sábado, 1 de abril de 2017

PROSPERIDADE É QUESTÃO DE ATITUDE!
Régis Varão/¹

Nos últimos anos, os efeitos negativos da crise econômica, associados ao desconhecimento de instrumentos de finanças pessoais e os maus hábitos financeiros, contribuíram para ampliar os problemas financeiros da população brasileira. O percentual de famílias endividadas subiu de 55,6% em jan/17 para 56,2% no mês seguinte, enquanto o percentual de famílias com dívidas em atraso subiu 0,3 p.p. na comparação mensal, chegando a 23% em fev/17. O desconhecimento é tamanho que o cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida por 76,8% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 14,5% e crédito pessoal com cerca de 10%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e de hábitos inadequados, pelo desconhecimento de rudimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia. Pesquisas demonstram que pessoas endividadas ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestado médico, discutem mais com colegas de trabalho, se desentendem com frequência com familiares, reduzem a concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

A seguir, algumas atitudes que, quando observadas, podem contribuir para que as pessoas atinjam a prosperidade financeira:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira ou o talão de cheques, é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente depositado em banco para liquidar a fatura integral do cartão de crédito ou pagar as prestações ou financiamentos sem ficar devendo, isto é, sem faltar para o aluguel ou prestação da casa ou ainda para as compras de gêneros alimentícios para a família. Logo, é muito importante fazer orçamento financeiro e acompanhá-lo periodicamente. Relacione as receitas e todas as despesas, inclusive os pequenos valores, como o café espresso, o lanche etc. Após listar as despesas relacione-as em tópicos: moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc. Ao elaborar o orçamento, você conhecerá a estrutura de despesas, e quanto está despendendo mensalmente. A grande vantagem é que poderá saber onde se encontram os ralos por onde o dinheiro sai, normalmente os pequenos valores. Elaborado a contabilidade pessoal - receitas e despesas - você saberá quanto dispor para uma aplicação financeira;

2. ECONOMIZE NO DIA A DIA:

Como diz os especialistas, prospera aquele que economiza no dia a dia. Assim, feito o orçamento pessoal, está na hora de guardar a diferença receita (R) – despesa (D), que deve ter a seguinte relação R > D (superávit). A reserva financeira é importante como garantia para imprevistos, para garantir a educação dos filhos, qualidade de vida e aposentadoria confortável. É um compromisso que deve ser levado a sério e envolver os familiares. O sucesso financeiro da família depende do envolvimento de todos. Estabeleça objetivos atingíveis e faça o possível para cumpri-los.  É a oportunidades para que os filhos entendam que a independência financeira depende de planejamento, disciplina e muito trabalho. Dinheiro é fácil de perdê-lo e muito difícil mantê-lo. Oriente seus filhos e serão adultos financeiramente responsáveis. Boas práticas financeiras começam na infância;

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos acreditam que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, remédios etc. Se não nos planejarmos, a aposentadoria será insuficiente para pagar as despesas após os sessenta anos. Reserve um percentual do salário todos os meses para depositar no banco e fazer uma reserva. Inicie com 5% ou 10% e assim sucessivamente, mas guarde intervalos de três a quatro meses. Exemplo: abr-jul/17 comece com 10%, ago-nov/17 suba para 15%, até chegar a um percentual adequado sem perder qualidade de vida. A mudança da aposentadoria que deverá ocorrer em breve pode servir de estímulo para as pessoas começarem a pensar a respeito de uma reserva financeira. Comece a poupar agora, não espere mais;

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente parcela compras, o que pode ser demonstrado pelo percentual de famílias endividadas com carnês de lojas em fev/17 quando atingiu 14,5%, segundo a PEIC de fev/17. É o segundo tipo de dívida na preferência das famílias, perdendo apenas para o cartão de crédito com 76,8%. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês ou para o próximo semestre. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo apenas uma resposta negativa não compre, se ocorrerem três respostas positivas, compre, mas antes negocie um desconto. Não faça dívidas, fuja dos carnês de lojas, evite o parcelamento de compras, essas quando agregadas se transformam em grandes valores. Planeje suas compras, siga seu orçamento, seja um consumidor consciente;

5. FUJA DAS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras durante todo o ano. Temos Black Friday-BF, Natal, dia das crianças, dia das mães etc, o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado nos EUA nos anos 60, e ocorre na última semana de novembro, com bons descontos. Chegou no Brasil em 2010 e representa um período importante para o varejo nacional e para o mundo online. Atenção com a maquiagem de preços, observe a necessidade de adquirir o produto ou serviço, pesquise o histórico de preços e fique atento à cobrança do frete (vilão do BF 2015), em compras online. As campanhas promocionais nos shoppings podem levar muita gente ao endividamento. Para fugir das armadilhas atenha-se ao planejado;

