quinta-feira, 21 de setembro de 2017

NOVA SELIC DERRUBA RENTABILIDADE DA POUPANÇA
Régis Varão/¹

A caderneta de poupança é a modalidade mais antiga, popular e tradicional de investimento existente no País. Tendo em vista a segurança que oferece ao aplicador, a simplicidade para depósitos e saques, a isenção do Imposto de Renda e a liquidez, todos esses fatores contribuem para sua escolha, principalmente pelo pequeno poupador, embora aplicadores de elevada renda destinem recursos para a caderneta de poupança.

Durante décadas a caderneta de poupança não sofreu alteração no cálculo de sua rentabilidade, mas em 2012 houve uma mudança no modo de correção, ficando da seguinte maneira:

(a) Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic menor ou igual a 8,5% a.a., a correção será: 70% da Selic + TR (é a Nova Poupança);

(b) Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic maior que 8,5% a.a., a correção será: juros de 0,5% a.m. + TR;

(c) Depósitos realizados antes de 3/5/12, com qualquer valor da taxa Selic, a correção continua: juros de 0,5% a.m. + TR (é a Poupança Antiga).

No período entre 19.4 e 30.5.12, quando foi fixado os novos parâmetros para a correção da caderneta de poupança (Nova Poupança), a Selic foi fixada em 9% na reunião do Comitê de Politica Monetária-Copom de 18.4.12. A grande vantagem dessa modalidade de investimento é que os recursos depositados podem ser sacados a qualquer momento e são livres de imposto de renda. Outra vantagem é que os recursos aplicados em caderneta de poupança têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito-FGC, o que dá uma proteção a valores depositados até R$250.000,00. A função do  FGC é proteger investidores e famílias com depósitos ou aplicações em bancos, de eventuais prejuízos decorrentes da insolvência ou falência de instituições financeiras.

Os recursos da caderneta de poupança são capitalizados mensalmente para as pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos (no caso de pessoas jurídicas com fins lucrativos, a capitalização é trimestral), o que garante uma taxa de juros um pouco acima da inflação oficial (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA). Em termos práticos, a caderneta de poupança, que até então estava sendo corrigida mensalmente com 0,5% a.m. mais a TR, passa agora, após o declínio da taxa Selic para 8,25% a.a., a render 70% da Selic mais a TR, o que trará rentabilidade inferior às verificadas antes da queda da Selic.

Por outro lado, isso não significa que as demais aplicações de renda fixa do mercado, como os CDBs e similares tornem-se mais atraentes, até porque fora a caderneta de poupança e as Letras de Crédito Agrícola-LCA e Letras de Crédito Imobiliário-LCI todos pagam imposto de renda e não têm a garantia do FGC, sem contar as elevadas taxas de administração de alguns investimentos. A caderneta de poupança é a preferida do pequeno poupador, o que coloca a sobra de salário (quando sobra), parte do 13º, bônus natalino etc.

Não podemos esquecer o fato de que embora a poupança possa ainda ser um pouco atrativa, não significa que ela esteja mais atrativa que outras aplicações financeiras. Se a poupança já não era um investimento muito atrativo antes da mudança em sua remuneração, agora, com o corte da taxa Selic para 8,25% a.a. sua rentabilidade caiu.

No entanto, existem inúmeras opções de investimentos fora da tradicional caderneta de poupança, o problema é saber qual o nível de risco que você aceita pagar! Considere o fato de que existe poucas opções se você é um pequeno poupador no mercado financeiro. Todos sabem que maior rentabilidade exige maior nível de risco, logo, não é tão difícil refletir a respeito disso, ainda mais se você é um pequeno poupador e mais ainda se é avesso ao risco.

Na atual conjuntura não está muito fácil para o pequeno investidor obter boa rentabilidade para o seu dinheiro. A poupança tende a reduzir mais ainda sua rentabilidade pois depende da queda da taxa Selic e tudo indica cairá no curto prazo. Na atualidade, uma das poucas alternativas para o pequeno investidor é o Tesouro Direto, que pode iniciar com aplicações de R$30,00. Não espere grandes rentabilidades, mas pelo menos poderá manter o poder de compra de sua aplicação.

