COMO
ATINGIR O SUCESSO FINANCEIRO
Régis
Varão/¹
Maus hábitos no trato com o dinheiro e a má
gestão dos recursos financeiros decorrem, em grande parte, de hábitos
inadequados e repetitivos que levam ao descontrole financeiro de pessoas,
famílias, empresas e governos, como consequência, interferem negativamente na
busca da tão sonhada prosperidade.
Indivíduos com problemas financeiros vão ao
médico com regularidade, faltam mais ao trabalho, se desentendem com frequência
com colegas de trabalho e familiares, e perdem o emprego com mais facilidade.
Por outro lado, as empresas e governos quando endividadas têm reduzido a
capacidade de honrar compromissos, de pagar funcionários, impostos e demais compromissos,
e tais dificuldades refletem diretamente na produtividade do trabalho, no lucro
das empresas e no fornecimento de bons serviços ao cidadão, no caso dos
governos.
Vamos trabalhar aspectos de gestão financeira
vinculada a pessoas e famílias, embora o descontrole esteja também nas empresas
familiares, principalmente, e no próprio governo, seja municipal, estadual ou
federal.
Para evitar os problemas de má gestão
financeira, as pessoas deveriam trabalhar melhor a educação e o planejamento
financeiro, tendo em vista a grande economia que poderia ser realizada ao longo
da vida. A educação
financeira é fundamental na formação de uma sociedade saudável
sob todos os aspectos. Quando iniciada na infância e praticada no dia a dia
contribui para formar adultos financeiramente responsáveis.
Para obter-se sucesso financeiro devemos
buscar novas opções de renda extra, também chamada complementar ou adicional à
renda da atividade principal. Diversos motivos podem levar as pessoas a ter ou
buscar essa alternativa, que vai desde o orçamento pessoal desequilibrado, passando
pelo consumo excessivo de supérfluos e o endividamento puro e simples.
Muitos brasileiros dispõem de renda extra e
não têm problemas financeiros, não são milionários, apenas são bons gestores de
suas finanças pessoais. Ter uma renda extra é importante, principalmente se
você faz o que gosta para obtê-la. Comece por atividades que estejam vinculadas
às suas aptidões e habilidades, aquilo que você faz de melhor e, quem sabe em
um futuro próximo, essa renda não possa levá-lo à independência financeira.
Segundo afirma David Back em seu livro The
finish rich worbook, tem que haver um propósito para o dinheiro, acumular
por acumular não é saudável.
Muita gente procura uma renda extra para
elevar sua receita, por vários motivos, mas o endividamento aparece na
liderança. As mulheres em geral, têm preferência por venda de objetos - roupas,
bijuterias, sapatos, artesanato, comidas, cosméticos e outros itens de
catálogo. Já os homens costumam oferecer serviços quando buscam uma renda
extra, como dar aulas, consertar coisas, ajudar em mudanças, fazer serviços de
carpintaria, pedreiro, jardinagem, pintura, serviços de entrega e transporte de
passageiros, afirma Pedro Braggio em seu livro Dinheiro é bom e eu gosto. Os
que tem hobby como fotografia e música, podem trabalhar nos fins de semana, em
casamento, festas etc.
Ainda de acordo com Braggio, os que iniciam
uma atividade extra ficam motivados com o resultado, pois o dinheiro costuma
vir rápido, e desperta a vontade de se dedicar ainda mais, trabalhar em
feriados, fins de semana etc. Afirma que “grandes empreendedores se fizeram
desta maneira, começando de forma informal”, e que acreditar no sonho e na própria
capacidade é um grande e poderoso motivador.
Não temos dúvida que sólidos conhecimentos de
gestão de projetos, planejamento estratégico, negociação, finanças pessoais,
arbitragem, tecnologias da informação, design gráfico, serviços para pessoas
idosas entre outras, podem abrir espaço para uma satisfatória renda extra.
Bodo Schäfer autor de livro O caminho para a
liberdade financeira, afirma “Se você fizer o mesmo que todo mundo, será tão
especial quanto um grão de areia no deserto e acabará com as mesmas coisas que
todo mundo tem”.
Por isso, se você vai buscar uma renda extra,
escolha bem, procurando fazer coisas especiais, usando seus talentos e
habilidades. Mantenha o foco, avalie periodicamente o tempo e esforço
despendido em nova atividade para não perder o que já foi conquistado ou até
mesmo comprometer a atividade principal.