6. CUIDADO AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos fatores do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. Segundo a PEIC de fev/17, cerca de 77% das famílias brasileiras se endividam com o cartão de crédito, uma péssima decisão, se considerar que paga-se em média 486,75% a.a. ou 15,89 a.m. no crédito rotativo, segundo dados do Banco Central de jan/17. O CC pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios;

7. RENEGOCIAR AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito, dívidas do cheque especial por um empréstimo consignado, se e somente se um corte de despesas não resolver. Financiamento imobiliário ou de automóvel também pode ser negociado quanto a valores e prazos. Existe o mecanismo da portabilidade que é a troca do agente financeiro, o que pode levar ao barateamento dos valores/prestações devidas e até mesmo da redução de prazos. O evento Super Feirão Serasa Limpa o Nome de 2016 atendeu cerca de 37 mil pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Procure a Serasa, o evento deste ano vai até 2 de abril. Ao renegociar as dívidas cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas atenção com o endividamento.

Pessoas que alcançam a prosperidade são disciplinadas, têm objetivos e metas factíveis, fazem poupança, controlam despesas, e estão atentas aos ativos que têm rentabilidade acima da média do mercado. Assim, não compre por impulso, economize todos os dias, faça reserva financeira, evite pagar juros e nunca despreze os pequenos valores. As pessoas que desenvolvem bons hábitos financeiros sofrem menos com o estresse, elevam sua produtividade com reflexos positivos nas empresas, contribuem para uma boa saúde física e mental e ajudam nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 15 de março de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS AUMENTA EM FEV/17!
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em fev/17, ante o mês anterior, após quatro meses consecutivos de declínio, embora tenha caído frente a fev/16. O total de famílias com contas ou dívidas em atraso também registrou elevação no período jan-fev/17, mas apresentou decréscimo ante fev/16. O percentual de famílias sem condições de pagar as contas em atraso cresceu nas duas bases de comparação (mensal e anual), atingindo o maior crescimento desde jan/10.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 56,2% em fev/17, com alta de 0,6 p.p. em relação a jan/17, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Já o percentual de famílias com dívidas/contas em atraso também aumentou de 22,7% em jan/17 para 23% no mês seguinte. O percentual de famílias sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso, e continuam inadimplentes, subiu nas duas bases de comparação, chegando a 9,8% em fev/17, ante 9,3% em jan/17 e 8,6% em fev/16.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências semelhantes entre os grupos de renda pesquisados, na comparação mensal, mas na comparação anual, houve queda apenas no grupo com renda até dez salários mínimos (SM). Na faixa de menor renda (<10 SM), o percentual de famílias com contas/dívidas em atraso ficou praticamente estável com 25,8% em jan/17 e 25,9% no mês seguinte. Em fev/16, 26,3% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos (>10 SM), o percentual de inadimplentes atingiu 10,7% em fev/17, ante 9,7% em jan/17 e 10,4% em fev/16.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas subiu de 13,9% em jan/17 para 14% em fev/17. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 20,2% (jan/17) para 20,4% em fev/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas cresceu de 21,5% em jan/17 para 21,8% em fev/17.

Em fevereiro deste ano, por tipo de dívida, o cartão de crédito continua como o mais importante na preferência das famílias endividadas, sendo apontado por 76,8% das famílias, seguido por carnês de lojas por 14,5%, financiamento de carro (9,9%), crédito pessoal (9,9%), financiamento de casa (8,4%), cheque especial (7,4%), crédito consignado (5,5%) e cheque pré-datado por 1,7%. Já entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em fev/17 foram o cartão de crédito por 72,3%, financiamento de carro (18,6%), financiamento de casa (17,4%) e cheque especial com 11,5%.

Portanto, após quatro meses de queda, o percentual de famílias endividadas cresceu em fevereiro deste ano, embora o indicador ainda continue inferior ao observado em fev/16 (-4,6 p.p.) e registrou o menor índice da série histórica para o mês de fevereiro. Acompanhando o incremento no endividamento, a proporção de famílias com contas ou dívidas em atraso cresceu em fev/17, e foi observado piora na perspectiva de pagamento e na avaliação das famílias em relação ao seu endividamento. Isso pode ser creditado à conjuntura econômica desfavorável com renda em declínio e elevação da inadimplência.

¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A PROSPERIDADE DEPENDE DE BONS HÁBITOS!
Régis Varão/¹

Nos últimos anos, os efeitos negativos da crise econômica, associados aos hábitos negativos ampliaram os problemas financeiros das famílias brasileiras. O percentual de famílias endividadas atingiu 56,2% em fev/17, alta de 0,6 p.p. ante o mês anterior e a primeira após quatro meses de declínios consecutivos. O cartão de crédito continua como o principal tipo de dívida por cerca de 77% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 14,5% e crédito pessoal com cerca de 10%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

O endividamento decorre, na maioria das vezes, de atitudes e de hábitos inadequados, pelo desconhecimento de rudimentos de economia, contabilidade e matemática financeira, que juntos contribuem para a má gestão das finanças pessoais no dia a dia. Para sair do endividamento e atingir a independência financeira, a melhor atitude é tentar mudar alguns hábitos e fazer planejamento financeiro.

Pesquisas demonstram que pessoas endividadas ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestado médico, discutem mais com colegas de trabalho, se desentendem com frequência com familiares, reduzem a concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam mais que os indivíduos financeiramente estáveis.

O sonho de quase todo brasileiro é ter dinheiro sobrando, uma vida confortável, uma boa casa e um carro novo na garagem, mas como dinheiro não cai do céu, temos que nos organizar financeiramente para termos todos esses bens e buscar a prosperidade financeira. As expectativas para este ano estão um pouco melhores que do ano anterior, mas ainda requer atenção no trato com as finanças pessoais, tendo em vista que ainda estamos com altos níveis de desemprego, endividamento e inadimplência. Assim, vamos relacionar algumas atitudes que possam contribuir para a independência financeira com qualidade de vida e nos preparar adequadamente para a aposentadoria:

1. FAÇA PLANEJAMENTO FINANCEIRO:

Antes de abrir a carteira ou passar o cartão de crédito (CC), é necessário avaliar se temos dinheiro suficiente para liquidar a fatura integral ou pagar as prestações e os financiamentos sem ficar apertado, isto é, sem faltar para o aluguel ou prestação da casa ou produtos de primeira necessidades (alimentos etc). Fazer orçamento financeiro é fundamental. Relacione as fontes de receita e faça uma lista de todas as despesas, inclusive as pequenas. Enumere o valor da prestação da casa própria ou do aluguel, dos empréstimos, seguros em geral, prestações de colégio/faculdade, carnês de lojas, plano de saúde, farmácia, supermercado, lanches, lazer etc; trabalhe as despesas em tópicos como moradia, educação, saúde, transporte, lazer etc, e você tomará ciência de quanto está gastando mensalmente; corte os excessos que nada acrescentam à qualidade de vida sua e de sua família, e atente aos pequenos gastos (café espresso, lanches etc). Feito essa contabilidade pessoal ou familiar (receitas versus despesas) você saberá quanto dispor para uma reserva financeira.

2. ECONOMIZE SEMPRE:

Uma reserva financeira é importante como garantia para eventuais imprevistos e para garantir a educação dos filhos, boa qualidade de vida e uma aposentadoria confortável. Muitos desconhecem sua importância, mas a reserva financeira é um compromisso que deve ser levado a sério e deve envolver todos os familiares, pois para o planejamento financeiro ter sucesso é preciso a participação de todos os membros da família. Estabelecer metas e cumprí-las são oportunidades para que os jovens e em especial os filhos, possam entender que o sucesso financeiro depende de planejamento, disciplina e trabalho. É fundamental mostrar aos jovens de todas as idades que dinheiro não é fácil de ganhar, mas é fácil de perdê-lo. Oriente seus filhos a economizarem enquanto jovens e serão adultos financeiramente responsáveis. As boas práticas financeiras começam cedo.

3. PLANEJE SUA APOSENTADORIA:

Muitos incorrem no erro de pensar que o benefício pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será suficiente para manter boa qualidade de vida na aposentadoria, período em que se gasta mais com planos de saúde, médicos, dentistas, fisioterapeutas, remédios etc. Assim, se não nos planejarmos, os recebimentos do INSS poderão ser insuficientes para bancar as despesas de uma pessoa idosa. Reserve um valor fixo ou um percentual do salário todos os meses para aplicar em um fundo de reserva (comece com 10%). Quanto antes iniciar melhor, os juros recebidos fazem grande diferença ao longo dos anos.

