segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O QUE NÃO É COACHING!
Régis Varão/¹

Muita gente não entende o significado de coaching e constantemente o confunde com consultoria e terapia. Tendo em vista essas confusões resolvi apresentar, de maneira simples, as principais diferenças entre esses temas, e mais que isso mostrar o que não é coaching.

Apresento, a seguir, os diversos conceitos de coaching, consultoria, couseling, mentoring e terapia, conforme descrito em meu trabalho de final de curso apresentado no Instituto Brasileiro de Coaching-IBC para receber o título e certificação internacional da formação de Professional & Self Coach-PSC:

1. Coaching: durante o processo, o Coach (o profissional), através de perguntas, possibilita que o Coachee (cliente) desenvolva seu autodiagnóstico e crie alternativas que o levem a ser quem realmente sempre desejou ser. Fazendo perguntas, verificará quais as vantagens e desvantagens de cada opção, facilitando a escolha do cliente por uma nova carreira. O coaching foca no presente e no futuro. Após definidos o objetivo e a estratégia, como chegar lá, o Coach irá acompanhar todo o processo de mudança ou aprendizado, apoiando e dando o suporte necessário para que o resultado realmente ocorra e que seja de forma mais fácil e consistente. O Coach, não aconselhando, pode, no entanto, apontar soluções, ou seja, pode informar o cliente baseado em sua experiência. Vamos ilustrar a atuação do Coach considerando: (a) ESTADO ATUAL: a pessoa está endividada, com prestações, financiamento da casa própria e colégio dos filhos em atraso, gasta mais do que recebe etc; (b) ESTADO DESEJADO: a pessoa não está endividada, paga suas prestações, o financiamento da casa própria e a prestação do colégio dos filhos em dia, gasta menos do que ganha e faz poupança. O que aconteceu? Utilizando ferramentas e técnicas adequadas, o Coach vai atuar para que o cliente, com problemas financeiros hoje/ESTADO ATUAL, chegue ao ESTADO DESEJADO em boas condições financeiras e qualidade de vida;

2. Consultoria: em um processo de consultoria, o consultor levanta o maior número de informações a respeito do cliente em relação à sua vocação, através de seu passado na escola, os cargos que ocupou ao longo de sua vida, as avaliações de performance que recebeu, discutirá com o cliente o resultado do levantamento, finalizando o processo com uma recomendação, normalmente escrita como um manual ou relatório, e o entrega ao cliente;

3. Counseling: nesse processo, trabalha-se com clientes que se sentem constrangidos ou insatisfeitos com suas vidas. Eles buscam orientações e conselhos, sendo assim, trabalha-se para sanar o problema de um cliente.  Ele atua como um aconselhador do cliente. É o modelo de interação com o cliente que fornece conselhos, metodologias, estruturas e soluções para que ele possa atingir seus próprios objetivos;

4. Mentoring: é um método em que um profissional mais experiente e dono de maior vivência e conhecimento de mundo, dá conselhos e atua como modelo. Esse processo envolve discussões amplas/genéricas, que podem abordar temas fora do contexto do trabalho. Tanto o mentoring quanto o coaching relacionam-se principalmente com as realizações no presente e no futuro. O mentoring é modelo de interação com o cliente, e o orienta através da utilização de exemplos e práticas bem-sucedidas, geralmente decorrentes da experiência, do conhecimento e da vivência própria do mentor;

5. Terapia: tem o foco predominantemente no passado, diferente do coaching que foca no presente e no futuro. A terapia busca diagnosticar e tratar disfunções do cliente e tem a cura como seu objetivo principal. Ela trabalha com pessoas que buscam alívio de sintomas psicológicos ou físicos, e seu objetivo é a cura emocional e o alívio do sofrimento mental. Ela lida com a saúde mental do cliente, enquanto o coaching lida com o seu crescimento mental.

Portanto, é importante compreender as principais diferenças entre essas atividades, principalmente na atuação dos profissionais que trabalham com coaching e com terapia, motivo de grandes confusões.