Por outro lado, os fundos de renda fixa para quem é pequeno poupador e precisa do dinheiro no curto prazo (antes de 6 meses), muitas vezes não é bom negócio, pois as taxas de administração e o imposto de renda poderá comer parte da rentabilidade.

A caderneta de poupança é beneficiada no curto prazo tendo em vista que as aplicações tributadas pagam alíquotas maiores de imposto de renda quando o resgate é feito em pouco tempo (antes de 6 meses). Se o investidor precisar do dinheiro no curto prazo a melhor opção continua sendo a tradicional caderneta de poupança. Por outro lado, considerando aplicações para prazos mais longos, as aplicações do Tesouro Direto são mais interessantes. Outras aplicações fora a poupança e até mesmo o Tesouro Direto podem indicar maior rentabilidade, mas observe qual a taxa de administração cobrada, qual a alíquota de imposto de renda, carência etc.

Portanto, considere ao decidir aplicar seu dinheiro ou até mesmo mudar de aplicações, os aspectos inerentes a todo e qualquer investimento: segurança, liquidez e rentabilidade. O risco sempre estará presente em todas as aplicações financeiras ou não financeiras, a não ser, no caso das primeiras, tenha a proteção do FGC, mas nesse caso, são poucas e estão limitadas a R$250 mil por CPF.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

COMO ATINGIR O SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Maus hábitos no trato com o dinheiro e a má gestão dos recursos financeiros decorrem, em grande parte, de hábitos inadequados e repetitivos que levam ao descontrole financeiro de pessoas, famílias, empresas e governos, como consequência, interferem negativamente na busca da tão sonhada prosperidade.

Indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com regularidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem com frequência com colegas de trabalho e familiares, e perdem o emprego com mais facilidade. Por outro lado, as empresas e governos quando endividadas têm reduzido a capacidade de honrar compromissos, de pagar funcionários, impostos e demais compromissos, e tais dificuldades refletem diretamente na produtividade do trabalho, no lucro das empresas e no fornecimento de bons serviços ao cidadão, no caso dos governos.

Vamos trabalhar aspectos de gestão financeira vinculada a pessoas e famílias, embora o descontrole esteja também nas empresas familiares, principalmente, e no próprio governo, seja municipal, estadual ou federal.

Para evitar os problemas de má gestão financeira, as pessoas deveriam trabalhar melhor a educação e o planejamento financeiro, tendo em vista a grande economia que poderia ser realizada ao longo da vida. A educação financeira é fundamental na formação de uma sociedade saudável sob todos os aspectos. Quando iniciada na infância e praticada no dia a dia contribui para formar adultos financeiramente responsáveis.

Para obter-se sucesso financeiro devemos buscar novas opções de renda extra, também chamada complementar ou adicional à renda da atividade principal. Diversos motivos podem levar as pessoas a ter ou buscar essa alternativa, que vai desde o orçamento pessoal desequilibrado, passando pelo consumo excessivo de supérfluos e o endividamento puro e simples.

Muitos brasileiros dispõem de renda extra e não têm problemas financeiros, não são milionários, apenas são bons gestores de suas finanças pessoais. Ter uma renda extra é importante, principalmente se você faz o que gosta para obtê-la. Comece por atividades que estejam vinculadas às suas aptidões e habilidades, aquilo que você faz de melhor e, quem sabe em um futuro próximo, essa renda não possa levá-lo à independência financeira. Segundo afirma David Back em seu livro The finish rich worbook, tem que haver um propósito para o dinheiro, acumular por acumular não é saudável.

Muita gente procura uma renda extra para elevar sua receita, por vários motivos, mas o endividamento aparece na liderança. As mulheres em geral, têm preferência por venda de objetos - roupas, bijuterias, sapatos, artesanato, comidas, cosméticos e outros itens de catálogo. Já os homens costumam oferecer serviços quando buscam uma renda extra, como dar aulas, consertar coisas, ajudar em mudanças, fazer serviços de carpintaria, pedreiro, jardinagem, pintura, serviços de entrega e transporte de passageiros, afirma Pedro Braggio em seu livro Dinheiro é bom e eu gosto. Os que tem hobby como fotografia e música, podem trabalhar nos fins de semana, em casamento, festas etc.

