PLANEJAMENTO DE
CURTO PRAZO
Régis
Varão/¹
As
expectativas do mercado divulgadas no Focus-Relatório de Mercado do Banco Central (BCB), desta semana, mostram
que o pessimismo dos agentes econômicos em geral vem se elevando nos últimos
meses. Devemos estabelecer objetivos claros, mensuráveis e atingíveis para os
próximos dois anos, e trabalhado com um criterioso plano de ação.
Tendo
em vista o atual cenário econômico, com declínio do PIB, aumento do desemprego,
inflação e juros elevados, inadimplência crescendo etc, está difícil planejar na
atual conjuntura. Vamos definir objetivos possíveis de serem atingidos em até
dois anos como: não fazer novas dívidas e quitar as existentes, evitar pagar o
valor mínimo da fatura do cartão de crédito, fazer orçamento pessoal ou
familiar, não comprar a prazo, criar hábitos financeiros e alimentares
saudáveis, evitar gastos desnecessários, fazer reserva financeira etc.
Nesse
momento de elevada incerteza econômico-política tente ser realista e não
estabeleça metas ambiciosas, comece aos poucos dando um passo de cada vez. Se a
expectativa estiver elevada e não conseguir atingir o objetivo, a tendência é o
desânimo, o que pode dificultar ainda mais o planejamento, logo, defina
objetivos possíveis de serem atingidos.
DOZE PASSOS PARA UM
PLANEJAMENTO BEM SUCEDIDO:
01. QUITE SUAS
DÍVIDAS
Se
estiver endividado, principalmente no crédito rotativo do cartão de crédito (447,5% a.a em
fev/16), a quitação dessa dívida deve ter prioridade, o que contribui para
atingir os objetivos de curto prazo. É o primeiro passo para um orçamento
superavitário, receitas >
despesas. Entre os vilões do endividamento citamos os dois mais caros: juros do
crédito rotativo e a utilização do cheque especial. Liquide primeiro as dívidas
com juros mais elevados (cartão de crédito, cheque especial etc);
02. FAÇA POUPANÇA
Se
não estiver endividado, mas não sobrar dinheiro no final do mês (receitas = despesas), o primeiro passo é tentar
fazer com que os gastos < receitas,
isto é, sobre dinheiro no final do mês. Ao falar de poupança me refiro ao salutar
hábito de economizar, isto é, fazer reserva para emergência;
03. RESERVA
FINANCEIRA E INVESTIMENTO RENTÁVEL
Se
você já poupa e tem reserva financeira, analise onde pode aplicar seu dinheiro e
obter maior rentabilidade. Por comodismo deixamos dinheiro parado em aplicações
financeiras que não cobrem a inflação do período. Mesmo com disponibilidade
financeira, é preciso criar um plano de ação para alcançar seus objetivos, pois
sem planejamento, esse dinheiro pode ficar estacionado em aplicações pouco
rentáveis, sem que você atente para esse “pequeno grande” detalhe, e que pode
atrapalhar os sonhos de longo prazo;
04. GUARDE UM VALOR
FIXO OU PERCENTUAL DA RECEITA
Retire
um valor ou percentual da receita para guardar mensalmente, e deposite em uma
instituição financeira, seja em uma caderneta de poupança (não cobre a inflação
do período), um fundo de renda fixa, títulos do tesouro etc. O importante é
criar o hábito de poupar;
05. SEJA
DISCIPLINADO
Estabeleça
uma data específica para investir o dinheiro, e controle os valores para ter a
dimensão exata de como está se comportando sua aplicação, a rentabilidade etc.
