sábado, 12 de março de 2016

OS 7 ERROS MAIS FREQUENTES DOS ENDIVIDADOS
Régis Varão/¹

A grande maioria das pessoas acredita que quer mais dinheiro, quando na realidade o que deseja é o que o dinheiro pode comprar. Ter apenas a vontade pelo objeto desejado, que pode ser adquirido com dinheiro, e não ter um plano de como obtê-lo e até mesmo mantê-lo, é muito provável que nunca conquiste o que deseja.

Talvez a falta de um plano para obter mais dinheiro e mantê-lo possa ser explicada ao observar a característica e o nível do endividamento das famílias brasileiras, o que pode ser observado na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/16, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC.

As estatísticas da PEIC-CNC mostram um panorama preocupante do endividamento do brasileiro, e que vem se repetindo há vários meses. Em fevereiro deste ano, o total de famílias endividadas atinge 60,8%, as dívidas ou contas em atraso chegam a 23,3% e famílias que se dizem sem condições de pagar suas contas está em 8,6%. Os muitos endividados passaram de 9,7% em fev/15 para 13,8% em fev/16, os mais ou menos endividados de 20,9% para 21,6% e os pouco endividados declinaram de 27,2% para 25,4%, na mesma base de comparação.

Por tipo de dívida, a PEIC de fevereiro deste ano, manteve a mesma ordem verificada em meses anteriores, isto é, a preferência das famílias continua com o cartão de crédito em primeiro lugar com 77,4%, seguido por carnês de lojas com 16,7%, financiamento de carro com 12%, crédito pessoal (10%) e financiamento de casa própria na quinta posição com 7,9%.

Considerando o perfil e as características do endividamento, resolvemos listar os sete erros mais comuns dos endividados:

01. TER MAIS DE DOIS CARTÕES DE CRÉDITO

Colecionar cartões de crédito pode ficar bonito na carteira aberta, mas pode levar ao descontrole financeiro e até mesmo ao endividamento, ainda mais se a soma dos limites estabelecidos nos cartões ultrapassar a renda mensal. Está comprovado que cartões de crédito criam uma falsa impressão de que se tem mais dinheiro para gastar, é onde mora o perigo. O cartão de crédito quando bem utilizado é muito vantajoso e pode ser um grande amigo para atender necessidades urgentes, mas desde que utilizado com parcimônia e somente em raras exceções. Liquide a fatura mensal, em hipótese alguma pague a parcela mínima. Os juros do crédito rotativo, segundo os últimos dados do Banco Central já ultrapassam a 400% a.a.;

02. NÃO NEGOCIAM DÍVIDAS

O valor da dívida pode ser reduzido se o devedor se dispuser a negociá-la junto aos credores, sejam eles bancos, financeiras, construtoras, operadoras de cartão de crédito e outros. Negociar é uma das formas de exercer a arte da escolha e sua operacionalização. Algumas negociações são muito simples e podem ter resultados rápidos, mas temos que tentar, senão como saberemos! Muitas pessoas equivocadamente têm restrições à essa palavra negociação, por interpretá-la de forma equivocada e associada a comportamentos antiéticos, como “passar a perna” em alguém, levar vantagem sobre os outros, associá-la a compra e venda de bens e serviços ou até mesmo negociação promovidas por sindicatos e associações classistas. Podemos dizer que negociação é uma técnica para alcançar objetivos por meio de um acordo em situações que existam interesses comuns e opostos. Segundo o economista Samy Dana, “Rolar as dívidas sem ao menos buscar negociação para barrar a cobrança de juros é um comportamento altamente perigoso e custoso;”

03. NÃO FAZEM PLANEJAMENTO FINANCEIRO

É fundamental ter controle de todas as receitas e despesas, inclusive dos pequenos que se transformam em grandes valores, para saber como e com que se gasta. Faça uma relação de todas as dívidas mensais e veja quantas poderiam ser quitadas, dando preferência as que cobram juros mais elevados, como: cartão de crédito, cheque especial, financeiras em geral, crédito direto ao consumidor-CDC entre outros. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas provenientes de aluguéis, aplicações financeiras, salários, pró-labore, gratificações, bónus, premiações, comissões etc. Relacione as despesas do mês, inclusive os pequenos valores, isso ajuda nos controles e no planejamento financeiro. Gaste menos do que ganha;

