segunda-feira, 29 de junho de 2015

PESSIMISMO DO MERCADO AUMENTA
Régis Varão/¹

As projeções do Boletim Focus de 26.6.15, do Banco Central, para as principais variáveis macroeconômicos apresentaram alterações para 2015 na grande maioria dos índices pesquisados, com exceção da taxa de câmbio que permanece estável quando comparada ao valor divulgado nas semanas anteriores. A pesquisa Focus é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 26.6.15 elevou para 9% a expectativa do índice para 2015, ante 8,97% observada na semana anterior e 8,39% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 27.6.14 mantém em 6,10%. Em doze meses uma elevação de +2,90 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o boletim de 26.6.15 mantém a projeção em 5,50%, repetindo o valor das últimas seis semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,37% a projeção do índice para este ano, de 7,31% verificada há uma semana e 7,03% há trinta dias, enquanto o boletim de 27.6.14 mantém 5,50% para 2015. Assim como o IPCA (+2,90 p.p.), o IGP-DI (+1,87 p.p.) também apresentou deterioração das expectativas do mercado nos últimos doze meses. O boletim de 26.6.15 continua projetando variação do índice em 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 26.6.15 continua mantendo nas últimas nove semanas a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para o final de 2015, enquanto o relatório de 27.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus divulgado hoje trabalha com um câmbio de R$/U$3,37 para 2016, ante R$/U$ 3,40 observado na semana anterior;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta semana eleva a projeção da taxa de juros para 14,50% a.a. para o final deste ano, ante 14,25% a.a. observada na semana anterior e 14% há trinta dias, enquanto o boletim de 27.6.14 estima em 12% a.a. Os aumentos realizados pelo Copom para a Taxa Selic, ao longo dos últimos meses, têm levado o mercado a corrigir para cima as expectativas da Taxa Selic par o final de 2015, o que é desanimador para os potenciais tomadores de crédito. A pesquisa desta semana mantém em 12% a.a. a taxa de juros para o final do próximo ano;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 26.6.15 continua corrigindo para baixo, -1,49%, o desempenho do PIB para 2015, ante -1,45% observado na semana anterior e -1,27% há quatro semanas, enquanto o Focus de 27.6.14 estima crescimento de 1,50% para aquele ano, ante 1,85% registrado trinta dias antes. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana reduziu o crescimento do PIB para +0,50%, ante +0,70% observado na semana anterior e +1% há quatro semanas. O desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano (1ºT15), frente ao 4ºT14 e ao 1ºT14, associado ao desempenho negativo de alguns indicadores macroeconômicos (desemprego, juros, câmbio e inflação em alta etc) mais a fraca credibilidade do governo, pode-se esperar pressão das expectativas negativas nas próximas pesquisas Focus;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana corrigiu para baixo o decréscimo da indústria (-4%) para 2015, ante -3,65% observado na semana anterior e -2,80% há trinta dias, enquanto o boletim de 27.6.14 projeta crescimento de 2,20%. Para 2016, a pesquisa de 26.6.15 mantém a projeção de crescimento do setor industrial em 1,50% nas últimas quatro semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 26.6.15 corrigiu para U$4 bilhões o superávit da balança comercial para 2015, de U$3,10 bi registrados na semana anterior, enquanto o boletim de 27.6.14 trabalha com superávit de U$9,90 bilhões. Para o próximo ano, o Focus desta semana eleva o superávit para U$12 bilhões, ante U$ 11 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada hoje pelo Banco Central corrigiu para baixo a projeção do IED (U$65,70 bilhões) para 2015, de U$66,50 bi registrados na semana anterior e U$66 bilhões observados há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 27.6.14 projeta U$55,60 bi. A pesquisa de 26.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para 2016, valor observado nas últimas cinco semanas.

