sexta-feira, 8 de setembro de 2017

AUMENTA O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS EM AGOSTO
Régis Varão/¹

O total de famílias brasileiras endividadas subiu em ago/17 (58%) ante o mês anterior, e apresentou estabilidade em relação a ago/16. O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso aumentou entre julho e ago/17, assim como o percentual sem condições de pagar suas contas. Os dois indicadores atingiram o maior patamar deste ano. Na comparação anual, também houve alta em ambos os indicadores de inadimplência, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

De acordo com Marianne Hanson, economista da CNC, “O desemprego ainda elevado pode ajudar a explicar a maior dificuldade das famílias em pagar suas contas em dia. Porém, apesar da queda das taxas de juros, a contratação de novos empréstimos e financiamentos pelas famílias tem se recuperado lentamente”.

O percentual de famílias que relataram ter dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro/casa e seguro alcançou 58% em ago/17, uma alta de 0,9 p.p. em relação ao observado em jul/17, mas manteve-se estável frente a ago/16.

O percentual de famílias com dívidas em atraso também subiu em ago/17 na comparação mensal, passando de 24,2% para 24,6% do total, o maior patamar alcançado em 2017. Houve elevação da inadimplência em relação à ago/16, quando esse indicador registrou 24,4% do total. O percentual de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas/dívidas em atraso e que permaneceriam inadimplentes, também apresentou incremento em ambas as bases de comparação (acima de 10 salários mínimos, >10 SM e abaixo, <10 SM), chegando a 10,1% em agosto deste ano, o maior patamar desde jan/10, ante 9,4% em jul/17 e 9,4% em ago/16.

A quantidade de famílias endividadas, na comparação mensal, foi observada em ambas as faixas de renda. Na comparação anual, as duas faixas de renda também apresentaram alta. Para as famílias que ganham <10 SM, o percentual de famílias com dívidas foi de 59,6% em ago/17, ante 59% em jul/17 e 59,5% em ago/16. Para famílias com renda >10 SM, o percentual de endividadas subiu de 48,4% em jul/17 para 50,8% no mês seguinte. Em ago/16, o percentual de famílias com dívidas nesse grupo de renda era de 50,6%.

O percentual de famílias com contas/dívidas em atraso apresentou tendências distintas entre os dois grupos de renda. Na comparação mensal, houve elevação do indicador na faixa de maior renda (>10 SM). Na faixa de renda <10 SM, houve estabilidade. Na comparação anual, se observou alta apenas na faixa <10 SM. Na faixa de menor renda, o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso ficou estável em 27,5% em ago/17. Em ago/16, 27,1% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso. Já no grupo com renda >10 SM, o percentual de inadimplentes atingiu 11,9% em ago/17, ante 10,3% em jul/17 e 12,8% em ago/16.

O resultado por faixa de renda de famílias que declararam sem condições de pagar suas contas em atraso apresentou comportamento semelhante entre os grupos pesquisados, nas duas bases de comparação. Na faixa de renda >10 SM, o indicador chegou a 4,6% em ago/17, ante 3,2% em jul/17 e 4,5% em ago/16. Para o grupo com renda <10 SM, o percentual de famílias sem condições de quitar seus débitos cresceu de 10,9%, em jul/17, para 11,3% no mês seguinte. Em relação a ago/16, houve elevação de 0,8 p.p.

A proporção de famílias que se declararam muito endividadas passou de 14% em jul/17 para 14,2% em ago/17. Na comparação anual, houve declínio de 0,4 p.p. Na comparação entre ago/16 e ago/17, a parcela que declarou estar mais ou menos endividada passou de 20,7% para 21,7%, e a parcela pouco endividada caiu de 22,7% para 22% das famílias.

Entre as famílias com contas em atraso, o tempo médio de atraso foi de 64,7 dias em ago/17, superior aos 63,3 dias observados em ago/16. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi 7,2 meses, sendo que 24,1% estão comprometidas com dívidas até 90 dias, e 33,2%, com mais de 12 meses. Entre as endividadas, a parcela média da renda comprometida com dívidas diminuiu na comparação anual, passando de 30,2% para 29,8%, e 22% delas afirmaram ter mais da metade de sua renda mensal comprometida com pagamento de dívidas.

O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 76,4% das famílias endividadas, seguido por carnês de loja com 15,8%, crédito pessoal (10,6%), financiamento de carro com 9,8%, financiamento de casa (8,1%), cheque especial com 6,6% e crédito consignado com 5,8%.

A ausência de educação financeira pode explicar a preferência das famílias pelo cartão de crédito, uma modalidade que pratica os juros mais elevados do setor bancário brasileiro.

Portanto, o percentual de famílias com dívidas apresentou elevação na comparação mensal, mas o indicador permaneceu estável em relação a ago/16. A quantidade de famílias muito endividadas e a parcela média da renda comprometida com dívidas, permaneceu em patamar abaixo do observado em igual período de 2017.

¹/ Coach Financeiro, especializado em finanças pessoais e desenvolvimento de pessoas; educador e planejador financeiro; palestrante de educação financeira, finanças pessoais, liderança e conjuntura macroeconômica. Economista com mestrado e doutorado em economia, é também bacharel em direito. Foi professor universitário durante vinte e três anos e servidor do Banco Central por 36 anos. Visite o site www.ravecofinancas.com.

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