PESSIMISMO DO
MERCADO AUMENTA
Régis
Varão/¹
As projeções do Boletim Focus de 26.6.15, do Banco Central, para as principais variáveis macroeconômicos apresentaram alterações para
2015 na grande maioria dos índices pesquisados, com exceção da taxa de câmbio
que permanece estável quando comparada ao valor divulgado nas semanas anteriores.
A pesquisa Focus é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições
financeiras e consultorias nacionais:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Boletim Focus de 26.6.15 elevou para 9% a expectativa do índice para
2015, ante 8,97% observada na semana anterior e 8,39% há quatro semanas,
enquanto a pesquisa de 27.6.14 mantém em 6,10%. Em doze meses uma
elevação de +2,90 p.p. nas estimativas do IPCA para 2015. Para 2016, o boletim de
26.6.15 mantém a projeção em 5,50%, repetindo o valor das últimas seis semanas;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,37% a projeção do índice para este
ano, de 7,31% verificada há uma semana e 7,03% há trinta dias, enquanto o boletim
de 27.6.14 mantém 5,50%
para 2015. Assim como o IPCA (+2,90 p.p.), o IGP-DI (+1,87 p.p.) também
apresentou deterioração das expectativas do mercado nos últimos doze meses. O boletim
de 26.6.15 continua projetando variação do índice em 5,50% para 2016;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
26.6.15 continua
mantendo nas últimas nove semanas a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para
o final de 2015, enquanto o relatório de 27.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus divulgado
hoje trabalha com um câmbio de R$/U$3,37 para 2016, ante R$/U$ 3,40 observado
na semana anterior;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta
semana eleva a projeção da taxa de juros para 14,50% a.a. para o final deste
ano, ante 14,25% a.a. observada na semana anterior e 14% há trinta dias,
enquanto o boletim de 27.6.14 estima em 12% a.a. Os aumentos realizados pelo
Copom para a Taxa Selic, ao longo dos últimos meses, têm levado o mercado a corrigir
para cima as expectativas da Taxa Selic par o final de 2015, o que é desanimador
para os potenciais tomadores de crédito. A pesquisa desta semana mantém em 12%
a.a. a taxa de juros para o final do próximo ano;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa de 26.6.15 continua corrigindo
para baixo, -1,49%, o desempenho do PIB para 2015, ante -1,45% observado na
semana anterior e -1,27% há quatro semanas, enquanto o Focus de 27.6.14 estima
crescimento de 1,50% para aquele ano, ante 1,85% registrado trinta dias antes. Com
relação a 2016, a pesquisa desta semana reduziu o crescimento do PIB para +0,50%,
ante +0,70% observado na semana anterior e +1% há quatro semanas. O desempenho do
PIB no primeiro trimestre deste ano (1ºT15), frente ao 4ºT14 e ao 1ºT14, associado
ao desempenho negativo de alguns indicadores macroeconômicos (desemprego, juros,
câmbio e inflação em alta etc) mais a fraca credibilidade do governo, pode-se
esperar pressão das expectativas negativas nas próximas pesquisas Focus;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana corrigiu para baixo o decréscimo da indústria (-4%) para 2015, ante -3,65%
observado na semana anterior e -2,80% há trinta dias, enquanto o boletim de 27.6.14
projeta crescimento de 2,20%. Para 2016, a pesquisa de 26.6.15 mantém a
projeção de crescimento do setor industrial em 1,50% nas últimas quatro semanas;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
26.6.15 corrigiu para
U$4 bilhões o superávit da balança comercial para 2015, de U$3,10 bi registrados
na semana anterior, enquanto o boletim de 27.6.14 trabalha com superávit de U$9,90
bilhões. Para o próximo ano, o Focus desta semana eleva o superávit para U$12
bilhões, ante U$ 11 bi da semana anterior e U$ 10 bi observado há trinta dias;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada hoje pelo Banco Central corrigiu para baixo a projeção
do IED (U$65,70 bilhões) para 2015, de U$66,50 bi registrados na semana
anterior e U$66 bilhões observados há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 27.6.14
projeta U$55,60 bi. A pesquisa de 26.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para
2016, valor observado nas últimas cinco semanas.
Portanto, o declínio da atividade econômica no primeiro
trimestre deste ano, inflação e desemprego em alta, aumento dos juros, menor
oferta de crédito e desajuste fiscal tem levado intranquilidade à população em
geral e aumentado o pessimismo dos agentes econômicos. O País está pagando caro pelos desacertos
praticados nos últimos quatro anos.
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