quarta-feira, 27 de abril de 2016

PESSIMISMO TOMOU CONTA DO BRASIL
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada esta semana pelo Banco Central (BCB) mantém inalteradas em 80% as projeções realizadas pelo mercado para 2016 e 2017. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, contemplando 15 indicadores, mas são discutidas oito indicadores nesta análise:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.4.16 reduz para 6,98% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,31% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 24.4.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,60%. Para 2017, o Focus de 22.4.16 reduz a expectativa do índice para 5,80%, ante 6% registrado há trinta dias. O mercado ao longo das últimas semanas vem reduzindo as projeções do IPCA para este ano, mas ainda distantes da meta de inflação estabelecida pelo BCB;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus divulgado nessa semana reduz a projeção do índice para 7,19% em 2016, ante 7,43% observada há um mês, enquanto o relatório de 24.4.15 mantém estável em 5,50% a estimativa para 2016. Para 2017, a pesquisa desta semana eleva a expectativa do IGP-DI para 5,59%, ante 5,50% divulgada há trinta dias;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana mantém a estimativa da taxa de câmbio, final de 2016, em R$/U$3,80, de R$/U$4,15 divulgada há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, o Focus de 24.4.15 mantém o câmbio em R$/U$3,30 para aquele ano. Para 2017, o Focus de 22.4.16 mantém a taxa de câmbio em R$/U$4,00, de R$/U$4,20 observada na pesquisa divulgada há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas semanas devido à possibilidade de saída da atual presidente;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 22.4.16 reduz os juros, final de 2016, para 13,25% a.a., ante 14,25% a.a. observado no Focus divulgado há um mês, enquanto a pesquisa de 24.4.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O relatório Focus divulgado no início da semana reduz a projeção dos juros para 12% a.a. para o final de 2017, ante 12,50% a.a. observado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a última pesquisa divulgada esta semana corrige para baixo a expectativa de crescimento do PIB em 2016, para -3,88%, pela décima quarta semana consecutiva de queda, frente ao declínio de 3,66% do relatório divulgado há trinta dias. O Focus de 24.4.15 mantém estável em +1% a projeção de crescimento do PIB para este ano. Com relação a 2017, a pesquisa de 22.4.16 eleva a expectativa de crescimento do PIB para +0,30%, frente ao incremento de 0,35% observado há um mês. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para este ano e 2017;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado no início da semana mantém inalterado o decréscimo da atividade industrial para 2016, -5,80%, ante queda de 4,40% estimada há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 24.4.15 mantém crescimento em +1,50% naquele para 2016. Em 12 meses uma mudança radical, as expectativas do mercado passaram de +1,50% o desempenho da indústria, para -5,80% em 2016. Para 2017, a pesquisa de 22.4.16 reduz o crescimento da atividade industrial para +0,54% no próximo ano, ante +0,85% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório de 22.4.16 eleva a projeção do superávit comercial para U$48 bilhões para o final de 2016, ante U$43,53 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 24.4.15 mantém a estimativa do superávit comercial em U$9,95 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus desta semana mantém em U$50 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$47,50 bi verificados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.4.16 mantém praticamente estável a estimativa do IDP em U$55,10 bilhões, para o final de 2016, enquanto o relatório de 24.4.15 eleva para U$60 bilhões a projeção para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta semana eleva a estimativa do IDP para U$60 bi, de U$55,25 bilhões observados há trinta dias.

O País atravessa um momento bastante difícil com uma crise econômica e política cada vez mais intensa. O País está paralisado, o pessimismo está em alta, todos os brasileiros estão aguardando uma decisão do Senado Federal a respeito do impeachment da presidente Dilma. Enquanto isso, um possível novo governo já se prepara para assumir o comando.

Portanto, o Brasil espera uma solução rápida para esse desfecho, e quanto mais demora mais se agrava o quadro econômico. Falta magnanimidade aos homens públicos brasileiros. Finalizo com uma frase de John F. Kennedy: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.”


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

CUIDE DE SUAS FINANÇAS PESSOAIS ENQUANTO HÁ TEMPO
Régis Varão/¹

A maioria das pessoas cultiva hábitos pouco saudáveis quanto à administração de suas finanças pessoais, e muitas vezes tais hábitos podem ser a causa do endividamento. A atual crise econômica do País tem reflexos negativos no desemprego e na inadimplência, contribui para levar descrença aos trabalhadores de diferentes áreas da economia nacional e na sociedade em geral.

