NOVA SELIC DERRUBA RENTABILIDADE DA
POUPANÇA
Régis Varão/¹
A
caderneta de poupança é a modalidade mais antiga, popular e tradicional de
investimento existente no País. Tendo em vista a segurança que oferece ao
aplicador, a simplicidade para depósitos e saques, a isenção do Imposto de
Renda e a liquidez, todos esses fatores contribuem para sua escolha,
principalmente pelo pequeno poupador, embora aplicadores de elevada renda destinem
recursos para a caderneta de poupança.
Durante
décadas a caderneta de poupança não sofreu alteração no cálculo de sua
rentabilidade, mas em 2012 houve uma mudança no modo de correção, ficando da
seguinte maneira:
(a)
Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic
menor ou igual a 8,5% a.a., a correção será: 70% da Selic + TR (é a Nova
Poupança);
(b)
Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic
maior que 8,5% a.a., a correção será: juros de 0,5%
a.m. + TR;
(c) Depósitos
realizados antes de 3/5/12, com
qualquer valor da taxa Selic, a correção continua: juros de 0,5% a.m. + TR (é a
Poupança Antiga).
No período entre 19.4 e 30.5.12, quando foi
fixado os novos parâmetros para a correção da caderneta de poupança (Nova
Poupança), a Selic foi fixada em 9% na reunião do Comitê de Politica Monetária-Copom de 18.4.12. A grande vantagem dessa modalidade de investimento é que
os recursos depositados podem ser sacados a qualquer momento e são livres de
imposto de renda. Outra vantagem é que os recursos aplicados em caderneta de
poupança têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito-FGC, o que dá uma proteção a valores depositados até R$250.000,00. A
função do FGC é proteger investidores e
famílias com depósitos ou aplicações em bancos, de eventuais prejuízos decorrentes
da insolvência ou falência de instituições financeiras.
Os recursos da caderneta de poupança são capitalizados
mensalmente para as pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos (no caso de
pessoas jurídicas com fins lucrativos, a capitalização é trimestral), o que
garante uma taxa de juros um pouco acima da inflação oficial (Índice Nacional
de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA). Em termos práticos,
a caderneta de poupança, que até então estava sendo corrigida mensalmente com
0,5% a.m. mais a TR, passa agora, após o declínio da taxa Selic para 8,25%
a.a., a render 70% da Selic mais a TR, o que trará rentabilidade inferior às
verificadas antes da queda da Selic.
Por
outro lado, isso não significa que as demais aplicações de renda fixa do
mercado, como os CDBs e similares tornem-se mais atraentes, até porque fora a
caderneta de poupança e as Letras de Crédito Agrícola-LCA e Letras de Crédito
Imobiliário-LCI todos pagam imposto
de renda e não têm a garantia do FGC, sem contar as elevadas taxas de
administração de alguns investimentos. A caderneta de
poupança é a preferida do pequeno poupador, o que coloca a sobra de salário
(quando sobra), parte do 13º, bônus natalino etc.
Não
podemos esquecer o fato de que embora a poupança possa ainda ser um pouco
atrativa, não significa que ela esteja mais atrativa que outras aplicações financeiras.
Se a poupança já não era um investimento muito atrativo antes da mudança em sua
remuneração, agora, com o corte da taxa Selic para 8,25% a.a. sua rentabilidade
caiu.
No
entanto, existem inúmeras opções de investimentos fora da tradicional caderneta
de poupança, o problema é saber qual o nível de risco que você aceita pagar!
Considere o fato de que existe poucas opções se você é um pequeno poupador no
mercado financeiro. Todos sabem que maior rentabilidade exige maior nível de
risco, logo, não é tão difícil refletir a respeito disso, ainda mais se você é
um pequeno poupador e mais ainda se é avesso ao risco.
Na
atual conjuntura não está muito fácil para o pequeno investidor obter boa
rentabilidade para o seu dinheiro. A poupança tende a reduzir mais ainda sua
rentabilidade pois depende da queda da taxa Selic e tudo indica cairá no curto
prazo. Na atualidade, uma das poucas alternativas para o pequeno investidor é o
Tesouro Direto, que pode iniciar com aplicações de R$30,00. Não espere grandes
rentabilidades, mas pelo menos poderá manter o poder de compra de sua
aplicação.
Por
outro lado, os fundos de renda fixa para quem é pequeno poupador e precisa do
dinheiro no curto prazo (antes de 6 meses), muitas vezes não é bom negócio,
pois as taxas de administração e o imposto de renda poderá comer parte da
rentabilidade.
A
caderneta de poupança é beneficiada no curto prazo tendo em vista que as
aplicações tributadas pagam alíquotas maiores de imposto de renda quando o
resgate é feito em pouco tempo (antes de 6 meses). Se o investidor precisar do
dinheiro no curto prazo a melhor opção continua sendo a tradicional caderneta
de poupança. Por outro lado, considerando aplicações para prazos mais longos,
as aplicações do Tesouro Direto são mais interessantes. Outras aplicações fora
a poupança e até mesmo o Tesouro Direto podem indicar maior rentabilidade, mas
observe qual a taxa de administração cobrada, qual a alíquota de imposto de
renda, carência etc.
Portanto,
considere ao decidir aplicar seu dinheiro ou até mesmo mudar de aplicações, os
aspectos inerentes a todo e qualquer investimento: segurança, liquidez e
rentabilidade. O risco sempre estará presente em todas as aplicações
financeiras ou não financeiras, a não ser, no caso das primeiras, tenha a
proteção do FGC, mas nesse caso, são poucas e estão limitadas a R$250 mil por
CPF.