Vimos e consideramos a obtenção de uma renda
extra elevando a receita total. Assim, com uma receita maior e constante, o
gastar menos poderá levá-lo a uma condição superavitária, o que muito bom para
a saúde financeira pessoal e familiar. Quando você aumenta a receita total, e
reduz as despesas pode atingir, muito rapidamente, a tão sonhada liberdade
financeira. Quem é devedor ou está endividado deve cortar as despesas, aumentar
os ganhos ou tomar essas duas medidas ao mesmo tempo.
Muitas pessoas compram bens e serviços para
acompanharem a moda, os amigos, colegas de trabalho ou pelo simples fato de
serem consumistas, nesse caso não precisam de desculpa. Pessoas endividadas não
percebem a diferença entre necessidade e desejo, uma distorção que pode levar
ao desequilíbrio financeiro e embarcar no ciclo vicioso do endividamento.
No livro Personal
Finance for Dummies, de Eric Tyson, ele afirma que os norte-americanos
também desconhecem princípios básicos de matemática e finanças pessoais. No
Brasil, a situação é mais grave, segundo aponta a Pesquisa Nacional de
Endividamento e Inadimplência do Consumidor-PEIC, de ago/17, da
Confederação Nacional do Comércio-CNC. Segundo a pesquisa, o endividamento
das famílias brasileiras atinge 58%, o que indica desconhecimento de educação
financeira. Segundo a pesquisa, o cartão de crédito tem a preferência de 76,4%
das famílias; seguido pelos carnês de loja com 15,8%; crédito pessoal (10,6%),
financiamento de carro com 9,8%, financiamento de casa (8,1%), enquanto o
crédito consignado, o mais barato, tem a preferência de apenas 5,8% das
famílias.
Para muitas famílias brasileiras, as dívidas
fazem parte do dia a dia, o que não é um hábito nada saudável, pois hábitos
saudáveis contribuem para redução de despesas e bom desempenho
na gestão das finanças pessoais. Vamos listar alguns desses hábitos, que quando
administrados corretamente podem ser positivos:
(a) Economizar:
economizar todos os dias e
controlar os gastos são essenciais para uma vida financeira saudável e próspera;
(b) Planejamento
Financeiro: gastar menos do que ganha é questão de sobrevivência
financeira. Faça um orçamento pessoal, liste as receitas, os ingressos de
salário, aluguéis, aplicações financeiras, extras etc. Liste as despesas
realizadas, pois “dinheiro gosta de orçamento, monitoramento e prevenção”,
afirma Alex Campos no livro Faça as pazes com o dinheiro.. Assim, descobre-se
para onde está indo o dinheiro, que muitas vezes desaparece sem deixar
vestígios;
(c) Pequenos
Valores: muitos cometem equívocos ao pensar que pequenos
valores não são importantes na estrutura de gastos, afirma David
Back em O milionário automático. Tomar mais de um café expresso ao dia, lanches
fora de casa, cigarro, cerveja etc., quando somados atingem grande valores em
um ano ou década;
(d) Compras
Parceladas: evite compras a prazo, pois várias prestações quando somadas
podem gerar grandes volumes de dinheiro e levam ao endividamento. Cuidado com
as armadilhas
do comércio. Antes de abrir a carteira pergunte-se: Eu preciso? Tenho dinheiro? Tem que ser agora? Com apenas uma
resposta negativa não compre;
(e) Cartão
de crédito: os juros do crédito rotativo do cartão
de crédito, para quem paga o mínimo, são os mais elevados entre
todas as modalidades de crédito do sistema financeiro nacional. O aparente
benefício pode se transformar em grande dor de cabeça pelos altos juros
cobrados na próxima fatura, mesmo após o Banco Central ter alterado a forma de
pagamento do rotativo a partir de abril deste ano;
(f) Negociar
dívidas: o endividado pode reduzir o montante de dívidas se negociar
diretamente com credores: bancos, financeiras, operadoras dos cartões de
crédito, escola das crianças etc. A melhor maneira de reduzir gastos, caso
contrário, o poder multiplicador dos juros compostos dará grande dor de cabeça.
Portanto, o segredo da prosperidade
e da liberdade financeira está em saber gastar e buscar novas formas de
receitas. Bons hábitos financeiros reduzem o estresse, melhoram a qualidade
de vida, eleva a produtividade, traz independência e liberdade
financeira, melhora a saúde física e mental, e também ajuda nos relacionamentos
pessoais e profissionais.
¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças
pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro;
palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura
macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel
em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do
Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.
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