Se no final do ano você não fez planejamento financeiro, o início de ano é o momento adequado para repensar suas finanças. Despesas de impostos, matrícula, material escolar e outras de início de ano, devem ser repensadas no último bimestre do ano anterior (p.e. nov-dez/15), ajudando a evitar o endividamento.

No entanto, se você até o momento não fez ou pensou seu orçamento pessoal/familiar, está na hora de começa-lo, pois o que importa é criar o hábito do planejamento financeiro, é tentar mudar atitudes e crenças frente ao dinheiro. Grande parte dos endividados não conhecem ou não tem controles a respeito de suas dívidas, lhes falta autoconhecimento e objetivos claros, o que resulta em hábitos pouco saudáveis dificultando os controles na hora de gastar.

HÁBITOS SAUDÁVEIS PARA BOA SAÚDE FINANCEIRA:

1. FAÇA PLANEJAMENTO

É importante antes de passar o cartão de crédito ou assinar o cheque avaliar se você precisa daquele bem ou serviço, se dispõe de dinheiro para comprá-lo, ou melhor, se tem que ser agora. Parece lógico, mas é necessário fazer um estudo a respeito dessas necessidades, e separar dinheiro para o aluguel ou prestação da casa própria, alimentação, plano de saúde, educação dos filhos, prestação e manutenção do carro, combustível, lazer etc. Crie o hábito de examinar suas despesas periodicamente, quanto recebe e faça uma reserva financeira. Na realidade, antes de pagar as despesas reserve uma quantia ou percentual da renda para essa reserva, isso é conhecido em finanças pessoais como “Pague-se primeiro;”

2. RESERVE UMA QUANTIA PARA APOSENTADORIA

A maioria das pessoas acredita que a aposentadoria dada pelo benefício da Previdência Social, hoje em R$5.189,82, será suficiente para manter uma condição financeira estável e de qualidade na terceira idade, isso se não for bem planejado pode ser um grande erro. Se na ativa você recebe salário equivalente ao benefício do INSS já é arriscado, imagine se recebe acima desse valor. O ideal é reservar uma quantia, corrigida a cada 6 meses pelo IPCA, ou um percentual do salário todos os meses, elevado a cada 90 dias, e investir esse valor para formar seu fundo de aposentadoria. Vamos exemplificar utilizando a calculadora do cidadão do Banco Central:

(a) CASO 1:
- Período:                                  10 anos/120 meses;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor depositado mensalmente:  R$500,00;
- Valor obtido no final do período: R$100.909,60;

(b) CASO 2:
- Período:                                  20 anos/240 meses;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor depositado mensalmente:  R$1.000,00;
- Valor obtido no final do período: R$726.900,27;

(c) CASO 3:
- Periodicidade:                          Mensal;
- Taxa de juros:                         0,8% a.m.;
- Valor aplicado:                         R$726.900,27;
- Rendimento mensal:                R$5.815,20;

Para considerar o CASO 2, em que o nosso precavido amigo tenha aplicado R$1.000,00 mensalmente e obtido no final de 20 anos a quantia de R$726.900,27. Com a aposentadoria do INSS de R$5.189,82 mais R$5.815,20 de rendimento das aplicações financeiras, totaliza R$11.005,02. Bom para quem recebia R$10.000,00 mensais, pois temos uma margem de cerca de 10% de folga. Quanto mais cedo iniciar o fundo de aposentadoria menor vai ser o sacrifício e maior o valor obtido no final do período;

3. FAÇA POUPANÇA E INVISTA O EXCEDENTE

É um grande erro acreditar que uma pessoa que não poupa ao longo da vida não incorra em risco, tendo em vista que os imprevistos estão sempre próximos a nós e com certeza normalmente saem caros, pois não foram planejados. Lembre-se, a poupança é como um seguro para manter boa qualidade de vida futura. Estabeleça metas adequadas e possíveis, de modo que seus filhos entendam a importância do sacrifício e a necessidade do planejamento financeiro como fator preponderante na qualidade de vida futura da família. Ensine seus filhos o valor do dinheiro, crie hábitos saudáveis de poupança em sua família e economize água, energia elétrica etc. Todavia, hábitos saudáveis de consumo são bons para o planeta;