É melhor estabelecer um valor fixo ou percentual e depositar todo mês, criando
o hábito. A disciplina é importante para o sucesso financeiro, tem que ser
levado a sério, e por nenhum motivo deixe de depositar. O valor depositado
mensalmente é importante, no entanto, o hábito de fazê-lo é que fará a
diferença;
06. PROTEJA SUA POUPANÇA
DA INFLAÇÃO
Estamos
falando de curto prazo e normalmente a data de resgate do dinheiro aplicado é
conhecida. Escolha investimentos conservadores (baixo risco e alta liquidez),
em um primeiro momento, até estar confortável para trabalhar novas opções e
quem sabe arriscar um pouco. A inflação não é sua aliada e está elevada no
momento, reduzindo o poder de compra do dinheiro. Proteja suas aplicações, a
rentabilidade tem que ser maior que a inflação do período;
07. VERIFIQUE A
RENTABILIDADE DE SUAS APLICAÇÕES
Fique
atento ao retorno de suas aplicações, ele deve ser suficiente, no mínimo, para
manter o poder de compra do dinheiro aplicado. Os gerentes de banco costumam
mostrar a rentabilidade nominal do investimento, no entanto, o que interessa é
a rentabilidade real, que é a rentabilidade nominal menos a inflação do período.
Veja o histórico de rentabilidade da aplicação que deseja fazer;
08. FUNDOS DE INVESTIMENTOS
REFERENCIADOS DI
Quanto
ao curto prazo, uma boa opção são os fundos de investimentos referenciados DI,
que rendem de acordo com um percentual do Certificado de Depósito
Interbancário-CDI, um sinalizador do custo real do dinheiro
no mercado financeiro. Evite fazer resgates nos 30 primeiros dias para que não
haja incidência do Imposto sobre Operações Financeiras-IOF, que ocorre a
partir do primeiro dia da aplicação, e a alíquota cai progressivamente até
zerar no 30º dia;
09. CADERNETA DE
POUPANÇA
Entre
todos os investimentos é o mais conhecido da população brasileira, e detém a
preferência nacional, e até mesmo em alguns segmentos de alta renda. A rentabilidade
é baseada no rendimento mensal da Taxa Referencial (TR) mais 0,5% a.m. Essa regra
valerá enquanto a meta da Taxa Selic ao ano, definida pelo BCB, for superior a
8,5%. A vantagem é ser livre de impostos, mas não oferece rentabilidade se o
dinheiro for resgatado antes de 30 dias ou fora dos aniversários da aplicação. Tem
a garantia do Fundo Garantidor de Crédito-FGC no valor máximo de
R$ 250 mil por investidor (CPF) em cada instituição financeira em que tiver
depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso-prévio, depósitos de poupança, depósitos
a prazo com ou sem emissão de certificado, letras de câmbio, imobiliárias,
hipotecárias, de crédito imobiliário e de crédito do agronegócio;
10. TRIBUTOS NOS
FUNDOS DE CURTO PRAZO
Os
fundos de de curto prazo submetem-se à incidência de imposto de renda na fonte.
A alíquota de imposto de renda que incide sobre esses fundos é de 22,50% sobre
o lucro obtido em aplicações de até 180 dias, e de 20% em aplicações com prazos
acima de 180 dias. Para efeitos de tributação, são considerados fundos de
investimento de curto prazo aqueles cujas carteiras de títulos tenham prazo
médio igual ou menor que 365 dias;
11. ESCOLHA DO
FUNDO DE INVESTIMENTO
Fique
atento ao escolher um fundo de investimentos, pesquise a rentabilidade dos
fundos nos sites dos bancos, pergunte ao gerente de seu banco a respeito das
taxas e tributos que incidem sobre eles, se são considerados de curto prazo
também para a receita federal, cujo critério de classificação dos fundos pode
alterar a rentabilidade;
12. PESQUISE A
RENTABILIDADE DO INVESTIMENTO
Entre
nos sites dos bancos inclusive onde você tem conta, fale com o gerente de sua
conta, verifique a rentabilidade de 2015, cheque a rentabilidade acumulada nos
últimos doze meses, compare-as com igual período do ano anterior e veja o
desempenho no período jan-fev/16 ante jan-fev/15. Após tirar todas as dúvidas escolha
a melhor opção, e boa sorte.
Portanto, na conjuntura atual é melhor estar atento
às novas despesas, não comprar a prazo e não descuidar da rentabilidade de suas
aplicações financeiras, pois muitas vezes não cobrem a inflação do período, e
pode levar ao empobrecimento no longo prazo. A disciplina e hábitos saudáveis
são ingredientes importantes para atingir-se a prosperidade.
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