador chegou a 22,4%. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso e que, permaneceriam inadimplentes subiu nas duas bases de comparação, atingindo 9,4% em ago/16, ante 8,7% em jul/16 e 8,4% em ago/15.

Com relação a proporção de famílias que se declararam muito endividadas, houve declínio entre os meses de jul/16 e ago/16, de 14,7% para 14,6% do total. Na comparação anual, houve alta de 1 p.p. Na comparação entre ago/15 e ago/16, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 24,0% para 20,7%, e a parcela pouco endividada passou de 25,1% para 22,7% do total de famílias.

Por tipo de dívida, o cartão de crédito continua tendo a preferência das famílias, sendo apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,5% das famílias endividadas, seguido de carnês de loja com 15,3%, financiamento de carro (11,1%), crédito pessoal com 10,2%, financiamento de casa com 7,9%, cheque especial com 7,1% e crédito consignado com 6%.

No grupo de famílias com renda até dez salários mínimos (10 SM), o cartão de crédito tem a preferência de 78% das famílias endividadas, seguido pelo carnê de lojas por 16,1% e crédito pessoal (10%). Já entre as famílias com renda acima de 10 SM, os principais tipos de dívida apontados em ago/16 foram: cartão de crédito por 70,1%, financiamento de carro por 21,2% e financiamento de casa por 16%.

O percentual de famílias endividadas cresceu em ago16, interrompendo uma sequência de seis meses de declínio. Na comparação com igual período de 2015, esse indicador apresenta queda de 4,7 p.p. A retração do consumo, reflexo da perda do poder de compra dos salários e do custo elevado do crédito, podem explicar a queda recente dos níveis de endividamento.

A proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso subiu, assim como a proporção daquelas que não têm condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso. Com relação ao ano anterior, houve piora de ambos os indicadores de inadimplência e um número maior de famílias apresentou dificuldade de pagar suas contas e dívidas no vencimento. Juros elevados, cenário desfavorável do mercado de trabalho e perda do poder aquisitivo refletiram negativamente nesses indicadores.

Portanto, após seis meses consecutivas de decréscimo, o percentual de famílias brasileiras com dívidas subiu em ago/16 ante o mês anterior, mas caiu na comparação anual (-4,7 p.p.), embora o percentual daquele mês ainda continue elevado, o que denota o tamanho da crise por que passa a economia brasileira. Observo, no entanto, que o crédito consignado atingiu pela primeira vez, em ago/16, a marca de 6%, o que é positivo por tratar-se do crédito mais barato quando comparado aos demais do mercado financeiro nacional.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

UM PAÍS DE MALANDROS E ESPERTOS!
Régis Varão/¹

Transcrevo o atualíssimo discurso do publicitário Nizan Guanaes como paraninfo de uma turma de formandos em Administração de Empresas na Bahia, em 2010. O discurso reflete aspectos da cultura brasileira, tão bem caracterizada no “o jeitinho brasileiro,” descrito pelo antropólogo Roberto Damatta.

“Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo." E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens.
Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu.

Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.

Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho. Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.

Trabalhe Em Algo Que Você Realmente Goste, E Você Nunca Precisará Trabalhar Na Vida.”

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

MERCADO AGUARDA MEDIDAS CORRETIVAS DA ECONOMIA!
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada ontem pelo Banco Central (BCB) revisou cerca de 50% das projeções do mercado para 2016 e em torno de 35% das projeções para 2017. A pesquisa é realizada com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, e contempla 15 indicadores. A seguir, abordamos análise de oito indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 9.9.16 eleva a estimativa do índice para 7,36% em 2016, ante 7,31% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 11.9.15 eleva para 5,64% para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana reduz para 5,12% a projeção do mercado para o IPCA, ante 5,14% verificado há trinta dias;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus de 9.9.16 eleva a projeção do índice para 8,03% em 2016, de 7,69% registrado há um mês, enquanto o relatório de 11.9.15 aumenta a estimativa para 5,57% para este ano. Para o próximo ano, a pesquisa divulgada ontem diminui a expectativa do IGP-DI para 5,50%, ante 5,52% registrado há um mês;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana reduz a expectativa da taxa de câmbio para R$/U$3,25 para o final de 2016, ante R$/U$3,30 há trinta dias. Ainda com relação a 2016, o Focus de 11.9.15 eleva o câmbio para R$/U$3,80. Para 2017, a pesquisa de 9.9.16 reduz a taxa de câmbio para R$/U$3,45, de R$/U$3,50 observado há quatro semanas;

