terça-feira, 12 de setembro de 2017

MELHORA A EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO DO PIB PARA 2017-18
Régis Varão/¹

O boletim Focus-Relatório de Mercado divulgado ontem pelo Banco Central do Brasil-BCB apresentou mudanças positivas quanto ao comportamento da atividade econômica para 2017 e 2018 além de reduzir a estimativa do IPCA para aqueles anos. O relatório manteve inalterado quatro variáveis em 2017 e sete para o próximo ano, de um total de quinze pesquisadas. A seguir, a análise dos principais indicadores:

(a) Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): o Focus de 8.9.17 corrige para baixo a estimativa do índice para 3,14% em 2017, abaixo da meta de inflação (Res. nº 4.419, de 25.6.15), ante 3,50% observado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 9.9.16 aponta 5,12% para este ano. O boletim desta semana indica estimativa de 4,15% para 2018;

(b) Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI): o relatório de 8.9.17 corrige para -1,01% a projeção do índice para este ano, de -0,88% registrada há um mês, enquanto o Focus de 9.9.16 mantém a expectativa do mercado em 5,50% para 2017. O boletim de 8.9.17 aponta variação positiva de 4,50% do IGP-DI para 2018, valor observado nas últimas 21 semanas;

(c) Taxa de Câmbio (R$/U$): o boletim Focus de 8.9.17, divulgado ontem, mantém a expectativa do mercado em R$/U$3,20, ante R$/U$3,25 há trinta dias, para o final de 2017. Há um ano, a projeção do mercado indicava taxa de R$/U$3,45 para 2017, R$/U$0,25 acima do valor divulgado no Focus desta semana;

(d) Taxa Selic (% a.a.): o relatório Focus de 8.9.17 reduz a estimativa da taxa de juros para 7% a.a. para o final de 2017, de 7,50% a.a. observada há um mês. A redução das expectativas do mercado está ancorada na atuação positiva do BCB no controle da inflação, variável importante na decisão de redução dos juros pela autoridade monetária. O boletim de 9.9.16 indica juros de 11% a.a. para 2017, o que representa queda de 4 p.p. em 12 meses. Para 2018, o boletim divulgado ontem indica 7,25% a.a. ante 7,50% registrado há quatro semanas;

(e) Produto Interno Bruto - PIB (Em %): o Focus-Relatório de Mercado de 8.9.17 corrigiu para +0,60% o crescimento do PIB para este ano, ante +0,34% observado há trinta dias, enquanto a pesquisa de 9.9.16 trabalha crescimento de +1,30% para 2017. Para o final de 2018, a pesquisa divulgada nesta semana projeta crescimento de 2,10%. A queda do desemprego e a redução dos juros podem ter contribuído para o mercado corrigir para cima as estimativas do PIB;

(f) Produção Industrial (Em %): o boletim divulgado ontem corrige para +1,10% o crescimento da atividade industrial para 2017 ante +1,03% divulgado há quatro semanas. Com relação à pesquisa de 9.9.16 a projeção para o crescimento industrial em 2017 estava em +0,50%. Para 2018, o Focus de 8.9.17 eleva o crescimento da produção industrial para +2,30%, de +2,01% observado há trinta dias;

(g) Balança Comercial (U$ Bilhões): o Focus de 8.9.17 eleva a projeção do superávit comercial para U$61,51 bilhões em 2017, de U$61 bilhões divulgado há quatro semanas, enquanto a pesquisa de 9.9.16 estima superávit de U$47,55 bilhões para este ano. Para 2018, o Focus desta semana eleva a projeção do mercado para U$49 bi, de U$48,50 bilhões registrados há quatro semanas;

(h) Investimentos Diretos no País-IDP (U$ Bilhões): o relatório desta semana mantém a estimativa do IDP em U$75 bilhões para 2017, valor observado nas últimas onze semanas, enquanto o relatório de 9.9.16 aponta estimativa de U$65 bilhões para este ano. A pesquisa de 8.9.17 mantém em U$75 bilhões a projeção do IDP para 2018.

Portanto, a aprovação da reforma trabalhista, a gradual queda da inflação e dos juros, o declínio do desemprego e a expectativa de aprovação da reforma previdenciária são fatores que têm contribuído para melhorar as condições atuais da economia brasileira, não obstante o cenário político de curto prazo continue nebuloso.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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