Portanto, o declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano, inflação e desemprego em alta, aumento dos juros, menor oferta de crédito e desajuste fiscal tem levado intranquilidade à população em geral e aumentado o pessimismo dos agentes econômicos. O País está pagando caro pelos desacertos praticados nos últimos quatro anos.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 27 de junho de 2015

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JUN/15
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, recuou 1,4% em jun/15 (83,9 pontos), frente ao mês anterior (85,1 pontos), segundo menor valor verificado na série histórica, acima apenas ao ICC de mar/15, quando atingiu 82,9 pontos. De acordo com Viviane Bittencourt, da FGV, “O resultado do ICC retrata um consumidor preocupado com a situação econômica geral e da família, tendo a inflação como principal vilã, seguida pelo mercado de trabalho. O resultado reflete insatisfação com a situação presente e a ausência, até o momento, de sinais de reversão da fase negativa no curto prazo.”

Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor (SEC) do IBRE/FGV a percepção dos consumidores sobre a situação da conjuntura econômica atual voltou a piorar após dois meses de aparente estabilidade. O indicador que afere o grau de satisfação com a situação econômica local recuou 15,5% e foi responsável por 79% do declínio de 1,4% do ICC em junho. “A proporção de consumidores que avaliaram a situação do momento como boa de apenas 4,2% enquanto a dos que a consideram ruim, atingiu 79,1%, maior nível da série.”

Ainda de acordo com a SEC, “As expectativas para o cenário econômico nos meses seguintes melhoraram pelo quarto mês consecutivo, apesar de ainda se manterem em nível muito abaixo historicamente.” O indicador de otimismo com o desempenho da conjuntura econômica nos seis meses seguintes subiu 2,5%, atingindo 79,1 pontos. A proporção de consumidores que preveem melhora na situação evoluiu de 17,1% para 18,1% no período mai-jun/15. Com relação à parcela dos que consideram que a situação irá piorar declinou de 39,9% para 39%. O mês de junho é o 17º mês em que são observados mais consumidores pessimistas que otimistas com o rumo da economia nos seis meses seguintes. Anterior a esse período, iniciado em fev/14, o recorde havia sido de apenas seis meses, entre out/08 e mar/09.

O Índice da Situação Atual (ISA) decresceu 5,1% no período mai-jun/15, passando de 79,1 pontos para 75,1 pontos. A partir de jan/14 (115,6 pontos) o índice vem apresentando comportamento declinante, atingindo 96,8 pontos em dez/14, caindo para 88,5 em jan/15 até atingir 75,1 pontos em maio deste ano, o menor nível observado nos últimos dezoito meses.

Já o Índice de Expectativas (IE) cresceu 0,2% no período mai-jun/15 saindo de 88,4 pontos para 88,6 pontos no fim do bimestre. Ao longo dos últimos dezoito meses, o comportamento do índice também foi declinante, saindo de 105,6 pontos em jan/14 para 96,8 em dez/14, iniciando jan/15 com 90,8 pontos e atingindo 88,6 pontos em mai/15.

Quanto ao ICC por faixa de renda temos: consumidores que percebem até R$ 2.100,00 por mês, houve elevação de 1,9% em mai/15, enquanto no mês seguinte decresceu 1,2%; faixa de renda entre R$ 2.100,00 e R$ 4.800,00, queda em maio e em junho, de 1,3% 0,9%, respectivamente; faixa de renda entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, em mai/15 caiu 4,1% e subiu 1,2% no mês seguinte; e na faixa de renda acima de 9.600,00 foi observado elevação de 0,9% em maio e declínio de 2,8% em jun/15. Nos quatro níveis de renda, apenas na faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00 foi observada variação positiva (+1,2%) em junho, enquanto as demais faixas apresentaram queda.

Portanto, ao longo dos últimos dezoito meses o ICC e seus principais componentes, ISA e IE, têm apresentado resultados desanimadores, mostrando uma piora nas expectativas dos consumidores quanto ao comportamento da economia brasileira, e mais ainda refletindo a falta de perspectivas positivas para os próximos meses. O desempenho dos índices de expectativas do consumidor apresenta o mesmo resultado observado em outros índices que aferem o comportamento desse importante segmento da população.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

DESEMPREGO NAS 6 PRINCIPAIS REGIÕES METROPOLITANAS
Régis Varão/¹

Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego-PME de mai/15, divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, o número de pessoas com idade igual ou acima de 10 anos (idade ativa), para o conjunto das seis regiões metropolitanas brasileiras, foi estimado em 43,7 milhões, mantendo-se estável ante abr/15 e subiu 0,8% quando comparada a maio de 2014.

