quinta-feira, 14 de setembro de 2017

COMO ATINGIR O SUCESSO FINANCEIRO
Régis Varão/¹

Maus hábitos no trato com o dinheiro e a má gestão dos recursos financeiros decorrem, em grande parte, de hábitos inadequados e repetitivos que levam ao descontrole financeiro de pessoas, famílias, empresas e governos, como consequência, interferem negativamente na busca da tão sonhada prosperidade.

Indivíduos com problemas financeiros vão ao médico com regularidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem com frequência com colegas de trabalho e familiares, e perdem o emprego com mais facilidade. Por outro lado, as empresas e governos quando endividadas têm reduzido a capacidade de honrar compromissos, de pagar funcionários, impostos e demais compromissos, e tais dificuldades refletem diretamente na produtividade do trabalho, no lucro das empresas e no fornecimento de bons serviços ao cidadão, no caso dos governos.

Vamos trabalhar aspectos de gestão financeira vinculada a pessoas e famílias, embora o descontrole esteja também nas empresas familiares, principalmente, e no próprio governo, seja municipal, estadual ou federal.

Para evitar os problemas de má gestão financeira, as pessoas deveriam trabalhar melhor a educação e o planejamento financeiro, tendo em vista a grande economia que poderia ser realizada ao longo da vida. A educação financeira é fundamental na formação de uma sociedade saudável sob todos os aspectos. Quando iniciada na infância e praticada no dia a dia contribui para formar adultos financeiramente responsáveis.

Para obter-se sucesso financeiro devemos buscar novas opções de renda extra, também chamada complementar ou adicional à renda da atividade principal. Diversos motivos podem levar as pessoas a ter ou buscar essa alternativa, que vai desde o orçamento pessoal desequilibrado, passando pelo consumo excessivo de supérfluos e o endividamento puro e simples.

Muitos brasileiros dispõem de renda extra e não têm problemas financeiros, não são milionários, apenas são bons gestores de suas finanças pessoais. Ter uma renda extra é importante, principalmente se você faz o que gosta para obtê-la. Comece por atividades que estejam vinculadas às suas aptidões e habilidades, aquilo que você faz de melhor e, quem sabe em um futuro próximo, essa renda não possa levá-lo à independência financeira. Segundo afirma David Back em seu livro The finish rich worbook, tem que haver um propósito para o dinheiro, acumular por acumular não é saudável.

Muita gente procura uma renda extra para elevar sua receita, por vários motivos, mas o endividamento aparece na liderança. As mulheres em geral, têm preferência por venda de objetos - roupas, bijuterias, sapatos, artesanato, comidas, cosméticos e outros itens de catálogo. Já os homens costumam oferecer serviços quando buscam uma renda extra, como dar aulas, consertar coisas, ajudar em mudanças, fazer serviços de carpintaria, pedreiro, jardinagem, pintura, serviços de entrega e transporte de passageiros, afirma Pedro Braggio em seu livro Dinheiro é bom e eu gosto. Os que tem hobby como fotografia e música, podem trabalhar nos fins de semana, em casamento, festas etc.

Ainda de acordo com Braggio, os que iniciam uma atividade extra ficam motivados com o resultado, pois o dinheiro costuma vir rápido, e desperta a vontade de se dedicar ainda mais, trabalhar em feriados, fins de semana etc. Afirma que “grandes empreendedores se fizeram desta maneira, começando de forma informal”, e que acreditar no sonho e na própria capacidade é um grande e poderoso motivador.

Não temos dúvida que sólidos conhecimentos de gestão de projetos, planejamento estratégico, negociação, finanças pessoais, arbitragem, tecnologias da informação, design gráfico, serviços para pessoas idosas entre outras, podem abrir espaço para uma satisfatória renda extra.

Bodo Schäfer autor de livro O caminho para a liberdade financeira, afirma “Se você fizer o mesmo que todo mundo, será tão especial quanto um grão de areia no deserto e acabará com as mesmas coisas que todo mundo tem”.