¹/ Economista com pós-graduação stricto sensu em economia e bacharel em direito. Foi professor universitário durante 23 anos, é ex-servidor do Banco Central. Atua como Coach Financeiro, Coach Executivo e Coach Pessoal. É educador financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança, educação corporativa e conjuntura macroeconômica, com artigos publicados. Para mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

HÁBITOS FINANCEIROS SAUDÁVEIS!
Régis Varão/¹

A grande maioria das pessoas com problemas financeiros decorre da inadequada gestão de seus recursos financeiros. Gastar mais do que ganha, viver constantemente no vermelho, pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, comprar sempre a prestação, são alguns dos motivos que contribuem para que as pessoas tenham uma qualidade de vida financeira ruim.

A má gestão dos recursos financeiros diários decorre, em grande parte, de atitudes e hábitos inadequados e repetitivos na administração das receitas provenientes de salário, pró-labore, bónus, premiações, comissões e outros, e que interferem negativamente no sucesso da vida financeira.

Maus hábitos no trato com o dinheiro podem levar ao endividamento, com danos paralelos, pois pesquisas demonstram que indivíduos endividados ou com problemas financeiros vão ao médico com mais frequência, faltam mais ao trabalho, usam mais atestados médicos, discutem mais com colegas e familiares, estão mais sujeitos a perderam o emprego, reduzem o nível de concentração, diminuem a produtividade e se separam ou divorciam com mais frequência que os indivíduos sem problemas de endividamento.

Mais do que nunca, precisamos de investimentos em educação financeira porque é de fundamental importância tirar grande parte das famílias brasileiras do analfabetismo econômico-financeiro. Para ilustrar o desconhecimento de educação financeira, no caso específico dos juros, um dos princípios que regem o impulso dos consumidores brasileiros ao adquirirem bens e serviços a prazo e com juros exorbitantes, é se as parcelas cabem no orçamento pessoal ou familiar.

Hábitos que ajudam as pessoas e famílias a terem um desempenho positivo e adequado na gestão de suas receitas mensais:

1. Economizar sempre:

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeiramente saudável e tranquila. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma reserva financeira. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias 29-11 temos: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês', diz o Senhor, 'planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Na citação de Jeremias o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança e tranquilidade.

Para atingir a prosperidade, você pode iniciar economizando 5% da renda líquida mensal e gradualmente - elevar esse percentual até atingir 30%, em um prazo de até doze meses. Considere as peculiaridades de cada um, muitas famílias têm avós, pais, filhos e netos morando juntos, nesse caso, esses percentuais servem como indicativo, mas cuidado para não perder qualidade de vida. Muitas vezes 10%, 20% pode ser adequado para uma família padrão - marido, mulher e filhos -, no entanto, um assalariado de alta renda pode guardar entre 25% e 50% de seus rendimentos mensais líquidos sem alterar seu padrão de vida.

Obedeça sempre a regra universal: economize sempre. Muita atenção com os supérfluos. Não precisa ser um “Tio Patinhas”, guardar dinheiro por guardar, tenha um ou mais objetivos bem definidos, estabeleça metas e as discuta com sua mulher e filhos, afinal de contas trata-se da sua família. Transmita aos seus filhos hábitos saudáveis, oriente-os enquanto são jovens e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte do que se ganha (10-15% por mês) é um hábito saudável, é simplesmente uma questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no seu dia-a-dia e de sua família.

2. Fazer Planejamento Financeiro:

Fazer orçamento pessoal/familiar e gastar menos do que se ganha é questão de bom senso e até de sobrevivência financeira. Faça mensalmente um orçamento pessoal, liste as receitas provenientes de aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bónus, premiações, comissões etc. Relacione os recibos com as despesas realizadas no mês, inclusive os pequenos valores (café espresso, cigarro etc), crie grupos de despesas como alimentação, educação, lazer, moradia, saúde e transporte, isso ajuda nos controles e no planejamento financeiro.

Com receitas e despesas relacionadas já se tem um indicativo para onde está indo o dinheiro, que na maioria das vezes desaparece sem deixar vestígios, é como um grande ralo embaixo de um chuveiro ligado. Ao listar as despesas, observe com muita atenção todos os valores, sem exceção, o que ajudará a tomar conhecimento de sua real situação financeira e a decidir qual a melhor estratégia para realizar o planejamento financeiro.