Em mai/15, a população economicamente ativa-PEA, pessoas ocupadas mais desocupadas, foi estimada em 24,4 milhões de pessoas para as seis regiões pesquisadas, ficando estável na comparação com o abr/15, mas em relação a mai/14 cresceu 1,2%.

O contingente de pessoas ocupadas, em maio deste ano, foi estimado em cerca de 23 milhões para o conjunto das regiões pesquisadas, refletindo um quadro de estabilidade nas análises mensal e anual. Em termos regionais, a análise mensal mostrou que essa população não apresentou alteração em nenhuma das regiões pesquisadas. Com relação a mai/14, observou-se em Salvador redução no número de ocupados (-86 mil pessoas, 4,5%) e em Porto Alegre-PA, no mesmo período, ocorreu o inverso (+49 mil pessoas, 2,6%), enquanto nas demais metropolitanas verificou-se estabilidade.

O nível de ocupação, proporção de ocupados em relação às pessoas em idade ativa, foi estimado em mai/15 em 52,2% para o total das seis regiões, não apresentando variação significativa em relação ao mês anterior. Com relação a mai/14 foi observada redução de 0,8 p.p. Na comparação mensal, ocorreu estabilidade em todas as regiões. Com relação a mai/14 houve redução nesse indicador em Salvador (2,8 p.p.); Recife (1,6 p.p.) e no Rio de Janeiro-RJ (1,2 p.p.).

O total de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, em maio deste ano, foi estimado em 11,5 milhões no total das seis regiões metropolitanas. Com relação ao mês anterior esse contingente permaneceu estável, mas em relação a mai/14 decresceu 1,8% (213 mil pessoas). Na comparação mensal, ocorreu diminuição nesse contingente em PA (3,3%) e estabilidade nas demais regiões. Frente a mai/14, duas regiões apresentaram declínio (Salvador e Belo Horizonte-BH, com 6,1% e 4,2%, respectivamente) e nas demais regiões não ocorreram mudanças significativas.

O contingente de desocupados, em mai/15, foi estimado em 1,6 milhão de pessoas no agregado das seis metropolitanas pesquisadas, permanecendo estável com relação ao mês anterior, enquanto com relação a mai/14 o quadro foi de alta, 38,5% (+ 454 mil pessoas em busca de trabalho). O total de desocupados em relação a abr/15 ficou estável em todas as metropolitanas. Ante mai/14, a desocupação aumentou em PA (96,8%), BH (48,7%), RJ (45,3%), São Paulo-SP (39,0%), Salvador (20,4%) e Recife com 17,5%.

A taxa de desocupação foi estimada em mai/15, para o total das seis metropolitanas pesquisadas em 6,7%, ficando acima da taxa registrada em abr/15 (6,4%). Frente a mai/14 a taxa subiu 1,8% p.p., ao passar de 4,9% para 6,7%.

Com relação a variação mensal, a taxa de desocupação de mai/15 não se alterou em nenhuma das regiões pesquisadas em relação ao mês anterior. Na comparação com mai/14 houve variações relevantes em todas as regiões: PA passou de 3,0% para 5,6%, +2,6 p.p.; Salvador foi de 9,2% para 11,3%, +2,1 p.p.; BH de 3,8% para 5,7%, +1,9 p.p.; SP passou de 5,1% para 6,9%, +1,8 p.p.; RJ de 3,4% para 5,0%, +1,6 p.p. e Recife passou de 7,2% para 8,5%, +1,3 p.p.

O rendimento médio real dos trabalhadores foi estimado em mai/15, para o conjunto das seis regiões, em R$ 2.117,10, resultado que ficou 1,9% inferior ao registrado em abr/15 (2.158,74) e 5,0% abaixo do observado em mai/14 quando atingiu R$ 2.229,28. Em relação a abr/15, o rendimento caiu em SP (-3,0%); BH (-2,9%); Salvador (-2,1%); Recife (-1,0%) e RJ (-0,8%). Em Porto Alegre houve crescimento de 1%. Frente a mai/14 o rendimento diminuiu em todas as regiões, destacando-se o Rio de Janeiro que apresentou o maior decréscimo (-6,3%) e Porto Alegre com o menor (-1,6%).