(d) Taxa Selic (% a.a.): Relatório de Mercado de 9.9.16 mantém a estimativa da taxa de juros em 13,75% a.a. para o final de 2016, nas últimas quatro semanas, enquanto o relatório de 11.9.15 aumenta a projeção dos juros para 12% a.a., na comparação mensal. O Focus desta semana mantém a expectativa dos juros em 11% a.a. para 2017, mesmo valor observado nas últimas semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 9.9.16 corrige para -3,18% o declínio da atividade econômica em 2016, ante variação negativa de 3,20% verificada há trinta dias. A pesquisa de 11.9.15 corrige a expectativa de decréscimo do PIB para -0,60% em 2016. Para 2017, a pesquisa divulgada ontem eleva para +1,30% a projeção de crescimento do PIB, ante +1,10% observado há quatro semanas;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus de 9.9.16 corrige o declínio da atividade industrial para -5,93% em 2016, ante queda de 5,95% estimada há trinta dias. Com relação à pesquisa de 11.9.15 a projeção de crescimento do setor industrial declina para +0,50% em 2016, de 1% observado há um mês. Para 2017, a pesquisa divulgada ontem reduz o crescimento da indústria para +0,50%, de +0,75% apresentado no relatório Focus há quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): a pesquisa de 9.9.16 mantém a projeção do superávit comercial em U$50 bilhões para 2016, valor verificado nas últimas quatro semanas. A pesquisa de 11.9.15 eleva a estimativa do superávit comercial para U$20 bilhões em 2016. Já para 2017, o Focus desta semana reduz para U$47,55 bilhões a estimativa do superávit comercial, de U$49,84 bi observado há trinta dias;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o Focus de 9.9.16 mantém a estimativa do IDP em U$65 bilhões em 2016, valor verificado nas últimas seis semanas, enquanto o relatório de igual período de 2015 eleva para U$64,90 bi a estimativa para 2016. Para 2017, a pesquisa Focus divulgada ontem mantém a projeção do IDP em U$65 bilhões, pela nona semana consecutiva.

As expectativas dos agentes econômicos apresentam sinalização positiva quanto ao desempenho futuro da economia, embora os indicadores de atividade econômica, desemprego, endividamento das famílias, inadimplência, juros elevados e inflação continuem desfavoráveis. Todos os brasileiros aguardam, após a retirada do ex-deputado Eduardo Cunha da cena política brasileira, que o atual governo adote medidas urgentes para resolver os principais problemas da economia brasileira, freie a onda de demissões e traga tranquilidade às famílias e aos empresários nacionais.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

OS 7 HÁBITOS QUE AJUDAM NO SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Grande parte das dificuldades financeiras das pessoas decorre da gestão inadequada de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver endividado, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar tudo a prestação, preferir produtos de marca e não saber quanto gasta com prestações, financiamentos, supérfluos, restaurantes, supermercado e lazer são algumas das razões que contribuem para as pessoas terem uma saúde financeira precária.

O mau desempenho financeiro decorre de atitudes e hábitos inadequados e constantes na gestão de nossas receitas, e que interferem negativamente no sucesso de nossa vida financeira ao longo dos anos. Maus hábitos no trato do dinheiro podem levar ao endividamento, com efeitos paralelos, pois é um fato que indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, se desentendem mais com colegas e familiares, perdem o emprego com mais facilidade, reduzem o nível de concentração em tarefas do dia a dia, diminuem a produtividade e se divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas financeiros.

A seguir, listamos alguns hábitos que ajudam as pessoas a terem um desempenho positivo na gestão de seu dinheiro:

1. Economize:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeira tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados periodicamente como poupança ou reserva para imprevistos. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias:29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança. Você pode começar economizando 10% de sua renda líquida mensal e gradualmente elevar esse percentual para 20% ou 30%. Considere as peculiaridades de cada um, muitos têm pais, filhos, netos e avós morando sob o mesmo teto, nesse caso, esses percentuais funcionam apenas como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão, casal com filhos, no entanto, um assalariado de alta renda pode poupar mais de 20% de seus recebimentos mensais sem afetar seu padrão de vida. A única regra é: economize todos os dias. Cuidado com os supérfluos, e se for solteiro, cuidado com as baladas. Tenha um objetivo em mente, estabeleça metas, discuta esses assuntos com sua família. Faça da poupança um hábito saudável. Transmita aos familiares esses hábitos, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha é um hábito saudável, é uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia a dia.