3. Fazer Reserva Financeira:

Muitos não fazem reserva financeira por desconhecerem e até não compreenderem sua importância. Deve-se reservar um percentual da renda líquida mensal para formá-la, comece com 5% e gradualmente chegue a 30% ou até mais. Todos estão sujeitos a surpresas agradáveis (formatura do filho, casamento da filha, MBA dos filhos, pós-graduação em boa universidade etc); e desagradáveis como perda do emprego, acidentes diversos, doenças em família, gravidez inesperada, desemprego etc.

O ideal é ter uma reserva que seja suficiente para cobrir gastos entre 6 e 12 meses. No entanto, se conseguir formar uma reserva que cubra os gastos equivalentes às despesas totais realizadas em 6 meses, já está bom. Exemplo: se você gasta em média R$ 4.000,00 por mês, incluindo despesas fixas e variáveis, você deveria ter no mínimo R$24.000,00 (6 x R$4.000,00) depositado em banco. Por outro lado, se puder manter em banco o equivalente a um ano de despesas, total de R$48.000,00 (12 x R$4.000,00), seria bem melhor.

Os valores acima podem servir como colchão financeiro em casos de desemprego e dívidas inesperadas, mas também podem ajudar nas despesas com o casamento da filha etc. O objetivo da reserva financeira é atender a demandas inesperadas, sem endividar a família. Ela pode ter destinos diversos, desde que atenda as necessidades e não leve a pessoa ou família a tomar crédito no sistema bancário. Mantenha distância das carteiras de crédito do setor bancário.

4. Observar o Poder dos Pequenos Valores:

Muita gente comete equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura global de despesas das famílias. Um simples café expresso de R$5,00, tomado sete vezes por semana fica em R$35,00, que chega a R$140,00 no mês, e atinge R$1.680,00 no ano, em 10 anos temos R$16.800,00, sem considerar os juros incidentes. Um lanche diário de R$9,00, custa R$63,00 por semana, R$252,00 por mês e no ano R$3.024,00. Junte-se a eles o cigarro (R$7,00) e a cerveja com os amigos (R$12,00), e temos um valor razoável.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando esses pequenos valores gastos no dia-a-dia, a despesa anual atinge R$11.088,00, um valor elevado que pode reduzir a qualidade de vida da família e nada contribui para uma saúde melhor.

Produtos necessários, como alimentos, vestuário e lazer, poderiam ser adquiridos com esses “pequenos grandes valores” se economizados. Imagine o que você poderia adquirir para sua casa, sua mulher e seus filhos, evitando esses gastos excessivos. Reduza essas despesas pela metade e temos uma sobra de R$5.544,00 (R$11.088,00/2), que pode ajudar na reforma da casa, na troca da velha máquina de lavar roupas e até mesmo nas férias da família. Logo, fique atento ao Poder dos Pequenos Valores.

5. Evitar Compras Parceladas:

Evite comprar a prazo, pois muitas vezes várias pequenas prestações podem levar ao endividamento quando agregadas. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio-CNC, de jan/17, o carnê de loja é o segundo tipo de endividamento preferido das famílias brasileiras com 14,1%, perdendo apenas para o cartão de crédito com 77,3% das preferências, na sequência temos o terceiro lugar com financiamento de carro (10,1%) e crédito pessoal (9,7%).

O segredo do sucesso financeiro é: se não tiver dinheiro para comprar a vista não compre, deixe para o próximo mês, para o próximo semestre ou ano. Antes de abrir a carteira pergunte-se: (a) Eu preciso? (b) Tenho dinheiro? (c) Tem que ser agora? Com apenas uma resposta negativa a qualquer das perguntas, não compre. Se as respostas forem positivas, mesmo assim antes de comprar peça desconto. Proteja seu dinheiro, não faça dívidas, evite compras parceladas, adquira “apenas” o necessário e planeje-se para adquirir algum produto novo, pode ser que você não esteja precisando dele e até em muitos casos pode ter um parecido.

