quinta-feira, 21 de setembro de 2017

NOVA SELIC DERRUBA RENTABILIDADE DA POUPANÇA
Régis Varão/¹

A caderneta de poupança é a modalidade mais antiga, popular e tradicional de investimento existente no País. Tendo em vista a segurança que oferece ao aplicador, a simplicidade para depósitos e saques, a isenção do Imposto de Renda e a liquidez, todos esses fatores contribuem para sua escolha, principalmente pelo pequeno poupador, embora aplicadores de elevada renda destinem recursos para a caderneta de poupança.

Durante décadas a caderneta de poupança não sofreu alteração no cálculo de sua rentabilidade, mas em 2012 houve uma mudança no modo de correção, ficando da seguinte maneira:

(a) Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic menor ou igual a 8,5% a.a., a correção será: 70% da Selic + TR (é a Nova Poupança);

(b) Depósitos realizados a partir de 4/5/12, com taxa Selic maior que 8,5% a.a., a correção será: juros de 0,5% a.m. + TR;

(c) Depósitos realizados antes de 3/5/12, com qualquer valor da taxa Selic, a correção continua: juros de 0,5% a.m. + TR (é a Poupança Antiga).

No período entre 19.4 e 30.5.12, quando foi fixado os novos parâmetros para a correção da caderneta de poupança (Nova Poupança), a Selic foi fixada em 9% na reunião do Comitê de Politica Monetária-Copom de 18.4.12. A grande vantagem dessa modalidade de investimento é que os recursos depositados podem ser sacados a qualquer momento e são livres de imposto de renda. Outra vantagem é que os recursos aplicados em caderneta de poupança têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito-FGC, o que dá uma proteção a valores depositados até R$250.000,00. A função do  FGC é proteger investidores e famílias com depósitos ou aplicações em bancos, de eventuais prejuízos decorrentes da insolvência ou falência de instituições financeiras.

Os recursos da caderneta de poupança são capitalizados mensalmente para as pessoas físicas e jurídicas sem fins lucrativos (no caso de pessoas jurídicas com fins lucrativos, a capitalização é trimestral), o que garante uma taxa de juros um pouco acima da inflação oficial (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-IPCA). Em termos práticos, a caderneta de poupança, que até então estava sendo corrigida mensalmente com 0,5% a.m. mais a TR, passa agora, após o declínio da taxa Selic para 8,25% a.a., a render 70% da Selic mais a TR, o que trará rentabilidade inferior às verificadas antes da queda da Selic.

Por outro lado, isso não significa que as demais aplicações de renda fixa do mercado, como os CDBs e similares tornem-se mais atraentes, até porque fora a caderneta de poupança e as Letras de Crédito Agrícola-LCA e Letras de Crédito Imobiliário-LCI todos pagam imposto de renda e não têm a garantia do FGC, sem contar as elevadas taxas de administração de alguns investimentos. A caderneta de poupança é a preferida do pequeno poupador, o que coloca a sobra de salário (quando sobra), parte do 13º, bônus natalino etc.

Não podemos esquecer o fato de que embora a poupança possa ainda ser um pouco atrativa, não significa que ela esteja mais atrativa que outras aplicações financeiras. Se a poupança já não era um investimento muito atrativo antes da mudança em sua remuneração, agora, com o corte da taxa Selic para 8,25% a.a. sua rentabilidade caiu.

No entanto, existem inúmeras opções de investimentos fora da tradicional caderneta de poupança, o problema é saber qual o nível de risco que você aceita pagar! Considere o fato de que existe poucas opções se você é um pequeno poupador no mercado financeiro. Todos sabem que maior rentabilidade exige maior nível de risco, logo, não é tão difícil refletir a respeito disso, ainda mais se você é um pequeno poupador e mais ainda se é avesso ao risco.

Na atual conjuntura não está muito fácil para o pequeno investidor obter boa rentabilidade para o seu dinheiro. A poupança tende a reduzir mais ainda sua rentabilidade pois depende da queda da taxa Selic e tudo indica cairá no curto prazo. Na atualidade, uma das poucas alternativas para o pequeno investidor é o Tesouro Direto, que pode iniciar com aplicações de R$30,00. Não espere grandes rentabilidades, mas pelo menos poderá manter o poder de compra de sua aplicação.

Por outro lado, os fundos de renda fixa para quem é pequeno poupador e precisa do dinheiro no curto prazo (antes de 6 meses), muitas vezes não é bom negócio, pois as taxas de administração e o imposto de renda poderá comer parte da rentabilidade.

A caderneta de poupança é beneficiada no curto prazo tendo em vista que as aplicações tributadas pagam alíquotas maiores de imposto de renda quando o resgate é feito em pouco tempo (antes de 6 meses). Se o investidor precisar do dinheiro no curto prazo a melhor opção continua sendo a tradicional caderneta de poupança. Por outro lado, considerando aplicações para prazos mais longos, as aplicações do Tesouro Direto são mais interessantes. Outras aplicações fora a poupança e até mesmo o Tesouro Direto podem indicar maior rentabilidade, mas observe qual a taxa de administração cobrada, qual a alíquota de imposto de renda, carência etc.

Portanto, considere ao decidir aplicar seu dinheiro ou até mesmo mudar de aplicações, os aspectos inerentes a todo e qualquer investimento: segurança, liquidez e rentabilidade. O risco sempre estará presente em todas as aplicações financeiras ou não financeiras, a não ser, no caso das primeiras, tenha a proteção do FGC, mas nesse caso, são poucas e estão limitadas a R$250 mil por CPF.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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