Com relação ao rendimento médio real das pessoas ocupadas a estimativa ficou em 48,9 bilhões em maio deste ano e apresentou recuo de 1,8% ante o mês anterior, mas na comparação anual esta estimativa registrou declínio de 5,8%.

Portanto, a taxa de desocupação das seis regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife) apresentou em 2015 comportamento ascendente, passando de 4,3% em dez/14 para 6,7% em mai/15, aumento de +2,4 p.p. Nos últimos anos, para o mês de maio, a taxa observada em mai/15 só ficou abaixo da taxa verificada em mai/10 (7,5%).

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

CRESCE O PESSIMISMO NO PAÍS
Régis Varão/¹

As previsões do mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 19.6.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisadas, com exceção da taxa de câmbio que se manteve estável quando comparada ao valor divulgado na semana anterior. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 19.6.15 elevou para 8,97% a expectativa do IPCA para 2015, ante 8,79% observada na semana anterior e 8,37% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 20.6.14 apontava 6,10%. Em doze meses uma elevação de 2,87 p.p. nas expectativas do índice para 2015. É flagrante o descontrole dos preços ao consumidor nesses últimos doze meses. Para 2016, o boletim de 19.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, repetindo o valor das últimas cinco semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,31% a projeção do índice para este ano, de 7,08% verificada há uma semana e 7,03% há trinta dias, enquanto o boletim de 20.6.14 mantém 5,50% para 2015. Assim como o IPCA (+2,87 p.p.), o IGP-DI (+1,81 p.p.) também apresentou deterioração das expectativas nos últimos doze meses. O boletim de 19.6.15 continua projetando variação do índice em 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 19.6.15 continua mantendo nos últimos dois meses a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para o final deste ano, enquanto a pesquisa de 20.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus desta semana trabalha com um câmbio de R$/U$3,40 para o próximo ano;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta semana eleva a projeção da taxa de juros para 14,25% a.a. para o final de 2015, ante 13,75% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 20.6.14 estima em 12% a.a. Os aumentos realizados pelo Copom para a Taxa Selic, ao longo dos últimos meses, têm levado o mercado a trabalhar com juros acima de 14% a.a. para o final deste ano, o que é pouco animador para uma economia carente de crédito. A pesquisa desta semana estima em 12% a.a. a taxa de juros para o final de 2016;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 19.6.15 continua puxando para baixo, -1,45%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,35% observado na semana anterior e -1,24% há quatro semanas, enquanto o Focus de 20.6.14 estima crescimento de 1,60%. Quanto ao próximo ano, a pesquisa desta semana reduziu o crescimento do PIB para +0,70%, ante +0,90% observado na semana anterior e +1% há quatro semanas. O desempenho medíocre do PIB no primeiro trimestre deste ano, frente ao trimestre anterior e a igual período de 2014, associado ao comportamento insatisfatório de algumas variáveis macroeconômicas (desemprego crescente, juros elevados, inflação em alta etc) mais a credibilidade do governo em cheque, pode-se esperar aumento das expectativas negativas do mercado nas próximas pesquisas do Banco Central;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para 2015, -3,65%, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -3,20% verificada na semana anterior e -2,80% há quatro semanas, enquanto o boletim de 20.6.14 estima o crescimento de 2,30%. Para 2016, a pesquisa de 19.6.15 reduz a projeção de crescimento do setor industrial para 1,50%, frente a 1,60% há uma semana;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 19.6.15 corrigiu para U$3,10 bilhões em 2015 o superávit da balança comercial, de U$3 bi registrados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 20.6.14 trabalha com superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana eleva o superávit para U$11 bilhões, ante U$ 10,35 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada nesta semana reduziu a estimativa do IED para U$66,50 bilhões em 2015, de U$67 bi registrados na semana anterior e U$65,50 bilhões observados há trinta dias, enquanto a pesquisa de 20.6.14 projeta U$55,40 bilhões. A pesquisa de 19.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para 2016, valor este observado nas últimas quatro semanas.

