PESSIMISMO DO CONSUMIDOR SE MANTÉM EM FEVEREIRO
Régis Varão/¹
O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) reflete o sentimento dos consumidores brasileiros com relação à
situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País para os próximos
meses. O indicador é divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e indica que quanto maior o índice maior é o
percentual de respostas positivas, e mais otimista é a avalição dos
consumidores.
O INEC apresenta pouca alteração em fev/16 na comparação com o mês anterior,
quando registra elevação de 0,1% no período, registrando 98,7 pontos. Assim, mantém-se
variando entre 96 e 99 pontos por mais um mês, faixa em que o índice oscila
desde abr/15. Esse valor está cerca de 10% inferior à média histórica do índice,
que é de 109,4 pontos, o que demonstra grande pessimismo por parte do
consumidor brasileiro. Esse pessimismo pode sugerir um período de menor pressão
de demanda em meses futuros.
Componentes do INEC:
(a) Expectativa
de Inflação: os índices de expectativas de inflação registraram elevação de
2,5% em fev/16 ante o mês anterior, e subiu 15,9% com relação a igual período
de 2015, o que mostra que o pessimismo dos consumidores com relação à evolução
futura da inflação ainda é menor do que em jan/16;
(b) Expectativa
de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram crescimento de
6,6% em fev/16 frente ao mês anterior, e cresceu 11,8% ante mesmo mês de 2015,
o que registra que o pessimismo dos entrevistados quanto à evolução futura do
desemprego é menor do que no primeiro mês deste ano;
(c) Expectativa
de Renda Pessoal: as expectativas de renda pessoal apresentaram declínio de
1,8% em fev/16 quando comparado ao mês anterior, e registrou decréscimo de
10,1% com relação a fev/15, refletindo maior pessimismo dos consumidores quanto
à evolução da renda tanto na comparação mensal quanto anual;
(d) Endividamento:
o endividamento também mostra queda tanto na comparação mensal (-4,2%), quanto
na anual (-4,7%), mostrando um maior percentual de entrevistados mais
endividados em fev/16 do que nos últimos três meses, portanto uma piora do endividamento
dos consumidores;
(e) Situação
financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, manteve-se
estável no período jan-fev/16, enquanto registrou decréscimo de 11,9% frente ao
mês de fev/15, agravando o pessimismo do consumidor. Uma queda significativa
nas expectativas do consumidor, o que pode ser reflexo da atual crise econômica
por que passa o País;
(f) Compras de
Bens de Maior Valor: com relação às expectativas das compras de maior valor
houve uma inversão nas duas comparações, enquanto declinou 0,1% em fev/16 ante
o mês anterior, e apresentou elevação de 0,8% em fevereiro deste ano quando
comparado a igual mês de 2015.
Portanto, a estabilidade observada no segundo mês deste ano deve-se a
comportamentos diversos dos demais indicadores que compõem o INEC, ressaltando
que embora o índice tenha permanecido estável no período jan-fev/16, houve
aumento do pessimismo com relação a indicadores que interferem no poder
aquisitivo do consumidor como inflação e desemprego, o que demonstra que os
efeitos da crise estão presentes.
¹/ Coach de Finanças Pessoais, Educador financeiro e palestrante nas áreas de
educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura
macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em
Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil.
Visite o site www.ravecofinancas.com.
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