4. NÃO PARCELE COMPRAS:

Muita gente acha vantajoso parcelar compras, pois desconhecem os impactos negativos dos juros embutidos nas prestações. Se não tiver dinheiro para comprar à vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou até para o próximo ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Havendo apenas uma resposta negativa não compre, mas se ocorrerem três positivas, compre, mas antes peça desconto. Não faça dívidas, evite o parcelamento de compras, elas quando agregadas se transformam em grandes quantias. Compre apenas o necessário e planeje-se ao adquirir um bem ou serviço. Seja um consumidor consciente.

5. ATENÇÃO ÀS ARMADILHAS DO COMÉRCIO:

As promoções e a publicidade são tentadoras no ano todo, no entanto, em períodos como Black Friday-BF, Natal, dia das crianças etc, o exagero publicitário pega muita gente desprevenida. O Black Friday foi criado pelos norte-americanos nos anos 60, e ocorre na última semana de novembro, após o dia de Ação de Graças, com bons descontos. Chegou no Brasil em 2010 e representa um período importante para o varejo nacional e para o mundo online. Atenção com a maquiagem dos preços, observe a necessidade de adquirir o produto ou serviço, pesquise o histórico de preços e fique atento à cobrança do frete (vilão do BF 2015), em compras online. As campanhas promocionais principalmente nos shoppings podem levar muita gente ao descontrole financeiro. Para fugir das armadilhas, leve uma lista e atenha-se ao planejado.

6. PARCIMÔNIA AO USAR O CARTÃO DE CRÉDITO:

Um dos problemas do endividamento decorre da má utilização do cartão de crédito (CC) e do não pagamento da fatura integral. Segundo a PEIC-CNC de fev/17, cerca de 77% das famílias brasileiras se endividam com o cartão de crédito, uma péssima decisão, se considerar que paga-se em média 486,75% a.a. ou 15,89 a.m. sobre o saldo devedor quando é pago o valor mínimo da fatura, segundo dados do Banco Central de jan/17. O CC pode ser um grande aliado quando utilizado com disciplina, exemplo dos programas de milhagens que ajudam a obter passagens aéreas gratuitas e outros benefícios.

7. RENEGOCIE AS DÍVIDAS:

Troque as dívidas caras, rotativo do cartão de crédito ou dívidas com cheque especial por um empréstimo consignado, quando o corte de despesas não resolver. Financiamento imobiliário ou de automóvel também pode ser negociado quanto a valores e prazos. O endividado reduz o montante das dívidas se negociar diretamente com bancos, financeiras, operadoras de cartões de crédito, prestações de colégio/faculdade dos filhos etc, em vez de deixar a dívida crescer e se transformar em grande problema. Ao negociar cria-se nova e melhor condição de pagamento, mas fique atento nas condições da negociação, para não cair novamente no endividamento.

O segredo da prosperidade está em fazer sempre planejamento financeiro, gastar com parcimônia e poupar. Não compre por impulso nem a prazo, economize, faça reserva, evite pagar juros, atente ao poder multiplicador dos pequenos valores e dos juros compostos. Hábitos financeiros saudáveis reduzem o estresse, eleva a produtividade, contribui para boa saúde física e mental e ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.


¹/ Coach Financeiro (especializado em finanças pessoais e desenvolvimento pessoal); educador financeiro e palestrante de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista pós-graduado stricto sensu (UFPE e UFV) e bacharel em direito pelo UniCeub. Foi professor universitário durante vinte anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com..

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O QUE NÃO É COACHING!
Régis Varão/¹

Muita gente não entende o significado de coaching e constantemente o confunde com consultoria e terapia. Tendo em vista essas confusões resolvi apresentar, de maneira simples, as principais diferenças entre esses temas, e mais que isso mostrar o que não é coaching.

Apresento, a seguir, os diversos conceitos de coaching, consultoria, couseling, mentoring e terapia, conforme descrito em meu trabalho de final de curso apresentado no Instituto Brasileiro de Coaching-IBC para receber o título e certificação internacional da formação de Professional & Self Coach-PSC:

1. Coaching: durante o processo, o Coach (o profissional), através de perguntas, possibilita que o Coachee (cliente) desenvolva seu autodiagnóstico e crie alternativas que o levem a ser quem realmente sempre desejou ser. Fazendo perguntas, verificará quais as vantagens e desvantagens de cada opção, facilitando a escolha do cliente por uma nova carreira. O coaching foca no presente e no futuro. Após definidos o objetivo e a estratégia, como chegar lá, o Coach irá acompanhar todo o processo de mudança ou aprendizado, apoiando e dando o suporte necessário para que o resultado realmente ocorra e que seja de forma mais fácil e consistente. O Coach, não aconselhando, pode, no entanto, apontar soluções, ou seja, pode informar o cliente baseado em sua experiência. Vamos ilustrar a atuação do Coach considerando: (a) ESTADO ATUAL: a pessoa está endividada, com prestações, financiamento da casa própria e colégio dos filhos em atraso, gasta mais do que recebe etc; (b) ESTADO DESEJADO: a pessoa não está endividada, paga suas prestações, o financiamento da casa própria e a prestação do colégio dos filhos em dia, gasta menos do que ganha e faz poupança. O que aconteceu? Utilizando ferramentas e técnicas adequadas, o Coach vai atuar para que o cliente, com problemas financeiros hoje/ESTADO ATUAL, chegue ao ESTADO DESEJADO em boas condições financeiras e qualidade de vida;

2. Consultoria: em um processo de consultoria, o consultor levanta o maior número de informações a respeito do cliente em relação à sua vocação, através de seu passado na escola, os cargos que ocupou ao longo de sua vida, as avaliações de performance que recebeu, discutirá com o cliente o resultado do levantamento, finalizando o processo com uma recomendação, normalmente escrita como um manual ou relatório, e o entrega ao cliente;

3. Counseling: nesse processo, trabalha-se com clientes que se sentem constrangidos ou insatisfeitos com suas vidas. Eles buscam orientações e conselhos, sendo assim, trabalha-se para sanar o problema de um cliente.  Ele atua como um aconselhador do cliente. É o modelo de interação com o cliente que fornece conselhos, metodologias, estruturas e soluções para que ele possa atingir seus próprios objetivos;

4. Mentoring: é um método em que um profissional mais experiente e dono de maior vivência e conhecimento de mundo, dá conselhos e atua como modelo. Esse processo envolve discussões amplas/genéricas, que podem abordar temas fora do contexto do trabalho. Tanto o mentoring quanto o coaching relacionam-se principalmente com as realizações no presente e no futuro. O mentoring é modelo de interação com o cliente, e o orienta através da utilização de exemplos e práticas bem-sucedidas, geralmente decorrentes da experiência, do conhecimento e da vivência própria do mentor;

5. Terapia: tem o foco predominantemente no passado, diferente do coaching que foca no presente e no futuro. A terapia busca diagnosticar e tratar disfunções do cliente e tem a cura como seu objetivo principal. Ela trabalha com pessoas que buscam alívio de sintomas psicológicos ou físicos, e seu objetivo é a cura emocional e o alívio do sofrimento mental. Ela lida com a saúde mental do cliente, enquanto o coaching lida com o seu crescimento mental.

Portanto, é importante compreender as principais diferenças entre essas atividades, principalmente na atuação dos profissionais que trabalham com coaching e com terapia, motivo de grandes confusões.

¹/ Economista com pós-graduação stricto sensu em economia e bacharel em direito. Foi professor universitário durante 23 anos, é ex-servidor do Banco Central. Atua como Coach Financeiro, Coach Executivo e Coach Pessoal. É educador financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança, educação corporativa e conjuntura macroeconômica, com artigos publicados. Para mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

HÁBITOS FINANCEIROS SAUDÁVEIS!
Régis Varão/¹

A grande maioria das pessoas com problemas financeiros decorre da inadequada gestão de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver constantemente no vermelho, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar sempre a prestação, são alguns dos motivos que contribuem para que as pessoas tenham uma qualidade de vida financeira ruim.

A má gestão dos recursos financeiros diários decorre, em grande parte, de atitudes e hábitos inadequados e repetitivos na administração das receitas provenientes de salário, pró-labore, bónus, premiações, comissões e outros, e que interferem negativamente no sucesso da vida financeira.

Maus hábitos no trato com o dinheiro podem levar ao endividamento, com danos paralelos, pois pesquisas demonstram que indivíduos endividados ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, discutem mais com colegas e familiares, estão mais sujeitos a perderam o emprego, reduzem o nível de concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas de endividamento.

Mais do que nunca, precisamos de investimentos em educação financeira porque é de fundamental importância tirar grande parte das famílias brasileiras do analfabetismo econômico-financeiro. Para ilustrar o desconhecimento de educação financeira, no caso específico dos juros, um dos princípios que regem o impulso dos consumidores brasileiros ao adquirirem bens e serviços a prazo e com juros exorbitantes, é se as parcelas cabem no orçamento pessoal ou familiar.