Ainda de acordo com Braggio, os que iniciam uma atividade extra ficam motivados com o resultado, pois o dinheiro costuma vir rápido, e desperta a vontade de se dedicar ainda mais, trabalhar em feriados, fins de semana etc. Afirma que “grandes empreendedores se fizeram desta maneira, começando de forma informal”, e que acreditar no sonho e na própria capacidade é um grande e poderoso motivador.

Não temos dúvida que sólidos conhecimentos de gestão de projetos, planejamento estratégico, negociação, finanças pessoais, arbitragem, tecnologias da informação, design gráfico, serviços para pessoas idosas entre outras, podem abrir espaço para uma satisfatória renda extra.

Bodo Schäfer autor de livro O caminho para a liberdade financeira, afirma “Se você fizer o mesmo que todo mundo, será tão especial quanto um grão de areia no deserto e acabará com as mesmas coisas que todo mundo tem”.

Por isso, se você vai buscar uma renda extra, escolha bem, procurando fazer coisas especiais, usando seus talentos e habilidades. Mantenha o foco, avalie periodicamente o tempo e esforço despendido em nova atividade para não perder o que já foi conquistado ou até mesmo comprometer a atividade principal.

Vimos e consideramos a obtenção de uma renda extra elevando a receita total. Assim, com uma receita maior e constante, o gastar menos poderá levá-lo a uma condição superavitária, o que muito bom para a saúde financeira pessoal e familiar. Quando você aumenta a receita total, e reduz as despesas pode atingir, muito rapidamente, a tão sonhada liberdade financeira. Quem é devedor ou está endividado deve cortar as despesas, aumentar os ganhos ou tomar essas duas medidas ao mesmo tempo.

Muitas pessoas compram bens e serviços para acompanharem a moda, os amigos, colegas de trabalho ou pelo simples fato de serem consumistas, nesse caso não precisam de desculpa. Pessoas endividadas não percebem a diferença entre necessidade e desejo, uma distorção que pode levar ao desequilíbrio financeiro e embarcar no ciclo vicioso do endividamento.

No livro Personal Finance for Dummies, de Eric Tyson, ele afirma que os norte-americanos também desconhecem princípios básicos de matemática e finanças pessoais. No Brasil, a situação é mais grave, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de ago/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC. Segundo a pesquisa, o endividamento das famílias brasileiras atinge 58%, o que indica desconhecimento de educação financeira. Segundo a pesquisa, o cartão de crédito tem a preferência de 76,4% das famílias; seguido pelos carnês de loja com 15,8%; crédito pessoal (10,6%), financiamento de carro com 9,8%, financiamento de casa (8,1%), enquanto o crédito consignado, o mais barato, tem a preferência de apenas 5,8% das famílias.

Para muitas famílias brasileiras, as dívidas fazem parte do dia a dia, o que não é um hábito nada saudável, pois hábitos saudáveis contribuem para redução de despesas e bom desempenho na gestão das finanças pessoais. Vamos listar alguns desses hábitos, que quando administrados corretamente podem ser positivos:

(a) Economizar: economizar todos os dias e controlar os gastos são essenciais para uma vida financeira saudável e próspera;

(b) Planejamento Financeiro: gastar menos do que ganha é questão de sobrevivência financeira. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas, os ingressos de salário, aluguéis, aplicações financeiras, extras etc. Liste as despesas realizadas, pois “dinheiro gosta de orçamento, monitoramento e prevenção”, afirma Alex Campos no livro Faça as pazes com o dinheiro.. Assim, descobre-se para onde está indo o dinheiro, que muitas vezes desaparece sem deixar vestígios;

(c) Pequenos Valores: muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura de gastos, afirma David Back em O milionário automático. Tomar mais de um café expresso ao dia, lanches fora de casa, cigarro, cerveja etc., quando somados atingem grande valores em um ano ou década;