2. Faça Planejamento Financeiro:

Fazer planejamento financeiro e gastar menos do que ganha é questão de bom senso e de sobrevivência financeira. Faça orçamento pessoal, liste as receitas recebidas (aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bônus e outras) e as despesas realizadas, inclusive os pequenos valores. Relacione as despesas por grupos, como alimentação, saúde, moradia, transporte, lazer etc, e as fontes de receitas, que podem ser classificadas como fixas ou eventuais. Isso servirá de indicativo para descobrir para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios. Ao listar as despesas (planilha, caderno, agenda etc), observe todos os valores, sem exceção, o que ajudará a conhecer o orçamento e a decidir qual a melhor estratégia de controle.

3. Faça Reserva Financeira:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem sua importância. Deve-se reservar um percentual mensal da renda líquida para formá-la. Pode-se começar com 5% e subir gradualmente até atingir 15%. Todos estão sujeitos a surpresas desagradáveis como acidentes, doenças em família, gravidez inesperada, faculdade dos filhos, desemprego etc. Faça uma reserva que seja suficiente para cobrir os gastos equivalentes a 6 ou 12 meses de despesas mensais ou a critério do poupador. Exemplo: se você gasta mensalmente R$ 5.000,00 em média, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$ 30.000,00 (6 meses x R$ 5.000,00) em reserva financeira, já em 12 meses totalizaria R$ 60.000,00 (12 x R$ 5.000,00). Não é uma regra fixa, depende de cada indivíduo ou família. A finalidade da reserva financeira é atender eventos inesperados.

4. Observe os Pequenos Valores:

Muitas pessoas cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura de despesas. Um simples café expresso de R$ 5,00, tomado 365 dias no ano totaliza R$ 1.825,00. Um lanche diário de R$ 9,00, em um ano atinge R$ 3.285,00. Junte-se a eles o cigarro com R$ 2.372,50 no ano e a cerveja com os amigos no final de semana ± R$ 1.100,00, e temos o equivalente a um apartamento de 2 quartos em 10 anos que poderia estar rendendo aluguel, mas que foi gasto com café expresso, lanche, cigarro e cerveja. As pessoas podem consumir tudo o que desejam, mas pensem melhor antes de abrir a carteira. Se tentarem reduzir essas despesas em 50%, por exemplo, será uma grande economia. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia a dia, a despesa anual é muito elevada e contribui para o endividamento. Produtos necessários para a família, como alimento, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores.” Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Por outro lado, se você “precisa” fazer esses gastos, porque não os reduz pela metade, sobraria uma grande quantia que poderia ajudar nas despesas de férias, na compra de equipamentos para casa etc. Não desconsidere o poder dos pequenos valores.

5. Evite Compras Parceladas:

Evite compras a prazo, pois muitas vezes várias prestações podem levar ao endividamento quando somadas. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio-CNC, o carnê de loja (15,3%) é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras, e perde apenas para o cartão de crédito com 76,5%. Se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou próximo ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com uma resposta negativa não compre, e se forem positivas, antes de comprar peça desconto. Não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira apenas o necessário e planeje-se ao adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele.

6. Não confie na Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o péssimo hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote tudo, guarde todos os recibos para não ter surpresas desagradáveis no fim do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores gastos no dia-a-dia (anote tudo) podem ajudar a evitar as armadilhas da memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal (cupom fiscal) de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas ajuda a reduzir o IPVA e o IPTU.

7. Tire Proveito do Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, nunca pague o valor mínimo, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Dados do Banco Central informam que no crédito rotativo do Cartão de Crédito (taxa para quem paga o valor mínimo da fatura do cartão e financia o restante) a taxa média de juros atingiu em jul/16 o absurdo percentual de 470,7% a.a. Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente e outros benefícios. Não leve na sua carteira o cartão de crédito e talão de cheques, os dois podem estimular o consumo, saia apenas com um na carteira. Só use o cartão de crédito quando estiver precisando de um produto essencial, comida, remédio etc.