4. COMPRE À VISTA

É normal surgirem imprevistos como a máquina de lavar roupas que quebra todo mês (nesse caso pode não ser imprevisto!) ou é a geladeira antiga que consome o dobro de energia de um modelo novo. Ambos estão sem garantia e muitas vezes não vale a pena consertá-los. No entanto, se tiver o dinheiro para comprar à vista, pode conseguir bons preços e até mesmo mais prazo. Sempre peça desconto e visite pelo menos duas grandes lojas e um supermercado se desejar adquirir algum bem de maior valor. Se não puder pagar à vista negocie o parcelamento, de preferência sem juros. O problema do parcelamento é que você pagará com certeza, no mínimo 50% a mais que o preço à vista, logo, se informe quanto de juros você pagará;

5. NÃO EMPRESTE DINHEIRO NEM TOME EMPRESTADO

Separe negócios de família e amigos. Não empreste e não peça dinheiro emprestado para parente ou amigo, a encrenca é nos dois sentidos, e não é muito inteligente. Se precisar de dinheiro emprestado vá ao banco e faça um consignado, a taxa de juros é a menor do mercado e não fica devendo favor a parente ou amigo. No entanto, se você tiver dinheiro guardado e não precisar dele no momento da solicitação, pode emprestar. Calcule os riscos e pagamento no prazo combinado. Como diz os especialistas, “Por via das dúvidas, melhor não arriscar;”

6. FALE DE DINHEIRO COM SUA FAMÍLIA

Muitas famílias tratam dinheiro como um assunto proibido, e evitam falar dele com seus filhos e com o cônjuge. Isso tem demonstrado que é uma prática errada, justificada pelo baixo nível de conhecimento de educação financeira do brasileiro. Apesar de ser um tema evitado por muitos, o debate é importante principalmente para as crianças, pois ajuda a desenvolverem o conhecimento de finanças pessoais e a darem valor a bens e serviços adquiridos pelos pais ou familiares em geral. É importante que a criança aprenda desde cedo a valorizar o que é adquirido, e ter noções básicas de responsabilidade financeira. Se você procura desde cedo ensinar noções de educação financeira a seus filhos, isso é uma prova de que os ama e se preocupa com o futuro deles. Se aprenderem o valor do dinheiro na infância terão grande probabilidade de serem adultos conscientes e responsáveis no trato com o dinheiro, assim, não farão parte dos que compram por impulso e engrossam as estatísticas de endividamento;

7. EVITE CARTÃO DE CRÉDITO

De segunda a domingo, em todas as horas do dia e da noite, as propagandas e promoções são tentadoras e perigosas para aqueles que não estão atentos as armadilhas do comércio. As promoções muitas vezes são maquiadas pelos vendedores. Calcule o preço do produto, compare preços praticados antes e depois da promoção, e só depois decida pela compra, de preferência à vista. Avalie a necessidade do produto, se não pode esperar mais um ou dois meses peça desconto. Regra básica: nunca compre sem pedir desconto. Compre por necessidade, e pague com dinheiro, no entanto, se precisar daquele bem e não tiver dinheiro use o cartão de crédito, mas liquide a fatura integral, pois a incidência dos juros sobre o valor não pago (crédito rotativo) ultrapassa 420% a.a. Se você for educado financeiramente tenha apenas um cartão de crédito, mas negocie o valor da anuidade. É um instrumento que tem vantagens e desvantagens, e quando mal utilizado pode levar ao endividamento (para cada 10 brasileiros existem 8 cartões de crédito).

Crie hábitos saudáveis de consumo, discuta o orçamento familiar e questões relacionadas a dinheiro na presença de seus filhos. É importante para uma vida saudável na terceira idade fazer planejamento financeiro, reservar uma quantia mensal para um fundo de aposentadoria, não emprestar ou tomar dinheiro emprestado de amigos e parentes, pagar à vista, quitar a fatura integral do cartão de crédito e ficar atento as armadilhas das promoções.

