MERCADO MAIS PESSIMISTA
Régis
Varão/¹
As estimativas elaboradas pelo mercado para as
principais variáveis macroeconômicos divulgadas no Boletim Focus de 5.6.15, do Banco Central, apresentaram alterações para 2015 na maioria das variáveis pesquisadas,
quando comparadas às informações apresentadas há quatro semanas, com exceção da
taxa de câmbio que manteve-se estável, enquanto para 2016 houve menor número de
correções. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições
financeiras e consultorias nacionais:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 5.6.15 elevou para 8,46% a expectativa do IPCA para
2015, ante 8,39% observada na semana anterior e 8,29% há quatro semanas,
enquanto a pesquisa de 6.6.14 apontava
6,03%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em 5,50%, ante igual
número da semana anterior e 5,51% há quatro semanas. É flagrante o descontrole
dos preços ao consumidor em tão pequeno período de tempo;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): a pesquisa desta semana corrigiu para 7,05% a projeção do índice geral
de preços para 2015, de 7,03% registrada na semana anterior e 7,15% há trinta
dias, enquanto o boletim de 6.6.14 mantinha 5,50% para este ano. Assim como o IPCA, o IGP-DI apresentou
forte variação em pequeno espaço de tempo. O boletim desta semana continua
trabalhando nas últimas semanas com estimativa de 5,50% para 2016;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim de
5.6.15 mantém a projeção
da taxa de câmbio em R$/U$3,20 para este ano, enquanto a pesquisa de 6.6.14 estima
em R$/U$2,50. O Focus desta semana estima uma taxa de câmbio de R$/U$3,30 para
o próximo ano. Há exatamente um ano as projeções do mercado para 2015 estavam
em R$/U$2,50;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus desta
semana mantém a projeção da taxa de juros em 14% a.a. para 2015, ante 13,50%
a.a. observada há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima em 12%
a.a. para 2016, igual valor observado no boletim de 5.6.15 para a taxa de juros
naquele ano;
(e) Produto Interno Bruto – PIB (Em %): a pesquisa de 5.6.15 continua rebaixando
o crescimento do PIB, -1,30%, para 2015, ante -1,27% observado na semana
anterior e -1,20% há quatro semanas, enquanto o Focus de 6.6.14 estima
crescimento de 1,80%. Com relação a 2016, a pesquisa desta semana mantém o crescimento
do em 1%, valor observado nas últimas semanas. Com o declínio do PIB no
primeiro trimestre deste ano, frente ao trimestre anterior e a igual período de
2014, pode-se esperar correções mais fortes para as próximas projeções do
mercado;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus desta
semana rebaixou mais ainda o crescimento da indústria para 2015, -3,20%, a mais
forte variação apresentada nos últimos meses, ante -2,80% verificada na semana
anterior e -2,50% há quatro semanas, enquanto o boletim de 6.6.14 estima o crescimento
da indústria em 2,25%. Para 2016, a pesquisa de 5.6.15 mantém a projeção de crescimento
da indústria em 1,50%, valor observado nas últimas semanas;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o boletim de
5.6.15 corrigiu para
U$3,10 bilhões em 2015 o superávit da balança comercial, de U$3 bi registrados
nas semanas anteriores, enquanto o boletim de 6.6.14 aponta superávit de U$10
bilhões. Para 2016, o Focus divulgado nesta semana mantém o superávit em U$10
bilhões, valor observado nas últimas semanas;
(h) Investimento Estrangeiro Direto-IED (U$ Bilhões): a pesquisa divulgada nesta semana elevou a estimativa do IED para U$67,50
bilhões em 2015, de U$66 bi registrado na semana anterior e U$59 bilhões
observados há trinta dias, enquanto a pesquisa de 6.6.14 projeta U$55 bilhões, valor
mantido nas últimas semanas. A pesquisa de 5.6.15 mantém a estimativa em U$65
bi para 2016, de U$60 bilhões há trinta dias.
O mercado continua pessimista com o desempenho das
principais variáveis macroeconômicas nos próximos meses, em especial o PIB e a inflação,
somados a juros e câmbio mais elevados e à redução do crédito para pessoa física
e jurídica. O declínio da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano
quando comparado a igual período de 2014 e ao trimestre anterior elevou as
expectativas negativas do mercado quanto à recuperação da economia nos próximos
meses.
Portanto, as dificuldades que o governo vem enfrentando
no Congresso Nacional para a aprovação do ajuste fiscal pode contribuir ainda
mais para o aumento do pessimismo dos agentes econômicos, com mais reflexos
negativos na atividade econômica e em especial no nível de emprego.
¹/ Consultor
de Finanças Pessoais e palestrante com experiência em educação financeira,
finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura econômica. Economista com
mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário
e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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