As dificuldades que o governo vem apresentando para aprovar o ajuste fiscal tem elevado o pessimismo dos agentes econômicas, enquanto o mau desempenho do emprego, da inflação, dos juros e do setor fiscal está deixando a população preocupada, o que se vê nos elevados índices de rejeição da presidente da república. O declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano, inflação crescente, aumento dos juros, dinheiro mais caro e crescimento do desemprego tem levado intranquilidade ao mercado, com aumento do pessimismo.

Portanto, as dificuldades que o governo vem enfrentando no Congresso Nacional não tem sido contornadas satisfatoriamente, o que pode aumentar mais ainda o pessimismo reinante na economia como um todo, principalmente no setor produtivo e financeiro. O País está pagando caro pelos vários erros cometidos no primeiro mandato da atual presidente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 23 de junho de 2015

CONJUNTURA ECONÔMICA & FINANÇAS PESSOAIS
Régis Varão/¹

Diariamente o noticiário tem mostrado as fragilidades da economia brasileira e seus reflexos na atividade econômica e no nível de emprego, ambos caindo fortemente nos últimos meses, e nos preços e taxas de juros, ambos subindo também nos últimos meses. A decisão tomada pelo Banco Central (BCB) na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em elevar mais uma vez a Taxa Selic para 13,75% a.a., dificulta mais ainda a vida dos devedores. Este novo patamar de juros coloca o Brasil com a mais elevada taxa de juros reais do mundo, segundo a MoneYou/Up Trends Consultoria.

O País está à beira de uma recessão e o brasileiro continua pagando juros elevadíssimos, como exemplo, o crédito rotativo do cartão de crédito atingiu, segundo informações do BCB, a taxa média de 347,5% a.a. em abril deste ano. A expectativa atual do mercado é mais aumento da taxa de juros na próxima reunião do Copom, dificultando e encarecendo mais ainda para o crédito.

A crise econômica está batendo forte na casa dos brasileiros, tendo o nível de desemprego passado de 7,1% no acumulado de fev-abr/14, para 8% no trimestre fev-abr/15 (alta de 0,9 p.p.), registrando o mais elevado patamar para o período desde o início da série histórica em 2012, o que representa cerca de 8 milhões de brasileiros a procura de colocação e não encontram vagas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O governo demorou a tomar medidas para tentar resolver o desempenho negativo das principais variáveis macroeconômicas e em especial das contas públicas, enquanto o brasileiro nos últimos anos vem tentando fazer ajustes em seus orçamentos pessoais e familiares. Algumas famílias já incorporaram em suas rotinas os ajustes orçamentários, com maior controle de despesas, tendo em vista que a inflação crescente tem reduzindo o poder aquisitivo da população, que agora se depara com mais problemas, juros mais elevados, que encarece o crédito, e desemprego crescente.

A situação não é confortável, por outro lado, algumas estatísticas preocupam, pois 8 brasileiros em cada 10 não têm controle total de suas despesas pessoais, 57% não sabem informar com precisão quanto e quais são os gastos extras semanais e 56% chegam ao último dia do mês sem ter poupado um único centavo, segundo pesquisa do SPC-CNDL.

Ainda nesse quadro desanimador, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor (http://www.serasaexperian.com.br/), apresentou em mai/15, o maior incremento mensal do ano, com alta de 4,8% ante abr/15. Comparando mai/15 com igual período do ano anterior, o crescimento do indicador atingiu 14,9%, e repetiu a mesma variação +14,9% no período jan-mai/15 frente a jan-mai/14. De acordo com os economistas da Serasa Experian, a elevação das taxas de desemprego, o peso da inflação mais alta no bolso do consumidor e os juros cada vez maiores incidentes sobre as dívidas estão dificultando a situação financeira do consumidor, puxando para cima os níveis de inadimplência.

Por outro lado, ainda com relação ao relatório da Serasa Experian, as dívidas com os bancos foram as principais responsáveis pela elevação do indicador em mai/15, com aumento de 5,5% e contribuição de 2,6 p.p. Quanto à inadimplência não bancária (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água etc.) apresentou aumento de 4,9% e contribuição de 2,3 p. p. em maio/15. Por fim, os protestos e os cheques sem fundos registraram alta de 6,9% e queda de 2,1%, respectivamente.