Hábitos que ajudam as pessoas e famílias a terem um desempenho positivo e adequado na gestão de suas receitas mensais:

1. Economizar sempre:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeiramente saudável e tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma reserva financeira. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias 29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança e tranquilidade.

Para atingir a prosperidade, você pode iniciar economizando 5% da renda líquida mensal e gradualmente - elevar esse percentual até atingir 30%, em um prazo de até doze meses. Considere as peculiaridades de cada um, muitas famílias têm avós, pais, filhos e netos morando juntos, nesse caso, esses percentuais servem como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão - marido, mulher e filhos -, no entanto, um assalariado de alta renda pode guardar entre 25% e 50% de seus rendimentos mensais líquidos sem alterar seu padrão de vida.

Obedeça sempre a regra universal: economize sempre. Muita atenção com os supérfluos. Não precisa ser um “Tio Patinhas”, guardar dinheiro por guardar, tenha um ou mais objetivos bem definidos, estabeleça metas e as discuta com sua mulher e filhos, afinal de contas trata-se da sua família. Transmita aos seus filhos hábitos saudáveis, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha (10-15% por mês) é um hábito saudável, é simplesmente uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia-a-dia e de sua família.

2. Fazer Planejamento Financeiro:

Fazer orçamento pessoal/familiar e gastar menos do que se ganha é questão de bom senso e até de sobrevivência financeira. Faça mensalmente um orçamento pessoal, liste as receitas provenientes de aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bónus, premiações, comissões etc. Relacione os recibos com as despesas realizadas no mês, inclusive os pequenos valores (café espresso, cigarro etc), crie grupos de despesas como alimentação, educação, lazer, moradia, saúde e transporte, isso ajuda nos controles e no planejamento financeiro.

Com receitas e despesas relacionadas já se tem um indicativo para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios, é como um grande ralo embaixo de um chuveiro ligado. Ao listar as despesas, observe com muita atenção todos os valores, sem exceção, o que ajudará a tomar conhecimento de sua real situação financeira e a decidir qual a melhor estratégia para realizar o planejamento financeiro.

3. Fazer Reserva Financeira:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem e até não compreenderem sua importância. Deve-se reservar um percentual da renda líquida mensal para formá-la, comece com 5% e gradualmente chegue a 30% ou até mais. Todos estão sujeitos a surpresas agradáveis (formatura do filho, casamento da filha, MBA dos filhos, pós-graduação em boa universidade etc); e desagradáveis como perda do emprego, acidentes diversos, doenças em família, gravidez inesperada, desemprego etc.

O ideal é ter uma reserva que seja suficiente para cobrir gastos entre 6 e 12 meses. No entanto, se conseguir formar uma reserva que cubra os gastos equivalentes às despesas totais realizadas em 6 meses, já está bom. Exemplo: se você gasta em média R$ 4.000,00 por mês, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$24.000,00 (6 x R$4.000,00) depositado em banco. Por outro lado, se puder manter em banco o equivalente a um ano de despesas, total de R$48.000,00 (12 x R$4.000,00), seria bem melhor.

Os valores acima podem servir como colchão financeiro em casos de desemprego e dívidas inesperadas, mas também podem ajudar nas despesas com o casamento da filha etc. O objetivo da reserva financeira é atender a demandas inesperadas, sem endividar a família. Ela pode ter destinos diversos, desde que atenda as necessidades e não leve a pessoa ou família a tomar crédito no sistema bancário. Mantenha distância das carteiras de crédito do setor bancário.

4. Observar o Poder dos Pequenos Valores:

Muita gente comete equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura global de despesas das famílias. Um simples café expresso de R$5,00, tomado sete vezes por semana fica em R$35,00, que chega a R$140,00 no mês, e atinge R$1.680,00 no ano, em 10 anos temos R$16.800,00, sem considerar os juros incidentes. Um lanche diário de R$9,00, custa R$63,00 por semana, R$252,00 por mês e no ano R$3.024,00. Junte-se a eles o cigarro (R$7,00) e a cerveja com os amigos (R$12,00), e temos um valor razoável.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia-a-dia, a despesa anual atinge R$11.088,00, um valor elevado que pode reduzir a qualidade de vida da família e nada contribui para uma saúde melhor.

Produtos necessários, como alimentos, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores” se economizados. Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Reduza essas despesas pela metade e temos uma sobra de R$5.544,00 (R$11.088,00/2), que pode ajudar na reforma da casa, na troca da velha máquina de lavar roupas e até mesmo nas férias da família. Logo, fique atento ao Poder dos Pequenos Valores.