(d) Compras Parceladas: evite compras a prazo, pois várias prestações quando somadas podem gerar grandes volumes de dinheiro e levam ao endividamento. Cuidado com as armadilhas do comércio. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com apenas uma resposta negativa não compre;

(e) Cartão de crédito: os juros do crédito rotativo do cartão de crédito, para quem paga o mínimo, são os mais elevados entre todas as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional. O aparente benefício pode se transformar em grande dor de cabeça pelos altos juros cobrados na próxima fatura, mesmo após o Banco Central ter alterado a forma de pagamento do rotativo a partir de abril deste ano;

(f) Negociar dívidas: o endividado pode reduzir o montante de dívidas se negociar diretamente com credores: bancos, financeiras, operadoras dos cartões de crédito, escola das crianças etc. A melhor maneira de reduzir gastos, caso contrário, o poder multiplicador dos juros compostos dará grande dor de cabeça.

Portanto, o segredo da prosperidade e da liberdade financeira está em saber gastar e buscar novas formas de receitas. Bons hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade de vida, eleva a produtividade, traz independência e liberdade financeira, melhora a saúde física e mental, e também ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA
Régis Varão/¹

A educação financeira é fundamental na formação de uma sociedade saudável sob todos os aspectos. Quando iniciada na infância a prática constante da educação financeira ajuda a formar adultos financeiramente responsáveis. Pessoas se endividam devido basicamente à inadequada gestão de seus recursos financeiros e por desconhecerem completamente os rudimentos de educação financeira.

As pessoas endividadas não praticam planejamento financeiro, gastam mais do que ganham, logo, vivem no vermelho. Normalmente o endividado paga o valor mínimo da fatura do cartão de crédito, se endivida no cheque especial, compra sempre a prestação, prefere produtos de marca, não sabe quanto gasta com prestações, financiamentos, supérfluos, restaurantes, supermercados e lazer. Essas são algumas das razões que contribuem para que o endividado tenha uma saúde financeira precária.

A má gestão dos recursos financeiros decorre, em grande parte, de hábitos inadequados e repetitivos na administração das receitas vindas de salário, pró-labore, bônus, premiações, comissões e extras, e interfere negativamente no sucesso de nossa vida financeira e na busca da tão sonhada prosperidade.

Maus hábitos no trato com o dinheiro podem levar ao endividamento, com danos à saúde física e mental. Indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com regularidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem com frequência com colegas de trabalho, amigos e familiares, se separam ou divorciam mais, estão sujeitos a perderem o emprego, perdem a concentração com facilidade e sofrem mais acidentes de trabalho em relação aqueles que não têm problemas financeiros. As consequências são inúmeras e refletem diretamente na produtividade do trabalho e no lucro das empresas.

Segundo Robert Kiyosaki  em O segredo dos ricos: as 8 novas regras para lidar melhor com o dinheiro, as pessoas “que adquirem sólida educação financeira possuem uma injusta vantagem sobre aqueles que não possuem”, pois quem tem forte conhecimento na área pode usar os impostos, as dívidas, a inflação e a aposentadoria para se tornar mais rico e não mais pobre. Por outro lado, essas forças dominam aqueles que não possuem educação financeira.

Ainda segundo Kiyosaki, “A educação financeira é essencial para a inteligência financeira, que não trata apenas de como você faz dinheiro, mas de quanto dinheiro você consegue acumular, quão arduamente seu dinheiro trabalha para você e para quantas gerações você passa seu dinheiro. Na era da Informação, a educação financeira é essencial para a segurança financeira”.

Investir em educação financeira é de fundamental importância para o desenvolvimento do País, para tirar grande parte das famílias brasileiras do analfabetismo econômico, afirma Bodo Schäfer autor de O caminho para a liberdade financeira.

Um dos princípios que regem o impulso do consumidor brasileiro ao adquirir bens e serviços a prazo e com juros exorbitantes, é se as parcelas cabem no orçamento pessoal ou familiar.

Pesquisa citada por Eric Tyson (Personal Finance for Dummies), afirma que os norte-americanos também desconhecem princípios básicos de matemática e finanças pessoais. No Brasil, a situação é mais grave, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de ago/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC.

