segunda-feira, 8 de junho de 2015

MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis Varão/¹

As estimativas elaboradas pelo mercado para as principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 5.6.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisadas, quando comparadas às informações apresentadas há quatro semanas, com exceção da taxa de câmbio que manteve-se estável, enquanto para 2016 houve menor número de correções. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 5.6.15 elevou para 8,46% a expectativa do IPCA para 2015, ante 8,39% observada na semana anterior e 8,29% há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 6.6.14 apontava 6,03%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, ante igual número da semana anterior e 5,51% há quatro semanas. É flagrante o descontrole dos preços ao consumidor em tão pequeno período de tempo;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,05% a projeção do índice geral de preços para 2015, de 7,03% registrada na semana anterior e 7,15% há trinta dias, enquanto o boletim de 6.6.14 mantinha 5,50% para este ano. Assim como o IPCA, o IGP-DI apresentou forte variação em pequeno espaço de tempo. O boletim desta semana continua trabalhando nas últimas semanas com estimativa de 5,50% para 2016;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de 5.6.15 mantém a projeção da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para este ano, enquanto a pesquisa de 6.6.14 estima em R$/U$2,50. O Focus desta semana estima uma taxa de câmbio de R$/U$3,30 para o próximo ano. Há exatamente um ano as projeções do mercado para 2015 estavam em R$/U$2,50;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta semana mantém a projeção da taxa de juros em 14% a.a. para 2015, ante 13,50% a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima em 12% a.a. para 2016, igual valor observado no boletim de 5.6.15 para a taxa de juros naquele ano;

(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 5.6.15 continua rebaixando o crescimento do PIB, -1,30%, para 2015, ante -1,27% observado na semana anterior e -1,20% há quatro semanas, enquanto o Focus de 6.6.14 estima crescimento de 1,80%. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana mantém o crescimento do em 1%, valor observado nas últimas semanas. Com o declínio do PIB no primeiro trimestre deste ano, frente ao trimestre anterior e a igual período de 2014, pode-se esperar correções mais fortes para as próximas projeções do mercado;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para 2015, -3,20%, a mais forte variação apresentada nos últimos meses, ante -2,80% verificada na semana anterior e -2,50% há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima o crescimento da indústria em 2,25%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a projeção de crescimento da indústria em 1,50%, valor observado nas últimas semanas;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de 5.6.15 corrigiu para U$3,10 bilhões em 2015 o superávit da balança comercial, de U$3 bi registrados nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 6.6.14 aponta superávit de U$10 bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém o superávit em U$10 bilhões, valor observado nas últimas semanas;

(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada nesta semana elevou a estimativa do IED para U$67,50 bilhões em 2015, de U$66 bi registrado na semana anterior e U$59 bilhões observados há trinta dias, enquanto a pesquisa de 6.6.14 projeta U$55 bilhões, valor mantido nas últimas semanas. A pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em U$65 bi para 2016, de U$60 bilhões há trinta dias.

O mercado continua pessimista com o desempenho das principais variáveis macroeconômicas nos próximos meses, em especial o PIB e a inflação, somados a juros e câmbio mais elevados e à redução do crédito para pessoa física e jurídica. O declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano quando comparado a igual período de 2014 e ao trimestre anterior elevou as expectativas negativas do mercado quanto à recuperação da economia nos próximos meses.

Portanto, as dificuldades que o governo vem enfrentando no Congresso Nacional para a aprovação do ajuste fiscal pode contribuir ainda mais para o aumento do pessimismo dos agentes econômicos, com mais reflexos negativos na atividade econômica e em especial no nível de emprego.


¹/ Consultor de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira, finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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