5. Evitar Compras Parceladas:

Evite comprar a prazo, pois muitas vezes várias pequenas prestações podem levar ao endividamento quando agregadas. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio-CNC, de jan/17, o carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras com 14,1%, perdendo apenas para o cartão de crédito com 77,3% das preferências, na sequência temos o terceiro lugar com financiamento de carro (10,1%) e crédito pessoal (9,7%).

O segredo do sucesso financeiro é: se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: (a) Eu preciso? (b) Tenho dinheiro? (c) Tem que ser agora? Com apenas uma resposta negativa a qualquer das perguntas, não compre. Se as respostas forem positivas, mesmo assim antes de comprar peça desconto. Proteja seu dinheiro, não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira “apenas” o necessário e planeje-se para adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele e até em muitos casos pode ter um parecido.

6. Desconfiar da Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o mau hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote toda e qualquer despesa, solicite recibos/notas fiscais - o vendedor é obrigado por lei a fornecer os comprovantes - para não ter surpresas desagradáveis no final do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores nos gastos do dia-a-dia podem ajudar a evitar as armadilhas preparadas pela memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas pode contribuir para reduzir o IPVA e o IPTU em cidades como Brasília (nota legal) e São Paulo (nota paulista), e até mesmo receber valores em espécie como devolução.

7. Tirar Proveito do Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, não pague o valor mínimo em hipótese alguma, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Segundo dados do Banco Central a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão de crédito atingiu 484,57% a.a. (15,85 a.m.) em dez/16, ante 431,38% a.a. (14,93% a.m.) em igual período do ano anterior, mantendo-se no maior patamar da série histórica. O segundo lugar foi para o cheque especial com 328,63% a.a. (12,89% a.m.) em dez/16, ante 287,02% a.a. (11,94% a.m.) observado em dez/15.

Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente, obter descontos em bens e serviços entre outros benefícios. Não leve na carteira cartão de crédito e talão de cheques, os dois juntos podem estimular o consumo desnecessário, coloque apenas um na carteira. Só saia com o cartão de crédito quando estiver realmente precisando de adquirir um produto essencial, como comida, remédio etc.

Portanto, o segredo da prosperidade está em fazer planejamento financeiro, economizar sempre, evitar compras por impulso, fazer reserva financeira, não comprar a prazo, evitar muitas prestações, não pagar juros e manter-se atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos valores. Bons hábitos reduzem o estresse, melhora o humor e a pressão sanguínea, aumenta a produtividade e ajuda a manter a qualidade e a expectativa de vida das pessoas elevadas. Uma regra de ouro a ser observada: “Para juntar R$ 1 milhão é fundamental resistir a 1 milhão de tentações.”

¹/ Economista com pós-graduação stricto sensu em economia e bacharel em direito. Foi professor universitário durante 23 anos, é ex-servidor do Banco Central. Atua como Coach Financeiro, Coach Executivo e Coach Pessoal. É educador financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança, educação corporativa e conjuntura macroeconômica, com artigos publicados. Para mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM JAN/17
Régis Varão/¹

O percentual de famílias brasileiras endividamento decresceu em jan/17 ante o mês anterior, bem como na comparação anual. O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso também apresentou declínio entre dez/16 e jan/17. Por outro lado, o percentual que relatou não ter condições de pagar suas contas em atrasos apresentou elevação em ambas as bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A PEIC é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e abrange todas as capitais do País mais Distrito Federal.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 55,6% em jan/17, com redução de 1 p.p. em relação a dez/16 e -6 p.p. ante jan/16, um declínio significativo em doze meses.

o percentual com dívidas ou contas em atraso chegou a 22,7% em jan/17, ante 23% observado no mês anterior, enquanto ficou em 23,7% em jan/16. Entre as famílias com dívidas/contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 65 dias em jan/17, ante 64 dias observados em igual período do ano anterior. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas dívidas em atraso e que permaneceriam inadimplentes apresentou crescimento na comparação mensal, chegando a 9,3% em jan/17, ante 8,7% em dez/16 e 9% em jan/16.

A redução do número de famílias endividadas - na comparação mensal e anual - foi registrada em ambas as faixas de renda, abaixo de 10 salários mínimos (<10 SM) e acima de 10 (>10 SM). Com relação às famílias que recebem <10 SM, o percentual de famílias endividadas foi de 57,5% em jan/17, ante 58,5% em dez/16 e 63% em jan/16. Já com relação às famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias com dívidas caiu de 47,6% em dez/16 para 46,1% no mês seguinte, enquanto em jan/16, o percentual de famílias endividadas nessa faixa de renda era 54,3%.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas subiu de 13,6% em jan/16 para 13,8% em dez/16 e 13,9% em jan/17. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 22,4% (jan/16) para 20,3% em dez/16 e para 20,2% em jan/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas passou de 25,5% em jan/16 para 22,6% em dez/16 e para 21,5% em jan/17.

