OS 7 ERROS MAIS FREQUENTES DOS ENDIVIDADOS
Régis Varão/¹
A grande maioria das pessoas acredita que quer mais
dinheiro, quando na realidade o que deseja é o que o dinheiro pode comprar. Ter
apenas a vontade pelo objeto desejado, que pode ser adquirido com dinheiro, e
não ter um plano de como obtê-lo e até mesmo mantê-lo, é muito provável que
nunca conquiste o que deseja.
Talvez a falta de um plano para obter mais dinheiro
e mantê-lo possa ser explicada ao observar a característica e o nível do
endividamento das famílias brasileiras, o que pode ser observado na Pesquisa de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de fev/16, divulgada pela Confederação Nacional do Comércio-CNC.
As estatísticas da PEIC-CNC mostram um panorama preocupante
do endividamento do brasileiro, e que vem se repetindo há vários meses. Em fevereiro
deste ano, o total de famílias endividadas atinge 60,8%, as dívidas ou contas
em atraso chegam a 23,3% e famílias que se dizem sem condições de pagar suas
contas está em 8,6%. Os muitos endividados passaram de 9,7% em fev/15 para
13,8% em fev/16, os mais ou menos endividados de 20,9% para 21,6% e os pouco
endividados declinaram de 27,2% para 25,4%, na mesma base de comparação.
Por tipo de dívida, a PEIC de fevereiro deste ano, manteve a mesma ordem verificada em meses
anteriores, isto é, a preferência das famílias continua com o cartão de crédito
em primeiro lugar com 77,4%, seguido por carnês de lojas com 16,7%,
financiamento de carro com 12%, crédito pessoal (10%) e financiamento de casa própria
na quinta posição com 7,9%.
Considerando o perfil e as características do
endividamento, resolvemos listar os sete erros mais comuns dos endividados:
01. TER MAIS DE DOIS CARTÕES DE CRÉDITO
Colecionar cartões de crédito pode ficar bonito na
carteira aberta, mas pode levar ao descontrole financeiro e até mesmo ao
endividamento, ainda mais se a soma dos limites estabelecidos nos cartões
ultrapassar a renda mensal. Está comprovado que cartões de crédito criam uma falsa
impressão de que se tem mais dinheiro para gastar, é onde mora o perigo. O
cartão de crédito quando bem utilizado é muito vantajoso e pode ser um grande amigo para atender necessidades urgentes, mas
desde que utilizado com parcimônia e somente em raras exceções. Liquide a
fatura mensal, em hipótese alguma pague a parcela mínima. Os juros do crédito
rotativo, segundo os últimos dados do Banco Central já ultrapassam a 400% a.a.;
02. NÃO NEGOCIAM DÍVIDAS
O valor da dívida pode ser reduzido se o devedor se
dispuser a negociá-la junto aos credores, sejam eles bancos, financeiras,
construtoras, operadoras de cartão de crédito e outros. Negociar é uma das
formas de exercer a arte da escolha e sua operacionalização. Algumas
negociações são muito simples e podem ter resultados rápidos, mas temos que tentar,
senão como saberemos! Muitas pessoas equivocadamente têm restrições à essa
palavra negociação, por interpretá-la de forma equivocada e associada a
comportamentos antiéticos, como “passar a perna” em alguém, levar vantagem
sobre os outros, associá-la a compra e venda de bens e serviços ou até mesmo
negociação promovidas por sindicatos e associações classistas. Podemos dizer
que negociação é uma técnica para alcançar objetivos por meio de um acordo em
situações que existam interesses comuns e opostos. Segundo o economista Samy
Dana, “Rolar as dívidas sem ao menos buscar negociação para barrar a cobrança
de juros é um comportamento altamente perigoso e custoso;”
03. NÃO FAZEM PLANEJAMENTO FINANCEIRO
É fundamental ter controle de todas as receitas e
despesas, inclusive dos pequenos que se transformam em grandes valores, para
saber como e com que se gasta. Faça uma relação de todas as dívidas mensais e
veja quantas poderiam ser quitadas, dando preferência as que cobram juros mais
elevados, como: cartão de crédito, cheque especial, financeiras em geral, crédito
direto ao consumidor-CDC entre outros. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas provenientes de aluguéis, aplicações financeiras,
salários, pró-labore, gratificações, bónus, premiações, comissões etc.