O segredo da prosperidade está em saber gastar com parcimônia e poupar. Evite compras por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, não compre a prazo, evite pagar juros e fique atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos grandes valores. Bons hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade e a expectativa de vida, eleva a produtividade, melhora a saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

INTENÇÃO DE CONSUMO APRESENTA MELHORA EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é um indicador antecedente que objetiva antecipar o potencial de vendas do comércio, e mensura a avaliação que os consumidores fazem da capacidade de consumo atual e de curto prazo, do nível de renda doméstico, das condições de crédito, segurança no emprego e da qualidade de consumo presente e futuro.

Os resultados do ICF podem ser avaliados considerando o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. Na análise é utilizada 18 mil questionários que mostram os indicadores de compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para bens duráveis. Índice inferior a 100 pontos indica insatisfação, enquanto acima (≤200 pontos), indica o grau de satisfação com seu emprego, renda e capacidade de consumo.

O ICF em ago/16 atingiu 69,3 pontos na comparação com jul/16 que chegou a 68,7 pontos, 81,8 pontos em ago/15 e 120,8 em ago/14, em uma escala entre 0 e 200. De acordo com Juliana Serapio, assessora econômica da CNC, “Mesmo com a perda da força da inflação e seus impactos favoráveis nas vendas, a confiança do consumidor ainda segue fragilizada por causa do encarecimento do crédito e da instabilidade no mercado de trabalho”.

Comparativamente aos meses anteriores, em agosto deste ano todos os componentes tiveram variação positiva na comparação mensal: momento para duráveis apresentou o melhor desempenho com +2,1%, seguido pelo emprego atual com +1,6%, compra a prazo (+1,1%), perspectiva profissional (+0,5%), nível de consumo atual (+0,5%), perspectiva de consumo (+0,4%) e renda atual com +0,3%. Embora o indicador tenha apresentado variação positiva em agosto deste ano, ainda permanece em um nível menor que 100 pontos, isto é, continua abaixo da zona de indiferença, indicando uma percepção de insatisfação com a atual situação.

Portanto, o indicador de agosto deste ano foi o segundo menor valor de toda a série histórica, embora tenha apresentado crescimento pela primeira vez nos últimos seis meses. A falta de educação financeira associada à elevação do desemprego e retração do crédito, têm contribuído para manter elevado o nível de insatisfação com o momento atual por que passa o País.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O PODER DOS PEQUENOS VALORES
Régis Varão/¹

No final dos anos noventa, o consultor norte-americano de finanças pessoais David Bach desenvolveu a teoria denominada Fator Café, que foi publicada no livro O Milionário Automático, um best seller internacional. A teoria mostra basicamente que a chave para o progresso financeiro pessoal é ficar atento aos pequenos valores gastos diariamente.

A maioria das pessoas acredita que o segredo da prosperidade consiste unicamente em buscar novas fontes de receita, procurar alternativas de emprego com salários mais elevados, mudar de empresa, aumentar a renda e até mesmo trocar de cidade ou de profissão, como se essas alternativas resolvessem os problemas da gestão financeira individual. Aproveito para registrar a citação atribuída ao físico Albert Einstein a respeito de hábitos: “a definição de insanidade é fazer a mesma coisa repetidas vezes e esperar resultados diferentes.”

A citação de Einstein está correta, se não houver alteração nos hábitos de consumo e na postura do indivíduo ou da família frente ao dinheiro, com certeza os problemas da má gestão financeira continuarão, e serão agravados, pois os juros bancários no Brasil são elevadíssimos e não perdoam devedores. Atenção ao poder multiplicador dos juros compostos.

As pessoas que mudam de trabalho, de cidade e até de país, continuam praticando os mesmos erros, pois não entendem o que Einstein afirmou. Grande parte dos brasileiros desconhece os rudimentos de finanças pessoais e planejamento financeiro, bem como o impacto multiplicador dos juros compostos nas dívidas.

A taxa de juros do crédito rotativo, que incide quando não se paga a fatura integral no vencimento, é a mais elevada do mercado, chegando a 471,3% a.a. em mai/16, segundo dados do Banco Central do Brasil (BCB). Entre dez/15 (431,4% a.a.) e maio deste ano houve acréscimo de 39,9 p.p. na cobrança do rotativo, e 111 p.p. em doze meses.