Portanto, não espere atingir os 50 anos para pensar em fundo de aposentadoria, renda extra, qualidade de vida futura, antecipe essa preocupação uns 20 ou até 30 anos, e lembre-se a expectativa de vida do brasileiro logo chegará aos 80 anos.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

MERCADO CONTINUA PESSIMISTA EM SUAS PROJEÇÕES
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) corrige em cerca de 80% as projeções realizadas para 2016, e mantém praticamente inalterada a maioria das estimativas para o próximo ano. A pesquisa Focus é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, contemplando 15 indicadores, mas a análise abaixo discute oito:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 15.4.16 reduz para 7,08% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,14% observado na semana anterior e 7,43% há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 17.4.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,60%. Para 2017, o Focus de 15.4.16 reduz a expectativa do índice para 5,93%, ante 5,95% observado na semana anterior e 6% registrado há trinta dias. O mercado nas últimas semanas vem reduzindo as projeções do IPCA para este ano, mas ainda distante da meta de inflação estabelecida pelo BCB;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus divulgado hoje reduz a projeção do índice para 7,22% em 2016, ante 7,40% observada na semana anterior e 7,49% há um mês, enquanto o relatório de 17.4.15 mantém estável em 5,50% a estimativa do índice para 2016. Para 2017, a pesquisa desta semana mantém inalterada a expectativa do IGP-DI em 5,50% pela décima segunda semana consecutiva;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana corrige a expectativa da taxa de câmbio, final de 2016, para R$/U$3,80, de R$/U$4,00 divulgada na semana anterior e R$/U$4,20 há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, o Focus de 17.4.15 mantém o câmbio em R$/U$3,30 para este ano. Para 2017, o Focus de 15.4.16 reduz a taxa de câmbio para R$/U$4,00, de R$/U$4,10 observada na pesquisa anterior e R$/U$4,30 há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas semanas devido à elevação da forte possibilidade de saída da atual presidente;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 15.4.16 reduz os juros, final de 2016, para 13,38% a.a., ante 13,75% a.a. observado no Focus anterior e 14,25% a.a. divulgado há um mês, enquanto o Focus de 17.4.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O Focus divulgado hoje mantém a projeção dos juros em 12,25% a.a. para o final de 2017, ante 12,50% a.a. observado há trinta dias;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a pesquisa divulgada hoje corrige para baixo a expectativa de crescimento do PIB para 2016, -3,80%, pela décima terceira semana consecutiva de queda, frente ao decréscimo de 3,77% do relatório anterior e -3,60% da pesquisa divulgada há quatro semanas. O Focus de 17.4.15 mantém estável em +1% a projeção de crescimento do PIB para este ano. Com relação a 2017, a pesquisa de 15.4.16 reduz o crescimento do PIB para +0,20%, frente ao incremento de 0,30% observado na semana anterior e +0,44% há trinta dias. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho da atividade econômica para os próximos meses;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado hoje indica decréscimo da atividade industrial para o final de 2016, -5,80%, ante queda de 5,60% estimada na semana anterior e -4,50% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 17.4.15 mantém o crescimento em +1,50% naquele ano. Para 2017, a pesquisa de 15.4.16 mantém o crescimento da atividade industrial em +0,69% no próximo ano, ante +0,57% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório Focus de 15.4.16 eleva a projeção do superávit comercial para U$45,51 bilhões para o final de 2016, de U$45,00 bi divulgados na semana anterior e U$42,40 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 17.4.15 reduz a estimativa do superávit comercial para U$9,95 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus divulgado hoje mantém em U$50 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$46,90 bi verificados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 15.4.16 mantém a estimativa de crescimento do IDP em U$55 bilhões, nos últimos meses, para o final de 2016, enquanto o relatório de 17.4.15 reduz para U$58,50 bilhões a projeção para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém a estimativa do IDP em U$55 bi, de U$57,50 bilhões observados há trinta dias.

Portanto, a conjuntura econômica e política têm contribuído para pressionar as expectativas do mercado quanto ao comportamento da atividade econômica, câmbio, inflação e juros no curto prazo. A ausência de um ajuste fiscal e a falta de decisões claras de política econômica tem contribuído para elevar as incertezas na economia e aumentar o pessimismo dos agentes econômicos. A decisão de ontem, 17.4.16, da Câmara Federal a favor do impeachment da presidente Dilma pode contribuir para que o mercado reduza o pessimismo e melhore suas expectativas.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

sábado, 16 de abril de 2016

UTILIZE SEU DINHEIRO DE FORMA SAUDÁVEL E EFICIENTE
Régis Varão/¹

A atual crise econômica, política e ética por que passa o País tem levado desconfiança, descrédito e incerteza aos principais agentes econômicos. Os principais indicadores macroeconômicos divulgados nos últimos meses vêm mostrando que a sociedade brasileira está atravessando uma fase difícil com alto desemprego, inflação elevada, juros proibitivos, aumento da inadimplência e do endividamento das famílias, fechamento de empresas entre outros.

