CONFIANÇA DO CONSUMIDOR RECUA EM JUN/15
Régis Varão/¹
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia-IBRE/FGV, recuou 1,4% em jun/15 (83,9 pontos), frente ao
mês anterior (85,1 pontos), segundo menor valor verificado na série histórica,
acima apenas ao ICC de mar/15, quando atingiu 82,9 pontos. De acordo com Viviane
Bittencourt, da FGV, “O resultado do ICC retrata um consumidor preocupado com a
situação econômica geral e da família, tendo a inflação como principal vilã,
seguida pelo mercado de trabalho. O resultado reflete insatisfação com a
situação presente e a ausência, até o momento, de sinais de reversão da fase
negativa no curto prazo.”
Segundo a Sondagem de Expectativas do Consumidor (SEC) do IBRE/FGV a percepção dos
consumidores sobre a situação da conjuntura econômica atual voltou a piorar
após dois meses de aparente estabilidade. O indicador que afere o grau de
satisfação com a situação econômica local recuou 15,5% e foi responsável por
79% do declínio de 1,4% do ICC em junho. “A proporção de consumidores que
avaliaram a situação do momento como boa de apenas 4,2% enquanto a dos que a
consideram ruim, atingiu 79,1%, maior nível da série.”
Ainda de acordo com a SEC,
“As expectativas para o cenário econômico nos meses seguintes melhoraram pelo
quarto mês consecutivo, apesar de ainda se manterem em nível muito abaixo historicamente.”
O indicador de otimismo com o desempenho da conjuntura econômica nos seis meses
seguintes subiu 2,5%, atingindo 79,1 pontos. A proporção de consumidores que
preveem melhora na situação evoluiu de 17,1% para 18,1% no período mai-jun/15.
Com relação à parcela dos que consideram que a situação irá piorar declinou de
39,9% para 39%. O mês de junho é o 17º mês em que são observados mais
consumidores pessimistas que otimistas com o rumo da economia nos seis meses
seguintes. Anterior a esse período, iniciado em fev/14, o recorde havia sido de
apenas seis meses, entre out/08 e mar/09.
O Índice da Situação Atual (ISA) decresceu 5,1% no
período mai-jun/15, passando de 79,1 pontos para 75,1 pontos. A partir de
jan/14 (115,6 pontos) o índice vem apresentando comportamento declinante, atingindo
96,8 pontos em dez/14, caindo para 88,5 em jan/15 até atingir 75,1 pontos em
maio deste ano, o menor nível observado nos últimos dezoito meses.
Já o Índice de Expectativas (IE) cresceu 0,2% no período
mai-jun/15 saindo de 88,4 pontos para 88,6 pontos no fim do bimestre. Ao longo
dos últimos dezoito meses, o comportamento do índice também foi declinante, saindo
de 105,6 pontos em jan/14 para 96,8 em dez/14, iniciando jan/15 com 90,8 pontos
e atingindo 88,6 pontos em mai/15.
Quanto ao ICC por faixa de renda temos: consumidores
que percebem até R$ 2.100,00 por mês, houve elevação de 1,9% em mai/15,
enquanto no mês seguinte decresceu 1,2%; faixa de renda entre R$ 2.100,00 e R$
4.800,00, queda em maio e em junho, de 1,3% 0,9%, respectivamente; faixa de
renda entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00, em mai/15 caiu 4,1% e subiu 1,2% no mês
seguinte; e na faixa de renda acima de 9.600,00 foi observado elevação de 0,9%
em maio e declínio de 2,8% em jun/15. Nos quatro níveis de renda, apenas na
faixa entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600,00 foi observada variação positiva (+1,2%)
em junho, enquanto as demais faixas apresentaram queda.
Portanto, ao longo dos últimos dezoito meses o ICC
e seus principais componentes, ISA e IE, têm apresentado resultados
desanimadores, mostrando uma piora nas expectativas dos consumidores quanto ao
comportamento da economia brasileira, e mais ainda refletindo a falta de
perspectivas positivas para os próximos meses. O desempenho dos índices de
expectativas do consumidor apresenta o mesmo resultado observado em outros
índices que aferem o comportamento
desse importante segmento da população.
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