Todavia, cabe registrar, ainda segundo o documento da Serasa Experian, que o valor médio das dívidas não bancárias subiu 32,6% no período jan-mai/15, na comparação com jan-mai/14, enquanto o valor médio dos cheques sem fundos e da inadimplência com o setor bancário cresceu 10% e 0,1%, respectivamente.

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), afirma que o percentual de famílias brasileiras endividadas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros atingiu 62,4% em maio deste ano, ante elevação de 61,6% observada no mês anterior, mas inferior aos 62,7% registrados em mai/14. O total de famílias endividadas em mai/15, frente ao mês anterior, registrou elevação em ambas as faixas de renda (abaixo e acima de 10 SM-Salários Mínimos), enquanto na comparação anual, a queda foi observada apenas na faixa de renda inferior a 10 SM.

Ainda segundo a CNC, seguindo a elevação do nível de endividamento das famílias, a proporção daqueles com dívidas ou contas em atraso também registrou alta na comparação mensal, saindo de 19,7% em abr/15 para 21,1% em mai/15, também acima do observado em maio de 2014 (20,9%). O percentual de famílias que afirmaram sem condições de pagar suas contas ou dívidas continuavam inadimplentes, aumentou nas duas bases de comparação, passou de 6,9% em abr/15 para 7,4% no mês seguinte, enquanto em mai/14 ficou em 6,8%.

Na pesquisa PEIC/CNC, cabe ressaltar algumas informações relevantes quanto ao desconhecimentos das famílias brasileiras com relação aos conhecimentos básicos de economia, matemática financeira e finanças pessoais. De acordo com a pesquisa, o cartão de crédito continua a ser apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,9% das famílias endividadas, seguido por carnês de lojas (15,6%), financiamento de carro (13,6%), crédito pessoal (9%), financiamento de casa (8,1%), cheque especial (6,1%), crédito consignado (4,9%) e cheque pré-datado com 1,6%. Nos últimos meses essa ordem de classificação manteve-se inalterada, permanecendo o cartão de crédito na liderança.

A liderança do cartão de crédito como escolha de endividamento das famílias, mostra o total desconhecimento do funcionamento dos juros compostos. Cerca de 77% das famílias pesquisadas utilizam essa cara modalidade de crédito praticada pelo setor bancário, chegando em algumas instituições financeiras a ultrapassar 348% a.a. Por outro lado, o crédito consignado considerado a melhor opção do mercado quanto aos juros cobrados pelos bancos, menos de 5% das famílias pesquisadas optam por essa linha de crédito.

As armadilhas do comércio são conhecidas como: o destaque que o varejista dá ao valor das parcelas no lugar do preço total do produto; restaurantes que excluem os valores do menu para venderem mais; cardápios que usam termos “textura”, “suave” e “delicado” chegam a vender mais de 25% que os menus comuns; a iluminação adequada nos provadores de roupa para influenciar a decisão de compra; o senso de urgência utilizado pelas agências de viagens leva o incauto consumidor a comprar pacotes sem fazer contas; o tamanho dos “carrinhos” de supermercados para que você tenha a impressão que está levando poucos produtos; os produtos ofertados por R$ 139,99, por exemplo, dão a impressão que o preço fica mais perto de R$ 100,00 que de R$ 140,00; e finalmente, lojas que desenvolvem aromas que combinam com suas marcas e permitem que o consumidor se identifique com os produtos pelo olfato, um exemplo entre muitos é a grife Hugo Boss.

O consumidor deve estar atento às inúmeras armadilhas do dia-a-dia elaboradas pelas lojas, supermercados, restaurantes, setor bancário, telefonia etc, cuja preocupação é elevar seus lucros, mesmo que a custa do endividamento das pessoas.

Muito cuidado, a situação econômica atual é desfavorável, são muitas as armadilhas do comércio (descritas acima) e dos bancos/financeiras na oferta de crédito caro e muitas vezes desnecessário. Os endividados devem ficar mais atentos ou os que pretendem utilizar crédito, fica o alerta, não é hora de fazer dívidas, financiamentos etc. Negocie o quanto antes suas dívidas, saia do endividamento o mais rápido possível, antes que seja tarde.