6. Desconfiar da Memória:

A grande armadilha das finanças pessoais é o mau hábito de confiar nas chamadas contas mentais. Anote toda e qualquer despesa, solicite recibos/notas fiscais - o vendedor é obrigado por lei a fornecer os comprovantes - para não ter surpresas desagradáveis no final do mês. Um bom Planejamento Financeiro e o cuidado com os pequenos valores nos gastos do dia-a-dia podem ajudar a evitar as armadilhas preparadas pela memória. Tudo que é gasto é importante, mesmo os pequenos valores, e sempre peça nota fiscal de tudo o que adquirir, pois além de facilitar o controle das despesas pode contribuir para reduzir o IPVA e o IPTU em cidades como Brasília (nota legal) e São Paulo (nota paulista), e até mesmo receber valores em espécie como devolução.

7. Tirar Proveito do Cartão de Crédito:

Pague sempre a fatura integral, não pague o valor mínimo em hipótese alguma, pois os juros incidentes sobre o saldo devedor é o mais elevado do mercado, e ultrapassa dois dígitos ao mês. Segundo dados do Banco Central a taxa média de juros do crédito rotativo do cartão de crédito atingiu 484,57% a.a. (15,85 a.m.) em dez/16, ante 431,38% a.a. (14,93% a.m.) em igual período do ano anterior, mantendo-se no maior patamar da série histórica. O segundo lugar foi para o cheque especial com 328,63% a.a. (12,89% a.m.) em dez/16, ante 287,02% a.a. (11,94% a.m.) observado em dez/15.

Utilize o cartão de crédito a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem, que podem ajudar a adquirir passagens gratuitamente, obter descontos em bens e serviços entre outros benefícios. Não leve na carteira cartão de crédito e talão de cheques, os dois juntos podem estimular o consumo desnecessário, coloque apenas um na carteira. Só saia com o cartão de crédito quando estiver realmente precisando de adquirir um produto essencial, como comida, remédio etc.

Portanto, o segredo da prosperidade está em fazer planejamento financeiro, economizar sempre, evitar compras por impulso, fazer reserva financeira, não comprar a prazo, evitar muitas prestações, não pagar juros e manter-se atento ao poder multiplicador dos juros compostos e dos pequenos valores. Bons hábitos reduzem o estresse, melhora o humor e a pressão sanguínea, aumenta a produtividade e ajuda a manter a qualidade e a expectativa de vida das pessoas elevadas. Uma regra de ouro a ser observada: “Para juntar R$ 1 milhão é fundamental resistir a 1 milhão de tentações.”

¹/ Economista com pós-graduação stricto sensu em economia e bacharel em direito. Foi professor universitário durante 23 anos, é ex-servidor do Banco Central. Atua como Coach Financeiro, Coach Executivo e Coach Pessoal. É educador financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança, educação corporativa e conjuntura macroeconômica, com artigos publicados. Para mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS RECUA EM JAN/17
Régis Varão/¹

O percentual de famílias brasileiras endividamento decresceu em jan/17 ante o mês anterior, bem como na comparação anual. O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso também apresentou declínio entre dez/16 e jan/17. Por outro lado, o percentual que relatou não ter condições de pagar suas contas em atrasos apresentou elevação em ambas as bases de comparação, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A PEIC é realizada mensalmente com cerca de 18 mil consumidores e abrange todas as capitais do País mais Distrito Federal.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro atingiu 55,6% em jan/17, com redução de 1 p.p. em relação a dez/16 e -6 p.p. ante jan/16, um declínio significativo em doze meses.

o percentual com dívidas ou contas em atraso chegou a 22,7% em jan/17, ante 23% observado no mês anterior, enquanto ficou em 23,7% em jan/16. Entre as famílias com dívidas/contas em atraso, o tempo médio de atraso chegou a 65 dias em jan/17, ante 64 dias observados em igual período do ano anterior. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas dívidas em atraso e que permaneceriam inadimplentes apresentou crescimento na comparação mensal, chegando a 9,3% em jan/17, ante 8,7% em dez/16 e 9% em jan/16.