04. ELEVAM O ENDIVIDAMENTO PARA PAGAR DÍVIDAS

Em situações em que a pessoa ou família está com grande endividamento, é muito importante liquidar despesas sem adquirir outras. Nunca esqueça que parcelas de novos empréstimos serão novas despesas mensais, pois deverão ser pagas e devem caber no orçamento. Não esqueça, quanto menos exigente o fornecedor de crédito (bancos, financeiras etc) for para conceder novos empréstimos, mais elevados serão os juros dos financiamentos e as prestações mensais. Fique atento, o setor bancário está repleto de pegadinhas financeiras, que podem ajudar a elevar o endividamento. Se não houver alternativas para liquidar dívidas fora da receita familiar (salário, gratificação, bónus e outros), busque crédito mais barato, nesse caso a melhor opção disponível no sistema financeiro nacional é o empréstimo consignado;

05. NÃO UTILIZAM GRATIFICAÇÕES EXTRAS

Um exemplo muito comum do endividado é não aproveitar as parcelas do 13º, adiantamento de férias e outras gratificações/bonificações para liquidar dívidas mais caras, como as do cartão de crédito. Os que trabalham em bancos, financeiras, corretoras de valores, imobiliárias, comércio, vendas em geral etc e muitas vezes recebem remunerações extras por terem batido metas poderiam utilizar esses valores para quitar as dívidas mais caras, se endividados, se estiverem sem dívidas deveriam destinar parte significativa desses valores para uma reserva financeira;

06. NÃO OBSERVAM O PODER DOS PEQUENOS VALORES

Muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes no total das despesas mensais. Um simples café expresso de R$5,00, tomado todo dia atinge R$150,00 no mês, e atinge R$1.800,00 no ano, em 10 anos temos R$18.000,00, sem considerar os juros incidentes. Um lanche diário de R$9,00 custa R$270,00 por mês e no ano R$3.240,00. Junte-se a eles o cigarro (R$7,00) e a cerveja com os amigos (R$12,00), e temos um valor elevado e que pode fazer falta no futuro. De acordo com o jornal O Estado de SP, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro; despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando essas pequenas despesas diárias, o total atinge milhares de reais ao longo dos anos, podendo reduzir a qualidade de vida da família e nada contribuindo para uma saúde melhor;

07. NÃO ECONOMIZAM

Qualquer pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para uma vida financeira saudável. A prosperidade está associada em parte, aos recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma reserva financeira. A bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias 29-11, o termo prosperidade está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança e tranquilidade. No entanto, para obter-se a tão sonhada prosperidade, é obrigatório fazer economia diária e destinar um percentual – entre 5% e 30% - da renda líquida ou bruta para uma reserva financeira. O segredo é manter o hábito da poupança, é melhor destinar um percentual menor, mas todo mês, que fazer aportes maiores quando sobrar, até porque quase sempre não sobra. Cuidado com os supérfluos, as compras por impulso. Não guarde dinheiro por guardar, defina objetivos bem definidos, estabeleça metas e as discuta com a família, se for casado. Transmita hábitos saudáveis aos seus filhos, oriente-os na infância e serão adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte da receita mensal é saudável, é questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no dia-a-dia da família.

Portanto, para evitar os sete erros mais frequentes das pessoas endividadas, faça planejamento financeiro, fique atento aos juros cobrados em empréstimos e financiamentos bancários, não pague o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, faça reserva financeira, negocie suas dívidas, busque alternativas fora do setor bancário para quitar as dívidas, como reduzir gastos, economize e seja um consumidor consciente. Utilize a regra dos 3 SIM’s que leva a pessoa a se fazer três perguntas: Eu preciso ? Tenho dinheiro ? Tem que ser agora ? E por último, fuja de promoções e supérfluos.

¹/ Coach de Finanças Pessoais, Educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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