As pesquisas da CNC mostram que nos últimos anos as famílias brasileiras têm optado pela modalidade mais cara de crédito, o cartão de crédito, o que é uma péssima escolha, tendo em vista os elevados encargos pagos por atrasos.

Está comprovado que indivíduos com elevado grau de endividamento são mais descuidados, faltam mais ao trabalho, vão mais a médicos e hospitais, utilizam mais atestados que os demais empregados, se irritam facilmente, se desentendem com frequência com os colegas de trabalho, enfim, o resultado de tudo isso é a redução substancial da produtividade no trabalho.

Portanto, os prejuízos decorrentes de atitudes impensadas se espalham por toda a sociedade. A sugestão que apresento para evitar ou sair do endividamento: faça um orçamento pessoal/familiar, reúna a família e discuta seus hábitos de consumo, estabeleça metas de gastos, reduza suas dívidas ou as negocie urgentemente, corte os supérfluos, fique atento aos pequenos valores e organize sua vida financeira o mais rápido possível.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 5.6.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisadas, quando comparadas às informações apresentadas há quatro semanas, com exceção da taxa de câmbio que manteve-se estável, enquanto para 2016 houve menor número de correções. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 5.6.15 elevou para 8,46% a expectativa do IPCA para 2015, ante 8,39% observada na semana anterior e 8,29% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 6.6.14 apontava 6,03%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, ante igual número da semana anterior e 5,51% há quatro semanas. É flagrante o descontrole dos preços ao consumidor em tão pequeno período de tempo;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,05% a projeção do índice geral de preços para 2015, de 7,03% registrada na semana anterior e 7,15% há trinta dias, enquanto o boletim de 6.6.14 mantinha 5,50% para este ano. Assim como o IPCA, o IGP-DI apresentou forte variação em pequeno espaço de tempo. O boletim desta semana continua trabalhando nas últimas semanas com estimativa de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 5.6.15 mantém a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para este ano, enquanto a pesquisa de 6.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus desta semana estima uma taxa de câmbio de R$/U$3,30 para o próximo ano. Há exatamente um ano as projeções do mercado para 2015 estavam em R$/U$2,50;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta semana mantém a projeção da taxa de juros em 14% a.a. para 2015, ante 13,50% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima em 12% a.a. para 2016, igual valor observado no boletim de 5.6.15 para a taxa de juros naquele ano;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 5.6.15 continua rebaixando o crescimento do PIB, -1,30%, para 2015, ante -1,27% observado na semana anterior e -1,20% há quatro semanas, enquanto o Focus de 6.6.14 estima crescimento de 1,80%. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana mantém o crescimento do em 1%, valor observado nas últimas semanas. Com o declínio do PIB no primeiro trimestre deste ano, frente ao trimestre anterior e a igual período de 2014, pode-se esperar correções mais fortes para as próximas projeções do mercado;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para 2015, -3,20%, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -2,80% verificada na semana anterior e -2,50% há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima o crescimento da indústria em 2,25%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a projeção de crescimento da indústria em 1,50%, valor observado nas últimas semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 5.6.15 corrigiu para U$3,10 bilhões em 2015 o superávit da balança comercial, de U$3 bi registrados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 6.6.14 aponta superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém o superávit em U$10 bilhões, valor observado nas últimas semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada nesta semana elevou a estimativa do IED para U$67,50 bilhões em 2015, de U$66 bi registrado na semana anterior e U$59 bilhões observados há trinta dias, enquanto a pesquisa de 6.6.14 projeta U$55 bilhões, valor mantido nas últimas semanas. A pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para 2016, de U$60 bilhões há trinta dias.

O mercado continua pessimista com o desempenho das principais variáveis macroeconômicas nos próximos meses, em especial o PIB e a inflação, somados a juros e câmbio mais elevados e à redução do crédito para pessoa física e jurídica. O declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano quando comparado a igual período de 2014 e ao trimestre anterior elevou as expectativas negativas do mercado quanto à recuperação da economia nos próximos meses.

Portanto, as dificuldades que o governo vem enfrentando no Congresso Nacional para a aprovação do ajuste fiscal pode contribuir ainda mais para o aumento do pessimismo dos agentes econômicos, com mais reflexos negativos na atividade econômica e em especial no nível de emprego.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.