Em janeiro deste ano, por tipo de dívida, o cartão de crédito continua como o mais importante na preferência das famílias endividadas, sendo apontado por 77,3% das famílias, seguido por carnês de lojas por 14,1%, financiamento de carro (10,1%), crédito pessoal (9,7%), financiamento de casa (8%), cheque especial (7,2%), crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado por 1,8%. Já entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em jan/17 foram o cartão de crédito por 72,2%, financiamento de carro (20,8%), e financiamento de casa (16,5%).

Portanto, o percentual de famílias endividadas continuou recuando em janeiro deste ano ante os últimos quatro meses, como consequência da sazonalidade positiva do período, a proximidade do recebimento do 13º salário que contribui para quitar dívidas e pelas mudanças favoráveis de alguns indicadores como inflação e juros.

¹/ Coach Financeiro, Executivo Coach e Coach Pessoal, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 7 de janeiro de 2017

MEDO DO DESEMPREGO AUMENTA!
Régis Varão/¹

Saímos há pouco de 2016, mas os problemas continuam os mesmos, milhões de desempregados, taxa de juros elevada, inadimplência e endividamento das famílias batendo recordes etc. O medo do desemprego, um indicador relevante nessa onda de notícias ruins, continua muito acima da média histórica, segundo a pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria-CNI.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD apresentou incremento de 3,6 pontos em dez/16 ante set/16 e dez/15, respectivamente. O crescimento de dez/16 compensou a queda verificada em set/16 e fez com que o índice fechasse 2016 com 64,8 pontos, acima do observado em dez/15 (61,2 pontos), indicando que o brasileiro continua preocupado em relação ao mercado de trabalho. A média histórica do índice está em 48,4 pontos, 16,4 pontos abaixo do IMD verificado em dez/16.

Quanto ao grau de instrução, o índice é mais elevado entre as pessoas com mais baixo nível de escolaridade: até a 4ª série do fundamental, o índice passou de 58,2 pontos em dez/15 para 63,8 pontos em dez/16 (+5,6 pontos); enquanto no ensino Superior sobe para 59,4 pontos (+ 2,2 pontos), na mesma base de comparação.

Com relação à idade: de 25 a 34 anos o índice chega a 64,9 pontos em dez/16, de 63,5 pontos em dez/15 (+1,4 pontos), a menor variação positiva por faixa etária; enquanto de 45 a 54, sobe 6,8 pontos (maior elevação por faixa etária) e chega a 65,9 pontos em dez/16, de 59,1 observado em dez/15.

A região Sul é a única a apresentar retração no IMD, caiu de 63,2 pontos em dez/15 para 57,8 em dez/16, -5,4 pontos no período; o Nordeste registra a maior elevação (+11,3 pontos), passa de 58,7 pontos em dez/15 para 70 pontos em dez/16; enquanto o Sudeste apresenta a menor variação positiva no período (+1,4 pontos) e atinge 64,9 pontos em dez/16.

Quanto à renda familiar, até 1 salário mínimo o índice apresenta o maior crescimento (+5,6 pontos) entre dez/15 e dez/16 (72,4 pontos), enquanto a menor alta fica entre 1 e 2 salários mínimos quando passa de 64,9 pontos em dez/15 para 66,8 pontos em dez/16.

Já o Índice de Satisfação com a Vida-ISV, por sua vez, manteve-se praticamente estável no último mês de 2016 (66,8 pontos), com declínio de 0,2 ponto ante set/16. O ISV finaliza 2016 com alta de 0,9 ponto em relação a dez/15 (65,9 pontos). A deterioração nas expectativas da região Nordeste pode ser verificada no Índice de Satisfação com a Vida, que caiu 1,4 pontos entre dez/15 e dez/16 (66,9 pontos). A região Nordeste foi a única a apresentar retração na satisfação com a vida no período.

Portanto, o medo de perder o emprego é mais forte entre trabalhadores com menor nível de escolaridade e entre os que recebem mensalmente até 1 salário mínimo. Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresenta a maior variação positiva do IMD, enquanto a região Sul foi a única a registrar decréscimo no índice de medo do desemprego.

¹/ Coach Financeiro, Executivo Coach e Coach Pessoal, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.