A redução do número de famílias endividadas - na comparação mensal e anual - foi registrada em ambas as faixas de renda, abaixo de 10 salários mínimos (<10 SM) e acima de 10 (>10 SM). Com relação às famílias que recebem <10 SM, o percentual de famílias endividadas foi de 57,5% em jan/17, ante 58,5% em dez/16 e 63% em jan/16. Já com relação às famílias com renda >10 SM, o percentual de famílias com dívidas caiu de 47,6% em dez/16 para 46,1% no mês seguinte, enquanto em jan/16, o percentual de famílias endividadas nessa faixa de renda era 54,3%.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas subiu de 13,6% em jan/16 para 13,8% em dez/16 e 13,9% em jan/17. A parcela que declarou estar mais ou menos endividada caiu de 22,4% (jan/16) para 20,3% em dez/16 e para 20,2% em jan/17. A parcela de famílias que declararam pouco endividadas passou de 25,5% em jan/16 para 22,6% em dez/16 e para 21,5% em jan/17.

Em janeiro deste ano, por tipo de dívida, o cartão de crédito continua como o mais importante na preferência das famílias endividadas, sendo apontado por 77,3% das famílias, seguido por carnês de lojas por 14,1%, financiamento de carro (10,1%), crédito pessoal (9,7%), financiamento de casa (8%), cheque especial (7,2%), crédito consignado (5,7%) e cheque pré-datado por 1,8%. Já entre as famílias com renda >10 SM, os principais tipos de dívida observados em jan/17 foram o cartão de crédito por 72,2%, financiamento de carro (20,8%), e financiamento de casa (16,5%).

Portanto, o percentual de famílias endividadas continuou recuando em janeiro deste ano ante os últimos quatro meses, como consequência da sazonalidade positiva do período, a proximidade do recebimento do 13º salário que contribui para quitar dívidas e pelas mudanças favoráveis de alguns indicadores como inflação e juros.

¹/ Coach Financeiro, Executivo Coach e Coach Pessoal, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 7 de janeiro de 2017

MEDO DO DESEMPREGO AUMENTA!
Régis Varão/¹

Saímos há pouco de 2016, mas os problemas continuam os mesmos, milhões de desempregados, taxa de juros elevada, inadimplência e endividamento das famílias batendo recordes etc. O medo do desemprego, um indicador relevante nessa onda de notícias ruins, continua muito acima da média histórica, segundo a pesquisa Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria-CNI.

O Índice de Medo do Desemprego-IMD apresentou incremento de 3,6 pontos em dez/16 ante set/16 e dez/15, respectivamente. O crescimento de dez/16 compensou a queda verificada em set/16 e fez com que o índice fechasse 2016 com 64,8 pontos, acima do observado em dez/15 (61,2 pontos), indicando que o brasileiro continua preocupado em relação ao mercado de trabalho. A média histórica do índice está em 48,4 pontos, 16,4 pontos abaixo do IMD verificado em dez/16.

Quanto ao grau de instrução, o índice é mais elevado entre as pessoas com mais baixo nível de escolaridade: até a 4ª série do fundamental, o índice passou de 58,2 pontos em dez/15 para 63,8 pontos em dez/16 (+5,6 pontos); enquanto no ensino Superior sobe para 59,4 pontos (+ 2,2 pontos), na mesma base de comparação.

Com relação à idade: de 25 a 34 anos o índice chega a 64,9 pontos em dez/16, de 63,5 pontos em dez/15 (+1,4 pontos), a menor variação positiva por faixa etária; enquanto de 45 a 54, sobe 6,8 pontos (maior elevação por faixa etária) e chega a 65,9 pontos em dez/16, de 59,1 observado em dez/15.

A região Sul é a única a apresentar retração no IMD, caiu de 63,2 pontos em dez/15 para 57,8 em dez/16, -5,4 pontos no período; o Nordeste registra a maior elevação (+11,3 pontos), passa de 58,7 pontos em dez/15 para 70 pontos em dez/16; enquanto o Sudeste apresenta a menor variação positiva no período (+1,4 pontos) e atinge 64,9 pontos em dez/16.

Quanto à renda familiar, até 1 salário mínimo o índice apresenta o maior crescimento (+5,6 pontos) entre dez/15 e dez/16 (72,4 pontos), enquanto a menor alta fica entre 1 e 2 salários mínimos quando passa de 64,9 pontos em dez/15 para 66,8 pontos em dez/16.

