sexta-feira, 1 de abril de 2016

PLANEJAMENTO DE CURTO PRAZO
Régis Varão/¹

As expectativas do mercado divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), desta semana, mostram que o pessimismo dos agentes econômicos em geral vem se elevando nos últimos meses. Devemos estabelecer objetivos claros, mensuráveis e atingíveis para os próximos dois anos, e trabalhado com um criterioso plano de ação.

Tendo em vista o atual cenário econômico, com declínio do PIB, aumento do desemprego, inflação e juros elevados, inadimplência crescendo etc, está difícil planejar na atual conjuntura. Vamos definir objetivos possíveis de serem atingidos em até dois anos como: não fazer novas dívidas e quitar as existentes, evitar pagar o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, fazer orçamento pessoal ou familiar, não comprar a prazo, criar hábitos financeiros e alimentares saudáveis, evitar gastos desnecessários, fazer reserva financeira etc.

Nesse momento de elevada incerteza econômico-política tente ser realista e não estabeleça metas ambiciosas, comece aos poucos dando um passo de cada vez. Se a expectativa estiver elevada e não conseguir atingir o objetivo, a tendência é o desânimo, o que pode dificultar ainda mais o planejamento, logo, defina objetivos possíveis de serem atingidos.

DOZE PASSOS PARA UM PLANEJAMENTO BEM SUCEDIDO:

01. QUITE SUAS DÍVIDAS

Se estiver endividado, principalmente no crédito rotativo do cartão de crédito (447,5% a.a em fev/16), a quitação dessa dívida deve ter prioridade, o que contribui para atingir os objetivos de curto prazo. É o primeiro passo para um orçamento superavitário, receitas > despesas. Entre os vilões do endividamento citamos os dois mais caros: juros do crédito rotativo e a utilização do cheque especial. Liquide primeiro as dívidas com juros mais elevados (cartão de crédito, cheque especial etc);

02. FAÇA POUPANÇA

Se não estiver endividado, mas não sobrar dinheiro no final do mês (receitas = despesas), o primeiro passo é tentar fazer com que os gastos < receitas, isto é, sobre dinheiro no final do mês. Ao falar de poupança me refiro ao salutar hábito de economizar, isto é, fazer reserva para emergência;

03. RESERVA FINANCEIRA E INVESTIMENTO RENTÁVEL

Se você já poupa e tem reserva financeira, analise onde pode aplicar seu dinheiro e obter maior rentabilidade. Por comodismo deixamos dinheiro parado em aplicações financeiras que não cobrem a inflação do período. Mesmo com disponibilidade financeira, é preciso criar um plano de ação para alcançar seus objetivos, pois sem planejamento, esse dinheiro pode ficar estacionado em aplicações pouco rentáveis, sem que você atente para esse “pequeno grande” detalhe, e que pode atrapalhar os sonhos de longo prazo;

04. GUARDE UM VALOR FIXO OU PERCENTUAL DA RECEITA

Retire um valor ou percentual da receita para guardar mensalmente, e deposite em uma instituição financeira, seja em uma caderneta de poupança (não cobre a inflação do período), um fundo de renda fixa, títulos do tesouro etc. O importante é criar o hábito de poupar;

05. SEJA DISCIPLINADO

Estabeleça uma data específica para investir o dinheiro, e controle os valores para ter a dimensão exata de como está se comportando sua aplicação, a rentabilidade etc. É melhor estabelecer um valor fixo ou percentual e depositar todo mês, criando o hábito. A disciplina é importante para o sucesso financeiro, tem que ser levado a sério, e por nenhum motivo deixe de depositar. O valor depositado mensalmente é importante, no entanto, o hábito de fazê-lo é que fará a diferença;

06. PROTEJA SUA POUPANÇA DA INFLAÇÃO

Estamos falando de curto prazo e normalmente a data de resgate do dinheiro aplicado é conhecida. Escolha investimentos conservadores (baixo risco e alta liquidez), em um primeiro momento, até estar confortável para trabalhar novas opções e quem sabe arriscar um pouco. A inflação não é sua aliada e está elevada no momento, reduzindo o poder de compra do dinheiro. Proteja suas aplicações, a rentabilidade tem que ser maior que a inflação do período;

