PESSIMISMO TOMOU
CONTA DO BRASIL
Régis
Varão/¹
A pesquisa Focus-Relatório de Mercado divulgada esta
semana
pelo Banco Central (BCB) mantém inalteradas
em 80% as projeções realizadas pelo mercado para 2016 e 2017. A pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 instituições financeiras e
consultorias nacionais, contemplando 15 indicadores, mas são discutidas oito
indicadores nesta análise:
(a) Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Relatório de Mercado de 22.4.16 reduz para 6,98% a estimativa do IPCA para
2016, ante 7,31% observado há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, a
pesquisa de 24.4.15 mantém inalterada a projeção do índice em 5,60%.
Para 2017, o Focus de 22.4.16 reduz a expectativa do índice para 5,80%, ante
6% registrado há trinta dias. O mercado ao longo das últimas semanas vem
reduzindo as projeções do IPCA para este ano, mas ainda distantes da meta de inflação estabelecida pelo BCB;
(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o Focus divulgado nessa semana reduz a projeção do índice para 7,19% em
2016, ante 7,43% observada há um mês, enquanto o relatório de 24.4.15 mantém
estável em 5,50% a estimativa para 2016. Para 2017, a pesquisa desta semana eleva
a expectativa do IGP-DI para 5,59%, ante 5,50% divulgada há trinta dias;
(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o relatório
desta semana mantém a estimativa da taxa de câmbio, final de 2016, em R$/U$3,80,
de R$/U$4,15 divulgada há quatro semanas. Ainda com relação a 2016, o Focus de 24.4.15 mantém o câmbio em R$/U$3,30 para aquele ano. Para 2017, o Focus de 22.4.16 mantém a taxa de câmbio em R$/U$4,00, de R$/U$4,20 observada na pesquisa
divulgada há trinta dias. A taxa de câmbio tem apresentado declínio nas últimas
semanas devido à possibilidade de saída da atual presidente;
(d) Taxa Selic (% a.a.): o Focus de 22.4.16 reduz os
juros, final de 2016, para 13,25% a.a., ante 14,25% a.a. observado no Focus divulgado
há um mês, enquanto a pesquisa de 24.4.15 mantém a
projeção dos juros em 11,50% a.a. para 2016. O relatório Focus divulgado no
início da semana reduz a projeção dos juros para 12% a.a. para o final de 2017,
ante 12,50% a.a. observado há quatro semanas;
(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): a última pesquisa divulgada esta semana corrige para baixo a expectativa
de crescimento do PIB em 2016, para -3,88%, pela décima quarta semana
consecutiva de queda, frente ao declínio de 3,66% do relatório divulgado há
trinta dias. O Focus de 24.4.15 mantém
estável em +1% a projeção de crescimento do PIB para este ano. Com relação a
2017, a pesquisa de 22.4.16 eleva a
expectativa de crescimento do PIB para +0,30%, frente ao incremento de 0,35%
observado há um mês. O mercado continua pessimista quanto ao desempenho do PIB para
este ano e 2017;
(f) Produção Industrial (Em %): o Focus divulgado
no início da semana mantém inalterado o decréscimo da atividade industrial para
2016, -5,80%, ante queda de 4,40% estimada há quatro semanas, enquanto a
pesquisa de 24.4.15 mantém crescimento
em +1,50% naquele para 2016. Em 12 meses uma mudança radical, as expectativas
do mercado passaram de +1,50% o desempenho da indústria, para -5,80% em 2016. Para
2017, a pesquisa de 22.4.16 reduz o
crescimento da atividade industrial para +0,54% no próximo ano, ante +0,85% divulgado
há trinta dias;
(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o relatório
de 22.4.16 eleva a projeção
do superávit comercial para U$48 bilhões para o final de 2016, ante U$43,53 bi observados
há trinta dias. A pesquisa de 24.4.15 mantém a estimativa
do superávit comercial em U$9,95 bilhões para 2016. Para 2017, o Focus desta
semana mantém em U$50 bilhões a projeção do superávit comercial, de U$47,50 bi verificados
há quatro semanas;
(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): a pesquisa de 22.4.16 mantém praticamente
estável a estimativa do IDP em U$55,10 bilhões, para o final de 2016, enquanto o
relatório de 24.4.15 eleva para U$60
bilhões a projeção para aquele ano. Para 2017, a pesquisa divulgada nesta
semana eleva a estimativa do IDP para U$60 bi, de U$55,25 bilhões observados há
trinta dias.
O País atravessa um momento bastante difícil com
uma crise econômica e política cada vez mais intensa. O País está paralisado, o
pessimismo está em alta, todos os brasileiros estão aguardando uma decisão do
Senado Federal a respeito do impeachment da presidente Dilma. Enquanto isso, um
possível novo governo já se prepara para assumir o comando.
Portanto, o Brasil espera uma solução rápida para
esse desfecho, e quanto mais demora mais se agrava o quadro econômico. Falta magnanimidade
aos homens públicos brasileiros. Finalizo com uma frase de John F. Kennedy: “Não
pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por
seu país.”
¹/ Coach Financeiro, Educador
Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e
conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia,
Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do
Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.