Já o Índice de Satisfação com a Vida-ISV, por sua vez, manteve-se praticamente estável no último mês de 2016 (66,8 pontos), com declínio de 0,2 ponto ante set/16. O ISV finaliza 2016 com alta de 0,9 ponto em relação a dez/15 (65,9 pontos). A deterioração nas expectativas da região Nordeste pode ser verificada no Índice de Satisfação com a Vida, que caiu 1,4 pontos entre dez/15 e dez/16 (66,9 pontos). A região Nordeste foi a única a apresentar retração na satisfação com a vida no período.

Portanto, o medo de perder o emprego é mais forte entre trabalhadores com menor nível de escolaridade e entre os que recebem mensalmente até 1 salário mínimo. Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresenta a maior variação positiva do IMD, enquanto a região Sul foi a única a registrar decréscimo no índice de medo do desemprego.

¹/ Coach Financeiro, Executivo Coach e Coach Pessoal, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

ATENÇÃO COM SEU DINHEIRO EM 2017!
Régis Varão/¹

Falta apenas 2 dias para o término de 2016, um ano que não deixará saudades tendo em vista as inúmeras dificuldades que os consumidores brasileiros e os que pagam tributos tiveram ao longo do ano. Os indicadores econômicos e sociais deixarão marcas que serão lembradas por muitos anos.

Estamos com 12 milhões de desempregados, cerca de 60% das famílias brasileiras estão endividadas, os juros e a inflação estão elevados, 60 milhões de brasileiros estão inadimplentes totalizando dívidas em atraso no montante de R$ 256 bilhões, fazer compras em supermercados está difícil pois tudo está caro, até abastecer o carro está difícil, enfim, um ano que não deixará saudades.

No entanto, apesar de um ano ruim sob vários aspectos, podemos vislumbrar um 2017 um pouco melhor, “pelo menos” em termos de expectativas.

Algumas mudanças de hábitos podem ajudar para que tenhamos um 2017 melhor:

(a) Inicie 2017 fazendo planejamento financeiro;

(b) Elabore um orçamento pessoal ou familiar. Liste todas as despesas (mesmo as de pequeno valor) e receitas;

(c) Não descuide dos pequenos valores (cafezinho, lanches etc), eles fazem grande diferença com o passar do tempo;

(d) Liquide a fatura integral do cartão de crédito. Tenha cuidado com os juros do crédito rotativo que incidem no saldo devedor do cartão de crédito;

(e) Não tenha mais que um cartão de crédito. Ao sair com o cartão de crédito não leve o talão de cheques;

(f) Evite comprar a prazo e não faça parcelamentos, a não ser em caso de necessidade (doença, despesas hospitalares etc). Se puder compre a vista;

(g) Quando for ao supermercado alimente-se primeiro e só compre o que estiver programado (leve uma lista de produtos);

(h) Se tiver dívidas utilize o 13º, bonificações natalinas ou receitas extras periódicas para quitá-las;

(i) Se não estiver endividado guarde parte dos ganhos extras para pagar as despesas de início de ano como IPTU, IPVA, matrícula das crianças, material escolar etc;

(j) Peça desconto em tudo que for comprar e seja passível de barganha;

(k) Faça pesquisa de preços, pois existe uma grande diferença entre os fornecedores;

(l) Faça uma reserva financeira para sua aposentadoria. Comece com 10% da sua renda líquida;

(m) A tendência natural da economia é minguar o valor da aposentadoria ou aumentar o tempo de contribuição, logo, uma poupança será fundamental para manter a qualidade de vida presente e futura;

(n) Uma sugestão de como sua receita mensal pode ser distribuída sem perder qualidade de vida: aluguel e prestação da casa própria até 25% da renda líquida mensal; educação até 14%; supermercado e alimentação até 14%; saúde/beleza pessoal e da familiar até 14%; financiamento e despesas com carro até 13%; reserva financeira 10% (mínimo); lazer 5% e dívidas em geral 5% (máximo).

