terça-feira, 8 de março de 2016

PESSIMISMO DO CONSUMIDOR SE MANTÉM EM FEVEREIRO
Régis Varão/¹

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (INEC) reflete o sentimento dos consumidores brasileiros com relação à situação atual e às expectativas econômicas pessoais e do País para os próximos meses. O indicador é divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e indica que quanto maior o índice maior é o percentual de respostas positivas, e mais otimista é a avalição dos consumidores.

O INEC apresenta pouca alteração em fev/16 na comparação com o mês anterior, quando registra elevação de 0,1% no período, registrando 98,7 pontos. Assim, mantém-se variando entre 96 e 99 pontos por mais um mês, faixa em que o índice oscila desde abr/15. Esse valor está cerca de 10% inferior à média histórica do índice, que é de 109,4 pontos, o que demonstra grande pessimismo por parte do consumidor brasileiro. Esse pessimismo pode sugerir um período de menor pressão de demanda em meses futuros.

Componentes do INEC:

(a) Expectativa de Inflação: os índices de expectativas de inflação registraram elevação de 2,5% em fev/16 ante o mês anterior, e subiu 15,9% com relação a igual período de 2015, o que mostra que o pessimismo dos consumidores com relação à evolução futura da inflação ainda é menor do que em jan/16;

(b) Expectativa de desemprego: as expectativas de desemprego apresentaram crescimento de 6,6% em fev/16 frente ao mês anterior, e cresceu 11,8% ante mesmo mês de 2015, o que registra que o pessimismo dos entrevistados quanto à evolução futura do desemprego é menor do que no primeiro mês deste ano;

(c) Expectativa de Renda Pessoal: as expectativas de renda pessoal apresentaram declínio de 1,8% em fev/16 quando comparado ao mês anterior, e registrou decréscimo de 10,1% com relação a fev/15, refletindo maior pessimismo dos consumidores quanto à evolução da renda tanto na comparação mensal quanto anual;

(d) Endividamento: o endividamento também mostra queda tanto na comparação mensal (-4,2%), quanto na anual (-4,7%), mostrando um maior percentual de entrevistados mais endividados em fev/16 do que nos últimos três meses, portanto uma piora do endividamento dos consumidores;

(e) Situação financeira: com relação à situação financeira dos consumidores, manteve-se estável no período jan-fev/16, enquanto registrou decréscimo de 11,9% frente ao mês de fev/15, agravando o pessimismo do consumidor. Uma queda significativa nas expectativas do consumidor, o que pode ser reflexo da atual crise econômica por que passa o País;

(f) Compras de Bens de Maior Valor: com relação às expectativas das compras de maior valor houve uma inversão nas duas comparações, enquanto declinou 0,1% em fev/16 ante o mês anterior, e apresentou elevação de 0,8% em fevereiro deste ano quando comparado a igual mês de 2015.

Portanto, a estabilidade observada no segundo mês deste ano deve-se a comportamentos diversos dos demais indicadores que compõem o INEC, ressaltando que embora o índice tenha permanecido estável no período jan-fev/16, houve aumento do pessimismo com relação a indicadores que interferem no poder aquisitivo do consumidor como inflação e desemprego, o que demonstra que os efeitos da crise estão presentes.


¹/ Coach de Finanças Pessoais, Educador financeiro e palestrante nas áreas de educação financeira e educação corporativa, finanças pessoais e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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