Segundo a PEIC, o endividamento das famílias atinge 58%, o que indica o desconhecimento de educação financeira por parte dos brasileiros. Conforme demonstram os índices encontrados na pesquisa, o cartão de crédito tem a preferência de 76,4% das famílias endividadas; seguido pelos carnês de loja com 15,8%; crédito pessoal com 10,6%,  financiamento de carro (9,8%), financiamento de casa com 8,1%, enquanto o crédito consignado, o menor juro do setor bancário, tem a preferência de apenas 5,8% das famílias.

É de fundamental importância compreender os fundamentos da educação financeira não só para evitar problemas de endividamento, mas principalmente para conseguir trilhar os caminhos da prosperidade financeira.

Portanto, a maioria das famílias brasileiras não tem a percepção da relevância do planejamento financeiro pessoal e familiar (ver a PEIC). Fazer este controle periódico é uma das alternativas para o sucesso financeiro, pois permite ao indivíduo ou à família ter clareza para buscar alternativas de novas fontes de receita, ao mesmo tempo que estabelece práticas de controles de gastos.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

MELHORA A EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO DO PIB PARA 2017-18
Régis Varão/¹

O boletim Focus-Relatório de Mercado divulgado ontem pelo Banco Central do Brasil-BCB apresentou mudanças positivas quanto ao comportamento da atividade econômica para 2017 e 2018 além de reduzir a estimativa do IPCA para aqueles anos. O relatório manteve inalterado quatro variáveis em 2017 e sete para o próximo ano, de um total de quinze pesquisadas. A seguir, a análise dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 8.9.17 corrige para baixo a estimativa do índice para 3,14% em 2017, abaixo da meta de inflação (Res. nº 4.419, de 25.6.15), ante 3,50% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 9.9.16 aponta 5,12% para este ano. O boletim desta semana indica estimativa de 4,15% para 2018;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 8.9.17 corrige para -1,01% a projeção do índice para este ano, de -0,88% registrada há um mês, enquanto o Focus de 9.9.16 mantém a expectativa do mercado em 5,50% para 2017. O boletim de 8.9.17 aponta variação positiva de 4,50% do IGP-DI para 2018, valor observado nas últimas 21 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim Focus de 8.9.17, divulgado ontem, mantém a expectativa do mercado em R$/U$3,20, ante R$/U$3,25 há trinta dias, para o final de 2017. Há um ano, a projeção do mercado indicava taxa de R$/U$3,45 para 2017, R$/U$0,25 acima do valor divulgado no Focus desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório Focus de 8.9.17 reduz a estimativa da taxa de juros para 7% a.a. para o final de 2017, de 7,50% a.a. observada há um mês. A redução das expectativas do mercado está ancorada na atuação positiva do BCB no controle da inflação, variável importante na decisão de redução dos juros pela autoridade monetária. O boletim de 9.9.16 indica juros de 11% a.a. para 2017, o que representa queda de 4 p.p. em 12 meses. Para 2018, o boletim divulgado ontem indica 7,25% a.a. ante 7,50% registrado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus-Relatório de Mercado de 8.9.17 corrigiu para +0,60% o crescimento do PIB para este ano, ante +0,34% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 9.9.16 trabalha crescimento de +1,30% para 2017. Para o final de 2018, a pesquisa divulgada nesta semana projeta crescimento de 2,10%. A queda do desemprego e a redução dos juros podem ter contribuído para o mercado corrigir para cima as estimativas do PIB;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim divulgado ontem corrige para +1,10% o crescimento da atividade industrial para 2017 ante +1,03% divulgado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 9.9.16 a projeção para o crescimento industrial em 2017 estava em +0,50%. Para 2018, o Focus de 8.9.17 eleva o crescimento da produção industrial para +2,30%, de +2,01% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 8.9.17 eleva a projeção do superávit comercial para U$61,51 bilhões em 2017, de U$61 bilhões divulgado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 9.9.16 estima superávit de U$47,55 bilhões para este ano. Para 2018, o Focus desta semana eleva a projeção do mercado para U$49 bi, de U$48,50 bilhões registrados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o relatório desta semana mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, valor observado nas últimas onze semanas, enquanto o relatório de 9.9.16 aponta estimativa de U$65 bilhões para este ano. A pesquisa de 8.9.17 mantém em U$75 bilhões a projeção do IDP para 2018.