Existem comportamentos que marcam o modo de agir das pessoas que não conhecem finanças pessoais, basta perguntarmos a qualquer indivíduo que teve aumento de renda no ano anterior se a sua reserva financeira apresentou variação positiva após o aumento de receita. Com certeza a resposta é não para os que não praticam educação financeira. Na maioria das vezes quanto mais ganhamos mais gastamos, e o aumento de despesas costuma ser proporcionalmente superior ao aumento das receitas.

Muitas vezes as pessoas têm aumento de renda e a gastam antes de recebê-la, e para piorar existem profissionais bem pagos criando campanhas publicitárias de estímulo ao consumo. Nos feriados, dia das crianças, das mães, dos namorados, semana santa, natal e outros, a publicidade trabalha para induzir o cidadão a consumir cada vez mais, pois são desenvolvidas campanhas sofisticadas que contribuem para tirar recursos que deveriam quitar dívidas ou formar reserva financeira. Muita gente cai nessas armadilhas ao entrarem nos shoppings com nova decoração. Por falta de planejamento financeiro, o endividamento familiar tem aumentado nos últimos anos.

Retornando ao Fator Café, Bach afirma que “As chamadas ninharias em que desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade.” Há um pouco de exagero na afirmação, mas não devemos desconsiderá-la, pois muitos consumidores não pensam nos gastos do dia a dia, e se preocupam apenas com valores mais elevados, prestação da casa própria, financiamento do carro, aluguel, condomínio, salário da empregada doméstica, previdência privada, colégio das crianças entre outros, sem considerar que as pequenas despesas também reduzem o que sobra. Muitos esquecem os pequenos valores, e não param para pensar que poderiam acumular boa poupança se controlassem melhor essas despesas.

Todos têm despesas aparentemente insignificantes, seja por hábito ou vício. Exemplos:

1. Um café expresso após o almoço custa R$5,00 em média: (a) no final do mês totaliza R$150,00; (b) em 12 meses soma R$1.800,00 (R$150,00 x 12); (c) esse valor corrigido com juros de 0,8% a.m. totaliza em 12 meses R$1.980,61; (d) em 5 anos sobe para R$2.903,38; (e) em 10 anos chega a R$4.683,13; (f) em 20 anos está em R$12.184,29; e (g) em 30 anos atinge  a elevada quantia de R$31.700,35;

2. Ida à manicure no salão de beleza custa entre R$30,00 e R$60,00 por semana, pé e mão, sem considerar o deslocamento e em alguns casos o valor do estacionamento: (a) vamos trabalhar com o gasto de R$40,00 por semana, no final do mês soma R$160,00; (b) em um ano R$1.920,00; (c) corrigindo esse valor atinge R$2.112,65 em 12 meses; (d) em 5 anos chega a R$3.096,94; (e) em 10 anos R$4.995,34; (f) em 20 anos R$12.996,58; e (g) em 30 anos totaliza R$33.813,71;

3. Um fumante que consome um maço de cigarro por dia ao preço de R$7,00: (a) no mês ele gasta R$210,00; (b) em um ano R$2.520,00; (c) com correção de 0,8% a.m., em 12 meses fica em R$2.772,85; (d) em 5 anos temos R$4.064,74; (e) em 10 anos totaliza R$6.556,38; (f) em 20 anos atinge R$17.058,01; e (g) em 30 anos sobe para R$44.380,49;

4. Um lanche, café com leite grande (R$3,50) e um misto quente (R$5,00) pela manhã custa R$8,50 em uma padaria popular, abaixo dos preços praticados em localidades mais caras: (a) trabalhando com R$8,50, no mês totaliza R$255,00 (R$8,50 x 30); (b) no ano atinge R$3.060,00; (c) corrigindo esse valor chega a R$3.367,04 em 12 meses; (d) em 5 anos fica em R$4.935,75; (e) em 10 anos alcança R$7.961,32; (f) em 20 anos sobe para R$20.713,29; e (g) em 30 anos atinge R$53.890,60;

5. O lazer é importante, assim, um filme em Brasília-Pier 21 nos feriados e entre 5ª e domingo sai por R$27,00 a matinê e R$30,00 à noite. Vamos trabalhar com um ingresso de R$27,00, sem desconto: (a) no mês fica em R$ 108,00; (b) no ano totaliza R$1.296,00; (c) com correção de 0,8% a.m. atinge R$1.426,04 em 12 meses; (d) em 5 anos alcança R$2.090,44; (e) em 10 anos soma R$3.371,85; (f) em 20 anos chega a R$8.772,69; e (g) em 30 anos sobe para R$22.824,25.