Por isso, se você vai buscar uma renda extra, escolha bem, procurando fazer coisas especiais, usando seus talentos e habilidades. Mantenha o foco, avalie periodicamente o tempo e esforço despendido em nova atividade para não perder o que já foi conquistado ou até mesmo comprometer a atividade principal.

Vimos e consideramos a obtenção de uma renda extra elevando a receita total. Assim, com uma receita maior e constante, o gastar menos poderá levá-lo a uma condição superavitária, o que muito bom para a saúde financeira pessoal e familiar. Quando você aumenta a receita total, e reduz as despesas pode atingir, muito rapidamente, a tão sonhada liberdade financeira. Quem é devedor ou está endividado deve cortar as despesas, aumentar os ganhos ou tomar essas duas medidas ao mesmo tempo.

Muitas pessoas compram bens e serviços para acompanharem a moda, os amigos, colegas de trabalho ou pelo simples fato de serem consumistas, nesse caso não precisam de desculpa. Pessoas endividadas não percebem a diferença entre necessidade e desejo, uma distorção que pode levar ao desequilíbrio financeiro e embarcar no ciclo vicioso do endividamento.

No livro Personal Finance for Dummies, de Eric Tyson, ele afirma que os norte-americanos também desconhecem princípios básicos de matemática e finanças pessoais. No Brasil, a situação é mais grave, segundo aponta a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de ago/17, da Confederação Nacional do Comércio-CNC. Segundo a pesquisa, o endividamento das famílias brasileiras atinge 58%, o que indica desconhecimento de educação financeira. Segundo a pesquisa, o cartão de crédito tem a preferência de 76,4% das famílias; seguido pelos carnês de loja com 15,8%; crédito pessoal (10,6%), financiamento de carro com 9,8%, financiamento de casa (8,1%), enquanto o crédito consignado, o mais barato, tem a preferência de apenas 5,8% das famílias.

Para muitas famílias brasileiras, as dívidas fazem parte do dia a dia, o que não é um hábito nada saudável, pois hábitos saudáveis contribuem para redução de despesas e bom desempenho na gestão das finanças pessoais. Vamos listar alguns desses hábitos, que quando administrados corretamente podem ser positivos:

(a) Economizar: economizar todos os dias e controlar os gastos são essenciais para uma vida financeira saudável e próspera;

(b) Planejamento Financeiro: gastar menos do que ganha é questão de sobrevivência financeira. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas, os ingressos de salário, aluguéis, aplicações financeiras, extras etc. Liste as despesas realizadas, pois “dinheiro gosta de orçamento, monitoramento e prevenção”, afirma Alex Campos no livro Faça as pazes com o dinheiro.. Assim, descobre-se para onde está indo o dinheiro, que muitas vezes desaparece sem deixar vestígios;

(c) Pequenos Valores: muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos valores não são importantes na estrutura de gastos, afirma David Back em O milionário automático. Tomar mais de um café expresso ao dia, lanches fora de casa, cigarro, cerveja etc., quando somados atingem grande valores em um ano ou década;

(d) Compras Parceladas: evite compras a prazo, pois várias prestações quando somadas podem gerar grandes volumes de dinheiro e levam ao endividamento. Cuidado com as armadilhas do comércio. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com apenas uma resposta negativa não compre;

(e) Cartão de crédito: os juros do crédito rotativo do cartão de crédito, para quem paga o mínimo, são os mais elevados entre todas as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional. O aparente benefício pode se transformar em grande dor de cabeça pelos altos juros cobrados na próxima fatura, mesmo após o Banco Central ter alterado a forma de pagamento do rotativo a partir de abril deste ano;

(f) Negociar dívidas: o endividado pode reduzir o montante de dívidas se negociar diretamente com credores: bancos, financeiras, operadoras dos cartões de crédito, escola das crianças etc. A melhor maneira de reduzir gastos, caso contrário, o poder multiplicador dos juros compostos dará grande dor de cabeça.

Portanto, o segredo da prosperidade e da liberdade financeira está em saber gastar e buscar novas formas de receitas. Bons hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade de vida, eleva a produtividade, traz independência e liberdade financeira, melhora a saúde física e mental, e também ajuda nos relacionamentos pessoais e profissionais.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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