Portanto, a aprovação da reforma trabalhista, a gradual queda da inflação e dos juros, o declínio do desemprego e a expectativa de aprovação da reforma previdenciária são fatores que têm contribuído para melhorar as condições atuais da economia brasileira, não obstante o cenário político de curto prazo continue nebuloso.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em ago/17 (58%) ante o mês anterior, e apresentou estabilidade em relação a ago/16. O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso aumentou entre julho e ago/17, assim como o percentual sem condições de pagar suas contas. Os dois indicadores atingiram o maior patamar deste ano. Na comparação anual, também houve alta em ambos os indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “O desemprego ainda elevado pode ajudar a explicar a maior dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Porém, apesar da queda das taxas de juros, a contratação de novos empréstimos e financiamentos pelas famílias tem se recuperado lentamente”.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro alcançou 58% em ago/17, uma alta de 0,9 p.p. em relação ao observado em jul/17, mas manteve-se estável frente a ago/16.

O percentual de famílias com dívidas em atraso também subiu em ago/17 na comparação mensal, passando de 24,2% para 24,6% do total, o maior patamar alcançado em 2017. Houve elevação da inadimplência em relação à ago/16, quando esse indicador registrou 24,4% do total. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso e que permaneceriam inadimplentes, também apresentou incremento em ambas as bases de comparação (acima de 10 salários mínimos, >10 SM e abaixo, <10 SM), chegando a 10,1% em agosto deste ano, o maior patamar desde jan/10, ante 9,4% em jul/17 e 9,4% em ago/16.

A quantidade de famílias endividadas, na comparação mensal, foi observada em ambas as faixas de renda. Na comparação anual, as duas faixas de renda também apresentaram alta. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas foi de 59,6% em ago/17, ante 59% em jul/17 e 59,5% em ago/16. Para famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas subiu de 48,4% em jul/17 para 50,8% no mês seguinte. Em ago/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era de 50,6%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve elevação do indicador na faixa de maior renda (>10 SM). Na faixa de renda <10 SM, houve estabilidade. Na comparação anual, se observou alta apenas na faixa <10 SM. Na faixa de menor renda, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou estável em 27,5% em ago/17. Em ago/16, 27,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 11,9% em ago/17, ante 10,3% em jul/17 e 12,8% em ago/16.

O resultado por faixa de renda de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador chegou a 4,6% em ago/17, ante 3,2% em jul/17 e 4,5% em ago/16. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos cresceu de 10,9%, em jul/17, para 11,3% no mês seguinte. Em relação a ago/16, houve elevação de 0,8 p.p.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas passou de 14% em jul/17 para 14,2% em ago/17. Na comparação anual, houve declínio de 0,4 p.p. Na comparação entre ago/16 e ago/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 20,7% para 21,7%, e a parcela pouco endividada caiu de 22,7% para 22% das famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,7 dias em ago/17, superior aos 63,3 dias observados em ago/16. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7,2 meses, sendo que 24,1% estão comprometidas com dívidas até 90 dias, e 33,2%, com mais de 12 meses. Entre as endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas diminuiu na comparação anual, passando de 30,2% para 29,8%, e 22% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,4% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 15,8%, crédito pessoal (10,6%), financiamento de carro com 9,8%, financiamento de casa (8,1%), cheque especial com 6,6% e crédito consignado com 5,8%.

A ausência de educação financeira pode explicar a preferência das famílias pelo cartão de crédito, uma modalidade que pratica os juros mais elevados do setor bancário brasileiro.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas apresentou elevação na comparação mensal, mas o indicador permaneceu estável em relação a ago/16. A quantidade de famílias muito endividadas e a parcela média da renda comprometida com dívidas, permaneceu em patamar abaixo do observado em igual período de 2017.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.