O café expresso, a manicure, o cigarro, o lanche e cinema, quando somados atingem R$883,00 em um mês, e sobe para R$10.596,00 em doze meses. Corrigido a 0,8% a.m., em 10 anos chega a R$27.568,03, em 20 anos alcança R$71.724,85, e finalmente em 30 anos atinge a quantia de R$186.609,40. Se cortar pela metade essas despesas, a qualidade de vida da pessoa ficaria inalterada, ganharia mais saúde e ainda teria uma significativa reserva financeira de R$93.304,70 para uma boa aposentadoria. Até mesmo uma aplicação medíocre como a poupança, que paga juros abaixo da inflação, renderia uma quantia satisfatória, aliás, qualquer quantia é melhor que nenhuma.

É o poder dos pequenos grandes números se manifestando. Por esse motivo denomino o Fator Café de Pequenos Grandes Valores, que são irrisórios quando isolados, mas somados a outros pequenos valores se transformam em grandes valores, é o efeito dos juros compostos fazendo a diferença.

Cada indivíduo desenvolve o seu Fator Café, que pode ser simples ou caro. O hábito de tomar um ou mais expressos por dia, o cigarro, o cinema seguido do jantar, a manicure aos sábados, o café da manhã fora de casa, o lanche da tarde, as saídas com os amigos, os presentes dados sem motivo, as revistas, dois ou mais pontos de TV a cabo, as gorjetas, o estacionamento, as constantes refeições fora de casa são hábitos que ao longo dos anos endividam as pessoas.

Segundo Mauro Calil, “A partir do momento em que compromete a renda ao ponto de precisar cancelar um pacote de TV por assinatura, ou fazer empréstimo para quitar dívidas, o cidadão deve se reeducar”. Logo, reduzir gastos sem alterar a qualidade de vida é a maneira adequada para se atingir a prosperidade e se preparar para uma aposentadoria tranquila.

Para evitar problemas financeiros, estabeleça metas de gastos no dia a dia para evitar surpresas desagradáveis no fim do mês. Se a pessoa gosta de um expresso após o almoço, tudo bem, mas evite um segundo à tarde ou após o jantar. O fumante ao reduzir o consumo de cigarros melhora muito a saúde e o bolso. O lanche próximo ao trabalho deve ser feito em casa. Alugar filmes custa menos que ir ao cinema, pois tem o combustível, a pipoca, o sorvete e até um jantar. As mulheres podem economizar indo uma vez por mês ao salão ou resolver fazer como uma grande amiga que faz as unhas em casa, e está feliz. Ao reduzir as noitadas com os amigos, além de economizar evita problemas com o Detran.

Assim, existem gastos pequenos diários que não damos importância, mas no final do mês se transformam em grandes valores. Muitas vezes o desperdício pode estar nos detalhes, é o banho demorado, a torneira aberta ao escovar os dentes, luzes acesas em ambientes sem ninguém, sobras do almoço que não aproveitadas no dia seguinte, isso tudo leva a grandes desperdícios financeiros. Um chuveiro aberto durante 5 minutos consome entre 40 e 50 litros de água, enquanto uma torneira em igual período gasta entre 15 e 20 litros, sem contar a despesa de energia elétrica no primeiro caso.

Embora controles pareçam chatos, tomar cuidado com os pequenos valores podem fazer grande diferença ao longo dos anos. Não vamos perder qualidade de vida ou deixar de fazer o que gostamos, nem virar Tio Patinhas, apenas devemos prestar atenção às pequenas despesas que parecem inofensivas vistas isoladamente, mas se tornam perigosas na contabilidade mensal.

Portanto, além de tentar reduzir os gastos com o café expresso, o cigarro, o lanche e outros, preste atenção às dicas: ao escovar os dentes feche a torneira, ao ensaboar-se ou usar shampoo feche o chuveiro, verifique periodicamente se existem vazamentos em sua residência, evite interurbano com celular, estabeleça dia específico para lavar e passar roupa, não abra a geladeira muitas vezes, e tudo isso contribui para economizar dinheiro. Hábitos saudáveis são importantes para o meio ambiente e para o bolso. Pense no futuro, pense na aposentadoria com qualidade de vida.

¹/ Coach Financeiro, Executive Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.