Portanto, final de ano é um período adequado para pensar na vida presente e futura, assim, reserve uma quantia ou um percentual de sua receita para uma reserva financeira com vistas a aposentadoria. Tenha uma renda independente do teto estabelecido pelo INSS para sobreviver com qualidade de vida na aposentadoria. Economize todos os dias, faça poupança, guarde parte de seus proventos para uma reserva financeira/reserva de emergência e você estará assegurado um futuro melhor para você e sua família. Desejo um feliz Ano Novo com saúde, paz e prosperidade.


¹/ Coach Financeiro, Business & Executive Coach, Personal Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

domingo, 18 de dezembro de 2016

AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA REDUZ COMPETITIVADE
Régis Varão/¹

Nos últimos anos tem crescido o crime e a violência nas grandes cidades brasileiras, o que incorre em elevados custos para a sociedade e para a economia como um todo. Além das perdas materiais e pessoais, a violência impõe custos indiretos, afetando negativamente as decisões de investimento e consumo, o uso eficiente dos recursos e mais que isso impactando diretamente na produtividade e na competitividade, afirma a Nota Econômica de nov/16, divulgado pela  Confederação Nacional da Indústria-CNI, que trabalha com as estatísticas do relatório World Economic Forum-WEF.

De acordo com o relatório da WEF, os custos relacionados ao crime e seus impactos no setor produtivo mantêm-se elevados no Brasil por quase uma década. “Desde 2006, início da série histórica, o país está entre os 25% com pior desempenho no ranking mundial do indicador, cuja avaliação compreendeu, em média, entre 2006 e 2015, 138 economias. Na percepção das empresas, os custos com o crime têm crescido nos últimos anos. Entre 2012 e 2015, o indicador caiu de 3,48 em 2012 para 2,87 (em escala de 1 a 7), o que reduziu a distância entre o Brasil e o pior colocado no ranking mundial - de 15,3% para 8,6%”.

Ainda segundo o relatório, no período 2010-15, o número de ocorrência de roubo e furto de carga no País subiu 64%. Paralelamente, observa-se elevação da demanda por serviços de vigilância e segurança, e uma situação que já era preocupante, piorou recentemente, o que em parte pode ser explicado pela crise econômica.

Em 2015, com relação ao indicador custos para as empresas do crime e da violência, os primeiros colocados - no critério menor custo - são os países de elevada renda do Oriente Médio e norte da África, como Emirados Árabes Unidos (1ª posição), Catar (3ª) e Omã (6ª). Entre os 140 países pesquisados, o último lugar é da Venezuela (140ª posição), o país de mais elevado custo.

Os países do continente americano, com exceção do Canadá (29ª posição) e Nicarágua (46ª), têm um baixo desempenho no indicador, pois todos se encontram entre os 50% piores posicionados entre as 140 economias pesquisadas (os EUA está na 77ª posição).

A situação piora quando a avaliação é restrita à América Latina, onde 17 dos 22 países estão entre os 25% piores posicionados. A nota do Brasil (2,87) em 2015 é inferior à média da América Latina (3,22) e da África subsaariana (4,13). O Brasil, com a queda recente no desempenho entre 2014 e 2015, quando passou de 3,23 para 2,87, respectivamente, se encontra atrás do Haiti, República Dominicana e Argentina.

A pesquisa Enterprise Surveys do Banco Mundial, avalia os custos de crimes violentos que recaem especificamente sobre o custo das empresas, no entanto, a última pesquisa realizada no Brasil é de 2009. Segundo a pesquisa, os custos com segurança privada com equipamentos, pessoal ou serviços especializados, participaram com 1,7% do faturamento das empresas brasileiras em 2007, enquanto as perdas com roubo e vandalismo representaram 2,5% do faturamento no mesmo ano.

Segundo a publicação da CNI, o crime foi identificado por 69% das empresas brasileiras como grande obstáculo para suas operações, sendo que o percentual é o mais elevado entre os 133 países pesquisados no período 2009-16.