Esse momento de crise traz desassossego a população que precisa de emprego, de alimentos, de moradia, de saúde, de transporte e tantas coisas necessárias para manter-se viva e com dignidade. Com base nesses dados temos que nos preparar adequadamente para reduzir o impacto da crise, e nada melhor que praticar bons hábitos que evitam o endividamento ou que o reforce, nesse caso nada mais adequado que o planejamento financeiro.

DICAS PARA UMA VIDA FINANCEIRA SAUDÁVEL:

01. COMPARE PREÇOS DE COMBUSTÍVEIS

Normalmente os postos de combustíveis oferecem preços diferenciados para a gasolina, o etanol, o diesel ou o Gás Natural Veicular (GNV). No entanto, se você é morador de Brasília a coisa é diferente, pois existem cartéis de postos de combustíveis que dominam o mercado local e estabelecem seus preços. Se na capital da república com todos os poderes aqui presentes e o CADE baseado aqui, acontece isso, imagine no resto do País. No entanto, não desista, compare preços, e no final do mês você verá a diferença;

02. USE TRANSPORTE COLETIVO OU METRÔ

Com razoável planejamento das atividades do dia a dia, você pode evitar a utilização do automóvel, por ser muito caro devido o preço do combustível e aproveitar transportes opcionais como carona compartilhada, ônibus e metrô. Se você tem um colega de trabalho que mora perto e tem automóvel, podem revezar as caronas, que ajuda a combater a poluição do ar e a aumentar a poupança;

03.  LEVE UMA LISTA QUANDO FOR AO SUPERMERCADO

Antes de sair de casa para ir ao supermercado, cheque as mercadorias na despensa, geladeira e freezer e prepare uma lista de necessidades. Importante seguir a lista e evite fugir dela. Uma boa dica é se alimentar antes de ir ao mercado, se tiver filhos pequenos converse com eles antes para evitarem furar a lista. Outra boa dica busque produtos similares. Grandes supermercados ou atacadistas às vezes vendem produtos com preços competitivos utilizando suas marcas, muitas vezes são produtos de boa qualidade;

04. COMPRE ALIMENTOS DA ESTAÇÃO

Alguns supermercados possuem dias específicos em que fazem promoções no setor de hortaliças e frutas. Fique atento às frutas e legumes da estação pois normalmente são mais baratos e têm boa qualidade. Alguns dias da semana têm promoções de determinados tipos de carne bovina, suína e frango, fique atento;

05. CUIDADO COM ALIMENTAÇÃO FORA DE CASA

Nas médias e grandes cidades, grande parte do trabalhador tem uma boa distância a percorrer, de casa para o trabalho, e por conta disso, muitos almoçam fora. Se o trabalhador não dispõe de vale-refeição os gastos acabam pressionando o orçamento, que no final do mês pode ficar negativo. Com a subida da inflação, almoçar fora de casa foi um dos itens que mais apresentaram elevação. Segundo a pesquisa Refeição Assert Preço Médio 2015, os brasileiros gastam atualmente, em média, R$27,36 para almoçar nas grandes cidades do país. De segunda a sábado acaba gastando R$711,36 para almoçar, o que equivale a 90% do salário mínimo nacional. Nesse caso, procure lugares que oferecem comida saudável a baixo custo;

06. COMPRE À VISTA E SEMPRE PEÇA DESCONTOS

A grande maioria dos lojistas costuma oferecer descontos quando as compras são pagas à vista ou no cartão de débito. Nesse caso, se você está com dinheiro no bolso e precisa do produto negocie um desconto. Na atual conjuntura, vendas em queda, você sempre consegue desconto. Por outro lado, não se preocupe, se o lojista dá desconto é porque ele pode fazê-lo. Na atual conjuntura, com vendas em queda e desemprego e inadimplência em alta, pode haver boas promoções, assim, é possível obter descontos entre 5% e 20%. No entanto, só compre se “precisar” do produto, se for necessário. O comerciante brasileiro, pequeno, médio e grande, pratica a maior margem de lucro do mundo, assim, temos grande chance de boas promoções;

07. COMPRE PRODUTO NOVO OU CONSERTE O VELHO

Imagine que a máquina de lavar de sua casa deu problema, faz muito barulho e não funciona. Você vai comprar uma máquina nova? Veja se o produto está na garantia e tem direito a conserto. Ao verificar a garantia veja se não pagou por uma garantia estendida, seguro que consiste em uma manutenção após o vencimento da garantia legal ou contratual. Nesse caso, se tiver a estendida você está bem. Mas se o produto está fora da garantia procure uma assistência técnica e peça um orçamento. Em relação aos orçamentos compare com o preço de uma máquina nova. Muitas vezes compensa mandar consertar;

