sábado, 27 de junho de 2015

CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JUN/15
Régis Varão/¹

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, recuou 1,4% em jun/15 (83,9 pontos), frente ao mês anterior (85,1 pontos), segundo menor valor verificado na série histórica, acima apenas ao ICC de mar/15, quando atingiu 82,9 pontos. De acordo com Viviane Bittencourt, da FGV, “O resultado do ICC retrata um consumidor preocupado com a situação econômica geral e da família, tendo a inflação como principal vilã, seguida pelo mercado de trabalho. O resultado reflete insatisfação com a situação presente e a ausência, até o momento, de sinais de reversão da fase negativa no curto prazo.”

Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor (SEC) do IBRE/FGV a percepção dos consumidores sobre a situação da conjuntura econômica atual voltou a piorar após dois meses de aparente estabilidade. O indicador que afere o grau de satisfação com a situação econômica local recuou 15,5% e foi responsável por 79% do declínio de 1,4% do ICC em junho. “A proporção de consumidores que avaliaram a situação do momento como boa de apenas 4,2% enquanto a dos que a consideram ruim, atingiu 79,1%, maior nível da série.”

Ainda de acordo com a SEC, “As expectativas para o cenário econômico nos meses seguintes melhoraram pelo quarto mês consecutivo, apesar de ainda se manterem em nível muito abaixo historicamente.” O indicador de otimismo com o desempenho da conjuntura econômica nos seis meses seguintes subiu 2,5%, atingindo 79,1 pontos. A proporção de consumidores que preveem melhora na situação evoluiu de 17,1% para 18,1% no período mai-jun/15. Com relação à parcela dos que consideram que a situação irá piorar declinou de 39,9% para 39%. O mês de junho é o 17º mês em que são observados mais consumidores pessimistas que otimistas com o rumo da economia nos seis meses seguintes. Anterior a esse período, iniciado em fev/14, o recorde havia sido de apenas seis meses, entre out/08 e mar/09.

O Índice da Situação Atual (ISA) decresceu 5,1% no período mai-jun/15, passando de 79,1 pontos para 75,1 pontos. A partir de jan/14 (115,6 pontos) o índice vem apresentando comportamento declinante, atingindo 96,8 pontos em dez/14, caindo para 88,5 em jan/15 até atingir 75,1 pontos em maio deste ano, o menor nível observado nos últimos dezoito meses.

Já o Índice de Expectativas (IE) cresceu 0,2% no período mai-jun/15 saindo de 88,4 pontos para 88,6 pontos no fim do bimestre. Ao longo dos últimos dezoito meses, o comportamento do índice também foi declinante, saindo de 105,6 pontos em jan/14 para 96,8 em dez/14, iniciando jan/15 com 90,8 pontos e atingindo 88,6 pontos em mai/15.

Quanto ao ICC por faixa de renda temos: consumidores que percebem até R$ 2.100,00 por mês, houve elevação de 1,9% em mai/15, enquanto no mês seguinte decresceu 1,2%; faixa de renda entre R$ 2.100,00 e R$ 4.800,00, queda em maio e em junho, de 1,3% 0,9%, respectivamente; faixa de renda entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, em mai/15 caiu 4,1% e subiu 1,2% no mês seguinte; e na faixa de renda acima de 9.600,00 foi observado elevação de 0,9% em maio e declínio de 2,8% em jun/15. Nos quatro níveis de renda, apenas na faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00 foi observada variação positiva (+1,2%) em junho, enquanto as demais faixas apresentaram queda.

Portanto, ao longo dos últimos dezoito meses o ICC e seus principais componentes, ISA e IE, têm apresentado resultados desanimadores, mostrando uma piora nas expectativas dos consumidores quanto ao comportamento da economia brasileira, e mais ainda refletindo a falta de perspectivas positivas para os próximos meses. O desempenho dos índices de expectativas do consumidor apresenta o mesmo resultado observado em outros índices que aferem o comportamento desse importante segmento da população.

¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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