Relacione as despesas do mês, inclusive os pequenos valores, isso ajuda nos
controles e no planejamento financeiro. Gaste menos do que ganha;
04. ELEVAM O ENDIVIDAMENTO PARA PAGAR DÍVIDAS
Em situações em que a
pessoa ou família está com grande endividamento, é muito importante liquidar
despesas sem adquirir outras. Nunca esqueça que parcelas de novos empréstimos
serão novas despesas mensais, pois deverão ser pagas e devem caber no
orçamento. Não esqueça, quanto menos exigente o fornecedor de crédito (bancos,
financeiras etc) for para conceder novos empréstimos, mais elevados serão os
juros dos financiamentos e as prestações mensais. Fique atento, o setor bancário está repleto de pegadinhas financeiras, que podem ajudar a elevar o endividamento. Se
não houver alternativas para liquidar dívidas fora da receita familiar
(salário, gratificação, bónus e outros), busque crédito mais barato, nesse caso
a melhor opção disponível no sistema financeiro nacional é o empréstimo consignado;
05. NÃO UTILIZAM GRATIFICAÇÕES EXTRAS
Um exemplo muito comum do
endividado é não aproveitar as parcelas do 13º, adiantamento de férias e outras
gratificações/bonificações
para liquidar dívidas mais caras, como as do cartão de crédito. Os que trabalham
em bancos, financeiras, corretoras de valores, imobiliárias, comércio, vendas
em geral etc e muitas vezes recebem remunerações extras por terem batido metas poderiam
utilizar esses valores para quitar as dívidas mais caras, se endividados, se estiverem
sem dívidas deveriam destinar parte significativa desses valores para uma reserva financeira;
06. NÃO OBSERVAM O PODER DOS PEQUENOS VALORES
Muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos
valores não são importantes no total das despesas mensais. Um simples
café expresso de R$5,00, tomado todo dia atinge R$150,00 no mês, e atinge R$1.800,00
no ano, em 10 anos temos R$18.000,00, sem considerar os juros incidentes. Um
lanche diário de R$9,00 custa R$270,00 por mês e no ano R$3.240,00. Junte-se a
eles o cigarro (R$7,00) e a cerveja com os amigos (R$12,00), e temos um valor elevado
e que pode fazer falta no futuro. De acordo com o jornal O Estado de SP, de 21.11.13, o “Brasileiro que consome um maço de cigarros por dia
durante 50 anos gasta, no mínimo, o equivalente a um Golf zero quilômetro;
despesa anual do governo com a saúde dos fumantes soma R$ 21 bilhões.” Somando
essas pequenas despesas diárias, o total atinge milhares de reais ao longo dos
anos, podendo reduzir a qualidade de vida da família e nada contribuindo para
uma saúde melhor;
07. NÃO ECONOMIZAM
Qualquer
pessoa sabe ou deveria saber que economizar é essencial para
uma vida financeira saudável. A prosperidade está associada em parte, aos
recursos financeiros que são guardados mensalmente em uma reserva financeira. A
bíblia faz várias referências à prosperidade, e em Jeremias 29-11, o termo prosperidade
está associado à esperança de dias melhores e um futuro com segurança e
tranquilidade. No entanto, para obter-se a tão sonhada prosperidade, é
obrigatório fazer economia diária e destinar um percentual – entre 5% e 30% - da
renda líquida ou bruta para uma reserva financeira. O segredo é manter o hábito
da poupança, é melhor destinar um percentual menor, mas todo mês, que fazer
aportes maiores quando sobrar, até porque quase sempre não sobra. Cuidado com os
supérfluos, as compras por impulso. Não guarde dinheiro por guardar, defina objetivos
bem definidos, estabeleça metas e as discuta com a família, se for casado.
Transmita hábitos saudáveis aos seus filhos, oriente-os na infância e serão
adultos responsáveis financeiramente. Economizar parte da receita mensal é saudável,
é questão de sabedoria. Incorpore esse hábito no dia-a-dia da família.
Portanto,
para evitar os sete erros mais frequentes das pessoas endividadas, faça
planejamento financeiro, fique atento aos juros cobrados em empréstimos e
financiamentos bancários, não pague o valor mínimo da fatura do cartão de
crédito, faça reserva financeira, negocie suas dívidas, busque alternativas
fora do setor bancário para quitar as dívidas, como reduzir gastos, economize e
seja um consumidor consciente. Utilize a regra dos 3 SIM’s que leva a pessoa a se fazer
três perguntas: Eu preciso ? Tenho dinheiro ? Tem que ser agora ? E por último,
fuja de promoções e supérfluos.
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