08. PESQUISE NOS GRANDES VAREJISTAS

Se você deseja adquirir vestuário em geral, móveis e utensílios domésticos a bom preço, os grandes varejistas - lojas de departamento e redes de supermercados - muitas vezes podem ser uma boa opção para economizar, pois oferecem produtos mais baratos que a maioria das lojas especializadas. Alguns exemplos: Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart, Lojas Americanas, Makro, Magazine Luiza, C&A, Lojas Pernambucanas, Lojas Renner, Lojas Marisa, Lojas Riachuelo e outras;

09. ATENÇÃO COM OS PEQUENOS VALORES

Vamos apresentar um breve sumário do Fator Café, desenvolvido pelo professor David Bach, que afirma em seu livro O Milionário Automático: “As chamadas ninharias em que desperdiçamos dinheiro diariamente podem com rapidez atingir um volume capaz de modificar a nossa vida e custar-nos a liberdade.” Sem sombras de dúvidas é um exagero, no entanto, não devemos desconsiderá-la, pois muitos consumidores não pensam nos gastos do dia a dia, e se preocupam apenas com valores elevados, prestação da casa própria, financiamento do carro, aluguel, condomínio, salário da empregada doméstica, mensalidade da previdência privada, colégio das crianças etc, sem considerar que as pequenas despesas também fazem grande diferença ao longo do tempo. Muitos esquecem os pequenos valores, e não param para pensar que poderiam fazer uma boa poupança se controlassem melhor essas despesas;

10. SE PUDER PEÇA EMPRESTADO

Você tem um casamento que não pode faltar, mas precisa de um bom terno ou um vestido bonito, e ambos custam caro. Você lembra que um amigo (a) usa o mesmo tamanho que você e possui roupas finas para um casamento. Por que não pedir emprestado em vez de comprar e até mesmo alugar? Será uma boa alternativa de economizar. No entanto, não esqueça de retribuir a gentileza, compre uma lembrança para o (a) amigo (a) que emprestou a roupa;

11.  ECONOMIZE COM MENSALIDADE E MATERIAL ESCOLAR

Os valores cobrados pelas escolas particulares estão praticamente fora da realidade da grande maioria dos brasileiros. A escolha entre escola pública e privada é difícil, pois envolve grande mudança no dia a dia dos filhos, e deve ser avaliada com muito cuidado. A atual crise econômica tem levado muitas famílias a optarem pela escola pública, o que de um modo geral, dependendo da série, não traz grande perda na qualidade do aprendizado. Com relação ao material escolar, os meses de janeiro e fevereiro são dois meses que pesam no orçamento das famílias devido à elevação nos preços dos produtos nos últimos doze meses. Uma dica: continue a utilizar o que ainda está em bom estado e compre apenas o necessário;

12. PRATIQUE EXERCÍCIOS FÍSICOS

Fazer exercícios físicos é muito importante para manter boa qualidade de vida. Ir a academia tem um custo, mas se tiver folga orçamentária vá, ou então encontre tempo para uma caminhada, é de graça e ajuda a prevenir doenças cardiovasculares. Com 30 minutos de exercícios físicos diários já são suficientes para ajudar a manter uma boa forma física, além de melhorar a coordenação, o humor, o sono, controla o peso, reduz a ansiedade e estimula as funções respiratórias e cardiovasculares;

13.  TENHA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Especialistas falam na coloração do prato, mas não descuide de ingerir muita água, comer frutas, verduras, legumes, grãos e folhas todos os dias. Alimentos grelhados e cozidos são mais saudáveis, fuja ou melhor, esqueça as frituras, evite massas em excesso, carnes vermelhas e gorduras em geral. Carnes vermelhas e brancas devem ser consumidas em iguais proporções, mas tenha predileção por peixe, estes, contém Ômega 3, faz bem a saúde e ajuda a reduzir o colesterol;