07. VERIFIQUE A RENTABILIDADE DE SUAS APLICAÇÕES

Fique atento ao retorno de suas aplicações, ele deve ser suficiente, no mínimo, para manter o poder de compra do dinheiro aplicado. Os gerentes de banco costumam mostrar a rentabilidade nominal do investimento, no entanto, o que interessa é a rentabilidade real, que é a rentabilidade nominal menos a inflação do período. Veja o histórico de rentabilidade da aplicação que deseja fazer;

08. FUNDOS DE INVESTIMENTOS REFERENCIADOS DI

Quanto ao curto prazo, uma boa opção são os fundos de investimentos referenciados DI, que rendem de acordo com um percentual do Certificado de Depósito Interbancário-CDI, um sinalizador do custo real do dinheiro no mercado financeiro. Evite fazer resgates nos 30 primeiros dias para que não haja incidência do Imposto sobre Operações Financeiras-IOF, que ocorre a partir do primeiro dia da aplicação, e a alíquota cai progressivamente até zerar no 30º dia;

09. CADERNETA DE POUPANÇA

Entre todos os investimentos é o mais conhecido da população brasileira, e detém a preferência nacional, e até mesmo em alguns segmentos de alta renda. A rentabilidade é baseada no rendimento mensal da Taxa Referencial (TR) mais 0,5% a.m. Essa regra valerá enquanto a meta da Taxa Selic ao ano, definida pelo BCB, for superior a 8,5%. A vantagem é ser livre de impostos, mas não oferece rentabilidade se o dinheiro for resgatado antes de 30 dias ou fora dos aniversários da aplicação. Tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito-FGC no valor máximo de R$ 250 mil por investidor (CPF) em cada instituição financeira em que tiver depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso-prévio, depósitos de poupança, depósitos a prazo com ou sem emissão de certificado, letras de câmbio, imobiliárias, hipotecárias, de crédito imobiliário e de crédito do agronegócio;

10. TRIBUTOS NOS FUNDOS DE CURTO PRAZO

Os fundos de de curto prazo submetem-se à incidência de imposto de renda na fonte. A alíquota de imposto de renda que incide sobre esses fundos é de 22,50% sobre o lucro obtido em aplicações de até 180 dias, e de 20% em aplicações com prazos acima de 180 dias. Para efeitos de tributação, são considerados fundos de investimento de curto prazo aqueles cujas carteiras de títulos tenham prazo médio igual ou menor que 365 dias;

11. ESCOLHA DO FUNDO DE INVESTIMENTO

Fique atento ao escolher um fundo de investimentos, pesquise a rentabilidade dos fundos nos sites dos bancos, pergunte ao gerente de seu banco a respeito das taxas e tributos que incidem sobre eles, se são considerados de curto prazo também para a receita federal, cujo critério de classificação dos fundos pode alterar a rentabilidade;

12. PESQUISE A RENTABILIDADE DO INVESTIMENTO

Entre nos sites dos bancos inclusive onde você tem conta, fale com o gerente de sua conta, verifique a rentabilidade de 2015, cheque a rentabilidade acumulada nos últimos doze meses, compare-as com igual período do ano anterior e veja o desempenho no período jan-fev/16 ante jan-fev/15. Após tirar todas as dúvidas escolha a melhor opção, e boa sorte.

Portanto, na conjuntura atual é melhor estar atento às novas despesas, não comprar a prazo e não descuidar da rentabilidade de suas aplicações financeiras, pois muitas vezes não cobrem a inflação do período, e pode levar ao empobrecimento no longo prazo. A disciplina e hábitos saudáveis são ingredientes importantes para atingir-se a prosperidade.

¹/ Coach Financeiro, Educador Financeiro e palestrante nas áreas de finanças pessoais, educação corporativa e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, Bacharel em Direito, Professor Universitário e ex-servidor do Banco Central do Brasil. Mais informações visite o site www.ravecofinancas.com.

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