Ainda de acordo com a Nota Econômica, “Embora as empresas brasileiras tenham gasto, como proporção do faturamento anual, aproximadamente o mesmo percentual com segurança privada que a média das empresas na América Latina (1,5%) e no mundo (1,6%), as perdas com roubo e vandalismo foram maiores: o percentual no Brasil é quase três vezes o observado na América Latina (2,5% contra 0,9%) e no mundo (0,8%)”.

Os gastos privados com segurança no Brasil não produziram os mesmos efeitos que os verificados em economias com características semelhantes à nossa. Na Rússia, Turquia e África do Sul, embora os custos com segurança privada como proporção do faturamento, tenham sido iguais aos realizados no Brasil, as perdas decorrentes de roubos e vandalismo naquelas economias foram muito menores que no Brasil.

O número de ocorrências de roubo e furto de carga no País subiu 63,6% entre 2010 e 2015 (20.803 ocorrências), um percentual elevado e com impactos negativos na produtividade da economia e do segmento serviços em geral. Por outro lado, observa-se elevação da demanda por serviços de segurança, o que é constatado no crescimento do emprego no setor, que subiu, em média, 7,2% ao ano nessa atividade, o que é superior aos 4,9% de elevação do setor serviços no período.

Portanto, no final todos perdem, consumidores, empresas e o próprio Estado ao ter agregado ao preço dos produtos os custos com a contratação de serviços de segurança, que indiretamente impactam negativamente na competitividade das empresas e no bolso dos consumidores.

¹/ Coach Financeiro, Business & Executive Coach, Personal Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM DEZEMBRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC), publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reflete o sentimento dos consumidores brasileiros quanto à situação atual e às expectativas econômicas das pessoas e do País para os próximos meses. Quanto maior o valor do índice, mais alto é o percentual de respostas positivas, isto é, maior é o percentual de pessoas esperando declínio da inflação, do desemprego, elevação da renda pessoal e das compras de bens de maior valor, e esperando melhor situação financeira e queda do endividamento.

O INEC registra 100,3 pontos em dez/16, valor 2,8% abaixo do observado em nov/16, e +4,2% acima do registrado em dez/15 quando registrou 96,3 pontos. Com os declínios verificados nos dois últimos meses do ano, o índice reverte o crescimento do período jul-out/16, quando apresentou elevação de 3,4%. O INEC ainda é maior do que o de dez/15 (+4,2%), mas está 7,8% abaixo da média histórica (108,8 pontos).

A maioria dos componentes do INEC mostra declínio na comparação mensal, ficando a exceção por conta do índice de situação financeira, o que reflete uma pequena melhora na percepção dos consumidores a respeito de suas condições financeiras.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: o índice de expectativas de inflação registrou declínio de 6,1% em dez/16 (102,4 pontos) com relação ao mês anterior, e subiu 9,4% quando comparado ao mesmo mês de 2015;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram queda de 7,8% em dez/16 (106,3 pontos) quando comparado ao nov/16, mas registrou elevação de 7,8% com relação ao mesmo mês do ano anterior;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: as expectativas de renda pessoal registraram decréscimo de 3,5% em dez/16 (91,7 pontos) ante o mês anterior, e subiu 5,8% com relação à dez/15;

(d) Compras de Bens de Maior Valor: com relação às expectativas das compras de maior valor, houve decréscimo nas duas bases de comparação, registrando -1,7% em dez/16 (111,3 pontos) frente ao mês anterior e declínio de 3% ante igual período de 2015;

(e) Endividamento: o endividamento apresentou queda de 1,3% em dez/16 (96,4 pontos) quando comparado ao mês anterior, e registrou incremento de 4% frente ao mesmo mês de 2015;

(f) Situação financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, houve melhora nas expectativas nas duas bases de comparações, mensal e anual. Apresentou elevação de 1,1% em dez/16 (91,3 pontos) frente ao mês anterior e subiu 9,3% quando comparado a igual período do ano anterior.

Portanto, a maioria dos componentes do INEC apresenta declínio na comparação mensal, o que sugere perda de confiança dos consumidores brasileiros nos últimos meses. Uma situação preocupante, o que sugere um freio no consumo das famílias brasileiras para os próximos meses.

¹/ Coach Financeiro, Business & Executive Coach, Personal Coach, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com pós-graduação stricto sensu em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.