14. ECONOMIZE ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA

São dois produtos que tem pressionado o bolso do brasileiro nos últimos anos. Procure economizar água, o planeta Terra e seu bolso agradecem. Tome banhos rápidos, evite deixar torneiras abertas enquanto escova os dentes ou faz a barba, feche a torneira quando estiver ensaboando a louça na cozinha e nunca lave a calçada ou áreas cimentadas, existem boas vassouras nos supermercados e podem ajudar muito. Quanto à energia, substitua as lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por lâmpadas de LED, pois estas têm maior vida útil e consomem menos energia. Apague as luzes quando não tiver ninguém no ambiente. Televisões ligadas sem ninguém assistindo é dinheiro jogado fora. Evite banhos demorados em chuveiro elétrico, eles consomem muita energia. Ente utilizar a energia natural como uma boa saída para reduzir despesas da casa e evitar, assim, pressão no orçamento da família. Desenvolva bons hábitos quanto ao consumo de água e energia elétrica, o meio ambiente e seu bolso agradecem;

15. CUIDADO COM O CUSTO DA TV A CABO E DO TELEFONE

Tenha cuidado com a contratação dos planos de TV a cabo, nem sempre entregam o que prometem, e assim, como os planos da telefonia móvel (celular) devem ser revistos periodicamente. Se você gosta de filmes e não assiste esporte contrate pacotes com filmes e nada de esporte, pois tudo custa dinheiro. Avalie quais os canais que você nunca assiste e refaça seu plano, pague apenas pelo que você assiste. Com relação ao celular busque um plano que seja adequado ao seu perfil de uso. Evite a fidelização, muitas vezes um “aparente desconto” em um novo celular desaparece com um plano de fidelização que não observa o perfil de uso do cliente. Mas se você gasta acima de R$350,00 com sua conta de celular, o fato de não estar fidelizado pode ajudar em uma negociação de troca por um aparelho mais moderno etc. Muitas vezes somos induzidos a pagar por um plano que não precisamos, são caros e no final do ano faz uma grande diferença no orçamento;

16. EVITE PAGAR MULTAS E JUROS POR ATRASO

Mantenha suas despesas sob controle, anote-as em uma planilha, caderno ou caderneta, o que for melhor para você, mas registre-as e assim evitará de pagar multas ou juros por atraso, além de conhecer melhor sua situação financeira. Procure pagar a prestação da casa própria ou aluguel, tributos como IPVA e IPTU, contas de água, luz, telefone, prestação do colégio das crianças e financiamentos em geral em dia. O ideal é liquidar as dívidas no dia seguinte ao recebimento do salário, o que ajuda no planejamento financeiro e evita o endividamento. Pagando em dia suas obrigações, você nunca se verá em apuros;

17. TENHA CUIDADO COM O CARTÃO DE CRÉDITO

Para cada 10 brasileiros existem 8 cartões de crédito, e pode deixar muita gente endividada ao facilitar a aquisição rápida de bens e serviços. Nunca pague o valor mínimo da fatura, os juros incidentes sobre o saldo devedor (crédito rotativo) é o mais elevado do mercado, e ultrapassa 400% a.a., segundo o Banco Central. Utilize-o a seu favor, cadastre-o em programas de milhagem/fidelidade de companhias aéreas para adquirir passagens nacionais e internacionais gratuitamente entre outros benefícios. Na Calculadora do cidadão disponível no site do Banco Central você pode fazer simulações do custo do rotativo, e terá desagradáveis surpresas. O cartão de crédito é fantástico quando bem administrado, no entanto, se você não tiver controle sobre seus gastos, poderá endividá-lo. Em compras com moeda estrangeira, fora do País, incide (fora a conversão cambial) uma alíquota de 6,38% de IOF, assim, evite usar o cartão de crédito fora do Brasil. Liquide a fatura integralmente todo mês para evitar pagar juros do rotativo.

Portanto, a conjuntura atual está difícil para quem é devedor ou pretende fazer dívidas no curto prazo. Postergue compras, a não ser as necessárias como alimentos. Em caso de roupas e calçados só os adquira após analisar se não pode esperar um pouco mais. Evite pagar juros e se não tiver dinheiro não compre. O País está atravessando a pior crise das últimas décadas. Se você tem reserva financeira guarde e quem sabe pode fazer bons negócios e até mesmo adquirir aquele tão sonhado produto. O momento é de aguardar não de se endividar, afinal de contas estamos em via de termos um novo governo, novos planos para a economia, e não se iludam vem um grande arrocho no crédito e medidas nada agradáveis aos brasileiros.


¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

DESEMPENHO ECONÔMICO ELEVA PESSIMISMO DO MERCADO
Régis Varão/¹

A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada hoje pelo Banco Central (BCB) corrige em cerca de 80% as projeções realizadas pelo mercado para 2016, e altera 60% as estimativas para o próximo ano. A pesquisa Focus é realizada semanalmente com mais de 100 instituições financeiras e consultorias nacionais, contemplando 15 indicadores. A análise aborda 8 variáveis:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 8.4.16 reduz para 7,14% a estimativa do IPCA para 2016, ante 7,28% observado na semana anterior e 7,46% divulgado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a pesquisa de 10.4.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,60%, observado nas últimas semanas. Para 2017, o Focus de 8.4.16 reduz a expectativa do índice para 5,95%, ante 6% observado nas semanas anteriores. O mercado, apesar do pessimismo, nas últimas semanas vem reduzindo as expectativas do IPCA para 2016, embora distante da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus divulgado hoje reduz a projeção do índice para 7,40% em 2016, ante 7,41% observada na semana anterior e 7,60% há um mês, enquanto o relatório de 10.4.15 mantém estável em 5,50%, a estimativa para 2016, valor registrado nas últimas trinta e seis semanas. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém inalterada a expectativa do IGP-DI em 5,50% pela décima primeira semana consecutiva;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório desta semana mantém a expectativa da taxa de câmbio, final de 2016, em R$/U$4,00, de R$/U$4,25 divulgada há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, o Focus de 10.4.15 mantém o câmbio em R$/U$3,30 em 2016, de R$/U$3,11 apresentado há trinta dias. Para 2017, o Focus de 8.4.16 eleva a taxa de câmbio para R$/U$4,10, de R$/U$4,34 observada há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas semanas devido à elevação da possibilidade de saída da presidente;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 8.4.16 mantém os juros, final de 2016, em 13,75% a.a., ante 14,25% observado há quatro semanas, enquanto o Focus de 10.4.15 mantém a projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016, pela décima quinta semana consecutiva. O Focus de hoje reduz a projeção dos juros para 12,25% a.a. para o final de 2017, ante 12,50% a.a. observado nas últimas semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus de 8.4.16 reduz a expectativa de crescimento do PIB em 2016, para -3,77%, pela décima segunda semana consecutiva, frente ao decréscimo de 3,73% do relatório anterior e -3,54% da pesquisa publicada há quatro semanas. O Focus de 10.4.15 apresenta redução na projeção de crescimento do PIB em 2016, para +1% frente à variação positiva de 1,10% apresentado na semana anterior e +1,30% há trinta dias. Com relação a 2017, a pesquisa divulgada hoje mantém o crescimento do PIB em +0,30%, frente ao incremento de 0,50% observado há trinta dias. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para os próximos dois anos, e as estatísticas macroeconômicas divulgadas até o presente momento pouco têm ajudado;

(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado hoje indica decréscimo da atividade industrial para o final de 2016 (-5,60%), ante queda de 5,80% estimada na semana anterior e -4,45% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 10.4.15 mantém o crescimento em 1,50% naquele ano, de +1,68% verificado há quatro semanas. Para 2017, a pesquisa de 8.4.16 mantém o crescimento da atividade industrial em +0,69% em 2017, ante +0,50% divulgado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório Focus de 8.4.16 eleva a projeção do superávit comercial para U$45 bilhões para o final de 2016, de U$44,80 bi divulgados na semana anterior e U$41,20 bi observados há trinta dias. A pesquisa de 10.4.15 mantém inalterada a estimativa do superávit comercial em U$10 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus divulgado hoje mantém em U$50 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$43,20 bi verificados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 8.4.16 eleva a estimativa de crescimento do IDP para U$55 bilhões para o final de 2016, ante U$54 bi observados na semana anterior e U$56,25 bi há trinta dias, enquanto o relatório de 10.4.15 eleva para U$59 bilhões a projeção para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada hoje eleva a estimativa do IDP para U$55 bi, de U$54 bilhões observados na semana anterior e U$56,25 bi há trinta dias.

Portanto, a conjuntura política tem contribuído para pressionar as expectativas negativas do mercado quanto ao comportamento da atividade econômica nos próximos dois anos. Indicadores de preços, juros, desemprego e inadimplência, associados à falta de ajuste fiscal tem contribuído para elevar as incertezas na economia e aumentar mais ainda o pessimismo quanto à solução de curto e médio prazo.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações no site www.ravecofinancas.com.