quarta-feira, 24 de junho de 2015

CRESCE O PESSIMISMO NO PAÍS
Régis Varão/¹

As previsões do mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 19.6.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisadas, com exceção da taxa de câmbio que se manteve estável quando comparada ao valor divulgado na semana anterior. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 19.6.15 elevou para 8,97% a expectativa do IPCA para 2015, ante 8,79% observada na semana anterior e 8,37% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 20.6.14 apontava 6,10%. Em doze meses uma elevação de 2,87 p.p. nas expectativas do índice para 2015. É flagrante o descontrole dos preços ao consumidor nesses últimos doze meses. Para 2016, o boletim de 19.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, repetindo o valor das últimas cinco semanas;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,31% a projeção do índice para este ano, de 7,08% verificada há uma semana e 7,03% há trinta dias, enquanto o boletim de 20.6.14 mantém 5,50% para 2015. Assim como o IPCA (+2,87 p.p.), o IGP-DI (+1,81 p.p.) também apresentou deterioração das expectativas nos últimos doze meses. O boletim de 19.6.15 continua projetando variação do índice em 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 19.6.15 continua mantendo nos últimos dois meses a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para o final deste ano, enquanto a pesquisa de 20.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus desta semana trabalha com um câmbio de R$/U$3,40 para o próximo ano;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta semana eleva a projeção da taxa de juros para 14,25% a.a. para o final de 2015, ante 13,75% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 20.6.14 estima em 12% a.a. Os aumentos realizados pelo Copom para a Taxa Selic, ao longo dos últimos meses, têm levado o mercado a trabalhar com juros acima de 14% a.a. para o final deste ano, o que é pouco animador para uma economia carente de crédito. A pesquisa desta semana estima em 12% a.a. a taxa de juros para o final de 2016;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 19.6.15 continua puxando para baixo, -1,45%, o decréscimo do PIB para 2015, ante -1,35% observado na semana anterior e -1,24% há quatro semanas, enquanto o Focus de 20.6.14 estima crescimento de 1,60%. Quanto ao próximo ano, a pesquisa desta semana reduziu o crescimento do PIB para +0,70%, ante +0,90% observado na semana anterior e +1% há quatro semanas. O desempenho medíocre do PIB no primeiro trimestre deste ano, frente ao trimestre anterior e a igual período de 2014, associado ao comportamento insatisfatório de algumas variáveis macroeconômicas (desemprego crescente, juros elevados, inflação em alta etc) mais a credibilidade do governo em cheque, pode-se esperar aumento das expectativas negativas do mercado nas próximas pesquisas do Banco Central;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para 2015, -3,65%, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -3,20% verificada na semana anterior e -2,80% há quatro semanas, enquanto o boletim de 20.6.14 estima o crescimento de 2,30%. Para 2016, a pesquisa de 19.6.15 reduz a projeção de crescimento do setor industrial para 1,50%, frente a 1,60% há uma semana;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 19.6.15 corrigiu para U$3,10 bilhões em 2015 o superávit da balança comercial, de U$3 bi registrados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 20.6.14 trabalha com superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana eleva o superávit para U$11 bilhões, ante U$ 10,35 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há trinta dias;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada nesta semana reduziu a estimativa do IED para U$66,50 bilhões em 2015, de U$67 bi registrados na semana anterior e U$65,50 bilhões observados há trinta dias, enquanto a pesquisa de 20.6.14 projeta U$55,40 bilhões. A pesquisa de 19.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para 2016, valor este observado nas últimas quatro semanas.

As dificuldades que o governo vem apresentando para aprovar o ajuste fiscal tem elevado o pessimismo dos agentes econômicas, enquanto o mau desempenho do emprego, da inflação, dos juros e do setor fiscal está deixando a população preocupada, o que se vê nos elevados índices de rejeição da presidente da república. O declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano, inflação crescente, aumento dos juros, dinheiro mais caro e crescimento do desemprego tem levado intranquilidade ao mercado, com aumento do pessimismo.

Portanto, as dificuldades que o governo vem enfrentando no Congresso Nacional não tem sido contornadas satisfatoriamente, o que pode aumentar mais ainda o pessimismo reinante na economia como um todo, principalmente no setor produtivo e financeiro. O País está pagando caro pelos vários erros cometidos no primeiro mandato da atual presidente.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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